Para que serve o arrependimento? Ele é mesmo necessário?

Para que serve o arrependimento? Ele é mesmo necessário?

SÉRIE REVISTA ULTIMATO

Textos Básicos:  Mt 3.1-10;  Sl 51.1, 2, 10-12

Introdução

Há perdão para qualquer pecado. A única exceção é a blasfêmia “contra o Espírito Santo” (Mc 3.29).

Mas o perdão gracioso de Deus nunca é automático. A convicção do pecado cometido e o arrependimento antecedem obrigatoriamente o perdão. De outra forma, haveria o caos ético, o cinismo, a liberação de todas as obrigações morais.

Os profetas, João Batista em especial, Jesus e os apóstolos pregavam o arrependimento em sua forma mais solene. Porque hoje em dia quase não se fala sobre o assunto, não se sabe nem sequer o que é arrependimento.

Percebe-se facilmente que um pecador quer ser perdoado sem arrependimento quando ele atira pedras para todos os lados: quando diz que outros cometeram pecados iguais ou piores que os dele; quando denuncia que “em 90% das igrejas existem pessoas com problemas relacionados ao homossexualismo”; quando justifica seus deslizes dizendo ter ficado “quase um ano inteiro sem manter relações sexuais” ou não ter sido “plenamente saciada por um homem nessa área”; e assim por diante.

O pecador que reconhece a necessidade do perdão de Deus e da igreja usa outro vocabulário, não dá entrevista, não continua sob holofotes, não cede à tentação de ser um pecador notável, não se defende, não acusa os outros nem sequer seus eventuais parceiros ou cúmplices. Ele entra no quarto, fecha a porta, se ajoelha, chora e confessa:
Eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe (Sl 51.3-5, NVI).

 

I. Estudos de caso e perguntas para discussão

1. A menção do arrependimento é parte importante na pregação cristã? Confira Mt 3.1-2 e 4.17; Lc 5.31-32; At 2.38, 3.19 e 17.30-31.

2. O arrependimento de que fala a Bíblia é mero reconhecimento do pecado e lamentação das consequências por ele deixadas (físicas, morais, espirituais, sociais etc.) ou inclui a tristeza pelo pecado, o abandono do pecado e a corajosa e humilde disposição de comprometer-se com Deus? Examine o caso de Davi (Sl 51.1-12), dos ninivitas (Jn 3.5-10), do filho pródigo (Lc 15.17-24) e de Pedro (Lc 22.61-62).

3. Qual é o fruto digno do arrependimento, exigido por João Batista (Mt 3.7-10)?

4. Leia a parábola dos dois filhos em Mt 21.28-32. O que levou o segundo filho a fazer a vontade do Pai, a despeito da indisposição inicial?

5. A tristeza provocada por Deus no íntimo tem valor terapêutico? Consulte 2 Co 7.10. O arrependimento cura, tem capacidade de tirar alguém do caminho mau e transportá-lo para o caminho bom? Abra Jr 8.4-6, Ap 2.5, 16, 21 e 3.3 e 19.

6. Na história do livro de Jonas, quem se arrependeu: Deus  (Jn 3.9,10 e 4.2) ou os ninivitas (Jn 3.5-8 e Mt 12.41)?

 

II. Possíveis reações ao pecado do outro e à necessidade de arrependimento 
a) Aproveitar-se do escândalo do outro para tirar alguma vantagem pessoal (caso de Absalão);

b) Entender e suportar as consequências naturais do pecado (2 Sm 16.10-13).

c) Colocar a culpa nas circunstâncias: Se Davi quisesse o perdão sem arrependimento, ele poderia ter dado a explicação comum nos dias de hoje, dizendo: “A culpa é da mulher de Urias, que estava tomando banho com a janela totalmente aberta”. Poderia também ter posto a culpa em sua crise de meia-idade ou nas esposas que já não o satisfaziam sexualmente. Ele preferiu outro caminho — o único que dá certo, o único que leva ao perdão, à restauração, e traz de volta a alegria.

d) colocar a culpa no outro: O filho pródigo poderia ter alegado que saíra de casa para uma terra distante porque o irmão era muito chato. Mas ele preferiu o caminho do arrependimento pessoal: “Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho” (Lc 15.21). Essa escolha redundou em festa, anel no dedo, calçados nos pés, roupa nova e churrasco de boi gordo!

 

III. Para refletir e marcar as afirmativas corretas (C) e incorretas (I)

(    ) O homem não precisa de Cristo para alcançar perdão e salvação. Basta que se arrependa de seus pecados.

(    ) Deus se arrepende no sentido de alterar sua relação e atitude. 1) no julgamento contra o pecado, passando da complacência à indignação; 2) na misericórdia, passando da ira para o favor e a bênção (J. S.  Wright).

(    ) “Os homens não devem contentar-se com o arrependimento geral, mas é dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um dos seus pecados” (Confissão de Fé de Westminster).

(    ) O arrependimento precede a convicção de pecado.

(    ) O remorso não leva o pecador até onde o arrependimento o conduz. O primeiro abre a ferida mas não a cura, como aconteceu com Judas. O segundo faz a obra completa.

(    ) Deus notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam.

 

Conclusão

Porque “todos se desviaram do caminho certo e são igualmente corruptos” (Sl 14.3, NTLH), todos precisam fazer uso constante do arrependimento. O levantar do homem caído e o processo de sua cura têm início no arrependimento. Só depois de ter chorado seus pecados de adultério, assassinato e hipocrisia, foi que Davi se ergueu novamente diante de Deus e diante de seus súditos.

O que produz o arrependimento não é só a tristeza provocada pelo pecado, mas também a esperança ou a certeza do perdão que se faz possível com o sacrifício vicário e a ressurreição de Jesus. O verdadeiro arrependimento, aquele que leva à mortificação do corpo e à vivificação pelo Espírito, repercute no céu: “Há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

Depois de chorar e confessar o pecador sincero e arrependido deve clamar:
Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado […] Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer” (Sl 51.1,2, 10-12, NVI).

Autor do estudo: Elben César. Publicado originalmente pela revista Ultimato, edição 114.

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Um comentário para “Para que serve o arrependimento? Ele é mesmo necessário?”

  1. Pr António Simba k. Nlau ( SOYO Angola) 14 de maio de 2016 at 4:11 #

    Muito grato pelo estudo estava preparar uma pregação sobre este tema na minha igreja.
    Que Deus te abençoé.
    Muito obrigado

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