Dêem bom acolhimento àquele que é fraco na sua fé, sem discutir com ele sobre as suas opiniões…. Por isso deixemos de nos criticar uns aos outros. Tomem antes a decisão de não fazer nada que leve os outros a tropeçar ou a cair no pecado. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Não é fácil falar sobre a responsabilidade socioambiental…especialmente duma perspectiva cristã. Muitos simplesmente não entendem. Ou acham que não é assunto de crente…mesmo que nunca falem assim. Já teve esta impressão? Pois é. Isto se chama síndrome de mais forte e Paulo tem um bom conselho acima para nós. Vamos resumir de modo bem simples:

Primeiro: acolhemos as pessoas. Sejamos corteses, agradáveis. Deixemos as pessoas se sentirem em casa conosco.

Segundo: não discutimos. Discutir nunca adianta pois quando se discute, cada um tenta se impor. E quando discutimos somos ouvidos como transmissores de opiniões, não de fatos. Se discutir é se impor, imposição não realiza mudança interior. E o empenho socioambiental exige uma mudança interior.

Terceiro: não critiquemos. Criticar inferioriza o outro e assim também não realizamos mudanças. Além disto, ao inferiorizarmos o outro deixamos de ser corrigidos por ele. E deixar de aprender e se corrigir nunca é bom, ao longo prazo, certo?

Portanto, as palavras de Paulo são muito simples e práticas…muito apropriadas para nós. Não acha?

Oração

Pai amado. Inunde-nos com o Teu Espírito para que pareçamos mais com Cristo e acolhamos uns aos outros como Ele nos acolheu. Em nome de Jesus. Amém.

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns para com os outros. Quem ama o próximo cumpre a lei. Os mandamentos dizem: Não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não cobiçarás. Ora todos estes e qualquer outro mandamento resumem-se num só: Ama o teu próximo como a ti mesmo. O que ama o seu próximo não lhe faz nenhum mal. Pois o amor é o cumprimento total da lei. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Quem tem medo do número “treze” não percebeu. Treze não tem nada de azar. Considere as seguintes passagens: 1 Coríntios 13, Hebreus 13 e Romanos 13 todos falam da proeminência do amor (mas não leia Apocalipse 13!). Claro que a primeira quebra todos os récordes nos casamentos. E Hebreus nos espanta com a afirmação de que quem ama, demonstrando hospitalidade, poderá chegar a receber anjos em sua casa sem o saber. Mas por mais bonito que seja a primeira passagem e mais espantosa que seja a última, Romanos 13 é mais inesperada. Afinal de contas, Paulo acabara de gastar os primeiros 11 capítulos desta carta elaborando longos e detalhados argumentos, citando dezenas de passagens do Antigo Testamento, para reconceituar a lei dentro da perspectiva da fé. E aqui, no capítulo 13, ele simplesmente resume estes milhares de palavras em sete: “quem ama o próximo cumpre a lei”! Vamos testar esta “teoria”? Vejamos…quem ama não adultera, quem ama não mata, quem ama não rouba, quem ama não cobiça. E podemos completar, não é? Quem ama não engana, quem ama não oprime, quem ama não se impõe, e assim vai. Ë possível até colocar o princípio de forma positiva: quem ama se compadece do próximo, quem ama exerce a justiça, quem ama ama o que Deus ama, quem ama cuida da criação.

Parece um truque meu, mas não é. Pense só um pouquinho. Marque apenas 60 segundos no seu relógio!

Romanos 13, leia tudinho. É inesperado!

Oração

Graças te damos por Teu grande amor, ó Pai. Encha-nos dele para que amemos de verdade. Em nome de Jesus. Amém.

… faze o bem…

Reflexão

Esta frase, “faze o bem”, se repete várias vezes nos primeiros versículos do capítulo 13. Era uma injunção do mundo greco-romano dirigida para as pessoas de maior condição sócio-econômico que deveriam ser “benfeitores” da sociedade, especialmente  daqueles menos privilegiados. Paulo, entretanto, aplica o mandato para toda a comunidade da fé. Assim, democratiza uma obrigação cuja aplicação, de outra sorte, parece bastante conservadora. E de fato, pesquisas recentes do sociólogo, Rodney Stark, confirmam que o ministério social da igreja primitiva transformou a sociedade romana, invertendo estruturas injustas de hierarquia social pelo exercício de ações extraordinárias de misericórdia nos seus primeiros 300 anos até ganhar a simpatia do então imperador Constantino.

Nesta carta aos romanos repleta de citações bíblicas (mais que 55) e densa em reflexão teológica, porque Paulo apelou para uma injunção popular? Porque não citou Miquéais 6.6-8 ou “n” outras passagens bíblicas apropriadas? Sinceramente, não sei. Não vou nem chutar. Mas acredito que podemos tirar disto uma grande lição para a ética cristã em geral e para a educação ambiental especificamente. Nem sempre precisamos apelar para passagens bíblicas, inclusive para gente da igreja!

