Semana 14: Romanos 4.3

Pois que diz a Escritura? que Abraão teve fé em Deus e assim foi considerado como uma pessoa justa. (tradução minha)

Reflexão

Não sei o que você pensa da idéia que a tradução acima transmite. Neste caso, não é uma tradução ao pé da letra, mas acredito que capta seu significado fundamental. Onde começa a justiça socio-ambiental? Começa em nós e começa por Deus. Começa em nós quando adotamos a postura duma vida pela fé, uma vida de confiança em Deus, uma vida de fidelidade a Deus. Começa por Deus porque somente ele pode nos transformar de pessoas essencialmente falhas em quase tudo em pessoas “justas”, pessoas exemplares de justiça! Não acha incrível isso? A nossa parte? Crer, confiar, ser fiel, ter fé. São todos sinônimos da palavra pisteú?. Esta é uma palavra para estudar e cujos significados seria bom sugar. Ter fé. Viver pela fé. Confiar em Deus.

E veja só. Este discurso sobre a fé que Paulo está iniciando, usando o exemplo de Abraão, é o seu resumo e estudo de caso de tudo que falou nos primeiros três capítulos. Portanto, prestemos atenção! Por mais que queiramos uma vida ordenada, ditada, mapeada junto com um manual do que devemos e não devemos fazer, Deus não nos chama para viver simplesmente conforme algum código, mesmo o código que Ele próprio deu (a Lei). Não. Ele é pessoa. E como pessoa, quer se relacionar conosco. E relacionar-se inevitavelmente implica em surpresas. E necessariamente exige confiança, uns nos outros. Quando este “outro” é Deus, esta confiança se chama “fé”. Desde o início até o fim (Rm 1.17).

Promovamos a justiça socio-ambiental…com certeza! Como? Promovendo a vida pela fé.

Oração

Adoramos-te, ó Pai, pela oferta magnífica de vida contigo. Maravilhoso! Confiamos em Ti. Temos fé. Viveremos por Ti. Encha-nos do Teu Espírito para possibilitar isso. Em nome de Jesus.  Amém.

Semana 13: Romanos 3.31

Esgotamos[i], pois, a Lei pela fé? De jeito maneira! Muito pelo contrário, fortalecemos[ii] a Lei. (tradução minha)

Reflexão

Gosto muito da Nova Tradução na Linguagem de Hoje, e também da Nova Versão Internacional. Mas não para Romanos. Tanto a linguagem técnica quanto as sutilezas dos argumentos de Paulo praticamente exigem uma tradução mais “literal”. Assim procurei fazer no versículo que conclui o capítulo 3. As nuanças dos dois prinicpais verbos do versículo nas notas abaixo talvez ajudem mais ainda a entender o que Paulo está dizendo. Ajuda também lembrar do versículo 22 que comentamos na semana passada: “a fé de Jesus (manifesta) a justiça de Deus”. E olhando um pouquinho para frente, em Romanos 10.4, “pois Cristo é o fim da Lei…”. Deu para entender? A fé (primeiro de Jesus que manifesta a justiça de Deus e, em segundo lugar, a nossa fé que a fé de Jesus possibilita) não esgota a Lei porque é para ela (a fé de Jesus e a nossa fé) que a Lei (as Escrituras) aponta. Deste jeito, as Escrituras encontram o seu cumprimento em Jesus e consequentemente na salvação de todas as etnias, judias ou não.

Mas o que não significa? Não significa que a vida cristã é feita um pouco de fé (acreditamos certas coisas) e um pouco de Lei (obedecer a ordem do Antigo Testamento). Certamente Paulo, depois de tudo que falou até aqui a respeito da circuncisão, não está dizendo isso. Entretanto é assim que a maioria dos cristãos vivem e muitos líderes cristãos pregam. Não entenderam a mensagem.

O que tem a ver com o compromisso socio-ambiental? Tem a ver com método e procedimento. Arriscando ser simples demais….as coisas realmente mudam pelo código da Lei ou por transformações afetivas e interiores?

Oração

Precioso Jesus. Inunde-nos da tua graça. Amém.


