Se tivesse de escolher uma mulher para homenagear, seria Djanira, minha mãe. A memória de momentos com ela e do aprendizado a partir de sua vida é uma coleção preciosa para mim. Sempre discreta, nos bastidores, ela tem sido uma pessoa-chave na história de Ultimato.

Estarão sempre comigo estas lembranças:

Sua presença atenciosa na vida das filhas. O apoio dedicado e alegre ao meu pai — ela é sempre a primeira a ler os seus manuscritos. A disponibilidade — “a pessoa mais disponível do mundo”, nas palavras dos netos. As orações diárias pela família, conhecidos e pelo ministério da Editora Ultimato. A força frente a problemas e ao sofrimento. A constância do espírito positivo a despeito de doenças crônicas de familiares próximos. A receptividade aos nossos amigos e aos amigos de nossos filhos, aos universitários forasteiros para quem ela cozinhava, aos colaboradores da editora. A empatia com pessoas em dificuldade transformada em atitudes práticas. O acolhimento sem preconceitos de pessoas diferentes e distantes de seu convívio. A preocupação com a salvação de parentes e pessoas que a rodeiam. O desprendimento em relação a conforto e bens materiais, ainda que tenha vindo de uma família de certa posição. O trato carinhoso que ela dispensa aos netos. A capacidade de encarar e aceitar limitações. O bom humor. O prazer de presentear. A inteligência e perspicácia. A fidelidade a Deus.

De forma inesperada, esta semana ganhei para minha coleção mais uma lembrança preciosa. Após ter participado de uma reunião de oração na igreja (quase só mulheres, que nesse dia foram presenteadas com um bombom), ela veio para a minha casa. Escutávamos a música “Sonho”, de Stênio Marcius (CD "Canções à meia-noite"), que ela ainda não conhecia. Em silêncio e atenciosamente. Ao final seus olhos brilharam, e ela pediu que a repetíssemos. Este é o trecho que a emocionou e também a mim:

O anjo olhava os registros / Visivelmente assustado / E me perguntou: “Foi assim que viveu?” / E eu então respondi que sim / “Então como é que você tem coragem de vir nessa porta bater?” / Eu disse: Olhe bem no final desta lista / Você reconhece esta letra? / E o anjo sorrindo me disse: “é verdade! O Rei escreveu: Perdoado!” [Clique aqui para ver um vídeo da música.]

Identificamo-nos com esta verdade, fruto não apenas de uma teologia assimilada, mas também de nossa experiência real e sentida: nossos pecados foram perdoados por meio do sangue de Jesus! Minha mãe de pronto sugeriu que esta música fosse cantada no culto de 80 anos do meu pai, que celebraremos este ano. Pois também é o que ele tem pregado e escrito durante todos estes anos. Na verdade, a música une toda a família debaixo da mesma des-graça (a inevitabilidade da lista) e da mesma graça (o perdão que vem unicamente do Senhor)!

Klênia Fassoni, diretora administrativa da Editora Ultimato

  1. Muito bom texto! Tive o privilégio de, durante uma época difícil, receber ligações diárias dela, que lia uma passagem bíblica para mim e dava palavras de consolo e atenção. Foi muito importante.

  2. Muito interessante seu relato. E me fez recordar de minha mãe, já falecida, que conheceu D. Janira em São Paulo, já que eram contemporâneas na IPI. As características eram bem semelhantes. Não tive como não recordar minha mãe, sempre preocupada com o testemunho dos filhos, aconselhando as jovens esposas de pastores, com uma ironia na ponta da língua, inconformada com a falta de interesse pelas coisas de Deus e seus embates em favor das crianças na igreja. Bela descrição. Vida longa a ela também.

  3. Que descrição perfeita Klênia… Todos forasteiros como eu foram muito bem acolhidos em Viçosa por tia Dja com sua doce e “santa paciência” e muito amor. Lembro-me sempre dela com gratidão e carinho. Sim. Deus nos revela sua Graça. E, Tia Dja, como a chamamos carinhosamente, é um bom exemplo da manifestação da graça de Deus na vida de muita gente…Até de baianos como eu…rs

  4. Embora pareça jargão batido, e que podemos dizê-lo de forma ampliada e diferente, mas com mesmo sentido:

    Sempre tem uma força feminina por trás, pela porta do fundo, pelas laterais, (porque não à frente?) e no edifício de uma família.
    E, certamente, também sábia,porque acima, está o Senhor de uma grande família.

    Parabéns! Não a conheço, mas fui beneficiada por tabela ao saber que alguem assim participou e participa nos bastidores desta grande benção que é a Ultimato.

