Versão ampliada do artigo “A Reconciliação em Cristo – da Criação”, oferecido na edição #369 da revista Ultimato.

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19 [NA17).

Antecipando a celebração de 50 anos da revista Ultimato em 2018 é apropriado refletir sobre o lema da revista que se encontra ao lado da sua logomarca: “Deus, em Cristo, reconciliando todas as coisas”. A frase faz parte da afirmação do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5:17-21. Vem do versículo 19. Esta é uma frase, como muitas outras no Novo Testamento, que resumem bem o papel de Cristo Jesus no cumprimento do projeto de Deus. Entre as mais conhecidas são João 3.16, Romanos 3.21-26 e Colossenses 1.13- 23. Estas passagens e ainda mais outras são fundamentais para o trabalho evangelístico e missionário.

Entretanto, a sua abrangência geralmente ou ignorada, ou subestimada, ou mal-entendida.

Isto por um lado é natural porque nós temos a tendência de ler as Escrituras pensando só em nós. Afinal de contas, as escrituras foram escritas para seres humanos.  Além disto, No Ocidente, onde a cultura é bastante individualista, imaginamos que as Escrituras são escritas simplesmente para MIM. E isso, mesmo que esteja escrito claramente que os destinatários de muitos dos livros da Bíblia são uma comunidade.  Portanto, o leitor normal no Ocidente lê a Bíblia procurando alguma orientação pessoal: alguma palavra de encorajamento, alguma exortação, ou algum conselho para resolver um problema pessoal. E é por isso que no Ocidente também somos menos propensos de ver as implicações sociais na mensagem da Bíblia mesmo quando estás são muito patentes. Por exemplo, Jesus falou que devemos amar o nosso Deus com tudo que somos e o nosso próximo como a nós mesmos. Entretanto, enquanto entendemos bem a importância da devoção espiritual a Deus, a nossa responsabilidade social permanece estranhamente um assunto controvertido no meio evangélico.

E se for difícil entender as implicações sociais do evangelho, mais difícil ainda entender suas implicações para a criação toda. Este é o assunto nossa passagem em 2 Coríntios, dentro do seu contexto imediato, dentro do contexto maior da perspectiva de Paulo, e dentro das Escrituras de modo geral. Veremos a seguir cada um destes três contextos para depois considerar a nossa parte—a nossa parte individualmente como discípulos de Cristo, nossa parte como povo de Deus, através das suas diversas expressões como igrejas e organizações missionárias como a Revista Ultimato.

Continue lendo →

Quando se fala de “missões”, um dos problemas mais complexos, um verdadeiro quebra-cabeça para jovens que estão considerando um ministério transcultural é a questão de um chamamento missionário. Neste capítulo trataremos da necessidade e da natureza de tal chamamento, distinguiremos entre o chamamento e a direção de Deus e ainda daremos algumas sugestões de como receber este chamamento.

Primeiro, vale a pena logo advertir sobre duas posições extremas. Por um lado, alguns insistem que há um chamamento sobrenatural como o que Paulo experimentou para ir à Macedônia (At 16.9-10) e que este é o padrão para todo chamamento missionário. Geralmente se pensa em vozes, visões e acontecimentos misteriosos através dos quais Deus fala audivelmente. Outros alegam que não há nenhum tipo de chamamento exigido, já que a tarefa missionária cabe a todos os cristãos. Parecem duas posições extremamente contrárias. E para complicar mais, as duas demonstram um pouco a perspectiva bíblica, mas nenhuma a revela totalmente. Podemos desemaranhar esta questão? Continue lendo →

Data: 3/3/1527

Querido Senhor e Deus,
protege bondosamente os frutos nos campos e nas hortas.

Purifica o ar.

Dá chuva e bom tempo quando convém.

Permite que os frutos sejam bons.

Não deixa que sejam envenenados,
para que nós e os animais não fiquemos doentes,
nem soframos qualquer mal.

Muitas de nossas desgraças são causadas pelo ar envenenado
e, em consequência, os frutos, o vinho e o cereal estão contaminados.

Se deixares isto acontecer,
teremos que comer a nossa morte em nossos produtos e bebê-la.

Por isso, permite que os frutos sejam abençoados,
que cresçam para a nossa saúde e bem-estar.

Cuida para que não abusemos deles,
colocando a vida em perigo
ou provocando injustiça, voracidade ou malandragem.

Pois daí resultam falta de moderação, adultério, briga,
assassinato, guerra e muitas outras desgraças.

Muito antes concede-nos a graça,
para que usemos tuas dádivas em favor da melhoria de nossa vida,
para que os frutos mantenham nossa saúde,
e para que nós os usemos de maneira responsável diante de ti.

Amém.

(encaminhada pelo Pastor Werner Fuchs)

Nos últimos dois ou três anos o tema da vocação missionária voltou a ser bastante ventilado. Nunca ficou muito distante da preocupação e preparo missionários, mas o assunto recebe bem mais destaque recentemente. Em muitos dos estudos e palestras uma vocação “geral” é distinguida de uma “específica”, e por boas razões. Na ufania do desafio missionário pode se interessar muito mais em saber onde se deve “ir” (denominado frequentemente como “vocação específica”, mas que considero melhor denominado como “direção específica”) do que como se deve se conformar à imagem de Cristo e refletir as características de Cristo na própria vida (“vocação geral”). A distinção entre “geral” e “específica” trata disto e assim faz muito bem. Entretanto, há mais duas questões envolvidas no assunto da vocação que não recebem a atenção que merecem: primeiro, o lugar da “nossa” vocação dentro da vocação de Deus, e segundo, o desenvolvimento da nossa vocação ao longo da vida. Vamos considerar cada uma destas duas questões, a primeira nesta reflexão e a segunda posteriormente… Continue lendo →

Continuando as nossas três reflexões anteriores…

Fase da salvação entregue: de vida antes de conhecer Cristo para vida de blasfemo e infiel

Nesta quarta fase, Paulo havia esquecido que antes de conhecer Cristo, vivia uma vida boa. Esqueceu ou reavaliou radicalmente. A vida anterior não era mais boa virada lixo. Ela simplesmente deixou de ser boa. Veja como Paulo falava da sua vida anterior a Cristo…

Agradeço a Cristo Jesus, o nosso Senhor, que me tem dado forças para cumprir a minha missão. Eu lhe agradeço porque ele achou que eu era merecedor e porque me escolheu para servi-lo. Ele fez isso apesar de eu ter dito blasfêmias contra ele no passado e de o ter perseguido e insultado. Mas Deus teve misericórdia de mim, pois eu não tinha fé e por isso não sabia o que estava fazendo…. O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. – 1 Timóteo 1.12-13,16 (cerca de 65-66 d.C) Continue lendo →