Puxa vida. Agora que eu falei isto, parece grande heresia! Graças a Deus pelo exemplo de Paulo! Veja bem, não digo que não devemos usar as Escrituras. Claro que devemos. É revelação de Deus e esclarece muito. Apenas nem sempre precisamos. Às vezes basta o bom senso ou aqueles bons princípios encravados na consciência humana que fazem parte da imagem de Deus imbutida em todo ser humano. Quando possível, nos mostramos simpatizantes com a sociedade geral. Quando necessário, claro, a desafiamos com a verdade do evangelho.

Oração

Pai, necessitamos de discernimento e da Tua graça. Revista-nos da imagem de Cristo, cheios do Teu Espírito para exercermos o nosso papel de bons mordomos da Tua criação. Amém.

… que vocês se ofereçam completamente a Deus, um sacrifício vivo…

Reflexão

Na semana passada, refletimos sobre a introdução em Romanos 12.1, do versículo acima. Comentamos que a passagem avança a idéia de como podemos ser agentes de transformação neste mundo e deste mundo (leia: “criação”). Basicamente, a resposta que Paulo dá é que começamos por nós, e de modo bem prático: “nossos corpos”. No restante do capítulo 12, ele dá dicas bem práticas do que isto significa, dicas que muitas vezes vem até da cultura geral e não específica ou exclusivamente das Escrituras. Veja, por exemplo:

  • não se achem melhores do que realmente são…(v.3);
  • odeiem o mal e sigam o que é bom… (v.9);
  • amem uns aos outros com o amor de irmãos em Cristo e se esforcem para tratar uns aos outros com respeito…(v.10);
  • trabalhem com entusiasmo e não sejam preguiçosos…(v.11);
  • repartam com os irmãos necessitados o que vocês têm e recebam os estrangeiros nas suas casas…(v.13);
  • peçam que Deus abençoe os que perseguem vocês…(v.14);
  • não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes. Que nenhum de vocês fique pensando que é sábio! (v.16);
  • não paguem a ninguém o mal com o mal…(v.17);
  • não deixem que o mal vença vocês, mas vençam o mal com o bem (v.21).

Se seguíssemos estes conselhos já estaríamos caminhando bem na direção da nova criação, que Deus nos criou para sermos.

Oração

Graças Te damos ó Pai, pela Tua palavra que nos desafia e nos corrige. Cria em nós um espírito humilde e ensinável. No forte nome de Jesus. Amém.

…ho?n

Reflexão

Quantas pessoas já ouviram um estudo bíblico de Romanos 12.1-2? Certamente o pessoal da ABU bastante. Mas já acertou a segunda palavra do versículo em grego, ho?n? Ela significa “então”, “portanto”, “consequentemente”. É uma conjunção, o que significa que liga a parte anterior à posterior. E a parte anterior é aquela doxologia que vimos na semana passada. Quase ninguém repara esta observação básica e essencial. Não, todos estão com pressa para dizer ou que a gente deve se comportar bem (“apresentar o nosso corpo como sacrífio vivo”) ou que Deus quer que a gente use a nossa cabeça (“renovação da nossa mente”). Alías, são dois bons conselhos. Mas o que isso tem a ver com a doxologia anterior, que por sua vez conclue a observação anterior a isto a respeito da misericórida de Deus para gentios e judeus (11.30-32, veja a mesma palavra “misericórdia também em 12.1!)?

Na verdade a interpretação de Romanos nunca foi fácil para ninguém…literalmente. Não porque a carta é demasiadamente complicada ou exageradamente densa em teologia. Mas simplesmente porque nesta carta, mais do que nas suas outras cartas, Paulo gasta vários capítulos para dizer uma só coisa. Logo, o leitor precisa prestar muita atenção e sempre toda a carta em mente. Por exemplo….

Paulo traça o plano glorioso de redimir gentios como gentios e judeus como judeus por meio da fé e através de Cristo Jesus em Romanos 1-8. Romanos 9-11 expande o assunto para pensa em todos as naçõe sgentílicas e no povo judeu. É um plano glorioso cujo enredo central é a misericórdia (graça) de Deus. Em Romanos 12-14, Paulo elabora as implicações “práticas” disto na vida dos crentes. Logo, Romanos 12.1-2 é a transição do “plano glorioso de Deus” para a “vida prática do crente”. Aqui Paulo esta dizendo que, diante deste plano de Deus (cap.s 9-11) que faz parte do plano maior de redimir a criação toda (cap.8, compare 11.36), nós devemos tomar a iniciativa nesta redenção por oferecer os nossos próprios corpos (nossa parte pessoal da criação) de tal forma que glorifica Deus e isto, por sua vez, envolve uma nova perspectiva (esta seria uma tradução melhor de “renovação da nossa mente”). Nós temos que mudar de atitude em relação a criação toda, começando em nós, pelos nossos corpos, e por implicação, a maneira como nos relacionamos com o nosso próximo (o assunto de capítulos 12-14).

