Um Deus que gosta de festas

Um Deus que gosta de festas

SÉRIE REVISTA ULTIMATO

Artigo: O séquito do perdão, por Elben César

Texto básico: Lucas 15. 1-3; 11-32

Textos de apoio
– Êxodo 34. 4-9
– Salmo 51
– Jeremias 31. 31-34
– Marcos 2. 1-12
– Romanos 4. 1-8
– 1 João 1.8 – 2.2

Introdução

Os primeiros versículos do capítulo 15, no evangelho de Lucas, nos fornecem o pano de fundo para as parábolas contadas por Jesus no mesmo capítulo. Um bom número de líderes religiosos estavam indignados porque Jesus cultivava uma amizade genuína com pessoas que, do ponto de vista deles, apresentavam uma reputação bastante duvidosa.

Os fariseus eram um grupo separatista e legalista que buscavam seguir à risca a Lei de Moisés (os cinco primeiros livros da Bíblia). E os escribas eram treinados profissionalmente para o ensino e a aplicação da Lei. Ambos os grupos acreditavam que a graça e o perdão de Deus eram estendidos apenas para aqueles que guardavam fielmente a Lei. Os publicanos e “pecadores” do v.1 definitivamente não faziam parte deste grupo.

O problema é que Jesus não apenas conversava com aqueles “excluídos pecadores”, mas chegava a comer com eles! Os líderes religiosos estavam frustrados com Jesus. Na cabeça deles, como era possível dizer que ele vinha da parte de Deus, fazendo tudo isso? Um homem que se dizia o Filho de Deus não deveria estar separado da multidão, e tomar cuidado para não ser contaminado pelo contato com “pecadores”?

Será que também possuímos uma compreensão legalista acerca do perdão de Deus? Achamos que o relacionamento com Deus está alicerçado no que fazemos, ou em nossos méritos pessoais? A parábola contada por Jesus em nosso texto básico nos ajuda a ter uma noção mais correta acerca do amor compassivo de Deus.

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Para entendermos o significado mais profundo de uma parábola, é importante prestarmos atenção na audiência de Jesus, buscando perceber a quem Jesus está se dirigindo. Os vv. 1-2 nos apresentam dois grupos de ouvintes que estão em polos opostos num “ranking religioso”. Descreva as características destes dois grupos.
  2. O que você acha que os judeus ali presentes (especialmente os líderes religiosos), ouvindo   a história, pensaram sobre a atitude do filho mais novo pedindo sua parte da herança (vv. 11-12)?
  3. A imagem do filho mais jovem, diante do público judeu, deve ter piorado bastante com os relatos subsequentes de Jesus (vv. 13-16). Você consegue perceber como Jesus deliberadamente vai rompendo cada “lacre sagrado” da legalista religiosidade farisaica? Pense no significado religioso de “partir para uma terra distante”, “levar uma vida cheia de pecado” (NTLH), e “ir trabalhar com porcos” (Lv 11. 7-8)?
  4. Depois da difícil experiência, o jovem “caiu em si” (v. 17), uma linguagem que expressa o seu arrependimento. Pensando no retrato que Jesus deliberadamente construiu acerca do filho mais novo, que reação a audiência de Jesus esperava que o pai tivesse quando este filho retornasse (v. 20)?
  5. Nos vv. 20-24 Jesus nos oferece um dos mais belos quadros de Deus Pai que podemos encontrar nas Escrituras. Faça uma lista com cada ação realizada pelo pai do rapaz, e procure compreender o sentido mais profundo de cada uma delas como imagem da graça de Deus. Observe como o pai reinsere seu filho novamente na comunidade e no lar.
  6. Pensando agora no filho mais velho, quais foram as razões que o levaram a irar-se contra seu pai (vv. 28-31)? Onde estava alicerçada a sua motivação para servir a seu pai (v. 29)?
  7. Relembre os grupos de pessoas que estavam ouvindo a parábola (vv. 1-2). Quem você acha que o filho mais velho representa? E o filho mais novo? O que a história nos ensina sobre a natureza de Deus?

