A vocação de Deus e nossa vocação

Nos últimos dois ou três anos o tema da vocação missionária voltou a ser bastante ventilado. Nunca ficou muito distante da preocupação e preparo missionários, mas o assunto recebe bem mais destaque recentemente. Em muitos dos estudos e palestras uma vocação “geral” é distinguida de uma “específica”, e por boas razões. Na ufania do desafio missionário pode se interessar muito mais em saber onde se deve “ir” (denominado frequentemente como “vocação específica”, mas que considero melhor denominado como “direção específica”) do que como se deve se conformar à imagem de Cristo e refletir as características de Cristo na própria vida (“vocação geral”). A distinção entre “geral” e “específica” trata disto e assim faz muito bem. Entretanto, há mais duas questões envolvidas no assunto da vocação que não recebem a atenção que merecem: primeiro, o lugar da “nossa” vocação dentro da vocação de Deus, e segundo, o desenvolvimento da nossa vocação ao longo da vida. Vamos considerar cada uma destas duas questões, a primeira nesta reflexão e a segunda posteriormente… Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 4

Continuando as nossas três reflexões anteriores…

Fase da salvação entregue: de vida antes de conhecer Cristo para vida de blasfemo e infiel

Nesta quarta fase, Paulo havia esquecido que antes de conhecer Cristo, vivia uma vida boa. Esqueceu ou reavaliou radicalmente. A vida anterior não era mais boa virada lixo. Ela simplesmente deixou de ser boa. Veja como Paulo falava da sua vida anterior a Cristo…

Agradeço a Cristo Jesus, o nosso Senhor, que me tem dado forças para cumprir a minha missão. Eu lhe agradeço porque ele achou que eu era merecedor e porque me escolheu para servi-lo. Ele fez isso apesar de eu ter dito blasfêmias contra ele no passado e de o ter perseguido e insultado. Mas Deus teve misericórdia de mim, pois eu não tinha fé e por isso não sabia o que estava fazendo…. O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. – 1 Timóteo 1.12-13,16 (cerca de 65-66 d.C) Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 3

Esta é a terceira parte da nossa série sobre as fases da vocação ou “salvação” de Paulo…

Fase da salvação reconsiderada: de perfeito para o lixo

Muitos discípulos de Cristo, talvez a maioria, só Deus sabe, passam a vida toda ou na primeira ou na segunda fase da sua salvação. E não digo isto a título de crítica. Apenas, muitos não imaginam que há algo mais. Mas há, e Paulo descobriu isto quando ele reconheceu que toda aquela bondade, piedade, fidelidade e herança na fé, diante da sua caminhada dia-a-dia com Jesus, a vida cheia do Espírito, não passava de lixo. Em algum momento entre a hora que escreveu a Carta aos Gálatas e as suas Cartas aos Coríntios 5 a 7 anos depois, e a Carta aos Filipenses uns 10-12 anos depois de ter escrito a Carta aos Gálatas, Paulo reconheceu o seu devido tamanho diante de Deus e reconheceu que tudo que ele realizava antes era nada diante daquilo que Deus havia feito na sua vida. Vamos ler os textos… Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 2

Na última reflexão consideramos uma “primeira” fase da vocação de Paulo. Coloco a palavra “primeira” entre aspas porque é a primeira fase que conseguimos reparar nos seus escritos e não necessariamente a primeira de fato. Agora queremos considerar uma segunda fase…

Fase da salvação avaliada: de melhor que todos para ser escolhido

Não sabemos quanto tempo demorou, mas cerca de 15 a 18 anos depois da sua conversão, no ano 48 d.C, encontramos Paulo não mais silenciado e pasmado pela sua conversão. Ele já havia passado para uma nova fase, a fase da conversão avaliada. Veja como Paulo entendia, 15 a 18 anos depois, a sua conversão, especialmente o que ele era antes de conhecer Cristo. Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Part 1

