Por Héber Negrão

Uma das áreas atingidas pela cheia do Rio Madeira (Foto: Defesa Civil/Divulgação)

Uma das áreas atingidas pela cheia do Rio Madeira (Foto: Defesa Civil/Divulgação)

Estamos abalados com as notícias das últimas semanas sobre a cheia histórica do rio Madeira, em Rondônia. Desde que as chuvas começaram na região, o nível do rio subiu mais de vinte metros além do normal. A última vez que isso aconteceu foi em 1997, quando o rio alcançou a marca de 18,43 metros acima de sua normalidade.

Hoje, com mais de 12 mil famílias desabrigadas e um prejuízo alçado em 400 milhões de reais, o governo decretou estado de calamidade pública. Em visita à região a presidente Dilma nega a possibilidade de este fenômeno ter sido causado pelas ações das duas usinas hidrelétricas, Jirau e Santo Antônio, ambas localizadas em Rondônia.

Essa não parece ser a opinião das pessoas que, de fato, vivem naquele lugar e que conhecem profundamente o ambiente em questão. A dona Floriza de Sá que mora há 40 anos na região afirma que depois que as usinas chegaram não se sabe mais prever corretamente as marés do rio. Josué Paumari é indígena e missionário na Jocum em Porto Velho. Ele atribui esta cheia às usinas da região e colocou em sua página no Facebook que seus parentes da aldeia já haviam previsto que essa cheia iria ultrapassar a de 1997.

Por outro lado – nesta mesma época do ano – vemos Roraima devastada por incêndios abrasadores causados pela seca do extremo Norte do país. Nove dos quinze municípios do estado já foram atingidos pelos quase mil focos de calor, o maior nos últimos cinco anos. O incêndio já tomou mais de 70% do município de Mucajaí e ameaça terras indígenas e o parque de preservação ambiental do estado.

Essas catástrofes acontecem a apenas 1.690 km uma da outra, ambas acima do “Paralelo 10”. Tanta disparidade nos leva a fazer muitos questionamentos que – de fato – não são novos, mas muito relevantes para a igreja do Norte e Nordeste do Brasil. Um desses questionamentos é “por que chove tanto em alguns lugares e em outros chove tão pouco?”. Talvez outros mais ousados possam indagar “como um Deus justo pode tratar com tanta diferença o povo de uma mesma nação?”.

Mais do que tentar responder satisfatoriamente esses questionamentos nós precisamos pensar, enquanto igreja, qual tem sido o nosso papel diante dessas tragédias da natureza. O que nós podemos fazer pelas famílias desalojadas pela cheia e pelos agricultores que perderam suas lavouras por causa dos incêndios?

O nosso papel neste mundo é servir e testemunhar por meio do serviço. Deus tem o mesmo propósito para a sua Igreja, tanto em Rondônia quanto em Roraima e para as igrejas das demais cidades do país. A maneira como nós vamos cumprir este propósito será diferente, de acordo com as necessidades que cada região enfrenta. É bem provável que a Igrejas de Boa Vista tenha um “modus operandi” específico para dar suporte aos lavradores que perderam sua colheita com os incêndios. Este “modus operandi” será completamente diferente daquele que a Igreja de Porto Velho vai usar para amparar os desabrigados por causa da cheia do rio Madeira. O importante é que o corpo de Cristo faça a diferença em meio ao caos e que, ao acolher o necessitado, o nome de Cristo seja pregado e glorificado.

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Héber Negrão é paraense, tem 31 anos, mestre em Etnomusicologia e casado com Sophia. Ambos são missionários da Missão Evangélica aos Índios do Brasil (MEIB), com sede em Belém, PA.

 

 

  1. Deus tem suas formas de trabalhar na vida do ser humano. Ele já começa a tratar nesta nação usando sua disciplina, à natureza. Muitas chuva em regiões, em outras quase nada. Isso é apenas um pouquinho do juízo de Deus para está nação. Deuteronômio 32:35.

  2. Olá irmão Rosenildo,

    Sem dúvida Deus tem seus meios de punir a nação pecadora (vemos vários exemplos disso no AT), mas isso não significa que a Igreja precise ficar alheia ao sofrimento dessas pessoas, olhando para elas como uma criança certinha (e hipócrita) que se alegra ao ver o pai disciplinando o irmão que errou. Afinal também erramos e somos passíveis de disciplina do Senhor.

    Cremos que Deus age através da Igreja para mostrar a sua misericórdia, assim como age através da natureza para mostrar sua punição.

    Como Igreja de Cristo precisamos testemunhar do seu nome servindo a estas pessoas que sofrem, mostrando a elas e a verdade sobre Deus. Dessa maneira talvez eles vejam o amor de Deus, se arrependam e voltem-se pra Ele.

  3. Eraldo Gueiros

    Querido irmão Heber, paz!

    Estou a procura de contatos com algum pastor ou igreja presbiteriana nessa região que foi atingida. Você tem algum contato?
    Existe alguma igreja ou associação que esteja recolhendo donativos para essas pessoas?
    Por favor, mande-me uma resposta por e-mail:
    pr.eraldo@ipb.org.br

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