[i] (1) Inutilizar, gastar, esgotar, nulificar; (2) livrar-se de: (3) abolir, destruir, cessar

[ii] (1) colocar em primeiro lugar, estabelecer, confirmer, colocar em pé; (2) aparecer, ficar em pé, ficar firme, atentar-se

Semana 12: Romanos 3.21-22

Mas agora, independentemente da Lei, a justiça de Deus se manifestou, sendo confirmada pela Lei e os Profetas.  Isto é, a justiça de Deus pela fidelidade de Jesus para todos e sobre todos que exercem fidelidade. Porque não há diferença [entre gentio e judeu]. (tradução minha)

Reflexão

Ontem à noite preguei sobre esta passagem. Acho que exagerei. Foi longo demais. Cansei o pessoal! Ainda bem que só tenho uma página aqui! Sério, compare a minha tradução acima com a sua Bíblia. Diferente, não é? De 33 versões em inglês achei 14 que traduziram (corretamente) a frase no versículo 22 como “a fé (ou a fidelidade) de Jesus”. As outras, como todas as 14 versões em português que verifiquei, traduziram como “nossa fé em Jesus”. Na língua original, a forma genitiva do substantivo garante a tradução “de Jesus” em mais que 95% dos casos.

Importante? Pode crer! A minhaem Jesus manifesta a justiça de Deus? A justiça de Deus não só para mim como para toda a criação (o contexto maior)? De jeito maneira! A minha fé em Jesus é a resposta certa para a fidelidade de Jesus na cruz que efetuou a justiça de Deus para o mundo todo. Uma é causa. A outra é consequência.

Claro que somos nós que devemos ter fé em Jesus. Paulo fala isto “n” vezes em outros lugares, mas não aqui. Por que? Primeiro porque ele está falando de algo muito maior que a gente: a justiça de Deus como solução para um mundo cheio de injustiça…o que afeta diretamente a questão do meio ambiente. Temos nós algum papel? Claro que temos. Mas é Jesus, pela SUA fidelidade que inverteu o quadro anterior. Por causa da suaa nossa é possível e há algo sólido ( a fidelidade de Jesus) no qual pode se fundamentar. Queres crescer na fé? Cresça no conhecimento de Jesus. Queremos ser mordomos fiéis da criação. Moldemos a nossa fidelidade com base na fidelidade de Jesus. Enfim, conheçamos Jesus mais e mais.

Oração

Pai amado, mostre-nos cada vez mais o rosto de Jesus para nos apaixionarmos mais e mais por ele. No seu nome santo. Amém.

Semana 11: Romanos 3.7-8

Mas digamos que a minha mentira faz com que a verdade de Deus fique mais clara, aumentando assim a glória dele. Nesse caso, por que é que devo ainda ser condenado como pecador?  Então por que não dizer: “Façamos o mal para que desse mal venha o bem”? Na verdade alguns têm me caluniado, dizendo que eu afirmo isso. Porém eles serão condenados como merecem. (NTLH)

Reflexão

Fico impressionado com a maneira como Paulo se expressava, especialmente quando penso em como os oradores se expressam na igreja…eu inclusive. No caso acima, Paulo se utiliza duma ironia ferrenha que propõe o ridículo. Quantas vezes eu queria fazer o mesmo numa pregação ou num estudo escrito! Mas pelo medo de ser mal entendido, sempre desisto, a não ser quando dirijo um estudo bíblico mais informal, de vez em quando. Mesmo assim, a ironia não nos parece fazer parte do repertório de técnicas de comunicação aceitáveis no meio da igreja. Por que? Provavelmente porque a ironia é uma forma de mentira e crente não mente!

Mas a ironia é um jeito tão forte de se comunicar e é tão facilmente gravada, que a gente, acredito eu, deveria explorar um pouco mais este jeito de falar, se não por outro motivo, pela razão de ser bem lembrado. Sim, é uma comunicação arriscada, mas vale o risco.

É possível criar ironias a respeito da nossa incumbência de cuidar da criação de Deus? Pode sugerir alguma ironia para destacar a urgência do momento ou a importância do nosso papel? “Já que o mundo vai à descarga, vamos acelerar o processo!” (Não sou muito bom neste negócio de ironia. A casca santa de crente impede a facilidade). Usar a ironia para a educação ambiental é sacrilégio mesmo?

Terias alguma sugestão?

