SÉRIE REVELAR – Estudo Bíblico

Foto: Pixabay.com

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Questões a ponderar: Tem conhecimento da existência de pessoas portadoras de deficiência na sua comunidade? Como são tratadas as pessoas portadoras de deficiência na sua comunidade? São tratadas com dignidade e respeito? Ou são evitadas e desprezadas? São tratadas com receio e estigma? São bem recebidas na igreja?

Calcula-se que, a nível global, existam 15% de pessoas a viver com deficiências – o que significa aproximadamente mil milhões de pessoas. As pessoas portadoras de deficiência são frequentemente as pessoas mais marginalizadas e mais pobres nas nossas comunidades. Infelizmente, podem enfrentar estigma (quando as pessoas têm atitudes negativas para com elas) e discriminação (quando as pessoas as tratam de maneira diferente por motivo da sua deficiência).

Frequentemente, a questão da deficiência não é falada. Por vezes, as pessoas portadoras de deficiência são até escondidas e mantidas longe da vista por causa da vergonha e de mal-entendidos. A deficiência pode ser um “problema escondido” que necessita de ser revelado.

O que diz a Bíblia?

A Bíblia diz que toda a humanidade é criada à imagem de Deus (Génesis 1) e amada incondicionalmente por Deus (João 3:16). Isto inclui as pessoas portadoras de deficiência. Em toda a Bíblia, vemos a preocupação especial de Deus com as pessoas que são desfavorecidas e excluídas.

Para os cristãos, Jesus deve ser o nosso exemplo. Jesus encontrou sempre tempo para falar com as pessoas portadoras de deficiência, apoiar estas pessoas e aceitá-las plenamente. Em Mateus 20:29–34, Jesus saía de Jericó quando encontrou dois cegos.

Em vez de os curar imediatamente, Jesus perguntou-lhes: “Que quereis que vos faça?”. Na cultura da época, estes homens teriam sido marginalizados por causa da sua deficiência, mas Jesus queria dar-lhes dignidade falando e tratando pessoalmente com eles. Da mesma forma, com a mulher que tinha um fluxo de sangue havia 12 anos (Lucas 8:40-48), sofrendo vergonha e estigma, a preocupação de Jesus foi para além das necessidades físicas dela. Jesus chamou-lhe “filha de Israel” – um nome que exprimia amor e honra. E, embora Jesus curasse frequentemente as pessoas fisicamente, a Sua principal preocupação era sempre curar por dentro – curar os nossos corações para nos levar à relação correcta com Deus. Em 1 Coríntios 12, Paulo fala da igreja como um corpo. Se bem que sejamos todos diferentes, todos nós somos valiosos. Não há ninguém sem mérito e valor no reino de Deus. Fomos todos criados para um fim, com algo de valor para oferecer. A igreja é chamada a ser uma comunidade inclusiva que ofereça amor, valor e respeito a todas as pessoas. Nós somos chamados a não ter preconceitos e a dar a todas as pessoas a oportunidade de desempenhar um papel na comunidade que realize o seu potencial.

Compreender a deficiência

Há muitos tipos de deficiência diferentes, desde pequenos problemas que as outras pessoas poderão não notar, até condições que põem a vida em perigo. Há também muitas causas de deficiência diferentes. A ajuda médica pode melhorar determinados tipos de deficiência – se estiver disponível.

A deficiência inclui:

  • deficiência física – de nascença ou provocada por acidente ou doença posterior. Os exemplos incluem o palato fendido, a síndrome da poliomielite, ou a lesão da coluna provocada por um acidente rodoviário.
  • surdez ou cegueira – de nascença ou por doença.
  • a deficiência emocional – resultante de experiências angustiantes, negligência ou abuso.
  • dificuldades de aprendizagem.

Como é que a deficiência afeta as pessoas?

Muitas pessoas portadoras de deficiência vivem na pobreza e não lhes são dadas oportunidades de educação e de trabalho. Por vezes, são-lhes também negados cuidados de saúde (por ex. imunizações) e uma boa nutrição. Podem sofrer de estigma e rejeição nas suas comunidades.

Os prestadores de cuidados têm igualmente de fazer muitos sacrifícios, dando tempo e recursos àqueles de quem estão a tratar. No entanto, se centrarmos a nossa atenção nas “capacidades” das pessoas em vez de nos centrarmos nas suas “deficiências”, as atitudes negativas podem mudar. Muitas vezes, quando é dado às pessoas portadoras de deficiência o apoio de que necessitam, essas pessoas são capazes de encontrar o lugar que lhes compete na sua comunidade.

Por exemplo:

  • Proporcionar os auxílios apropriados para ajudar as pessoas a deslocarem-se permitirá mais independência e talvez o acesso ao trabalho.
  • O treino em atividades da vida quotidiana pode reduzir a dependência das crianças portadoras de deficiência e dar tempo aos pais para outras atividades.
  • A formação em linguagem gestual permite às pessoas surdas integrarem-se com outras pessoas e tornarem-se membros da comunidade mais confiantes e mais valorizados.

