Ele bateu levemente no umbral da porta anunciando sua entrada no quarto da filha. Ela permaneceu onde estava, contemplando seu reflexo no espelho, penteando seus cabelos longos com movimentos bruscos. Sentada na cadeira, muito séria, sua tensão interna era palpável.

– Por que você está tão chateada? – Perguntou gentilmente.

Depois de algumas tentativas da parte do pai, ela se virou na cadeira encarando-o. Duas grandes lágrimas ameaçavam cair de seus olhos.

– Minha amiga, aquela que diz ser espírita, é egoísta demais! Ela gosta de mim porque, de acordo com ela, eu sei ouvir as pessoas. Eu, por outro lado, não posso falar nada. Primeiro, porque ela não está interessada em nada que eu digo e, segundo, porque no momento que eu toco no assunto da minha fé, ela começa a me chamar de alguma coisa. Hoje, ela passou dos limites! Disse que todo pastor é um machista homofóbico sem-vergonha!

Agora, as lágrimas desciam livremente. A menina fixou o olhar no pai buscando encontrar vestígios de que ele compreendia de fato o peso daqueles insultos.

– Pai, ela sabe que você é pastor!

“Ah, então é isto. Minha Victoria enfrenta qualquer adversidade sem problemas, menos insultos dirigidos à sua mãe, pai ou irmãos”.

Hoje, ela passou dos limites! Disse que todo pastor é…

 

– Pelo menos ela disse uma coisa que é certa, – arriscou o pai –  você realmente sabe escutar as pessoas. Acho que está na hora de te contar uma história.

 

Ele sabia que podia contar com o poder de uma boa narrativa para recalibrar o estado emocional de sua filha, até mesmo hoje, já com 15 anos. Victoria deu

 

de ombros; ele resolveu interpretar o gesto como permissão para continuar.

– Sempre que visitamos seus avós, passamos por uma comunidade que se chama Vale do Incó, um bairro pobre lá em Recife. O meu primeiro trabalho depois que me formei em engenharia foi lá. Isto aconteceu muito antes de assumir meu primeiro pastorado. Nossa equipe estava trabalhando para transformar aquela favela num lugar bom para se vi

 

ver. Tínhamos que implementar os serviços básicos como esgoto, água encanada, pavimentação daquelas ruas estreitas, eletricidade para todos e iluminação pública. Queríamos até criar uma praça, levar serviços de saúde, posto policial, escolas, etc. Era um trabalhão e nós sabíamos que o sucesso dependia da nossa habilidade para entender a situação das pessoas. Precisávamos andar pelas ruas, conversar com as pessoas, descobrir o que funcionava para elas. Foi lá que conheci a Mariana, uma moradora que tinha apenas 15 anos. Ela era evangélica e, como você, queria muito compartilhar sua fé com todo mundo. Assim, ela tentou evangelizar um rapaz que tinha como herói e inspiração o Che Guevara.

– Espera aí, – interrompeu a menina – este não é aquele guerrilheiro cubano?

– Isto mesmo, ele foi morto em uma emboscada na Bolívia em 1967 a mando dos Estados Unidos. Ele acreditava que os pobres precisavam se organizar para derrubar as elites gananciosas e opressoras. Esta era a única forma de acabar com a injustiça e a dominação de uns poucos que se apoderam de tudo, dos recursos naturais aos sistemas financeiros do mundo.

Ela acenou com a cabeça indicando reconhecer algo que aprendera na escola.

– Ou seja, o rapaz da sua história era um marxista, mais precisamente, um bicho grilo.

– Sim, – concordou o pai – mas não um ateu cabeça-dura. Ele simplesmente acreditava que o único jeito de acabar com governos corruptos e maus era por meio de uma luta organizada das camadas mais sofridas da população e em último caso, por meio da revolução armada.

O pai percebeu que sua filha já estava bem menos tensa e voltou à sua narrativa.

– O rapaz vinha de uma família de classe media, tinha acabado de sair da universidade e era seis anos mais velho que a menina. Toda vez que ela dizia alguma coisa sobre sua fé, ele dava um jeito de rir dela. Não era agressivo, mas era óbvio que não estava levando a menina a sério. E ele também deu alguns nomes para ela: alienada, ingênua, massa de manobra usada por alguns líderes que só pensavam em se engrandecer. A menina levava isto tudo numa boa. Um dia, ela deu um presente para o rapaz. Uma Bíblia. Ela tinha um zíper. Ele nunca tinha visto um livro que vinha com um zíper e achou aquilo tudo bizarro! Tratou de esconder um sorriso, aceitou o livro e agradeceu à menina; o tempo todo pensando o que ia fazer com o presente. Os amigos logo acharam um uso para as páginas do livro: eram perfeitas para enrolar uns baseados.

