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Por June Ribeiro

Nati está se formando em Psicologia. Atualmente, ela mora sozinha, mas dos 3 anos em diante até sair para cursar a Faculdade morou com a sua avó, uma senhora simples, gorducha e amorosa. Sua mãe “morreu matada” quando ela ainda era pequena. Somente anos mais tarde foi que ela soube que o pai que ela nunca vira havia atirado na mãe.

Jesus e a Velhinha

Eu estou aqui, eu amo você!

Em seus primeiros dias na escola, ainda na Educação Infantil, ela se sentia um pouco estranha, pois suas roupas e materiais eram diferentes dos demais. A maioria deles muito simples comprados em lojas de artigos importados, destas de R$1,99. Outros lhes foram doados pela patroa da avó, após terem sido usados pelos filhos delas. No dia do brinquedo,  Nati geralmente não levava nenhum e muitas vezes ficava sem brincar. No dia das mães e também no dia dos pais e em todos os outros dias, era sempre a vovó quem comparecia, quando a patroa liberava. Chegava discretamente, vestida com o seu uniforme de cozinheira. Pedia licença, cumprimentava a professora, sorria para Nati e dizia no ouvido dela: – Eu estou aqui, eu amo você.  Aquele sorriso suave e aquelas frases tinham um efeito de chocolate quente em dias de muito frio.

Os anos foram passando e, enquanto não aprendia a ler e a escrever, Nati tinha que prestar ainda mais atenção a tudo o que era dito na sala. Como vovó era analfabeta, ela não podia ler os bilhetes e nem ajudar nos deveres de casa. Foram muitas as vezes em que Nati  levou uma anotação negativa por não ter cumprido alguma tarefa. Às vezes ela achava que os colegas estavam rindo dela, principalmente quando a vovó era chamada na escola. Ela sempre aparecia com aquele avental e com aquele sorriso e nunca saia sem antes repetir: – Eu estou aqui, eu amo você!

Nati sempre quis ter uma família grande com pai, mãe e irmãos. Queria ter gente por perto, quando chegasse da escola e queria ter um irmão para brigar, como as demais crianças. Na adolescência, quando menstruou pela primeira vez, sentiu muito medo e achou que estava morrendo. Às vezes, ela chorava quietinha abafando as lágrimas com o travesseiro e, quando menos esperava, uma mão gordinha acariciava seus cabelos e uma voz quentinha repetia: -Eu estou aqui, eu amo você.

Os anos da adolescência não foram mais fáceis do que a infância. Foi difícil se preparar para o vestibular e para conseguir um emprego que lhe custeasse os estudos. Algumas vezes ela se via sem nenhum recurso e a ponto de desistir. Então, uma mão enrugada lhe entregava algumas cédulas dobradinhas e repetia: -Eu estou aqui, eu amo você.

Nati foi oradora na conclusão do curso de Psicologia. Ela iniciou contando as façanhas da turma, agradecendo aos professores e logo testemunhou: “Quando ingressei neste curso, estava em busca de uma resposta para o fato de ter chegado até aqui. De ter escolhido seguir este caminho, ao invés de tantos outros que estavam diante de mim. Um dia, eu estava muito triste e desanimada e, enquanto estudava, vi uma cena bem clara à minha frente. Havia uma cruz muito rude e dela saia uma voz rouca que me esforcei para entender. Me aproximei e ouvi claramente: – Eu estou aqui, eu amo você.  Naquele dia entendi de que forma Jesus estivera presente durante toda a minha vida, através de uma senhora velhinha e gorducha e me entreguei inteiramente em Seus braços. Aguardo o dia em que irei abraçá-la  novamente e dizer: eu estou aqui, eu a amo demais!”

Esta é uma história fictícia, mas real. Ela acontece todos os dias com milhares de crianças neste país e no mundo. Que Deus nos dê muitas vovós e muitos educadores com coração de velhinhas bondosas para manifestar a Sua presença na infância!

June Ribeiro, avó de Julia e Gabriel.

 

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Essa reflexão nos remete ao tema do Mutirão Mundial de Oração deste ano, “Jesus presente na infância de cada criança”. Participe!

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