Cida Mattar foi ter com o seu Senhor na semana passada de forma inesperada e me deixou com um sentimento de grande perda. Isto porque eu sempre tive nela uma companheira fiel e uma excelente crítica de tudo o que escrevi. Ela não só lia, ela comentava e me instigava a ir mais fundo, a refletir mais, a investigar a realidade das crianças e propor soluções mais próximas da realidade. Receber seus comentários e conversar com ela sobre os assuntos que afligem as crianças era sempre um exercício compensador para mim!

É por isto que publico aqui um artigo que ela escreveu e que foi publicado na Edição 23 da Revista Mãos Dadas em maio de 2009. 

Acolhimento é direito da criança e dever do educador

O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que crianças e adolescentes desprotegidos e abandonados devem ser encaminhados a entidades de atendimento, por decisão de autoridade competente. E os abrigos devem estar preparados para recebê-los (artigo 91 e 92).James William

A entidade deve estar regularmente constituída, oferecer um plano de trabalho estruturado conforme a lei e alinhado com sua missão institucional, prover instalações físicas em condições adequadas para habitação, higiene, salubridade, segurança e, o mais importante, ter como funcionários e voluntários pessoas idôneas.

Os princípios que regem o trabalho de abrigos são: preservação dos vínculos familiares; integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem; não desmembramento de grupos de irmãos; atendimento personalizado e em pequenos grupos; desenvolvimento de atividades em regime de co-educação; preparação gradativa para o desligamento; participação de pessoas da comunidade no processo educativo; participação na vida da comunidade local. Além disso, sempre que possível a transferência para outras entidades deve ser evitada.

Para que o direito ao abrigo seja cumprido existe uma chave que determinará em grande parte o êxito desta estadia: o acolhimento, o primeiro momento de recepção da criança no abrigo. Gosto de lembrar como Jesus acolheu as crianças que eram encaminhadas a ele. Ele as recebeu com carinho, reconhecendo o valor intrínseco delas e as abençoou. No momento do abrigamento geralmente a criança encontra-se em uma situação de grande fragilidade. Por isso é essencial que ela seja muito bem acolhida estabelecendo um novo vínculo relacional.

Não dá para imaginar isso acontecendo sem ter pessoas realmente comprometidas com a causa da criança, por isso é importante um bom processo de seleção de pessoal.

 

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Cida Mattar, foi a pioneira da Educação por Princípios no Brasil através da AECEP. Desde do ano 2000 foi colaboradora da Rede Mãos Dadas.

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