Estive recentemente em Campinas e pude visitar o Seminário Presbiteriano do Sul, escola teológica que foi minha casa durante quatro anos preciosos de minha vida. Como sempre, a primeira coisa que faço ao chegar lá é conferir a pegada de um cão num dos tijolos do velho Seminário. Para mim aquela marca na parede me fala ao coração. Algum cão perdido, lá pelos idos de 1940 (talvez antes), passou por uma olaria e pisou um tijolo mole, que depois foi levado ao forno, vendido, manuseado pelos pedreiros que construiram o seminário e tiveram a bela idéia de deixar aquela marca do lado de fora das paredes duplas.

Aquelas pegadas me falam de um animal ausente, inominado, desconhecido, mas presente em minhas melhores lembranças e sentimentos do Seminário. É só uma marca na parede, mas como fala! Assim é Deus em nossa vida, sinal de uma ausência eterna, e ao mesmo tempo eterna presença, profunda em nós. Quando vejo a marca sinto saudades, sinto saudades de Deus, daquele que um dia pisou este chão, moldou este barro e ficou em silêncio. Em silêncio fico eu enquanto medito nessas coisas. Dentro de mim tem a pegada de um Deus.

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