Homem e mulher os criou

Homem e mulher os criou

Texto básico: 1 Coríntios 12.14-26

Leitura Diária
D Gn 1.26 – Imagem e semelhança
S Gn 2.4-17 – A criação do homem
T Gn 2.18-23 – A criação da mulher
Q Gn 2.24-25 – Uma só carne
Q Ef 5.22-33 – Mistério: Cristo e Igreja
S Os 2.16-20 – Deus, o esposo fiel
S Ap 19.7 – As bodas do Cordeiro

Introdução

Começamos mais um trimestre de estudos voltados, agora, para um tema sempre polêmico: a sexualidade. Nossa intenção é que você reveja ou conheça o que a Bíblia ensina a respeito da sexualidade humana. Deus se importa com nossa vida íntima e também deve ser obedecido e glorificado nela.

Apesar de haver diferenças óbvias entre homem e mulher, devemos reconhecer o ensino bíblico de que ambos são criados à imagem de Deus. Nesta primeira lição, abordaremos o que os une, isto é, o que torna homens e mulheres semelhantes. Nas próximas lições abordaremos o que os diferencia, para reconhecermos a sabedoria do nosso Deus na criação da sua obra prima: o ser humano (Sl 8.5).

I. Imagem e semelhança

O que significa ser imagem e semelhança de Deus? Apesar da complexidade desse tema, e também de suas várias nuances, podemos tratar resumidamente seus aspectos mais importantes.

Primeiramente destacamos que ser imagem e semelhança de Deus nos torna diferente de toda a sua criação. Enquanto realizava a obra da criação, Deus ordenava (haja) e tudo se realizava (houve) de modo consequente. No entanto, o relato da criação do homem apresenta uma característica especial pelo fato de Deus ter dito “façamos” (Gn 1.26). Como essa expressão não é usada para nenhuma outra criatura, ela torna o homem uma “classe especial” da criação (cf. Criados à imagem de Deus, de Anthony Hoekema, Cultura Cristã). Além disso, o pronome “nós” mostra a ideia de pluralidade de Pessoas, o que pode ser uma referência à Trindade, que fica mais clara na progressividade da revelação. A ideia é que Deus entrou em “conselho divino” como se, depois de ter criado todo o universo, houvesse um acordo entre as pessoas da Trindade para que fosse criada sua obra-prima – o ser humano (cf. Commentary on the first book of Moses called Genesis, João Calvino).

O capítulo 2 do livro de Gênesis, em que Moisés detalha como o Senhor Deus criou o homem e a mulher, e o propósito para o qual foram criados (Gn 2.15-18), também evidencia que somos privilegiados.

Essa verdade nos afasta muito do conceito que o mundo quer impor a respeito de quem o ser humano é. De acordo com o pensamento vigente, o homem é simplesmente um “animal racional” (Homo sapiens), ou seja, ele não é tão diferente assim dos outros animais, sendo na verdade a obra mais sublime da evolução – que é despropositada e aleatória. Porque o homem compartilha esse passado com os outros seres viventes, e porque, segundo esse pensamento, seu comportamento hoje reflete muito esse processo, não há base alguma para nortear suas ações morais. Nesse sentido, não poderíamos nos queixar de nenhum comportamento antiético ou amoral.

Contudo, quando afirmamos a verdade de que fomos criados por Deus de maneira diferenciada e somos imagem e semelhança dele, temos obrigação de refletir seus atributos, tais como o amor, a misericórdia, a compaixão e a justiça, entre outros. O relato da criação sustenta uma vida sociável e possível; a teoria da evolução, não.

Em segundo lugar, devemos observar que todos os homens são imagem e semelhança de Deus. Isso significa que essa característica não se perde e nem é retirada de nós. Nem mesmo o pecado, com todas as suas consequências devastadoras, nos privou dessa bênção.

Ao tratar da inconsistência do uso da língua, a Escritura nos ensina: “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (Tg 3.9). De alguma maneira – mesmo que distorcida – todos os homens e mulheres refletem a Deus. Essa verdade traz outro conceito pouco lembrado: homem e mulher, juntos, são a imagem de Deus (cf. Anthony Hoekema). Assim, o gênero masculino, sozinho, não pode ser considerado a totalidade da imagem do Criador, pois ela é refletida ao mesmo tempo no homem e na mulher, juntos. A racionalidade e a lógica, a paternidade e a virilidade remetem a Deus. Igualmente, porém, o cuidado, o carinho e o amor materno que são dispensados aos filhos, por exemplo.

Para Hoekema, “homem e mulher só podem ser imagem de Deus por meio da comunhão de um com o outro – comunhão essa que é uma analogia da comunhão de Deus com ele mesmo […] A comunhão humana, como entre homem e mulher, reflete ou espelha a comunhão entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

II . Máxima intimidade

Diante do paradigma exposto, podemos concluir que o ato sexual entre um homem e uma mulher é a expressão máxima de intimidade em nossos relacionamentos. Quando Deus nos criou à sua imagem e semelhança, legou-nos uma tripla relação: com ele mesmo, com o próximo, e com a natureza. É interessante perceber que o relacionamento conjugal e sexual entre homem e mulher é chamado nas Escrituras de “tornar-se uma só carne” (Gn 2.24; Mt 19.6; 1Co 6.16; Ef 5.31).

