O melhor “presidente”
O povo precisa de um chefe, é verdade. Mas os chefes também precisam de chefe, a quem hão de prestar contas
De fato, o povo precisa de um chefe. Não importa o nome que a ele se dá: soberano, monarca, rei, príncipe, imperador, sultão, emir, xeque, governador-geral, comandante-em-chefe, caudilho, presidente, primeiro-ministro, chefe de Estado, líder político, líder. Não havendo chefe, implanta-se o caos, como no caso de Israel no período de tempo decorrido entre a ocupação da terra prometida e o início da monarquia – cerca de 450 anos. A história diz que “naqueles dias não havia rei em Israel: cada qual fazia o que achava mais reto” (Jz 17.6 e 21.25).
Porque livrou o povo dos midianitas que os oprimiu duramente por sete anos e porque soube aplacar a ira dos efraimitas (Jz 8.1-3), os homens de Israel disseram a Gideão: “Seja nosso Rei! Você, os seus filhos e os seus descendentes reinarão sobre nós” (Jz 8.22). Por sua humildade e porque era partidário da teocracia, Gideão recusou o convite de inaugurar uma monarquia hereditária: “Nem eu nem meu filho seremos reis sobre vocês; o Senhor é o nosso Rei!” (Jz 8.23). Depois de sua morte, porém, um de seus filhos, Abimeleque, fez-se rei de Israel.
Alguns anos depois, o povo ainda sentia falta de um comandante ou coisa que o valha. Foram atrás de Jefté, “homem valente, porém filho duma prostitua” (Jz 11.1), e lhe pediram: “Vem, e sê nosso chefe” (Jz 11.6). Mais tarde, voltaram ao assunto e exigiram um rei a Samuel: “Olhe, você já está ficando velho, e os seus filhos não seguem o seu exemplo. Por isso, queremos que nos arranje um rei para nos governar, como acontece cm outros países” (1Sm 8.5).
À semelhança de Gideão, Samuel era um entusiasta da teocracia, forma de governo em que a autoridade, emanada de Deus, é exercida por seus representantes. Ele não se agradou do pedido formulado por todos os anciãos de Israel, mas autorizado por Deus, atendeu a vox Populi e deu-lhes um rei, Saul, inaugurando assim o regime monárquico em Israel.
Outras formas de governo se desenvolveram através dos séculos. A variedade é enorme: monarquia (Arábia Saudita), monarquia constitucional (Holanda), monarquia absoluta (Omã), república parlamentarista (Israel), república presidencialista (França), república federativa (Argentina), república federativa presidencialista (Brasil), república federativa socialista (Iugoslávia), república socialista (URSS), república popular (China), república islâmica (Irã), regime militar (Chile) e outros.1 O que importa mesmo é que o chefe de Estado saiba e creia que ele também precisa de um chefe, que muito propriamente tem, entre outros, o solene nome ou título: Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16).
A última autoridade é Deus, o único que não morre, o único que não erra, o único que não tem chefe, o único “em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Por esta razão, as autoridades “estão a serviço de “Deus” (Rm 13.4, A Bíblia na Linguagem de Hoje). É mais do que oportuna esta exortação:
“Vocês, reis da terra, sejam sensatos! Líderes do mundo, escutem as palavras de Deus enquanto há tempo! Sirvam obedientemente ao Senhor; respeitem Deus e façam dele a sua fonte de alegria. Ajoelhem-se diante do Filho e beijem os seus pés, antes que chegue o dia da ira do Senhor e vocês sejam todos destruídos. Cuidado, isso vai acontecer mais depressa do que pensam! Porém as pessoas que confiam nele serão felizes, muito felizes” (Sl 2.10-12, A Bíblia Viva).
O povo precisa de um chefe, é verdade. Mas os chefes também precisam de chefe, a quem hão de prestar contas. A história está repleta de chefes que não levaram em consideração o Chefe Supremo e caíram em desgraça. Não é difícil obter o auxílio e a direção de Deus para um governo justo e capaz:
“Para o Deus eterno controlar a mente de um rei é tão fácil como dirigir a correnteza de um rio” (PV 21.1, A Bíblia na Linguagem de Hoje).
Nota.
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Atualmente, a formas de governo de alguns dos países citados é outra: Arábia Saudita: monarquia absoluta teocrática; Holanda: monarquia constitucional parlamentarista; Israel: democracia parlamentar; França: república democrática semipresidencialista; Argentina: república federal presidencialista; Brasil: república; Rússia: república federal semipresidencialista; China: república socialista unipartidária; Irã: república teocrática islâmica; Chile: república presidencialista
Artigo publicado originalmente na edição 200 (agosto de 1989) de Ultimato.