Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca este caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

 

A Unesp reuniu outras poesias a respeito do Natal. Não deixe de ver. Basta clicar aqui

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João Cabral de Melo Neto foi um poeta pernambucano (1920-1999). Publicado em Museu de tudo (1952), este poema retrata bem a poesia de João. Pesquisador formal, sempre em busca da máxima concisão e densidade poética, mostra aqui o simbolismo do reinício da vida que todo Natal propicia

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