Nota: Estudo bíblico extraído do guia Revelar, publicado pela Tearfund.

Clique aqui e baixe o estudo em PDF.

  1. Jean Oliveira

    Existem milhares de templos no Brasil que ainda não fez as adaptações de acessibilidade para os portadores de necessidades especiais. Lamentável.

  2. Olá,
    Meu nome é Rafael Uziel, sou cristão e tenho deficiência física (membros inferiores), nasci prematuro e tive paralisia cerebral, fiz 12 cirurgias e passei por um longo processo para conseguir caminhar. Atualmente trabalho com inclusão de pessoas com deficiência.
    Fiquei bastante surpreso ao ler a matéria, e, primeiramente gostaria de agradecer por dedicarem um espaço a este tema tão negligenciado pela maioria das igrejas. De fato, as pessoas com deficiência são marginalizadas, discriminadas e enfrentam muitos desafios. (E isso inclui a igreja), que apresenta deficiências (no sentido da palavra) nos aspectos de acessibilidade por exemplo. Também não aborda o tema de forma correta. Ou quase nem se fala neste assunto. Eu mesmo já fui constrangido várias vezes ao frequentar cultos e era “alvo do milagre”. Obviamente que creio no poder de cura de Jesus. Mas como muito bem destacado na matéria, Cristo se importava primeiramente com o coração.
    Creio que as igrejas precisam sim se preparar para receber as pessoas com deficiência e ir até elas também.
    Segundo IBGE (2010) somente no Brasil quase 24% da população possui algum tipo de deficiência. E sempre fico me perguntando, porque vemos tão poucas pessoas com alguma deficiência nas igrejas?
    Seria por falta de acessibilidade? Falta de aceitação? Por medo de serem ridicularizadas? Todas as alternativas, entre outras me fazem crer que há um longo caminho de inclusão pela frente.
    Um outro exemplo que me ajudou muito a compreender meu valor em Deus foi o de Mefibosete. (2 Samuel 9).
    Como profissional de RH especialista em inclusão, e por ter uma deficiência e obviamente por ser cristão, quero mais uma vez parabenizar a Ultimato por trazer a tona este assunto e dizer que há um longo caminho pela frente, mas são matérias como essa que me fazem crer que não posso parar a caminhada e que vocês também devem continuar neste propósito. Juntos somos mais fortes.
    Há de se destacar também o fato de algumas igrejas realizarem encontros e até cultos exclusivos para pessoas com deficiência. Entendo que a ideia inicial, o propósito no coração pode ser bom. Mas é uma ação que segrega as pessoas com deficiência x pessoas sem deficiência. A igreja deveria ser referência em inclusão. E deve estar preparada para receber as pessoas com deficiência em todo tempo. E não criar um grupo de pessoas com deficiência. Desta forma, não há socialização, interação, comunhão com o corpo de Cristo como um todo e há uma segregação. E no meu ponto de vista, não deixa de ser um preconceito velado – infelizmente.
    Gostaria de fazer uma ressalva. A matéria traz o termo: pessoas portadoras de deficiência. Este é um termo já extinto e que não deve mais ser utilizado, pois traz a ideia de “portar” algo como se porta qualquer objeto (ex carteira, bolsa, óculos, etc) ou seja, algo que você pode se desfazer facilmente; o que não acontece quando se tem uma deficiência. A deficiência faz parte da pessoa. Logo, não é algo a ser “portado”. Eu por exemplo, não posso me desfazer da minha deficiência nas pernas. O termo correto é “pessoas com deficiência”. Outro termo ainda utilizado é portador de necessidades especiais – que também é incorreto. Afinal todas as pessoas tem suas necessidades, cada pessoa com a sua necessidade em especial, independente da deficiência. Ex: um diabético tem a necessidade especial do uso de insulina (na maioria das vezes). Uma pessoa que precisa usar óculos tem a necessidade especial de usar óculos.
    Um outro termo incorreto é “pessoas especiais”. Talvez com a ideia de proteger as pessoas com deficiência alguns dizem “especiais”. Porém cria uma distância entre as pessoas com deficiência x pessoas sem deficiência. No final das contas, todos somos especiais para Deus, ou para familiares e amigos – independente da deficiência. Resumindo o correto a ser usado é simplesmente: pessoas com deficiência.
    Um grande abraço e mais uma vez, parabéns pela iniciativa.

  3. Olá, Rafael!
    Muito obrigado por sua participação aqui em nosso blog.
    Quanto às ressalvas que você fez, você está correto. Nós só não mudamos o termo porque o conteúdo não é de nossa autoria, estamos apenas reproduzindo o estudo bíblico publicado na série Revelar, produzido pela Tearfund.
    Obrigado!

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