Por Priscila Mesquita

ONGs, universidades, igrejas e 215 voluntários se unem em prol dos imigrantes venezuelanos

Fornecer apoio humanitário e suprir necessidades básicas do povo venezuelano que migrou para Manaus. Com esse propósito, profissionais de saúde, direito, serviço social e de outras áreas somaram forças com organizações da sociedade civil para realizar a 4ª edição do “Grito de Paz” no Amazonas, no último sábado (09). O mutirão de serviços gratuitos ocorreu na sede da Igreja Presbiteriana de Manaus (IPManaus), com o apoio de diversas entidades, ONGs, universidades, faculdades e voluntários que souberam da iniciativa por meio das redes sociais e resolveram participar.

De acordo com o coordenador do evento, o publicitário Ely Barbosa, o “Grito” reuniu 215 voluntários e atendeu a 320 venezuelanos, muitos dos quais ainda estão sem moradia, documentação e sem o domínio da língua portuguesa.

“Tivemos um grande grupo de amigos se mobilizando em prol do aflito, mas nosso foco não é assistencial. O evento foi um ponto de partida para cadastrarmos os imigrantes e conhecer as condições em que estão vivendo. Agora, as entidades parceiras discutem projetos que ajudarão os venezuelanos a se estabelecer na cidade, como, por exemplo, um curso gratuito de língua portuguesa”, explica.

Entre 2016 e 2017, o Amazonas recebeu 2.577 solicitações de refúgio, conforme dados do Ministério da Justiça.

Ao longo do dia, os venezuelanos receberam atendimentos gratuitos de médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e da equipe de vacinação, que realizou imunização contra Influenza A e Tríplice Viral. Em outros setores, advogados, assistentes sociais e voluntários de diversas áreas profissionais ajudaram no cadastramento das pessoas, trouxeram orientações, criaram currículos, realizaram serviços estéticos e brincaram com as crianças em um espaço preparado para elas. Durante o evento, os refugiados receberam também roupas, remédios e alimentos.

Na avaliação da odontóloga Liege Franco de Sá, que integrou a equipe de recepção e cadastramento, a principal necessidade dos imigrantes é obter a documentação brasileira. “Vi venezuelanos alegres por serem ouvidos e ajudados. Outros, tristes porque estão morando na rua. Vi profissionais desesperados, como engenheiros e enfermeiros, que estão passando fome e estão sem condições de sustentar as famílias que ficaram na Venezuela. Mas também vi gente cheia de esperança, querendo recomeçar a vida em um país estranho”, conta a voluntária.

Grito de Paz

 

A 4ª edição do “Grito de Paz” foi a primeira com foco nos imigrantes venezuelanos. Criado em agosto 2015, a ação surgiu como um manifesto contra a violência no Amazonas e desde então os organizadores se mobilizam para atuar em outras frentes sociais, como o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e o apoio aos venezuelanos.

Festival solidário acontece hoje, 15/06

Preocupados em dar continuidade à arrecadação de alimentos não perecíveis, os organizadores do “Grito” promovem nesta sexta (15), a partir das 21h, a 2ª edição do “Rock Festival”, na sede da IPManaus, cuja entrada é um quilo de alimento (não obrigatória). Segundo Ely Barbosa, o evento busca atrair a juventude com música de qualidade e ao, mesmo tempo, engajá-la em favor do próximo.    

Confira mais registros do 4º Grito de Paz

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