Por Phelipe Reis

p10_06_11_13_phelipe_criancasEu e minha esposa moramos em Parintins, cidade do interior do Amazonas. Desde 2011 desenvolvemos um trabalho com crianças numa pequena congregação, em contexto de vulnerabilidade social.

O que nos move a dedicar nosso tempo, dons e recursos para servir os pequeninos é ajudá-los a andarem com Cristo num caminho de vida, alegria e paz, mesmo em meio às mazelas da realidade. Não queremos, por outro lado, que eles enveredem pelo caminho das drogas, marginalidade e prostituição.

Aos domingos pela manhã acontece a escola bíblica, onde o ensino da Bíblia é transmitido por meio de músicas, histórias e atividades lúdicas. A dança e a música são nossas aliadas nesta missão. Em 2012, criamos o grupo Kadosh, com o objetivo de oportunizar aos pequeninos a prática e o desenvolvimento de habilidades artísticas. Além de ocupar horários livres durante a semana, quando geralmente as crianças ficavam na rua, reforçamos durante as oficinas os princípios ensinados na escola bíblica dominical.

A ideia de criar o grupo Kadosh surgiu quando identificamos a necessidade de estar com as crianças mais que apenas uma hora por semana, na EBD. Quanto mais tempo passamos juntos, mais podemos influenciá-las positivamente. Esse contato mais intenso é necessário para que o ensino que tentamos transmitir seja regado e possa crescer, já que a realidade das crianças é recheada de situações capazes de afastá-las do caminho de Cristo ao invés de aproximá-las.

É um grande desafio semear os valores cristãos no coração das crianças, pois são indivíduos em construção, reprodutores de atitudes e exemplos bons ou ruins – geralmente dos adultos que elas tomam como referência. O conjunto familiar é um dos ambientes que mais influencia na formação da criança, uma vez que a assimilação é fácil por conta da convivência. Sem os “filtros” que uma pessoa adulta possui, a criança acaba absorvendo valores (muitas vezes contrários à fé cristã) que desenvolverá, caso sejam estimulados e reforçados, mesmo que involuntariamente.

Diante deste grande desafio, oramos e trabalhamos arduamente para que cada semente plantada e cada princípio ensinado sejam transmitidos da melhor forma possível às crianças. E que as sementes sejam bem regadas para que possam germinar, crescer e influenciar o futuro dos pequeninos.

Após três anos de trabalho já conseguimos ver os resultados. O vocabulário já não é mais o mesmo. A forma de se comportar mudou. O respeito e a obediência, que antes eram coisas difíceis de praticarem, hoje é algo comum entre elas. Realmente é uma obra recompensadora e gratificante. Sobretudo, é uma questão de fé – acreditar e esperar que o fundamento semeado hoje se torne alicerce para o futuro das crianças.

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Phelipe Reis, missionário, acadêmico de jornalismo, casado com Luíze Reis. Ambos desenvolvem um trabalho com crianças em Parintins, cidade do interior do Amazonas. Phelipe é o representante do Paralelo 10 na cidade.

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