A amizade humana é a provisão amorosa de Deus para a humanidade
Não devemos negar nossa humanidade ou fragilidade, ou fingir que somos feitos de outras coisas além de pó
“Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério. Enviei Tíquico a Éfeso. Quando você vier, traga a capa que deixei na casa de Carpo, em Trôade, e os meus livros, especialmente os pergaminhos.” (2 Timóteo 4.9-13)
Embora tenha terminado seu curso e esteja esperando sua coroa, Paulo ainda é um ser humano frágil com necessidades humanas comuns. Ele se sente terrivelmente isolado e abandonado, exilado das igrejas que fundou e das pessoas nelas que conhece e ama. Por várias razões, alguns de seu círculo íntimo de companheiros de viagem o deixaram ou se separaram dele. É da comunhão deles que ele sente mais falta do que de qualquer outra pessoa.
A deserção de Demas é obviamente dolorosa para Paulo. Em vez de depositar seu amor na vinda de Cristo, Demas “[amou] este mundo” (literalmente “era”). Não sabemos os detalhes de sua deserção. As outras três pessoas não são criticadas por terem partido. Crescente “foi para a Galácia” e Tito viajou para a Dalmácia. Nenhuma razão é dada para esses movimentos. No entanto, Paulo relata que “[enviou] Tíquico a Éfeso”. Tíquico havia sido enviado a várias missões de responsabilidade antes, aparentemente levando cartas de Paulo aos efésios, aos colossenses e a Tito.
Além da exceção isolada de Lucas, Paulo está sozinho na prisão. Ele anseia e pede três coisas: que as pessoas lhe façam companhia, que um manto o mantenha aquecido e que livros e pergaminhos o mantenham ocupado.
Primeiro, companheiros. “Traga Marcos com você.” Marcos foi um desertor na primeira viagem missionária; mais tarde, foi reintegrado e agora é “útil” para Paulo no ministério. Mas, acima de tudo, Paulo anseia pelo próprio Timóteo. O mesmo apóstolo que depositou seu amor e esperança na vinda de Cristo, todavia, também anseia pela vinda de Timóteo. Os dois anseios não são incompatíveis. A amizade humana é a provisão amorosa de Deus para a humanidade.
Roupas quentes também são necessárias para Paulo. Sem dúvida, em antecipação do iminente inverno, ele sente a necessidade do calor extra que sua “capa” poderia lhe dar. Mas quem foi Carpo e por que Paulo deixou seus pertences com ele em Trôade, só podemos pressupor.
A terceira necessidade que Paulo menciona são seus “livros, especialmente os pergaminhos”. Os livros (rolos de papiro) podem ser textos, suas correspondências ou alguns documentos oficiais. Os pergaminhos podem não ter sido usados, mas, muito provavelmente, eram “livros” de algum tipo.
Sem dúvida, Paulo desfruta da companhia e da força do Senhor Jesus em sua masmorra. No entanto, a ajuda que ele obtém de seu Senhor é indireta como também direta. O mesmo se aplica a nós. Quando nosso espírito está sozinho, precisamos de amigos. Quando nosso corpo está frio, precisamos de roupas. Quando nossa mente está entediada, precisamos de livros. Admitir isso não tem nada a ver com não ser espiritual; é humano. Não devemos negar nossa humanidade ou fragilidade, ou fingir que somos feitos de outras coisas além de pó.