Oração

Pai amado, como pensamos que somos bons. Como pensamos que entendemos bem. Como pensamos que somos a solução! Pai, nos dê a noção apenas do próximo passo a tomar, sem grandes pretenções. Em nome de Jesus. Amém.<!–

Semana 10: Romanos 3.4

De modo nenhum! Que Deus continue a ser verdadeiro, mesmo que todas as pessoas sejam mentirosas. Como dizem as Escrituras Sagradas a respeito dele: “Que fique provado que tu tens razão quando falas e que sejas vencedor quando fores julgado.” (NTLH)

Reflexão

Não acha este versículo estranho? É quase impossível explicá-lo, sem colocá-lo dentro do seu contexto. Também é crucial que reparemos que Paulo está usando um jeito de desenvolver o seu pensamento bem específico da sua época. Chama-se retórica. Uma vez que entendemos como funciona este jeito antigo de escrever, a retórica, as idéias de Paulo fazem mais sentido.

Outra coisa: Paulo fala dum grande problema desde o início do capítulo 2 até o capítulo 3, versículo 20. E o problema é a propensão que cada um de nós tem de fazer o mal e o consequente julgamento de Deus que segue esta situação de maldade. Mas, é importante também reparar que a partir de 3.21 até o final do capítulo 11, Paulo vai falar da grande solução. Um capítulo e meio para tratar do problema e oito capítulos e meio para tratar da solução! Será que aqui temos um bom modelo para a educação ambiental? Primeiro, e primeiro mesmo, o problema. O problema dum jeito claro e convincente. Sem dúvida, este é o primeiro passo. Mas o segundo passo ocupa mais a nossa atença ainda: a solução. A solução exposta, explicitada, elaborada e estendida até as suas consequências mais abrangentes.

Ah é, mais uma coisa! Tudo isso usando a linguagem que se entenda. No caso de Paulo escrevendo para os romanos, era a linguagem da retórica. No nosso caso, é a linguagem da ciência e da sensibilização. Pelo menos, quando se trata da educação ambiental. Mas, poderíamos aplicar os mesmos princípios (primeiro problema, depois e mais extensivamente a solução, e tudo isso dentro da linguagem que se entende) a outras aplicações, como a evangelização de todos os povos… o assunto mais imediato de Paulo em Romanos.

Oração

Maravilhoso Deus. Conceda-nos palavras apropriadas que fluam com facilidade das nossas bocas para falar convincentemente do seu plano de redenção para o mundo todo, tudo que o Senhor criou. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 9: Romanos 2.11

Pois ele [Deus] trata a todos com igualdade. (NTLH)
Porque para com Deus não há acepção de pessoas. (RA)

Reflexão

Esta frase é citada quase sempre para dizer que Deus aceita todas as pessoas igualmente. Entretanto, no contexto de Romanos, a frase diz exatamente o contrário: Deus julga todos igualmente (leia antes e depois do versículo 11). Tudo bem que em outros lugares a mesma frase pode ter uma conotação positiva (ex. Tiago), mas não aqui. E quem gosta, afinal, de falar sobre o julgamento de Deus? Muito mais preferimos falar da sua graça e do seu amor. Entretanto, a graça existe justamente por causa do julgamento, especificamente para escapar das consequências do julgamento.

E lembram-se que a redenção humana é conectada à redenção da criação (Romanos 8)? Pois bem, também é o caso do julgamento. Eis a preocupação cristã com o meio ambiente. Pois, tendemos a enxergar mais o perigo iminente do julgamento da criação por causa da perversidade humana do que da sua redenção por causa da conversão humana.

Se for ler o resto do capítulo 2, verá que o importante é o coração humano, pois se fosse pela “lei” ninguém realmente pratica a fio aquilo que prega. Por isso, precisamos não somente boas intenções e nem mesmo apenas boas orientações, mas precisamos de novos corações transformado pelo Espírito.

De alguma forma, este mesmo princípio deverá reger as ações daqueles que são chamados como agentes de transformação da criação toda. Como traduzir este “princípio” em orientação mestra para a Rocha?