Tendemos a ter uma visão bem estática da nossa vocação “geral”, a vocação de nos assemelharmos a Cristo. Tendemos a pensar, ou pelo menos agir, como se a conversão ocorre de uma só vez e de maneira quase total, a ideia da transformação de vil pecador em santo discípulo de Jesus. Certamente este é o nosso alvo, mas a Bíblia fala do desenvolvimento da nossa salvação, ou podemos pensar igualmente na nossa vocação nestes termos (Filipenses 2.12), o que os teólogos chamam de “santificação”, algo que tendemos a separar da conversão, bem contrário da passagem de Paulo citada. Um famoso biblista sueco, Krister Stendahl, chamou atenção para esta mania em 1963 na sua reflexão, “O apóstolo Paulo e a consciência introspectiva do Ocidente”, hoje parte do seu livro, Paul among Jews and Gentiles (1976, em português: “Paulo entre judeus e gentios”). Ele reparou que o Ocidente deriva seu paradigma de conversão do encontro de Saulo/Paulo com Jesus no caminho para Damasco, a ideia sendo que ele a conversão veio como um relâmpago que derrubou Paulo do seu cavalo (não há cavalo no relato bíblico) e ele foi transformado uma vez para sempre. Esta visão não é o que lemos nas Escrituras, nem tampouco dos escritos de Paulo e nem tampouco do exemplo de Paulo. As suas cartas demonstram desenvolvimento da sua vocação/salvação. As passagens chaves são: Atos 8.1-3; 9.1-6; 22.3-21; 26.11-18; Gálatas 1.13-24; 1 Coríntios 9.1; 15.9; Filipenses 3.6; 1 Timóteo 1.12-17. Vejamos… Mais >

Cheios do Espírito!

Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar.  De repente, veio do céu um barulho que parecia o de um vento soprando muito forte e esse barulho encheu toda a casa onde estavam sentados.  Então todos viram umas coisas parecidas com chamas, que se espalharam como línguas de fogo; e cada pessoa foi tocada por uma dessas línguas.  Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa. — Atos 2.1-4 (NTLH)

Estes versículos iniciam a segunda divisão do Livro de Atos (2.1–8.4) que inclui, por sua vez, um apelo para todo Israel (2.1–3.26) e a vida e perseguições dos primeiros cristãos em Jerusalém (4.1–8.4). Este início relata a vinda do Espírito Santo em poder que foi antecipada pelas promessas feitas em Lucas 24.49 e Atos 1.4-5 e em cumprimento às promessas de Deus para os três pilares do judaísmo: Abraão, Moisés e Davi, sendo estes os mais notórios dos patriarcas, dos juízes e dos reis. Vejamos como este cumprimento se due em relação a cada um destes pilares. Mais >

Por que 12?

 — Portanto, precisamos escolher outro homem para pertencer ao nosso grupo e ser testemunha junto conosco da ressurreição do Senhor Jesus. Deve ser um daqueles que nos acompanharam durante o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, desde que foi batizado por João até o dia em que foi levado para o céu.
E foram apresentados dois homens:José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias.  Em seguida oraram, dizendo:
— Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra agora qual dos dois escolheste  para trabalhar conosco como apóstolo, pois Judas abandonou este trabalho e foi para o lugar que ele merecia.
Depois fizeram um sorteio para escolher um dos dois. O nome sorteado foi o de Matias, que se juntou ao grupo dos onze apóstolos. — Atos 1.21-26

Atos 1.15-26 conta a liderança de Pedro, em uma reunião de cento e vinte discípulos, para completar o grupo de apóstolos. O grupo havia sido reduzido para onze por causa da traição e morte de Judas e agora era necessário substitui-lo e completar o grupo dos doze. Mas por que era tão importante que o grupo de apóstolos fosse doze? Por que não poderia ficar em onze? Por que não esperar a vinda do apóstolo Paulo para completar os doze? Mais >

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Participe, se puder

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