Brasília, 24 de julho de 2010

Pedro e Priscila,

Esse é um dia muito emocionante! Vivo um misto de sentimentos: profunda alegria pelo casamento de vocês, mas, confesso, também estou num terrível banzo.

Priscila, nós te amamos. Você é uma grande bênção na vida do Pedro e na vida de toda família. Você chegou e cativou não só meu filho com sua beleza. Você conquistou toda a família. Sua alegria é contagiante!

Pedro, meu filho, estamos muito felizes e comovidos com essa nova fase de sua vida.

No entanto, preciso confessar o meu banzo. A pergunta que me faço, diante de Deus é a seguinte: Será que eu e a Cláudia conseguimos cumprir tudo o que você precisava de nós? Tudo o que poderia ter sido feito até aqui, foi feito? Será que chegamos lá? Sinceramente, gostaria de ter feito muito mais. A sensação é que o tempo voou e não soubemos ou pudemos dar a você tudo o que sonhávamos em dar.

Pedro, você é o meu filho, mas é também o meu amigo, o meu irmão em Cristo, o meu inseparável companheiro de ministério musical. Participar desse momento aqui muito me orgulha. Eu me sinto honrado por Deus de poder realizar seu casamento entregando para a Priscila um homem de Deus, crente e temente ao Senhor. Nós te admiramos, meu filho – eu, sua mãe e seus irmãos.

Quero ler a Bíblia. Trazer uma mensagem nessa hora para vocês dois não é nada fácil. A mensagem que eu poderia trazer sobre o casamento vocês já leram em nossas vidas. Qualquer outra mensagem seria incoerência. Por isso quero falar nessa noite não como pregador, mas como pai.

Salmo 18.28 – “Tu, Senhor, manténs acesa a minha lâmpada; o meu Deus transforma em luz as minhas trevas”.

Pedro e Priscila,

O casamento é um grande mistério. Indescritível mistério. Por meio de uma convivência íntima e constante, o casamento nos revela o outro, a nós mesmos, e por incrível que pareça, o próprio Deus.

O casamento nos revela o outro, o cônjuge, porque à medida que caminhamos juntos nos damos conta de quem verdadeiramente é aquele a quem amamos. Nesse momento surgem muitas surpresas agradáveis e decepções. Descobrimos que o outro é muito mais do que sonhávamos e muito menos do que esperávamos. Na intimidade vamos nos enveredando por caminhos misteriosos da convivência que nos lançam diante de grandes aprendizados. É como se desbravássemos uma mata virgem e florida. Inebriados pelo aroma perfumado das flores temos diante de nós a tarefa de abrir caminhos, vencer diferenças, enveredar pelo desconhecido, aperfeiçoar o nosso amor.

O casamento também nos revela a nós mesmos. Ao mesmo tempo em que nos ensina tantas virtudes como o amor desinteressado, o companheirismo, o respeito e a responsabilidade, também nos esculpe, nós, pedras brutas. O cinzel da convivência arranca lascas de vaidade, egoísmo e tantos outros sentimentos e culturas absurdamente cultivadas em nós. Muitas vezes preferimos não prosseguir, porque o trabalho do divino artista tantas vezes mexe com questões muito profundas enraizadas, mas que precisam ser expostas e trabalhadas, talhadas. Uma dor necessária. Por isso é que muita gente não consegue mergulhar no mar profundo da vida a dois. Ele revela quem somos e nos transforma.

Mas o casamento também nos revela a Deus. Até mesmo, porque é uma invenção divina: “e deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne”. Uma invenção monogâmica, heterossexual e mágica – os dois serão uma só carne. Um desafio absurdo para a matemática convencional, mas que se torna possível e viável por meio de um milagre.

No casamento em que há espaço para o agir de Deus, aprendemos sobre Deus e conhecemos a Deus. Isto se dá, inclusive, porque nesse terreno de vida e comunhão os milagres acontecem. Os temores vão sendo vencidos um a um por meio de uma ação sobrenatural do Alto. E vamos aprendendo que Deus é mais do que uma formulação teológica, um conceito abstrato. As experiências espirituais dos nossos pais e nossos avós vão sendo vividas em nossa existência. Quantas vezes, Pedro, oramos juntos por suas doenças da meninice, que nos faziam tremer. Dias de pouquíssimos recursos. Mas víamos Deus agir trazendo tantas vezes curas inexplicáveis. Testemunhamos a maneira como o Senhor tem conduzido nossa família em cada momento de grandes desafios.

E você, Priscila? Quantas experiências de livramento, de cuidado de Deus, na sua vida familiar? Quantas orações de seus pais foram respondidas, quantos milagres acontecidos?

Chegou a hora de vocês aprenderem de Deus. Nessa união que hoje se consolida vocês terão a oportunidade não somente de conhecerem um ao outro verdadeiramente; nem tampouco de conhecerem a si mesmos mais profundamente. Vocês terão a oportunidade de conhecerem quem Deus realmente é na história de vocês. Não agora somente o Deus de seus pais, mas o Deus da vida de vocês.

