segundasPor June Ribeiro

A maioria de nós se lembra daquele “melhor amigo” com quem  compartilhou segredos  e viveu aventuras na infância.

Estabelecer vínculos afetivos e  desenvolver amizades é uma habilidade humana que se inicia nas primeiras relações que a criança estabelece dentro da própria família e, progressivamente, se estende para outras esferas, especialmente a escola, a creche e a igreja.

FathersDay_1100013333-1013intAo entrar para a creche ou começar a frequentar a escola dominical, a criança começa a conviver com os coleguinhas e é bem fácil perceber o quanto é difícil para elas brincar de forma cooperativa e  dividir seus brinquedos. Ela brinca ao lado,  e não  com o outro. Para realizar seus desejos bate,  empurra e morde necessitando de intervenções e zelo constantse. À medida em que vai amadurecendo, começa a interagir de fato e chega um momento, no qual o colega se transforma num amigo.  Essa relação, a amizade, é  uma conquista que surge de doação mútua profunda e pessoal que ninguém pode viver ou desenvolver pelo outro.

Etimologicamente, amizade é uma palavra derivada de amicus, que possivelmente se derivou de amore. É uma forma de relacionamento  caracterizada por fidelidade, confiança e amor.

É  nesse contexto que os convido a pensar  no relato bíblico: “Falava o Senhor a Moisés face a  face, com quem fala a um amigo”. Ex.33:11  Que  Deus é este  Todo Poderoso e Soberano que se doa numa relação com um pequeno  mortal e com ele conversa longamente como um amigo que tem segredos a compartilhar? Se eu pintasse esta cena desenharia Deus como um adulto maduro, grande, porém  agachado, olhando nos olhos de uma pequena criança – Moisés, pronto a lhe ouvir e a instruir.

É assim que vejo um educador ou uma igreja amiga das crianças. Adultos fortes e ao mesmo tempo flexíveis para se inclinar. Olhos nos olhos, mãos estendidas, risadas, segredos eternos para trocar.

Quando me espelho no exemplo do Deus amigo me sinto desafiada a pensar: o quanto eu me inclino, ao invés de gritar para me fazer ouvir? O quanto eu escuto, compreendo e olho nos olhos, ao invés de só falar? O quanto nós discípulos do Deus amigo  nos abaixamos para conhecer as crianças com as quais convivemos, bem como  as suas reais necessidades?

Você é um educador/igreja amigo (a) das crianças? Faça um teste: nesta semana experimente olhar nos olhos de pelo menos meia dúzia de meninos e meninas próximos a você  e  a ouvir com o coração o que elas tem a dizer. Se ouvir algo que queira compartilhar, escreva pra gente.

June RibeiroJune Ribeiro, educadora amiga de 3 filhos e 2 netos (por enquanto).

Representante executiva da Aecep e coordenadora curricular do Colégio Getsêmani em BH.

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