Em entrevista a Otto Lara Rezende, em 1977, quando perguntado que conselho daria aos jovens, Nelson Rodrigues, não titubeou: “Envelheçam depressa”. Não conheço conselho mais desconcertante. A não ser a afirmação do próprio jornalista e dramaturgo de que “o jovem só pode ser levado a sério quando envelhece”.

Bem, o livro que Ultimato acaba de receber da gráfica – uma nova tiragem – não é exatamente para os jovens. Se é o seu caso, é provável que Fui Moço, Agora Sou Velho lhe faça bem. E, diga-se de passagem, aprender a “contar os nossos dias” não tem nada a ver com entrar na fila dos que aguardam o dia da morte. Boa leitura.

  1. Veja esse conselho, esse sim, desconcertante:

    Quem conta é Deonísio da Silva [também escritor] …

    Era um encontro de famosos [literatura] e Millôr Fernandes [faleceu essa semana] desandou a citar diversos autores que Deonísio jamais ouvira falar e nem lera.

    Mas todos presentes a quem ele perguntava se conheciam, diziam com segurança que sim e ele citava um livro, que naturalmente os interlocutores conheciam.

    Deonísio sentiu-se profundamente humilhado e desolado, e indagou ao Millôr: “Puxa, eu não li nem conheço nem jamais ouvi falar em nenhum desses autores que você citou!”

    Ao que Millôr retrucou: “Eles não existem, nenhum deles existe, eu inventei. Mas você viu que muitos colegas seus leram e apreciaram. Você precisa ler menos, Deonísio, e mentir mais”, arrematou.

    Dê um ‘derrière’ na palavra mentira e troque-a por ‘imaginação’.

    Livro, até os de história, se não injetados com um pouco de ‘imaginação’ não passam de atas de igreja: insossas e rigorosamente alheias à realidade e ao Espírito!

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