Hora de Avançar

O perdão em sua plenitude é algo eticamente inadmissível. Só existe por causa da graça de Deus. A graça é maravilhosa demais, é alta demais, é larga demais, é comprida demais, é profunda demais. A graça não é prêmio, não é recompensa, não é brinde (…). Graça é graça e pronto. 

Para pensar

O nosso texto básico faz parte de um grupo de três parábolas, relatadas apenas por Lucas, que foram contadas por Jesus para mostrar a razão de sua amizade com pessoas discriminadas pelo religiosos. Ele veio justamente para isso, não para para “chamar justos, mas pecadores ao arrependimento” (Lc 5.32). E quando algo que estava perdido é encontrado, há muita festa!

Deus é um Pai que caminha pelo solo da graça, e que deseja promover uma reversão total de nossa situação, quando retornamos e nos arrependemos, como aconteceu com o filho mais novo de nossa história.

É possível notar uma similaridade entre o filho mais novo e o filho mais velho, embora as situações de cada um sejam diferentes. Ambos se rebelaram, cada um a seu modo, pois tinham muita dificuldade para entender o coração compassivo e gracioso do pai.

O que disseram

Quando ainda estava longe, seu pai o perdoa. O pequeno passo do filho encontra o poderoso amor do pai, que nunca deixou de amá-lo e que agora pode demonstrar esse amor. Que alegria imaginar Deus querendo mostrar-me seu amor, bastando que eu me volte para ele.

Abade Christopher Jamison (OSB), “Encontre Seu Santuário”, Larousse  

Para responder

  1. Por que um filho sairia de casa? Talvez entendiado da rotina, ela parta em busca de novidades e de um pouco de suposta diversão. Mas a expectativa de diversão logo se revela uma ilusão. Eu também tenho fugido de Deus? Por que? Tento me convencer de que é possível encontrar satisfação longe dele?
  2. Ao contar esta história, Jesus parece deixar claro que Deus espera por nós e anseia pela nossa volta “para casa”, mas sem violar a nossa vontade. É preciso haver uma escolha de nossa parte. À luz do que aprendemos na parábola sobre o amor de Deus, por que você acha que alguns de nós escolhemos resistir a um Deus tão amoroso?
  3. Segundo o Abade Christopher Jamison, o filho mais velho estava muito ocupado e fica furioso e triste porque é incapaz de sair de seu próprio mundo e arrogância. Este irmão mais velho também habita em mim? Também tenho sido ocupado e presunçoso demais?

Eu e Deus

Viajarei para Ti, Senhor, por milhares de becos sem saída. Tu desejas trazer-me para Ti através de paredes de pedra. Amém. (Thomas Merton)  

Autor do estudo: Reinaldo Percinoto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo O séquito do perdão, do diretor-redator da revista Ultimato, pastor Elben César, publicado na edição 360.

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2 Comentários para “Um Deus que gosta de festas”

  1. Daniel Santana de Oliveira 16 de maio de 2016 at 14:17 #

    Esse estudo vem clarear ainda mais a nossa compreensão sobre o amor de Deus! Deus está sempre de braços abertos esperando nossa volta! Já pensou se Deus fosse como os fariseus argumentavam, pensavam? Realmente “Graça” é um favor que nunca seríamos capazes de merecê-lo. Deus nos amou primeiro! Homens são egoístas, maldosos desde a meninice, e se não fosse o amor de Deus, ficaríamos assim por toda a vida!

  2. robson santos sarmento 28 de dezembro de 2016 at 14:33 #

    A parábola do filho pródigo aponta para a intenção de Jesus de mostrar o quanto os padrões, os preceitos e as posições das alas religiosas, ideológicas, normativista e sociais não se atentavam para a oportunidade do recomeçar, da igualdade entre os seres humanos, a misericórdia, como via de acessão para procedermos com menso pesos, diante da vida, e também nos permitir sermos inundados por essa luz que nos leve ao amor ou a humanidade, em Cristo Jesus.

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