Por Vivian Fernandes Barroco

Aqui o dia começa cedo, as mulheres sertanejas são como diz Provérbios 31: “olham pelo governo de sua casa e não comem o pão da preguiça”. Elas vivem com os olhos no céu a espera da chuva e com as mãos no trabalho. Essas mulheres são marcadas pela vida, marcadas pela labuta diária que é grande e pesada, marcadas pelo sol que não da trégua. Mulheres que carregam do sofrimento uma sabedoria que nenhuma grande faculdade consegue dar. Elas sabem o significado de resiliência na prática, estão sempre se reinventando, seja quando a chuva não vem, seja quando seus maridos vão para fora trabalhar, seja quando a doença bate a porta e elas não podem parar.

Eu vivo no sertão há três anos e sempre me surpreendo com a força dessas mulheres. Era uma quarta-feira à tarde, sol quente, chego a um povoado e lá na roça estava dona Doralice cortando mato, enchendo uma saca para alimentar seus animais. Ela perdeu o marido, tem duas filhas e me disse: antes eu não precisava vir, cuidava só da casa, mas agora…

Dona Maria, lavadeira, mãe, passa o dia lavando roupa e andando pra cima e pra baixo com trouxas na cabeça para entregar. Um dia desses chegou com a notícia de ter conseguido, depois de uma vida inteira de trabalho, comprar sua moto. Foi alegria que encheu os olhos!

As mulheres daqui trabalham muito. Elas cuidam da roça, elas constroem casas, elas vendem, elas cuidam dos animais, elas são valentes. E a cada dia encontram mais força em Deus.

Na igreja, elas são a maioria, desde o começo. No início eram tímidas, mas hoje estamos vendo mulheres cheias de Deus, mulheres fortes não só no trabalho, mas fortes também na sua fé. E através do seu testemunho tem trazido seus maridos para o evangelho e mudado a realidade de suas casas.

Aqui por esses sertões – onde o chão é seco, mas o coração é encharcado de esperança –, é que temos conhecido Doralices, Marias, Dalilas. Com elas, aprendemos que o significado de ser mulher está na força, coragem e dignidade que carregam por dentro.

“força e dignidade são os seus vestidos; e ri-se do tempo vindouro”.
(Provérbios 31.25)

• Vivian Fernandes Barroco, esposa de Maycon Barroco e mãe do Estêvão. Missionária no sertão do Piauí, fundadora da base Missionária do Iris Global no Piauí e co-fundadora da página no Facebook “Mulheres na Missão”.

  1. Anelise Santos

    Lindas palavras, exemplo de vida!!!
    E quero dar os parabéns pelo trabalho q vcs tem realizado aí…tenho aprendido muito com seus comentários no face, pois agora em Abril, eu e meu esposo estaremos indo ser missionários em Betânia do Piauí…e vcs tem sem sido exemplos de missionários de Cristo na obra…Que o Pai continue abençoando esse trabalho tão preosioso aí, e guie vcs em todo tempo, suprindo tudo o q vcs precisam.
    Com todo carinho
    Anelise Santos
    Porto Alegre/RS

  2. Graça e paz!
    Quando li o título do texto, logo me interessou. Meus pais nasceram e cresceram no sertão da Bahia. Minha mãe até a adolescência deu duro no sertão. Mas assim que se casou com meu pai, vieram para a “cidade grande”. Mas ainda tenho tias , tios, primos e primas que ainda moram no sertão. Realmente a vida não é fácil por lá. Mas o povo é forte. E ficara mais forte ao encontrar o Senhor Jesus! Deus abençoe vocês!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>