    Christiani Rodrigues

  5. Lindo! Que Deus continue levantando em nossa geração homens e mulheres que inspirem outros a seguir e imitar a fé que tiveram, segundo nos ensina a Palavra de Deus,

  6. Klênia, parabéns pelo texto. Não tive o privilégio de conhecer sua mãe, mas a qualidade de vida cristã que a sua família expressa e o precioso ministério da Ultimato, revelam a significativa e valorosa contribuição dela, que mesmo no anonimato pode se fazer tão presente.

  7. A tia Deja tem sido para mim e para minha família exemplo de oração, dedicação e companheirismo. Como é bom desfrutar da sua companhia, sorriso, atenção (e lanchinhos rsrssr) quando vamos a Viçosa.
    Parabens, Klênia, pelo texto tão certeiro!

  8. Linda história de vida desta mulher cristã…
    E extraordinária a letra da música “Sonho”, que traduz de maneira exemplar o esplendor da graça divina, alcançada pelo sacrifício de Cristo por nós.
    Amém.

  9. Pr. João Gilberto Romanopr.romano@

    Parabéns pelo texto muito bem feito, emotivo, real. Fez-me lembrar da maneira que minha mãe (já falecida) sempre me tratou. Como é bom ter mães crentes! Ao citar o nome de sua mãe, Klênia, voltou-me à lembrança da sua tia , que foi minha professora de Português no Instituto Bíblico Bereano em Mogi das Cruzes, que faleceu vitimada por um acidente. Infelizmente não recordo o nome dela, mas no trato com a gente tinha muito carinho e amor. Lembro com saudades dela…o esquecimento do nome é pela passagem do tempo – fazem 40 anos que me formei no Curso Pastoral. Continuo a colecionar as revistas Ultimato, e se não me falha a memória tenho desde a primeira. Um greande abraço e conserve muito bem a sua querida mãe, pois só existe uma.

  10. M Jandira C Novais Lima

    Klênia, sou apaixonada por sua família. Admiro a formação, a fé, o caráter, o amor que reina entre vocês e que transmitem a todos que os cercam. E claro, tudo isso tem o sabor e aroma da D. Djanira. Todas às vezes que a vi ou visitei, recebi palavras que me fortaleceram e edificaram. Muito bom ler seu testemunho.
    Enquanto lia me deu uma saudade enorme de Viçosa e do cantinho gostoso do Cem e de onde vocês moram.

  11. M CRISTINA N. R. FALEIROS

    Que maravilha! Élindo ver uma filha definir tão bem em palavras e sentimentos o grande amor que com certeza lhe foi passado por essa mulher exemplar. Neste momento não posso deixar de me lembrar de meus antepassados que tão bem nos deixaram legados de tal importância. O que fazer para que nossas futuras gerações possam sentir essa tão linda comunhão com o Pai, a família e todos que nos cercam ?…Parabens pela família especial que têm. Que o Senhor continue abençoando-os, sempre. Abraços.

  12. De um filho distante.
    Obrigado por seu testemunho. Vivi mais ou menos de perto quando estive em Viçosa. Pena que nesta época estava preocupado demais comigo, mas pude ver o filme da vida de muitas pessoas passarem por mim. Vidas impactantes que me levaram silenciosamente com a ação do Espírito SAnto de Deus a chegar até onde cheguei.
    Valeu Klênia pela oportunidade que você me deu em agradecere sua mãe e sua família pelo testemunho fiel que vocês sempre deram.
    Obrigado D. Djanira.
    Deus abençoe toda sua família abundantemente.
    Eliézer Leal (Ilha do Governador – Rio de Janeiro).
    PS.: No me esqueço de um Frango Frito de domingo

  13. Cléa Lima do Nascimento

    Que Deus continue fazendo de sua família um ministério para espalhar a Sua Palavra pelo Brasil e pelo mundo. Parabéns pela sua mãe. Que testemunho de vida! Com admiração . Cléa

  14. Ebenézer Pereira Couto

    Oi Klenia,

    Seu relato me remete ao ano que cheguei a Viçosa, um “menino” que iniciava em 1979 seu mestrado. Inexperiente em minha primeira saida de casa (BH, a meros 220 kms.), foi com surpresa que percebi o templo da IPV na Av. PH Rolfs, quando me deslocava em direção ao Campus da UFV. Desci a rampa lateral e bati uma campainha sem saber que era ali a casa pastoral. A porta se abre e aparece um homem de face expressiva e de olhos azuis, claro, o Rev. Elben. e nos apresentamos. Com poucas frases trocadas, parecia um amigo de longa data, nos despedimos e ele me convidou para um lanche com voces, após meu compromisso na UFV.

    Voltei em torno de 6 da tarde sendo recebido com extremo carinho em sua casa, quando então conheci a D. Dja e voces (voce era uma menininha…). Daí em diante, me lembro de tantas outras vezes e da atenção de todos voces comigo, do olhar bondoso e das palavras de sua mãe, assim como de sua proníncia tão distinta de meu nome: “Olá Ebenézer”.

    Meu abraço forte,

    Ebenézer

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