A fé (e o homem) que deixou Jesus admirado

A fé (e o homem) que deixou Jesus admirado

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “A palavra da fé”, de Rubem Amorese, edição 364

Texto básico: Lucas 7. 1-10

Textos de apoio
– Deuteronômio 30. 11-16
– Salmo 25. 3-9
– Habacuque 2. 2-4
– Lucas 23. 38-43
– Romanos 1. 16-17
– Tito 3. 3-8

Introdução

A autossuficiência humana, que é uma espécie de filhote do nosso orgulho, pode se tornar um grande empecilho para o reconhecimento de nossa completa dependência da intervenção de Deus para nossa libertação (salvação).

Mesmo após compreendermos intelectualmente que não possuímos nenhum mérito prévio que possa impelir a Deus a nos fornecer tal libertação e transformação, nosso coração continua desconfiado e incomodado com essa “misericórdiacracia”! A graça de Deus está no início de tudo! E, uma vez impactados pela graça de Deus, aí sim entramos no processo de crescer em boas obras, desenvolvendo nossa salvação (Fp 2. 12-13).

Em nosso estudo, vamos observar um acontecimento envolvendo um homem que parece ter entendido que não possuía merecimento algum diante de Jesus, e que portanto dependia totalmente da boa vontade do Mestre. O que podemos aprender com a humildade e, sobretudo, com a confiança (fé) deste homem? E como os nossos sistemas de valores podem ser transformados a partir do modelo apresentado por Jesus neste encontro?

Para entender o que a Bíblia fala

(Adaptado de “People Who Met Jesus”, de Rebecca Manley Pippert, InterVarsity Press, USA, 2004)

  1. Um centurião, embora oficial do exército romano, geralmente era um gentio não romano, encarregado do comando de 100 soldados. O que mais podemos aprender sobre o centurião em nosso texto (sua condição econômica, a importância de sua posição, qualidades pessoais)?
  1. Por que os líderes religiosos achavam que Jesus deveria atender o pedido do centurião (vv. 4-5)?
  1. A ação do centurião nos vv. 6-7 nos revela que ele possuía uma sensibilidade cultural, porque os judeus acreditavam que haveria um risco de contaminação cerimonial ao entrarem na casa de um gentio. Se este centurião tinha por trás de si toda a autoridade de Roma, então por que sua visão da situação era tão diferente daquela dos líderes religiosos (vv. 6-7)?
  1. Apenas em duas ocasiões os Evangelhos registram que Jesus ficou “admirado” com alguém (v. 9 e Marcos 6.6). Que evidência da extraordinária fé e sensibilidade cultural do centurião você pode percebe no texto?
  1. Que impacto a fé do centurião em Jesus deve ter provocado nas pessoas envolvidas neste episódio?
  1. O que nós podemos aprender sobre a escala de valores de Jesus, considerando o fato de que ele, por vontade própria, assumiu muitos riscos, inclusive o de contaminação cerimonial, por causa de um escravo gentil?

Hora de Avançar

“Ao tentar colocar-me no lugar de Lutero, percebo como lhe deve ter sido nova e perturbadora a ideia de um Deus que justifica o ímpio, pagando, ele mesmo, no sangue de seu Filho unigênito, o preço do resgate. E nada mais deixando a ser feito, senão o gesto de apropriação que o coração e a boca devem executar ao exercer a fé”. (Rubem Amorese) 

Para pensar

O texto deixa claro que o centurião possuía grande boa vontade para com os judeus, dando suporte para a construção da sinagoga em Cafarnaum. No entanto, não temos certeza se ele era um “prosélito” do judaísmo; provavelmente era um “temente a Deus”, um gentio que não se identificava totalmente com Israel (não se submetia à circuncisão, por exemplo), mas que respeitava o Deus de Israel.

Embora a comitiva de líderes religiosos tenha dito a Jesus tenha dito que o centurião era “merecedor” da ajuda de Jesus, o próprio oficial romano se considerou indigno de receber Jesus em sua casa. Ele demonstra um grande respeito e uma grande humildade, ainda mais se considerarmos sua posição e sua autoridade pessoal.

O que disseram

“A fé não é um acúmulo de impulsos vagos normalmente propensos para o bem, nem é o alimento de obscuras emoções de devoção. É escolher atravessar uma determinada porta (‘Eu sou a porta’, João 10.7) e percorrer uma estrada definitiva (‘Eu sou o caminho’, João 14.6)”. (Eugene Peterson, Um ano com Jesus, Ultimato) 

Para responder

  1. A fé do centurião, elogiada por Jesus, se expressou em meio a uma situação de impotência: a doença de seu estimado servo. Refletindo sobre suas experiências pessoais, o que você pensou que poderia controlar e depois aprendeu que não poderia? Sua fé em Deus foi fortalecida através destas experiências? Como?
  1. Vimos como a escala de valores de Jesus é desafiadora para nós. Afinal, ele se arriscou a ser considerado um “imundo” diante das autoridades religiosas e do povo, por causa de um escravo gentio. A sua fé em Jesus o tem levado a arriscar sua reputação (social, religiosa, etc) por causa dos “intocáveis” na nossa sociedade?

Eu e Deus

“É Teu desejo e Tua consolação, ó Senhor meu, estar bem perto daqueles que Te amam e Te invocam como Pai. Não tens, talvez, maior consolação – se posso assim me expressar – do que consolar Teus filhos aflitos e os que vêm a Ti, pobres e de mãos vazias, sem outra coisa a não ser a condição humana, suas limitações e grande confiança em Tua misericórdia”.  (Thomas Merton, Diálogos com o Silêncio, Fissus, 2003)

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “A palavra da fé”, de Rubem Amorese, publicado na edição 364 da revista Ultimato.

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Um comentário para “A fé (e o homem) que deixou Jesus admirado”

  1. ELISETE DE LIMA 25 de julho de 2017 at 9:25 #

    Minha gratidão por mais um dia em tua presença Senhor…por uma noite de paz, em que tiramos para descansar e repouso do nosso corpo e mente….em tudo precisamos da tua orientação para hoje pois a cada dia basta o seu mau…

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