segundas-1024x231Clenir Xavier dos Santos

No último estudo que realizamos em agosto de 2014, observamos que as 134 crianças e adolescentes das sete regiões de cinco países pesquisados (Brasil, Colômbia, Índia, Quênia e Uganda), contaram que seu maior trauma aconteceu dentro de casa!

O maior índice foi o abuso físico (22%), seguido por má influência de um dos pais ou de ambos (19%), como bebida, uso de drogas, mentira, roubo, etc.; ameaça verbal, provocação ou bullying (19%); abandono ou rejeição, que ficou com 12%; separação da família, com 9%; abuso sexual (6%) e fuga de casa (4%) seguiram a lista de maus tratos na família.

Outros traumas relatados, como a perda de um ente querido (14%), doença (10%), pobreza (7%), erro, e uso de drogas (6%), quase sempre estavam relacionados à família, no entanto, nem sempre por escolha dela.

Projeto Calçada00O que impressiona aos conselheiros do Projeto Calçada é o quanto as crianças sofrem e ficam marcadas com tais experiências. Na maioria das vezes os adultos ignoram o impacto que os maus tratos ou tragédias têm na vida das crianças. Geralmente elas são ignoradas e espera-se que se esqueçam do que lhes passou, como se não precisassem de ajuda ou atenção, afinal, “são apenas crianças!”. Se houver apoio emocional, será voltado aos adultos.

As crianças que sofreram as experiências acima nos contaram que sentiam tristeza (44%); raiva (17%); mágoa profunda (14%); medo (12%); vergonha (6%); ódio (4%); e culpa (3%). Sabemos que esses sentimentos permanecerão com a criança até a idade adulta se ela não for ajudada. Talvez os maus tratos cessem em casa, mas o sentimento negativo perdura e, a cada experiência semelhante, seja com um colega, um amigo, o cônjuge, o chefe, o mesmo sentimento virá à tona, levando a pessoa a responder de forma inadequada à situação, o que muitas vezes, provocará novos traumas.

Projeto Calçada000A Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990, reconhece que “a criança, para o desenvolvimento harmonioso da sua personalidade, deve crescer num ambiente familiar, em clima de felicidade, amor e compreensão; considerando que importa preparar plenamente a criança para viver uma vida individual na sociedade e ser educada no espírito dos ideais proclamados na Carta das Nações Unidas e, em particular, num espírito de paz, dignidade, tolerância, liberdade e solidariedade”.

O Salmo 127:3 exalta as crianças como “uma herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão.” Jesus nos ensina através de seu exemplo a tratar as crianças com dignidade: “Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar.”(Mateus 18: 6). E quando seus discípulos tentavam mandar as crianças para longe, Jesus disse: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mateus 19:14).

Nem sempre é fácil lidar com as crianças. Muitas vezes elas são teimosas, insistentes, desobedientes e agitadas. Às vezes não são aquilo que você sonhou… No entanto, se você entender que elas são criaturas especiais e tremendamente amadas por Deus, e que Ele escolheu você para tomar conta delas, por um período limitado, talvez consiga se imaginar como esse “guardião ou guardiã, escalado(a) para um elevado serviço”.

Quando os pais se sentem donos das suas crianças, acham que podem fazer qualquer coisa com sua propriedade, e que ninguém pode se intrometer no seu negócio. Na verdade, os pais se enganam se pensam assim. Na verdade, Deus lhes confiou esse presente especial e, quanto mais amor, atenção, cuidado e alegria proporcionarem às suas crianças, mais estarão agradando ao Mestre.

Quando Cristo disse em Mateus 25:40: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”, de fato Ele quis dizer que quando você abraça sua criança, Ele sente esse abraço; quando você tem paciência, Ele se sente compreendido; quando você ama seu filho ou filha, irmão ou irmã, sobrinho ou neta, Ele se sente amado.

O mesmo vai para quando você julga, maltrata, perde a paciência, agride, bate, xinga… É a Ele que você está ferindo!

Procure olhar para sua criança como propriedade de Deus. Compreenda que para Deus ela é muito importante, valiosa e especial. Os olhos de Deus brilham ao ver a sua criança. Ele deseja que você seja os Seus olhos brilhantes, os Seus braços protetores, as Suas mãos carinhosas, o Seu sorriso aprovador. Ele pretende que sua criança cresça sabendo que é amada, e que isso lhe transforme na pessoa segura e feliz que Ele a desenhou.

Como cuidador temporário da sua criança, busque agir de forma a ajudá-la a se tornar o que Deus planejou para ela:

  • Projeto Calçada0000Ame-a. Aceite-a do jeito que é e não tente transformá-la naquilo que você idealizou ou que não conseguiu ser;
  • Ouça sua criança. Gaste tempo para compreender o que ela sente e o que pensa. Não ignore a capacidade dela para aprender e até para lhe ensinar!;
  • Incentive-a. Sua criança vai acreditar no que você disser a ela, seja com palavras, com gestos ou expressões faciais, portanto, procure sempre encorajá-la ressaltando suas qualidades e habilidades. Isso a incentivará a cada vez ser melhor. Críticas só a levarão a concluir e agir como quem não sabe ou que não tem capacidade;
  • Seja um bom exemplo. Sua criança vai lhe observar e vai interpretar o mundo a partir do que você lhe apresentar. Busque uma vida coerente com os princípios bíblicos e seja transparente, orando com sua criança para que ela conheça sua fragilidade/humanidade e aprenda a buscar a Deus para se manter firme.
  • Respeite o corpo da sua criança. Não adianta ensinar sua criança a cuidar de seu próprio corpo se você o machuca cada vez que perde a paciência. Busque o diálogo para corrigir e disciplinar, ficando longe de castigos físicos, assim, ela será fortalecida e não tolerará qualquer tipo de abuso por parte de outros.
  • Chame a criança pelo seu nome. Procure chamá-la sempre pelo nome ou nomes carinhosos que ressaltem o quanto ela é querida. Lembre-se de que você tem o poder de formar o caráter e personalidade de sua criança e ela se tornará aquilo que você diz que ela é! Deixe as palavras negativas longe do seu vocabulário.

Meu desejo é que o Pai Eterno se alegre com o que você faz com e pela criança Dele. Que você seja recompensado(a) com muita alegria pela sua dedicação e compromisso com a tarefa que lhe foi confiada.

 

 

ClenirClenir Xavier dos Santos, diretora do Projeto Calçada da Lifewords

 

  1. Hoje uma menina de 11 anos foi morta e jogada no lixo pelo padrasto, no Rio de Janeiro, como se sua vida foi um pedaço de papel sem valor, descartável.
    Talvez se a sua família tivesse lido esse artigo, o futuro dessa criança hoje poderia ser bem diferente.
    Leia e compartilhe!

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