Victoria ficou chocada:

– Não acredito que eles queriam fumar a Bíblia!

– Claro que queriam! Lembra quando sua mãe e eu começamos um ministério no presîdio? Uma vez, pedi para um preso abrir a Bíblia numa passagem e ele logo veio com essa, “Escolhe outra aí, pastor, que esta eu já fumei”.

Desta vez o pai foi recompensado com um sorriso completo que chegou até os olhos. “É isto aí, minha filha”, pensou em sua torcida silenciosa.

– Bom, no fim das contas, o rapaz da nossa história começou, de fato, a ler o livro com zíper! E ele se apaixonou por Jesus. Viu em Jesus um homem muito mais radical que Che Guevara. Ali estava alguém que propunha uma revolução que começava de dentro para fora. Quem é o injusto que precisa ser deposto? Para Che Guevara era sempre o outro. Jesus dizia que a injustiça estava dentro de nós. Só ele era capaz de nos fazer justos. Dependendo da situação, qualquer um de nós poderia se tornar um governante corrupto e autoritário. No entanto, cada um de nós éramos, ao mesmo tempo, escravos do pecado. Seis meses depois que a menina lhe deu a Bíblia, o rapaz entregou a sua vida para Jesus Cristo como aquele que tem a verdade e pode nos libertar.

Quando parou de falar, Victoria dirigiu a ele um olhar carregado de suspeita. As peças foram se encaixando em sua mente. De repente, ela pulou da cadeira e gritou,

– Pai! Você é o tal rapaz! Você foi horrível com a menina!

Com um sorriso meio desconcertado, o pai perguntou,

– Como que você descobriu?

– Simples. Che Guevara. Suas fotos antigas. Aquele cabelo e aquela barbicha horrorosa, definitivamente Che Guevara. Mas eu já entendi, pai. Vou tentar levar as coisas numa boa. Sei lá, Deus pode estar chamando minha amiga para se tornar a próxima Madre Teresa!

Com esta, um pai feliz deixou uma filha mais serena e voltou para o seu escritório.  “Acho que acabei de receber um elogio da minha própria filha!”

A história acima é baseada em fatos reais, mas porém os nomes foram mudados de propósito. A Rede Mãos Dadas reservou um brinde especial para quem conseguir adivinhar de quem é a história. Comente em nosso post, dizendo de quem você acha que essa história pertence?! 

 

Dicas: Ele mora em Curitiba atualmente. É líder de uma das organizações parceiras da Rede Mãos Dadas.

09/06/2017. Crédito: Ed Alves/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Especial trabalho infantil no Distrito Federal. Crianças vendendo balas e doces na pista do Setor Militar.

Hoje no Dia Mundial do Combate ao Trabalho Infantil, encontramos um artigo publicado pelo Correio Braziliense que mostra a atual situação do Brasil em relação ao trabalho infantil.

Veja abaixo um trecho escrito por Alessandra Azevedo

Todos os dias, das 14h às 19h30, Arthur* e o irmão, Caio*, vendem balas no semáforo, a poucos quilômetros de distância do centro da capital federal. Não há nada de errado com o ofício, a não ser o fato de os dois serem menores de idade. Um tem 12 anos e o outro, 14. Se todas as crianças que trabalham no Brasil, como eles, fossem colocadas em uma mesma cidade, seria possível ocupar uma metrópole como Brasília apenas com mão de obra infantil. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que trata do assunto, mostra que há 2,7 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos nessa situação. Em geral, o número tem tendência de queda, mas continua preocupante, principalmente quanto à faixa etária de 5 a 9 anos. Antes de completar 10 anos de idade, 79 mil brasileiros já estão trabalhando — aumento de 13% entre 2014 e 2015, na comparação mais recente do IBGE.