Oração

Pai, transforme a nossa maneira de pensar para que ajamos, nestes corpos que fazendo parte da sua criação, de modo que Tú sejas glorifiado. Em nome de Jesus. Amém.

Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos? Como dizem as Escrituras Sagradas:

“Quem pode conhecer a mente do Senhor? Quem é capaz de lhe dar conselhos? Quem já deu alguma coisa a Deus para receber dele algum pagamento?”

Pois todas as coisas foram criadas por ele, e tudo existe por meio dele e para ele. Glória a Deus para sempre! Amém! (NTLH)

Reflexão

Meu avô, Nangy, era assim. Saudades dele. Faleceu meses antes de eu vir para o Brasil há 34 anos. Como pastor sempre de igrejas pequenas geralmente rurais, ele achava o máximo que eu vinha para cá. Achava que eu era corajoso. Mal sabia que a minha vida no Brasil seria tão gratificante, tão rica, realmente pouco altruista. Não precisava de coragem. Sempre ganhava muito mais que recebia. Quem era corajoso e sempre agradecido era meu avô. Como adolescente, quando andava com ele no carro dele, ele sempre cantava. Músicas bem quadradas para mim, jovem adolescente fã dos Beatles, dos Bee Gees, dos Beach Boys, Stevie Wonder, os Jackson Five, etc. Ele cantava hinos…aqueles bem antigos e até caipiras. E era feliz da vida. Mas feliz mesmo. Agradecido a Deus. Nunca vou esquecer disto. Igual a Paulo na passagem acima.

Paulo, teólogo ímpar, se emocionou. Como se emocionou também no final do capítulo oito quando contemplou a relação do povo redimido de Deus com a renovação da criação. No final de capítulo onze ele parece se emocionar e agradecer diante do plano de Deus para a salvação das nações e dos judeus…este é o conteúdo do capítulo. Mas se prestar a atenção de como termina a sua doxologia acima, verá que o agradecimento não era por isso! Pelo menos não era só por isso. É que o plano de Deus para a redenção da humanidade toda se enquadra dentro do contexto do plano de redimir a criação toda! Por isso termina: “Pois todas as coisas foram criadas por ele, e tudo existe por meio dele e para ele. Glória a Deus para sempre! Amém!”

Quando crescer quero ser igual ao meu avô. Quero ser como Paulo. Agradecido e cantor! Pelo plano magnífico de Deus. E fato de me incluir…

Oração

Pai, perdoe-me quando não vejo a sua glória bem na minha frente. Receba o meu agradecimento e a música do meu coração. Amém.

Agora eu pergunto: quando os judeus tropeçaram, será que eles caíram para nunca mais se levantarem? É claro que não! (NTLH)

Reflexão

A afirmação acima vem no meio dum discurso sobre a rejeição geral pelos judeus do evangelho. “Geral” porque as exceições são notórias. Paulo é exemplo de judeu que não rejeitou o evangelho. Basicamente o que Paulo está dizendo, ao longo dos capítulos 9 a 11, é o mesmo que alguns outros judeus diziam naquela época, isto é, que são os judeus “autênticos” que são o verdadeiro povo de Deus. Não é questão de mera descendência. A novidade de Paulo é que ele vincula tal autenticidade à fé em Jesus, a maior evidência da graça de Deus. Este é o teor destes três capítulos.

E, como observamos, no meio disto, vem a afirmação acima, que se baseia na característica essencial da justiça de Deus. A sua justiça é misericordiosa. Até mesmo quando se rejeita Deus, isto não é suficiente para dispensar absolutamente a sua misericórdia e o seu perdão. Isto não é confortante? Afinal, você já pisou na bola com Deus? Efetivamente pelas suas ações, alguma vez negou ou rejeitou o Criador? Já caiu feio? Não? Pense mais e de modo mais humilde. Sim? Não é bom saber que Deus não quer que caiamos para nunca mais levantar?

Isto não só é bom para gente… e é muito bom… mas nos ajuda a enxergar um pouquinho melhor a tarefa divina de perdoar os outros e assim refletirmos a imagem de Cristo em nós. “E perdoa-nos as nossas transgressões assim como nós perdoamos os nossos transgressores”.

Oração

Pai, guarda-nos de cair. E quando caimos, convença nos da nossa trangressão para que tenhamos a contrição e o arrependimento. E buscamos a Tua face, levanta-nos para andarmos novamente na Tua presença. Em nome de Jesus. Amém.