blindLeia: João 9.25

 

Lá pelos meus 16 anos de idade tive maior contato com o evangelho e comecei a me envolver em uma comunidade cristã.

Um dos textos que mais me chamou a atenção naqueles primeiros tempos foi o capítulo 9 do evangelho de João.

Ao verem um cego de nascença, os discípulos de Jesus iniciam um diálogo teológico a partir da pergunta: quem pecou para que esse homem recebesse tal sofrimento? Ele próprio ou seus pais? Pergunta profunda, diriam alguns. Jesus não. Ele se recusa a enveredar por tal caminho e simplesmente declara que nem pais nem filho pecaram, mas aquele momento específico, com aquele homem específico, era uma chance para que a glória de Deus se manifestasse. E curou o cego.

O ato de Jesus instaurou o caos. Os vizinhos discutiam se aquele homem que agora via era de fato o cego que conheciam; os fariseus, contra todas as evidências, contestavam a cura por ter sido feita no sábado e acusavam Jesus; os pais, percebendo o tamanho da encrenca, saíram de fininho evitando conflito com os religiosos.

O cego, isto é, o ex-cego, em meio a toda confusão, não tendo visto o que acontecera, diz pragmaticamente: “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo”.

Essa história tem me acompanhado por décadas. No início fiquei maravilhado pela afirmação: “Eu era cego e agora vejo”. Adolescente, fascinei-me com o poder de Jesus para curar aquele homem. Fui tocado pela sensibilidade divina ao trazer à luz um ser que havia vivido em trevas. Senti-me próximo de Jesus. Aquele que curou cegos de nascença certamente olhava para um adolescente como eu.

Vivi mais uma década com o texto. Naquele novo momento, jovem pastor com olhares teológicos, a frase: “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo” era acompanhada, mesmo que entre parênteses, ainda que com fontes menores, discretamente, por uma perturbadora interrogação. Como afirmar que a cura determina a identidade de Jesus? E a teologia? E a doutrina do caráter teantrópico de Jesus Cristo? Como ser curado por Jesus sem saber quem ele é? Jesus é um mero milagreiro?

E o texto continuou comigo, teimoso. Agora, tempos depois, não fico mais surpreso e não sou tomado por dilemas teológicos. Agora… sim, agora leio o texto como um simples e maravilhoso testemunho de que, acima de tudo, tudo mesmo, Jesus Cristo é Deus encarnado. Ele é a plenitude da manifestação de Deus no ser humano. E, como tal, ele é repleto de amor, de sentimentos, de bondade. Jesus trouxe luz àquele homem. O que isso significa? Que ele, de forma pragmática, concreta, maravilhosamente divina, espetacularmente humana, aproveitou a chance que se apresentou de fazer o bem. E fez muito bem.

Jesus, meu Senhor, continua me cativando e propondo diariamente um relacionamento profundo, onde aprendo com o que ele faz e com o que ele fala. “Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo”. Para mim, isso basta para todo o ano que se aproxima.

Ouça a canção “Luz do teu olhar”, do Telo Borges. Medite. Ore. Compartilhe. http://www.youtube.com/watch?v=TV0KgdPtsK0

 

João Leonel

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