A cada quatro crianças que trabalham na América Latina, uma é brasileira. “Hoje, as Américas têm o menor número de crianças em situação de trabalho infantil, mas o peso do Brasil nesse quadro é ainda muito grande”, lamenta a coordenadora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Maria Cláudia Falcão. A situação desanima ainda mais porque, além de ser o país latino-americano que mais sofre com casos assim, o Brasil está longe de atingir a meta de erradicá-los, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006.
Leia o artigo completo AQUI!

O primeiro e talvez um dos mais importantes “ganhos secundários” do movimento de oração pelas crianças é que paramos por alguns momentos para ouvi-las! Perguntamos a elas o que gostariam de pedir a Jesus. A expressão “pedido de oração” é algo repleto de pressuposições próprias dos adultos. As crianças nos pedem muitas coisas. Pressupomos então que queiram “pedir” também ao Pai. Qual não é a nossa surpresa quando ao invés de pedidos, elas espontaneamente nos surpreendem com singeleza de coração e um espírito de gratidão!

 

Veja abaixo a imagem de um cartãozinho de oração escrito por uma criança da Rebusca, Ação Social Evangélica Viçosense e que foi entregue a uma mulher na Igreja Presbiteriana de Viçosa. A ideia de intercâmbio de oração foi realizada, neste caso, a partir da troca de pedidos entre crianças do projeto social e os membros da igreja.

“Obrigado por o Senhor fazer a minha mãe ser tão carinhosa comigo!”

Para encerrar esta brevíssima reflexão, veja o vídeo feito por Phelipe Reis, editor de web da Editora Ultimato sobre a simplicidade das crianças.

Ore com o Pai Nosso!

Na semana do Mutirão Mundial de Oração pelas Crianças Socialmente Vulneráveis, queremos lançar um desafio complementar: ore pela sua família. Ore pelos seus filhos e filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas! Todas as crianças e adolescentes de hoje têm de enfrentar a tarefa de navegar por um mundo mal, muito mal! Ninguém está imune.

Para ajudar neste desafio, publicamos uma dinâmica na internet com 7 dias, 30 minutos por dia. Criamos um roteiro usando cada uma das sete frases da oração do Pai Nosso como inspiração. Veja aqui e participe!

Por Elsie Gilbert

Rejane e Alexandre Oliveira de Carapicuíba (SP) se preparam para levar 800 crianças a interceder umas pelas outras e por outras crianças espalhadas pelo mundo. Os preparativos envolvem uma intensa agenda de programação que inclui alimentação, recreação e muitos momentos de louvor e oração. Enquanto isso, o pastor João Bosco Caldeira, em Santarém (PA), quer mobilizar todas as Assembleias de Deus no seu raio de influência para se juntarem ao Mutirão de Oração pelas Crianças Socialmente Vulneráveis. Ao mesmo tempo, a Júnia Lemos, da BEM, Bem Estar do Menor, localizada em Sabinópolis (MG) se organiza para ajudar as crianças a trocar pedidos de oração com outro projeto em outro canto do país. E ainda, o pessoal de Renas-Rio, sob a liderança da pastora Jovani Nascimento, pretende mobilizar pelo menos 100 igrejas a lembrarem das crianças e adolescentes que mais sofrem ao redor do mundo, inclusive, aquelas que estão bem perto de nós.

É o entusiasmo de pessoas dedicadas à causa das crianças e dos adolescentes em situações difíceis que impulsiona a vigésima segunda edição do Mutirão Mundial de Oração pelas Crianças Socialmente Vulneráveis. O mutirão acontecerá no primeiro fim de semana de junho, dias 2, 3 e 4. Ele conta com a participação de todas as organizações parceiras da Rede Mãos Dadas além de algumas redes associadas como Renas e a Aliança Evangélica.

A Rede Mãos Dadas, responsável pela realização do mutirão no Brasil, desafia cristãos brasileiros de todas as idades a aprofundar suas experiências de oração. Os discípulos de Jesus já oravam e tinham até uma prática extensa de oração quando pediram ao Mestre: “Ensina-nos a orar”. Não se tratava de ensinar, por exemplo, uma criança a andar de bicicleta, mas talvez o que eles queriam era ir além, como um atleta que se prepara para uma competição no ciclismo deseja aprender de um campeão!

E Jesus os atendeu!

São muitas as demandas que afligem os que batalham no Reino em favor das crianças. São muitas as mazelas da sociedade que podem oprimir e até fazer calar o riso natural e o brilho nos olhos de uma criança. Será que existe um jeito melhor de orar por elas? Aqui estão algumas dicas:

• Ore por elas, mas ore também com elas. A oração do justo pode muito em seus efeitos, lembra Cleisse Andrade em seu artigo “Algumas Histórias de Oração”. As crianças podem estar incluídas na categoria de “justo”?

