Conteúdo extra oferecido como “Mais na Internet” na Imagem da Edição de Ultimato nº 377

Por Clayton Rucaly

Essa afirmação pode soar estranha, mas é a grande verdade da minha vida. Deus sempre me guiou, mas até chegar onde estou tive que rever conceitos, curar feridas e principalmente, quebrar ídolos que guardava em meu coração.

Comecemos do início. Aos meus 17 anos decidi estudar jornalismo com o foco para Televisão. Queria ser o jornalista que cobriria um grande conflito, falaria sobre a queda de algum regime ou encontro entre líderes políticos. Eu almejava, com todas as minhas forças, ser uma figura conhecida, ser referência, que meu nome e trabalho fossem tese de TCC e assunto de vários artigos acadêmicos.

O problema de tudo isso era que esse sonho não passava de uma tentativa minha de receber aceitação das pessoas à minha volta, de ser admirado e de ter amor. Eu era escravo do meu sonho e na minha carreira, que estava apenas começando, não havia espaço para Deus, afinal, a própria carreira já era meu senhor.

No entanto, Deus não aceita dividir adoração, e no meu penúltimo ano da faculdade Ele simplesmente virou meu mundo de cabeça para baixo. Tudo o que eu acreditava ter conquistado perdi, me vi desolado, sem a minha razão de vida, sem meu ídolo. Foi nesse momento que pude perceber o quão perdido eu estava e como a minha fé estava depositada em deuses falsos, que me prometiam grandes coisas para preencher o vazio que só Cristo poderia preencher.

Mas foi justamente nesse momento em que eu estava vulnerável que Deus me conduziu pelo caminho que Ele tinha  para mim. Comecei a trabalhar com jornalismo dentro de instituições filantrópicas e me redescobri. De repente, me via fazendo algo que havia um propósito maior, que ia além de mim e dos meus desejos. Eu estava trabalhando em prol de outras pessoas! Todo o sensacionalismo ia embora e meu foco passava a ser encontrar esperança onde o homem diria que não tinha.

Nesse período de transição voltei a desenhar e pintar, não como um hobby, mas como um meio de expressar meus sentimentos. Foi uma fase de crescimento espiritual em que meu coração voltava a seguir apenas a vontade de Deus, e Ele criou possibilidades de compartilhar aquilo que eu vivia com outras pessoas.

Trabalhei voluntariamente por um ano dando aulas de desenho para crianças em situação de vulnerabilidade social dentro de um Centro de Educação Integral (CEI) e ali pude exercer não apenas arte, mas a lidar com a possibilidade de contribuir na auto estima daquelas crianças.

Foi nesse período que vi Deus usando minhas habilidades e meu conhecimento para servir ao próximo. Hoje, tenho a arte como uma aliada da comunicação, e foi o meio que Deus me deu para atingir pessoas e cumprir minha vocação. Estou feliz pelo caminho que Ele tem me guiado.

• Clayton Rucaly, jornalista, cartunista e ilustrador. Membro da Igreja Presbiteriana de Curitiba, professor de culto infantil e comunicador na instituição filantrópica cristã, Irmandade Betânia. Conheça mais o trabalho do Clayton, no instagram e no medium.

CLAYTON RUCALY | Urban: Sketcher (2019). Aquarela e nanquim | Ultimato nº 377


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