Em recente sermão, o pastor de minha igreja trouxe uma palavra de convocação da igreja aos trabalhos presenciais dominicais que, aos poucos, estão sendo retomados. Em breve digressão ele chegou a considerar os possíveis motivos pelos quais muitos ainda não retornaram: aspectos ligados à pandemia que permanece fazendo vítimas e às dificuldades que muitas famílias ainda enfrentam.

Um pensamento foi lançado nesse momento, em forma de lamento. O pregador se perguntava se o comodismo proporcionado pela tecnologia não estaria desmobilizando a muitos. E argumentava, em forma de solilóquio, que, embora a “presença virtual” fosse uma bênção, não era o bastante, não era o ideal, porque, pelo celular, computador ou televisão, a comunhão se empobrece.

Fui pra casa pensando nas diásporas vividas pelo povo de Deus. Será que, reduzido o nosso foco apenas à minha pequena igreja, não estaríamos vivendo fenômeno parecido? Um terrível inimigo espalha-nos pelo mundo, deixando nossa “Jerusalém” com os portões queimados, os muros e o templo destruídos? Sem falar de muitos mortos e feridos?

E o pensamento voou para Ezequiel 37, onde presenciamos um profundo diálogo entre o Espírito do Senhor e o profeta, a respeito dessa situação: “filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?” (Ez 37:3). O Espírito lhe mostrava um vale de ossos secos como representação do coração do povo no exílio. Chegavam-lhes notícias desoladoras sobre a pilhagem de Jerusalém. E em seu coração o povo dizia: “Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados” (Ez 37:11). Muitos achavam que o retorno não seria mais possível, ou desejável. Melhor tocar a vida aqui onde estamos, e tentar prosperar no exílio.

Entretanto, a palavra que não fora inicialmente possível ao profeta, ou ao povo, lhes é proferida pelo próprio Espírito. Agora, já não se fala apenas de esperança, mas também de fé. Se o que você vê, filho do homem, são apenas ossos secos, há uma palavra de Deus para eles e para você: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o Senhor, disse isto e o fiz, diz o Senhor” (Ez 37:14).

Muitos não voltaram com Esdras ou Neemias, décadas mais tarde. Mas a história nos conta que aqueles que retornaram e reconstruíram a cidade se juntaram, um dia, diante da Porta das Águas e choraram de emoção. Mas foi-lhes recomendado que não chorassem, porque aquele era um dia de grande alegria; um dia de festa (Ne 8:9).

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