Existe vida após a morte… E antes também!

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “A morte não é um acidente de percurso”, de William Lane, Ultimato 391

Texto básico
Salmo 90

Textos de apoio
– Deuteronômio 30. 9-20
– Eclesiastes 9. 1-10
– Salmo 116. 1-15
– João 11. 1-27
– 1 Coríntios 15. 51-58
– Apocalipse 21. 1-5

 

Introdução

Muitas pessoas evitam a reflexão e as conversas sobre a morte, pois é um assunto não apenas desconfortável, mas que também pode “trazer mau agouro”. No outro extremo, podemos encontrar pessoas que estão tão preocupadas com a morte que acabaram desenvolvendo uma postura neurótica, e muitas vezes mórbida, com relação a este tema. Em ambos os casos, tudo indica, o comportamento das pessoas é determinado pelo medo – medo de morrer.

Esses, claro, são casos extremos. Mas reforçam o convite para buscarmos encarar a morte a partir de uma perspectiva cristã, desenvolvendo uma abordagem sensível, equilibrada e mais profunda sobre a nossa dependência e confiança em Deus. Afinal, a morte é aquele “megafone de Deus” que anuncia que a nossa vida tem um limite, e esse conhecimento precisa afetar positivamente a maneira como vivemos agora.

O livro do Eclesiastes nos lembra que todos viemos do pó, e ao pó todos retornaremos (3. 20). Nesse estudo queremos tratar da brevidade de nossa vida terrena, refletindo sobre a nossa mortalidade e buscando construir uma nova perspectiva sobre esta vida, à luz da eternidade de Deus.

 

Para entender o que a Bíblia fala

1) Nos primeiros versículos do Salmo (vv. 1-6) encontramos um vívido contraste entre a eternidade de Deus e o caráter transitório da vida humana. Com base nisso, por que Moisés, identificado como autor do Salmo, pode asseverar que “Deus tem sido o nosso refúgio” (v. 1)? Diante da inexorabilidade da morte, que imagens e sentimentos a palavra “refúgio” provoca em você?

2) No v. 3 o salmista parece estar olhando para o livro de Gênesis (2. 7; 3. 17-19). Como a consciência de nossa finitude (mortalidade) pode afetar o modo como vivemos nossa vida? Veja também as imagens utlizadas nos vv. 5-6 para reforçar a brevidade de nossa vida.

3) Nos vv. 7-11 o salmista se ocupa do tema da ira de Deus e seus efeitos sobre nossas vidas. Segundo ele, o que provoca o descontentamento de Deus? O que isso tem a ver com a mortalidade humana? (lembre-se novamente aqui de Gênesis 3)

4) O pastor Eugene Peterson escreveu que Lutero, comentando o versículo 12, pediu: “Senhor, ensina-nos a todos sermos tais aritméticos!” (Salmos: Orações do Coração, ABU Editora, 2001, p. 56). Para você, o que significa “contar nossos dias” corretamente?  De que maneira isto pode nos dar “um coração mais sábio”?

5) Na porção final do Salmo (vv. 13-17) há uma interessante mudança de perspectiva, pois “o restante da oração, na sua maior parte, pede a inversão daquilo que acontecera até então” (Derek Kidner, Salmos 73-150: Introdução e Comentário, Vida Nova, p. 353). O salmista utiliza verbos e expressões similares aos que havia usado na primeira parte do Salmo, mas agora dentro de um “novo marco” – o marco da compaixão de Deus (v. 13)! Tente identificar estes verbos e expressões (vv. 3, 6, 9, 14), e reflita sobre como sua vida pode adquirir uma nova perspectiva sob a misericórdia de Deus, mesmo em meio à realidade da morte.

 

Para pensar

“Há dois aspectos essenciais a respeito da morte expressos nas Escrituras. De um lado, a morte é mostrada como parte do plano de Deus para toda a criação. A morte não foi um acidente de percurso. Já estava prevista no plano divino. Mesmo em seu estado perfeito, o ser humano não teria sido criado para viver eternamente na terra. De outro lado, entretanto, a morte é mostrada como uma interferência no plano divino em decorrência do pecado humano. Nesse sentido, a morte é castigo pelo pecado. Essas duas perspectivas permeiam a narrativa bíblica.

(…) Outro paradoxo da perspectiva cristã da vida e morte é que a morte de Jesus nos traz vida. A morte está no centro de nossa fé e esperança de vida. O próprio Jesus, falando de seu sacrifício, disse: “Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas, se morrer, dará muito fruto” (Jo 12.24). Falar sobre a morte, mesmo em meio ao sofrimento, é falar da vida, da esperança e da certeza da presença com Deus.”

(William Lacy Lane, em A morte não é um acidente de percurso)

 

“Uma das tragédias da morte é que ela interrompe nosso trabalho e nossas realizações. Isso se aplica, no entanto, apenas às nossas obras empreendidas na força humana. Quando Deus mostra seus ‘feitos’ aos seus servos, manifestando seu poder em prol deles e abençoando-os com seu favor, o resultado é que ele faz prosperar, para nós, ‘a obra de nossas mãos’ (Sl 90.16-17). A única obra que dura é a que Deus consolida.”

(John Stott, em Salmos Favoritos, Ultimato, 2020, p. 93)

 

“E agora, José?”

1. “Procura agora de tal modo viver, que na hora da morte te possas antes alegrar que temer” (Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, Livro 1, capítulo 23). Reflita um instante sobre esta frase de um dos clássicos da espiritualidade cristã. Você acha realmente possível que a “hora da morte” possa ser um momento de alegria e não de temor? Neste momento, ao pensar sobre a morte, que sentimento prevalece em seu coração: “alegria” ou “temor”? Por que?

2. Quanto tempo você espera viver ainda? Como a reflexão sobre a sua própria finitude pode afetar a maneira como você conduz sua vida?

 

Eu e Deus

Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida e o número dos meus dias,
para que eu saiba quão frágil sou.
Deste aos meus dias o comprimento de um palmo;
a duração da minha vida é nada diante de ti.
De fato, o homem não passa de um sopro.
Sim, cada um vai e volta como a sombra.
Em vão se agita, amontoando riqueza sem saber quem ficará com ela.
Mas agora, Senhor, que hei de esperar?
Minha esperança está em ti.

(Salmo 39. 4-7, Nova Versão Internacional)

Autor: Reinaldo Percinoto Junior

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