• Inclua louvor e adoração em suas orações porque fazendo isto você estará mais apto a se alinhar com Deus em todos os seus propósitos, que com certeza incluem as crianças ao seu redor e as crianças do mundo. O missionário James B. Gilbert preparou um estudo bíblico sobre este tema, disponível aqui.

• Use o Pai Nosso não só para ensinar as crianças a ampliar suas experiências na oração, mas também como um recurso específico de intercessão. Quando intercedemos por alguém, pedimos apenas aquilo que esperamos receber de acordo com o que cremos ser possível. Hoje, nossa expectativa em relação ao que Deus pode fazer está muito baixa! Aprenda com o Pai Nosso a elevar suas expectativas ao nível das de Jesus. Realize uma Dinâmica de Oração para Crianças contida no Guia do Mutirão Mundial de Oração, disponível aqui.

Enfim, descubra o verdadeiro sentido da oração ensinada por Jesus: a preocupação com a situação precária das crianças no mundo hoje nasceu no coração de Deus primeiro. Você se preocupa com elas? Deus já se preocupa com elas muito antes e muito mais! O poder da oração está justamente no fato de que ao orarmos nós nos alinhamos com a vontade divina que é boa e perfeita, não admite violência, abandono, negligência ou crueldade. Estamos do lado certo da batalha. Mas se não mantivermos alinhamento com Deus, nos comportaremos de forma desordenada, desfocada e ineficaz.

“Senhor, ensina-nos a orar não só com a mente, mas também com a nossa vontade e com o nosso coração!”

Por Elsie Gilbert

Para os agressores sexuais, algumas situações são bem mais favoráveis que outras: qual é a situação dos ambientes que você frequenta? Veja abaixo a transcrição do video contendo as falas de dois agressores sexuais. Para que seus objetivos sejam alcançados, eles precisam de uma estratégia para chegar perto de uma criança. Será que encontrarão nas nossas igrejas e organizações sociais a porta aberta para saciar seus desejos desordenados?

Christopher foi frustrado:

Eu fingi ser um jornalista que escreveria um artigo sobre crianças com necessidades especiais, que vivem em abrigo. Por isso eu podia tocar nelas. Geralmente é muito fácil chegar até esse tipo de crianças, por que elas não podem falar. O problema é que esse abrigo tinha um conjunto de regras muito rígidas, então antes de eu chegar no abrigo, eles me explicaram o que eu poderia e o que eu não poderia fazer. E como eu deveria me comportar. Em nenhum momento, eles me deixaram sozinho com elas, nem por um minuto. O funcionário ficava sempre perguntando para as crianças se estava tudo bem, se eu poderia tirar fotos delas. Era como se eles tivessem um jeito especial de se comunicar com elas, mesmo com as que não podiam falar. Eles sempre se certificavam de que as crianças estavam vestidas de maneira apropriada. Eu não vou lá de novo. É uma perda de tempo. Eu vou achar outro lugar onde não tenha todas as regras.

 

Robert achou uma brecha:

Me candidatei para um trabalho como professor nessa organização, foi muito fácil. Não pedem referências, e não se preocupam em checar porque você saiu do último emprego. Não existe treinamento, ou regras sobre como se portar com as crianças. Apenas me colocaram em uma sala cheia de crianças e me pediram para ir me adaptando a isso. Eu não sei, eu procurei um emprego aqui porque conheci um cara que trabalhou aqui ano passado, que disse que era muito fácil ter acesso as crianças. Eu comecei a trabalhar aqui a pouco tempo, e já fiz amizade com uma garota que é muito tímida. Logo, vou falar para ela voltar a minha sala sozinha.

 

Este vídeo faz parte de um material chamado Um Lugar Seguro, (inteiramente gratuito aqui) que tem como objetivo nos ajudar a “fechar as portas” para os lobos que se vestem como ovelhas e buscam suas vítimas em nosso meio. O video emprega atores para ilustrar a forma como pensam os agressores sexuais. Quem disse que nossos “currais” estão imunes a ataques dos lobos que nos rondam? Quem disse que eles estão do lado de fora das nossas “cercas”? No entanto, são poucas as congregações que praticam a proteção integral na sua forma de existir e funcionar. Veja aqui os 11 parâmetros básicos de proteção para toda instituição que recebe crianças, quer seja igreja, escola ou organização social. Estes parâmetros devem ser implementados como medidas preventivas contra a violência sexual tão persistente em nossos dias.

