A morte também tem prazo de validade

A morte também tem prazo de validade

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: “Quando uma família sofre!”, de Carlos Catito e Dagmar

Texto básico: João 11. 1-44

 Textos de apoio
– Deuteronômio 32. 39
– Isaías 25. 6-9
– Oséias 6. 1-3
– Mateus 11. 1-6
– 1 Coríntios 15. 54-57
– Apocalipse 21. 1-5

Introdução

O plano original de Deus não incluía a morte. Por isso custamos tanto para aceitá-la, se é que a aceitamos em algum momento. A realidade da morte nos leva a um sentimento de ruptura, um sentimento de perda, de separação, que são mais profundos do que a simples saudade ou ausência da pessoa querida que se foi. Nosso espírito se sente contrariado e impotente diante desta realidade.

Desde a desobediência de nossos primeiros pais, o nosso pecado conspira contra a vida e produz sinais de morte por onde andamos, até que por fim a “morte em pessoa” se apresenta a cada um de nós, como preço final das escolhas que herdamos e também fizemos.

Desgraçada e desesperadora existência humana, se esta fosse a realidade última. Mas graças a Deus que não é! Pois, pela Sua intervenção, a sombra da morte foi encoberta por uma sombra maior, a sombra da cruz! Em Jesus o poder da morte foi subjugado. O plano original de Deus recuperou o fôlego… fôlego de vida.

O pecado e a morte ainda dão as caras por aqui, mas agora despojadas de sua capacidade de se assenhorearem sobre nossa realidade. A vida de Cristo, e em Cristo, agora são a última palavra. Como nos sentimos a partir disso? Esse novo panorama elimina a dor da saudade dos que partiram? Torna ilegítimo o processo de luto? Ou agrega novos elementos na experiência humana diante da (ainda) inevitável morte?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Qual foi a resposta imediata de Jesus assim que ele ouviu as notícias sobre Lázaro (vv. 4-6)? O texto deixa claro que Jesus amava Lázaro, ainda que ele tenha deliberadamente permanecido onde estava. Jesus talvez desejasse partir imediatamente, mas o que ele sabia que o encorajava a esperar (vv. 4, 15)?
  2. Por que os discípulos ficaram preocupados com a decisão de Jesus de ir para a Judeia (v. 8)? Que razão Jesus deu para justificar sua ida (vv. 9-15)?
  3. Lendo os vv. 17-19, tente imaginar a cena que Jesus encontrou ao se aproximar da casa de Marta e Maria. Que elementos de dúvida e fé você enxerga nas respostas que Marta dá a Jesus (vv. 20-22, 24, 27)?
  4. Após a resposta de Marta no v. 24, que reivindicação extraordinária Jesus fez que deve ter impactado e ampliado sua fé (vv. 25-26)?
  5. Como João descreve cuidadosamente os vários estágios da reação de Jesus diante do pesar e da angústia de Maria e daqueles que estavam com ela (vv. 33, 35, 38)? As palavras que João utiliza para Jesus no v. 38, “profundamente comovido” (NVI), implica não simplesmente num pesar intenso mas numa profunda indignação. Por que você acha que Jesus reage à morte de Lázaro, e ao enorme pesar que ela causou à Maria e Marta, não apenas com uma tristeza compassiva mas com afronta?
  6. De acordo com Jesus, em suas palavras e oração, qual foi o propósito deste acontecimento (vv. 40,42)? Pensando nos eventos dos vv. 43-44, tente imaginar como você se sentiria, ou reagiria, se estivesse presente naquele momento?

Hora de Avançar

Falar sobre a morte e o sofrimento é sempre algo incomodo. A morte sempre nos confronta com a nossa finitude e a maior limitação de nossa frágil humanidade. Somos apegados à vida e mesmo tendo conhecimento intelectual acerca da eternidade, tal saber não necessariamente é sinônimo de tranquilidade e redução de ansiedade diante da imperiosa realidade da morte.
(Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski)

Para pensar

Jesus havia previamente ressuscitado a filha de Jairo (Lucas 8. 40-56) e o filho da viúva em Naim (Lucas 7. 11-17). Mas alguns mais céticos poderiam argumentar que eles simplesmente entraram num coma, e assim Jesus somente executou uma ressuscitação. No caso de Lázaro era inconfundivelmente claro que ele estava morto, com seu corpo já em estado de decomposição, uma vez que havia se passado quatro dias desde o seu sepultamento; por isso a observação de Marta de que ele já cheirava mal (v. 39).

Nunca foi a intenção de Deus que a morte entrasse na experiência humana. Muito mais do que solidariedade pelo luto de seus amigos, Jesus ficou irado pelo que Satanás causou ao planeta por meio da tentação à Adão e Eva e a subsequente desobediência deles. Romanos 6. 23 nos diz que a morte veio como resultado do pecado. É a morte que é objeto da indignação de Jesus, e por trás da morte, o mal que foi o seu causador em primeiro lugar.

O que disseram

O que é a agonia da morte? É medo de Deus, medo do castigo, medo da imensidão da presença divina? Não sei, mas pela sensação do que vi, é algo mais profundo. Foi o medo do grande abismo que separa Deus de nós, uma distância que somente pode ser atravessada pela fé. A provação vem quando tudo, que é precioso para nós, escapa de nossas mãos… e não resta coisa alguma a que se agarrar. É nesse momento que devemos ter fé para entregar-nos a um Senhor amoroso, e crer que Ele não permitirá que caiamos em um terrível e insondável abismo. Mas, ao contrário, nos conduzirá ao lar seguro que nos tem preparado.
(Henri Nouwen, Meditações com Henri J. M. Nouwen, Danprewan, 2003, n. 29)

Para responder

  1. O que este texto de João 11 pode nos ensinar sobre nossas frustrações quando Deus parece se atrasar em responder nossas orações?
  2. Nosso desejo humano natural é o de que todos aqueles que amamos jamais morram. O milagre de Lázaro, e as palavras de Jesus a Marta nos vv. 25-26, lhe trazem esperança? Por que ou por que não?

Eu e Deus

Tu sabes, Senhor, como sou incrédulo e fico nervoso na presença da doença e da morte, mesmo sabendo que tu és o grande Médico, mesmo sabendo que és a ressurreição e a vida. Ensina-me a viver na esperança [de que] Tu tens a última palavra, e a última palavra é vida, e não morte. Amém
(Eugene Peterson, Um Ano com Jesus, Editora Ultimato, 2015)

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior
Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo “Quando uma família sofre!”, de Carlos Catito e Dagmar, publicado na edição 363 da revista Ultimato.

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