Oração

Pai. Dá-nos olhos para ver, coração para sentir, e bons sentidos para sentir o toque do Teu Espírito e transforme-nos, Senhor, para que sejamos instrumentos da Tua transformação nesta terra. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 8: Romanos 2.6

…pois ele [Deus] recompensará cada um de acordo com o que fez. (NTLH)

Reflexão

Capítulo 2 de Romanos trata dum aviso acerca do julgamento de Deus. O princípio básico, citado acima e elaborado nos versículos 7-10, é universal. Parece se contrapor à graça de Deus como o único meio de salvação e à justificação pela fé, grandes temas desta Carta aos Romanos. Mas não é o caso.. Fato é que as nossas ações têm consequências (1 Coríntios 3.10-15), consequências para nós individualmente, consequências que atingem as pessoas mais próximas a nós, e consequências que alcançam até mesmo o ambiente que nos cerca. Tudo isso a própria experiência também nos diz, não é?

A mensagem, “as ações humanas tem consequências abrangentes”, é o bê-a-bá da ética cristã, inclusive da educação ambiental, e poderemos apontar para esta passagem entre outras para sustentar a sua base bíblica. Mais adiante em Romanos (capítulo 8), lemos que a redenção da criação também decorre das ações, neste caso, especificamente das ações do povo de Deus. Esta última afirmação, entretanto, não é óbvia como a primeira. Tendemos a pensar que o nosso papel é mínimo e essencialmente se reduz à conscientização da população maior. Ninguém duvida que devemos conscientizar a população maior, utilizando todos os meios à nossa disposição. Não tenho dúvida disto e dou graças a Deus pelos políticos e outros setores que lutam tão bravamente. Mas quero deixá-los com este pensamento…

Qual é o papel (ou papéis) específico tão notável do povo de Deus na redenção da criação? A resposta para mim não é muito clara. Fascino-me pela perspectiva de Romanos 8, do Livro de Apocalipse, das passagens proféticas de modo geral, todas que apontam para a realização do papel nos dado em Gênesis 1 e 2. Mas confesso que ainda não consigo entender muito bem porque o nosso papel é tão especial

… confissões dum “teologo” e capelão dum ONG cristã ambiental

Oração

Pai. Nos ajude a agir de modo agrável a Ti. Mostre-nos o nosso papel, ações específicas. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 7: Romanos 1.21…32

Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos,  e a sua mente vazia está coberta de escuridão…

Eles sabem que o mandamento de Deus diz que aqueles que fazem essas coisas merecem a morte. Mas mesmo assim continuam a fazê-las e, pior ainda, aprovam os que fazem as mesmas coisas que eles fazem. (NTLH)

Reflexão

Estes dois versos enquadram uma longa descrição da depravação humana. E é importante dizer que é a condição de todos nós sem Deus. É relatório sóbrio, que nos obriga, Deus queira (!), a ter bastante humildade quanto às mudanças socio-ambientais que tanto desejamos incentivar. Caros colegas, precisamos de muita humildade muita perseverança. Celebramos com muitíssima alegria “pequenas” vitórias e jamais nos desanimamos quando não encontramos “grandes” conquistas.

Outra grande lição destes versos é a ênfase na condição humana. Não faz muito tempo—e os brasileiros contribuíram muito para esta nova perspectiva—que paramos de falar exclusivamente de problemas “ambientais” e começamos a falar dos desafios “socio-ambientais”. A reflexão de Paulo nos obriga a dar muita atenção à parte “socio”. Por isso, enquanto a abrangência do projeto de Deus de estabelecer a sua justiça é nada menos que a criaçõ toda (Romanos 8), não é à toa, que Paulo concentra a sua atenção à condição humana. Afinal, se fomos criados como mordomos e jardineiros sobre a criação toda, somos os grande responsáveis.

Quer dizer que precisamos continuar a buscar meios de levar o povo de Deus a ver o seu papel como catalisadores duma nova sociedade, duma vida alternativa, dum compromisso radical. Utopia? Sem dúvida. Mas prefiramos a nomenclatura: “reino de Deus”… ou que tal, “novos ceús e nova terra”?

Oração

Pela tua graça, somente pela tua graça, ó Pai, somo povo teu. Enche-nos do Teu Espírito e concede-nos sabedoria para seguir a Jesus e assim liderar num mundo perdido. Em nome de Jesus. Amém.

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