 

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas,” disse Jesus a seus discípulos (Mt. 10:17 ). A prudência que muito ajudou os cristãos primitivos a navegarem num mundo hostil, está disponível hoje para nós na tarefa cada vez mais difícil de proteger e educar as crianças e adolescentes para que tenham vida plena.

 

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é um título enorme para um dia especial. Neste dia, somos convocados a parar e pensar no que é possível fazer, no espaço em que ocupamos, nos nossos círculos de influência, nos nossos “currais”. Descubra a prevenção e pratique-a!

 Por Elsie Gilbert

Neste Dia das Mães, que tal tirar um tempinho para refletir, longe do burburinho de nossas vidas agitadas? Se nós, mães, não gastarmos tempo buscando conforto nos braços do Pai, quem nos dará colo?

Fiz a minha reflexão, olhando para estas imagens, criada pela minha amiga Liz, mãe do João (2 anos) e do Davi (7 meses).

Quando olho para estas crianças, consigo ouvir a música, as risadas, consigo ver os cabelos chacoalhando ao movimento.

Quando olho para estas imagens, enxergo exatamente o que almejo para meus filhos: alegria, leveza, proteção, acolhimento.

Quando olho para estas imagens, vejo o que quero para mim mesma! Anseio exatamente pelas mesmas coisas. Quando olho para esta imagem vislumbro o que Deus quer para todos nós. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente”, Não deixe de buscar esta vida plena no Pai, afinal antes de ser mãe, você é filha!

Escolhemos quatro artigos para fazer você rir, chorar, lembrar e refletir!

 

Veja abaixo:

Morango e “iorgute” ou tapioquinha com café? (Leia o artigo aqui!)

 

 

Como falar do papel da mãe para crianças (Leia o artigo aqui!)

 

 

E quando parece não haver motivos para celebrar o Dia das Mães? (Leia o artigo aqui!)

 

 

O dia em que Deus me deu colo de mãe (leia o artigo aqui!)

Por Phelipe M. Reis

De manhã, ela abre a geladeira e pede: “Dá, dá…”. Eu pego a caixinha e retiro a embalagem; lavo e corto em pedaços aqueles morangos vermelhinhos. Ela come um e pede o segundo. Dois, três, quatro… devora quantos tiver. “Morango é fruta de rico”, lembro que era assim que eu pensava, quando eu era curumim. Via muitos e os desejava. Mas os via na tela da TV, na mesa das famílias das novelas globais. Às vezes, apareciam também nas prateleiras dos supermercados da cidade, mas quase nunca na geladeira de casa. Lá, no interior do Amazonas, custava cerca de dez reais pouco mais de uma dúzia de morangos. Hoje, no interior de Minas, consigo comprar a mesma quantidade por um preço mais barato que uma palma de banana.

À tarde, na hora da merenda, pego minha xícara com o café quentinho. Acabei de passar no coador, vi subir o vapor da água quente e senti o aroma do café mineiro. Acrescento açúcar e leite em pó. E mais leite em pó, para ficar com aquelas bolinhas. Faço assim também na hora de preparar o Nescau da cunhantã-viçosa. “Tá bom! Já colocou o suficiente”, assim dizia minha mãe quando estávamos à mesa de manhã cedo, antes de ir para a escola. O pacotinho do “Duleite” era caro. Se não economizássemos nas colheradas, o resto da semana teria só o café preto.

Com o café já pronto, passo a tapioca na peneira, esquento a frigideira para fazer o beiju. Depois passo manteiga e coloco algumas fatias de queijo. A cunhantã chega perto, choramingando, e pede também. Não a tapioca, quer só o queijo. Come de perder a conta, se a gente deixar. “Tá bom já. Passa só numa banda do pão. E não tem ‘quero mais’”, dizia a voz firme do papai, na hora da merenda. Parecia até que estava brabo. Mas não, estava apenas preocupado para que não acabássemos a manteiga em um só dia. Continue lendo →

