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Quézia, antes da doença, em uma Escola Bíblica de Férias

Quézia Queiroz é jornalista, mora em Brasília com seu marido David Magri e aos 30 anos, 7 anos após o seu casamento, descobriu que estava com câncer de ovário. Durante os 8 meses de luta contra a doença ela descobriu muitas coisas importantes que mudaram e continuam mudando sua forma de viver e de ver a vida. Entre elas está sua experiência com as crianças:

Passei a infância cantando “eu vou crescer, crescer para Jesus e quando eu estiver deste tamanho assim, eu quero trabalhar para meu Jesus sem fim”. Mal alcancei “este tamanho assim” e já estava envolvida na obra, afinal criança também pode e deve ser protagonista no Reino. Já na adolescência, comecei a dar aulas para as crianças na Escola Bíblica. Resultado? Não demorou muito e esbarrei com moças e rapazes me chamando de “tia”. Recentemente, num shopping da cidade, um deles – que rapaz enorme! – me viu e logo veio falando, animado: “Tia, que saudade! Vem aqui, quero te apresentar minha noiva”. A ficha caiu! É gratificante.

Quanta diferença alunos e ex-alunos fizeram na minha vida, em especial no momento mais difícil que vivi. Afastada da sala de aula, as outras professoras explicaram, com sinceridade, sobre a minha doença e o tratamento. Fiquei emocionada ao saber que o Espírito Santo estava levantando, no meio dos pequeninos, intercessores especiais. “As crianças não nos deixam esquecer de orar por você,  sempre. Elas pedem ao papai do céu que sare a Tia Quézia”, relatou-me uma das professoras.

Ali bem perto da igreja, tem uma pracinha. É o ponto de encontro das crianças. Lá elas fazem piquenique, brincam, passeiam com seus cachorros. Um dia, passando por lá, fui cercada de crianças, abraços e perguntas ao descer do carro. Queriam saber se eu já tinha terminado a “terapia”, referindo-se a quimioterapia. Naquele dia, eu estava com uma forte reação alérgica e elas, com a simplicidade infantil, perguntaram se a “terapia” também ia melhorar minha pele. Sorri muito e, por um momento, esqueci-me das recomendações médicas e abracei uma a uma.

Um tempo depois, maravilhada, compartilhando sobre a fé das crianças, as orações constantes por mim e a certeza que tinham que eu ia “sarar”, um adulto retrucou: “Crianças são assim mesmo. Para elas, tudo é muito simples”. Naquele momento, percebi como ficamos céticos à medida que envelhecemos. E entendi também o porquê Jesus nos chama para sermos como uma criança.

Como é bom aprender com elas a descansar nos braços do Pai e acreditar, de fato, que o cuidado de Deus nunca falha. Como é bom aprender com elas a orar com sinceridade e continuar vivendo feliz na certeza de que o Todo poderoso está cuidando de tudo. E decidi que me esforçaria, por toda a minha vida, para não ser mais um adulto que embaraça um pequenino. “Porque dos tais é o Reino de Deus”!

“Quero ser como criança, te amar pelo que És; voltar à inocência e acreditar em Ti”.

 

 

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