Essa frase, apesar de conhecida, tem sido pouco explorada. Embora ela carregue a ideia do ato sexual em si, dos envolvimentos espirituais e emocionais e também a geração dos filhos, seu significado é muito maior e mais amplo. Na verdade, “tornar-se uma só carne” é uma referência ao que Adão disse quando Deus entregou-lhe Eva: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn 2.23). Isso nos mostra que o casamento cria um parentesco entre homem e mulher similar ao que existe entre irmãos. Eles se tornam tão próximos e íntimos que é como se pertencessem à mesma família biológica (Genesis 1-15, Word Biblical Commentary, G. J. Wenham, Word Books).

A nossa cultura tem invertido os papéis no que se refere ao grau de importância de cada relacionamento que o homem tem. Observe, por exemplo, que a maternidade e a paternidade têm sido elevadas a níveis idolátricos. Provavelmente, todos nós já ouvimos que cônjuges podem ir e vir durante a vida, mas os filhos são para sempre. A Bíblia, no entanto, é clara ao enfatizar que, dentre os relacionamentos humanos, o casamento é a união mais íntima que o ser humano pode estabelecer. Os filhos, obviamente, são de extrema importância; eles são a herança de um casal, mas, como flechas nas mãos do guerreiro, são emprestados por Deus ao homem, para que sejam lançados “quando pleitear com os inimigos à porta” (Sl 127.3-5). Quando os filhos se casam, eles deixam a casa dos pais e se tornam, também, uma só carne; quanto aos cônjuges, eles permanecem juntos até que a morte os separe.

Isso nos leva também a um ponto extremamente importante. Na ordem da criação, o sexo deve ser feito dentro do contexto do casamento monogâmico. Isso significa que todos os homens e mulheres deveriam se

relacionar sexualmente somente com uma pessoa (o cônjuge), pelo tempo que o Senhor conservar a vida de ambos.

É aterrador observar que o sexo se tornou algo tão banalizado que, quando cristãos se casam, levam consigo um passado de promiscuidade e a prática de impiedade. Isso tem tornado alguns casamentos instáveis e infelizes. Não poucas uniões têm acabado porque Deus não foi obedecido durante a adolescência e a juventude cristã. A Palavra de Deus revela quão íntimo é o ato sexual e qual é o contexto apropriado para a sua prática.

III . Cristo e a igreja

A intimidade sexual revela, também, o relacionamento entre Cristo e a igreja. A complexidade desse tema é tão grande que a Escritura o chamou de “mistério”. A Carta aos Efésios, ao falar sobre o relacionamento entre marido e mulher, ordena que a mulher seja submissa a seu marido e o marido ame a esposa, como Cristo amou a igreja (Ef 5.22-30). A Carta evoca o texto de Gênesis 2.24 para reafirmar a verdade que os dois, marido e mulher, se tornam uma só carne. O versículo seguinte é, de certo modo, constrangedor: “Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.32).

Em alguma medida, a vida íntima, matrimonial, do homem e da mulher reflete o relacionamento entre Cristo e sua igreja. Não é sem razão que, nas Escrituras, a igreja é chamada muitas vezes de “noiva” e o Senhor Jesus, de “noivo” (Is 62.5; Mt 9.15; Jo 3.29; Ap 21.2, 9; 22.17).

A imagem descrita no livro do Apocalipse é belíssima: “Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou” (Ap 19.7). O livro Cântico dos Cânticos de Salomão, igualmente, tem sido entendido como um relato de Deus como esposo de seu povo (Os 2.16-20), assim como do amor, da beleza e da santidade que existem no relacionamento conjugal entre um homem e uma mulher.

Os prazeres sexuais lícitos experimentados no matrimônio são, na realidade, somente um lampejo, uma fagulha, do que experimentaremos quando Cristo voltar e tomar para si a sua igreja. Diante dessa verdade, nossa vida sexual deve refletir esse amor tão santo e belo, pois quando nos tornamos uma só carne, estamos fazendo referência ao ajuntamento de Cristo com a sua amada igreja. Quão grande é esse mistério!

Conclusão

Nesta lição, aprendemos que a Palavra de Deus revela que somos a imagem e semelhança de Deus, contempladas em sua totalidade no casamento entre um homem e uma mulher. As bases para a intimidade sexual entre os seres humanos estão bem estabelecidas e são claras nas Escrituras. Além disso, esse é um relacionamento que se refere, também, ao relacionamento que existe entre Cristo e a igreja, entre Deus e o seu povo.

Aplicação

Você já tinha atentado para o fato de que homem e mulher são imagem e semelhança de Deus? Como você tem se guardado para o casamento? Se você já é casado, como tem mantido a pureza e beleza da intimidade sexual? Perceba que o relacionamento conjugal é importante, pois nos remete ao relacionamento de Cristo com sua igreja.

>> Estudo publicado originalmente na revista Nossa Fé, da Editora Cultura Cristã. Usado com permissão.

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