Por Patrick Reason

Acordei cedo no Dia das Mães preocupado em mobilizar meus filhos adolescentes em tempo de participarmos da Escola Bíblica Dominical. “Vocês já fizeram a carta para sua mãe?”, indaguei. “Só mais cinco minutos, pai”, foi a resposta, já esperada. Saí de casa às pressas para comprar aquelas rosas que garantem mais um ano de favor conjugal merecido. Este era meu mundo, o mundo de muitas famílias cristãs. Temos nossas batalhas em família, nossos altos e baixos, e tentamos aplicar a Palavra na instrução dos filhos e no comportamento afetivo, e graças a Ele, normalmente dá bastante certo. E assim foi. Depois de cartões de valorização maternal e um lindo buquê na mesa de café, saímos felizes para a igreja.

Nossa igreja compartilha seu espaço físico e membresia com uma entidade de acolhimento institucional de crianças e suas mães, vítimas de violência ou vulnerabilidade, e com outro espaço de atendimento à comunidade local. Não é uma igreja padrão. O culto à noite seria especial, com lembrancinhas para as mães e uma musiquinha ensaiada no departamento infantil com playback e coreografia. Mas no período da manhã, era a hora de reunir o grupo todo para uma rápida oração antes de nos dividirmos por faixa etária e aproveitar um bom estudo bíblico. Foi assim que este pastor entrou desatento neste espaço religioso, agradecendo a Deus porque tudo tinha ido tão bem em casa.

A realidade provoca a consciência para admitir a fragilidade
A primeira pessoa que veio a meu encontro quando entrei na igreja foi o Willian. Um menino lindo e com olhos e cílios que provocarão inveja à grande maioria de mulheres. Ele mora com a avó e frequenta diariamente nosso Serviço de Convivência por meio período e é sempre um dos primeiros de chegar (sozinho) aos cultos. Eu lembrava que a mãe dele estava presa, mas, naquele momento, pressionado pela data especial, me vi perguntando como estava a sua mãe. “Pastor, ela saiu da prisão!”, Willian respondeu. Meu alívio foi imediato. “Que bênção. Você pediu oração tantas vezes por isto!”, celebrei. “Mas ela não vem me ver”, continuou ele. Esta simples declaração me derrubou: Willian não merecia isto. Aqueles olhos transmitiram resignação à dor. “Você merece algo muito melhor”, pensei, mas não tive coragem de expressar. Continue lendo →

Por Elsie Gilbert

Lendo o boletim eletrônico da revista TIME hoje, me deparo com uma história com a seguinte manchete: “Como um amputado escalou o Monte Everest”. Ao ler o relato descubro a história de Jeff Glasbrenner, 44 anos, natural de Wisconsin, EUA, que após dois meses de escalada e com 9 kg a menos, chega ao cume da montanha mais alta do mundo. O que o levou até o topo do mundo não foram duas pernas normais, mas sim uma perna normal auxiliada por uma perna mecânica que a medida que ele subia (e perdia peso) ia ficando mal ajustada. Jeff perdeu uma de suas pernas ainda com 8 anos de idade num acidente doméstico na fazenda de seus pais.

Jeff Glasbrenner

Mas o que me faz parar e pensar é a fala dele no terceiro parágrafo do artigo:

“Quando eu tinha 12 anos, meu pai me disse que eu podia escolher ser manhoso (tendo dó de mim mesmo) ou poderoso. Mas eu não podia escolher ser os dois”.

E estas foram as palavras que lhe ocorreram quando ele lutava para respirar a 5.100 metros de altura. Jeff definiu sua vida como uma luta para provar que as limitações prescritas para ele pelos médicos de sua infância podiam ser superadas.

Qual é a medida de sucesso de Jeff? Chegar no topo do mundo.

Qual é a medida de sucesso do seu adolescente?
Os discípulos de Jesus também jogavam no time de Jeff. Chegar no topo e ser poderoso. Nosso herói nacional, Ayrton Senna também gostava de dizer:

“Quem chega em segundo lugar é o primeiro e maior perdedor”.

Não é difícil perceber então como a ideia de sucesso é algo atraente que explica e orienta grande parte das aspirações e comportamento dos adolescentes, principalmente os do sexo masculino. Não digo com isto que as meninas não estão sujeitas a este tipo de ideologia orientadora (uma expressão moderna para definir idolatria), mas, ao meu ver, há uma outra, mais potente, especialmente focada nas meninas e que devo tratar separadamente. Continue lendo →