Por isso é que li o Salmo 18.28: “Tu, Senhor, manténs acesa a minha lâmpada; o meu Deus transforma em luz as minhas trevas”.

É uma oração para vocês trazerem sempre bem junto.

Aqui está uma vela. Uma vez acesa, ela ilumina. E na sua função de lâmpada, de luzeiro, ela afugenta as trevas. Ela põe para correr toda escuridão, todo medo, todo receio. Ela ilumina, ela trás a verdade à luz, ela clareia o entendimento, ela revela o que as trevas escondem. Ela esclarece as intenções, as más intenções, ela deixa tudo às claras.

Num casamento não pode haver trevas. Não pode haver meias conversas, meias verdades, meias intenções. Não pode haver espaço para o medo – “o verdadeiro amor lança fora o medo” (I João 4.18). O casamento precisa ser iluminado, ser cultivado na luz.

Vocês não podem se esquecer jamais disso. Não permitam que qualquer tipo de treva se interponha entre vocês: mentira, medo, deslealdade, competição. Sigam como vocês são, menino e menina, amigos  e companheiros leais, respeitadores um do outro e profundamente tementes a Deus. Eu vi isso o tempo todo na convivência entre vocês e agradeci a Deus por cada momento que presenciava esse carinho, respeito e temor.

Meus filhos queridos, quem mantém essa lâmpada acesa é o Senhor Deus. Por isso a oração do salmista me toca tão profundamente: “Tu, Senhor, manténs acesa a minha lâmpada”. Só Deus pode fazer isso.

Quem mantém acesa a nossa lâmpada não é a estabilidade financeira. Quem cuidará para que o casamento de vocês não acolha qualquer tipo de trevas não serão as premiações que virão com os novos e arrojados projetos arquitetônicos, nem mesmo as impressionantes teses no campo da História defendidas nas universidades ao redor do mundo, ou mesmo as músicas compostas e gravadas. As realizações virão por graça de Deus e oramos por isso.

Só há um que poderá manter acesa a lâmpada – é o nosso Deus.

“Tu és a minha lâmpada, ó Senhor! O Senhor ilumina-me as trevas” – 1 Samuel 22.29

“A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” – Salmo 119.105

“A cidade não precisa de sol nem de lua para brilharem sobre ela, porque a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada” Apocalipse – 21.23

Termino me lembrando de uma ilustração que certa feita ouvi de um amigo e pregador.

Ele me disse que tem por hábito ao estudar a Palavra de Deus, acender uma vela. Metido nos seus estudos, vez por outra lança um olhar para a vela. Ela sempre o lembra que para iluminar, é preciso se deixar gastar.

Que vocês se deixem gastar nessa caminhada comum, sendo luzeiros de Deus por onde Ele os levar. Que o Deus que os manterá acesos posso se alegrar da vida de vocês e das obras que farão para a sua glória.

Carlinhos Veiga

Noite do dia 24 de julho de 2010, na Igreja Presbiteriana de Brasília

Cerimônia de casamento de Pedro e Priscila

  1. Que bom que você compartilhou sua mensagem com quem nao esteve lá. Você deveria investir mais em escrever. Foi de grande edificação para minha vida. Quando os conheci (Cem- Viçosa), Pedro era um garotinho. É lindo ver Deus trabalhando nas famílias que O buscam e servem. Que Ele abençoe a todos vocês.

    Enedina (esposa do Almir)

  2. Edna Mara Pereira dos Santos

    Que lindo!!! Fiquei emocionada ao ler e pensando o que perdi ao não estar presente. Acho que ia chorar um bocado. Que a Luz Divina brilhe intensamente na vida da Priscila e do Pedro. Palavras abençoadas que só poderiam vir de um pai amoroso e grande servo de Deus.
    Edna Mara

  3. Parabéns Carlinhos e Cláudia; parabéns Ronaldo e Miriam.
    Não fui, mas gostaria muito. E, certamente, teria chorado. Aliás, não sei se é porque acredito muito nessa “invenção divina” que, se o pregador não atrapalhar, quase sempre verto algumas mal disfarçadas lágrimas em casamentos.
    Muito bonitos os textos (o seu e os bíblicos). Ah!, parabéns ao Pedro e à Pricila… Incrível como os nossos filhos envelhecem rápido… Que Deus continue preparando noivos e noivas para cada um deles.

  4. E pensar que, quando os conheci (Carlinhos e Cláudia), o Pedro era um bebezinho que acompanhava as empreitadas do Expresso luz dentro de um carrinho de bebê. Hoje, homem feito, começa a construir a sua própria família.
    Creio que um casal que consegue levar o coração de um filho ao reconhecimento da necessidade de Deus e de uma vida com Ele, deve sim ter a convicção de que o dever foi plenamente cumprido.
    Que Deus os abençõe!
    sara borges

  5. Muito lindo e fortificante! Quando ouvi todas as paralavras me alegrei e me deu mais força para lutar pelos meus filhos.
    Pois sei que vou poder contar cada emoção do crescimento deles.
    Abraços, Deus continue lhe usando cada vez mais e mais profundo ainda.

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