Por Elben César

BlogUlt_18_12_13_ArvoreTenho duas irmãs idosas, uma de 85 e outra de 73 anos, ambas com Alzheimer. Como são solteiras e moravam sozinhas em Campos dos Goytacazes, eu as trouxe para Viçosa em setembro de 2009. Há aproximadamente um mês, a família achou por bem transferi-las para a casa de repouso Recanto Verde, ao lado de mais vinte senhoras igualmente idosas e necessitadas de cuidados especiais.

No domingo passado, dia 15, fomos um pequeno grupo para cantar hinos de Natal com as velhinhas. Por sugestão da velhinha de 81 anos que mora comigo (outro velho de 83) desde fevereiro de 1956, contei às velhinhas do Recanto Verde a história dos velhinhos que aparecem na história do Natal.

Antes de narrar o nascimento de Jesus, o médico e historiador que escreveu o terceiro Evangelho conta a história de um casal de idosos. Era o sacerdote Zacarias e sua esposa, Isabel. Ambos eram muito fiéis a Deus e obedeciam a “todas as leis e mandamentos do Senhor, mas não tinham filhos porque Isabel não podia ter filhos e porque os dois eram muito velhos” (Lucas 1.6-7). Apesar do duplo obstáculo, Deus achou por bem trazer ao mundo o prometido precursor de Jesus por meio deles. Quando soube que seria pai do exótico João Batista, Zacarias teve uma pequena crise de fé e disse: “Como é que eu vou saber que isso é verdade? Estou muito velho, e a minha mulher também” (1.18). Por causa disso, Isabel passou os nove meses de gravidez sem ouvir a voz do marido. Mas, quando a criança nasceu e Zacarias contrariou toda a vizinhança escrevendo numa tabuinha que o nome do menino seria João, em obediência a Deus, imediatamente a sua mudez bateu asas (1.57-65).

Uma vez com a língua solta, o sacerdote “começou a louvar a Deus” (1.64). O cântico que ele pronunciou é de rara beleza e chama a atenção muito mais para a criança que nasceria pouco depois (o menino Jesus) do que para a criança que tinha acabado de nascer (João Batista).

O terceiro velhinho era Simeão, um homem bom e piedoso que conhecia as profecias messiânicas e, por isso, “esperava a salvação do povo de Israel” (2.25). O Espírito Santo havia soprado para Simeão que, antes de morrer, ele veria o Messias. O mesmo Espírito o guiou ao templo no dia e na hora em que Maria e José estavam apresentando Jesus a Deus. O velhinho não se conteve de emoção, pegou o menino no colo e exclamou: “Agora, Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz, pois eu já vi com os meus próprios olhos a tua salvação” (2.29-30).

O último velhinho da história do Natal era uma profetisa chamada Ana, viúva e de idade bastante avançada (84 anos). Sua vida ao lado do marido foi muito curta: apenas sete anos. Era uma mulher muito piedosa: “Ela nunca saía do templo e adorava a Deus dia e noite”. Ao ver Jesus no colo de Simeão ou no colo de Maria, Ana teve a mesma reação de Zacarias e ainda fez mais do que ele: “Começou a louvar a Deus e a falar a respeito do menino para todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”! (2.36-38).

Bem-aventurados sejam os velhinhos do primeiro Natal e os velhinhos do Recanto Verde!

 

Elben César, 83 anos, é o redator-fundador da revista Utimato.

 

 

  1. jpmrecantoverde@yahoo.com.br

    Elben todos idosas Recanto Verde agradece as visitas e aguarda para nova agenda em 2014 .
    Desejamos uma Ano cheio de muitas energias positivas
    abraços

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