A família e o conflito de gerações

A família e o conflito de gerações

Texto básico: Tiago 3.13-18
Texto devocional:  Romanos 12.9-21

Versículo-chave:  “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18)

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Alvo da lição

Mostrar que uma convivência pacífica e agradável é possível entre diferentes gerações quando refletimos sobre os valores dos outros e seguimos princípios para resolver os conflitos.

Introdução

“A família é o lugar onde se criam doenças psíquicas e psicossomáticas, e ela é a primeira rede de apoio que preserva de adoecer em consequência de uma crise” (Imagens da Família, Ed. Sinodal, p.115). É fato que cada geração tem a sua maneira de agir, sentir, pensar e decidir. Entende-se por “geração”.
• o conjunto dos indivíduos nascidos na mesma época;
• o espaço de tempo (aproximadamente 25 anos) que vai de uma geração a outra (Aurélio).

Em uma família, várias gerações estão presentes: avós, pais, filhos e netos. Isso significa a presença de variados pensamentos, conceitos e valores. O que pode produzir competição, conflitos e inveja. É comum os mais velhos dizerem: “Ah! … no meu tempo eu não tinha essas facilidades, essas regalias que os jovens têm agora!” Ele está confessando um desejo não satisfeito na sua juventude, um privilégio não obtido. Então perguntamos: não é justamente este o sentimento e a atitude que as pessoas mais querem esconder das outras? O marido, com uma grave enfermidade, pode ter inveja da esposa porque ela está com saúde, trabalha e tem uma vida normal, enquanto ele fica isolado. Sendo assim, o caminho que escolhemos para trabalhar esta lição é duplo: os valores na família e como resolver conflitos entre gerações.

I. Os valores na família

1. O que são valores
Valor é algo desejável ou útil. As pessoas valorizam o que desejam, necessitam ou consideram interessante. Por causa disso, temos as nossas preferências, escolhas. Escolher supõe que preferimos o mais valioso ao menos valioso.

a. Existem objetos valiosos e atos humanos valiosos:
• Objetos valiosos: árvore, uma porção de terra, uma cadeira, um carro, um computador, uma obra de arte, um livro, um tapete, um móvel de casa, uma roupa etc.
• Atos humanos valiosos: ato moral, político, jurídico, cívico, econômico etc.
b. Os valores, de modo geral, podem ser:
• Positivos – Se alinham com os valores bíblicos
• Negativos – A desonestidade, a violência, o preconceito etc.
• Neutros – “Qual pé devo calçar primeiro, o direito ou o esquerdo?”

c. Principais tipos de valores:
• Extrínseco ou instrumental – É algo que tem valor por causa dos efeitos que produz, e não por causa daquilo que é em si mesmo. Ex.: uma casa confortável.
• Intrínseco ou final – Algo que é valioso em si mesmo. Ex.: a bondade, a lealdade, a justiça, etc.

Aplicação
Para refletir em classe: De que maneira os valores estão presentes nas famílias e nas diferentes gerações que formam as famílias? Todos valorizam exatamente as mesmas coisas? Por que?

2. Como os valores se formam na família e nas gerações

De acordo com Eva Lakatos (Sociologia Geral, Ed. Atlas), existe um processo sociológico de mudança cultural comum a todas as culturas em todas as gerações.

a. Inovação. Alguém inventa algo, mostra seus valores e suas vantagens. Normalmente é algo que vem para tomar o lugar de outra coisa. Ex.: máquina de escrever e computador.
b. Aceitação Social. Acontece quando a sociedade aceita o que foi inventado. É também a assimilação de um comportamento novo. Ex.: mulher ser árbitro de futebol.
c. Eliminação Seletiva. Acontece quando a sociedade vai deixando hábitos antigos para contrair novos; os valores vão caindo em desuso até desaparecer.
d. Integração Cultural. É o último e definitivo passo. Os novos valores e comportamentos vão se ajustando cada vez mais, até serem parte integral da família ou sociedade.

Isso que acabamos de aprender é muito importante para entendermos a razão das mudanças culturais e dos valores na família. A igreja do Senhor Jesus Cristo vive sempre em uma sociedade, nunca fora dela (estamos em Cristo, mas vivemos também em Éfeso – Ef 1.1). Agora você entende a causa de muitos conflitos entre gerações. Entende por que o avô quer que o neto se comporte da mesma maneira que ele, quando era criança?

Isso não quer dizer que todas as mudanças na sociedade e na família sejam benéficas. Aliás, em se tratando de mundo, a maioria delas é degradação e não evolução. Colocamos o que segue apenas para “abrir a mente”.

3. Os verdadeiros valores da vida

O que é bíblico nenhuma cultura pode derrubar ou superar. A lista abaixo, que não é exaustiva, mas abrangente, tem por objetivo mostrar valores que, não importando a geração, são absolutos e permanentes; válidos para qualquer época.

a. O principal mandamento (Mc 12.28-31).
b. Ser uma nova criatura em Cristo Jesus ( Jo 3.3-5).
c. Salvar a alma ou ter a vida eterna (Mc 8.36).
d. Viver em paz (Pv 17.1).
e. Amar e ser amado (1Co 13.1-3).
f. Autenticidade (Mt 7.3).
g. Solidariedade, altruísmo e utilidade (Lc 10.30-37).

II. Resolvendo conflitos entre gerações

Para a mãe, que foi educada de forma a não poder sair sozinha com o namorado (a irmã ou alguém tinha de ir junto), a não poder beijar em público, fica difícil entender que sua filha possa ir a uma festa e chegar tarde da noite.

Um pai que foi educado aprendendo que “lugar de mulher é dentro de casa” também reluta em liberar a filha para trabalhar. Tudo pode se complicar quando o antigo e o novo acabam coexistindo dentro da mesma casa. Os filhos querem viver da forma dominante de sua época e acompanhar os valores atuais; os pais geralmente acabam tentando se modificar para compreender a forma de vida da nova geração, sem abrir mão dos valores que eles trouxeram do lar no qual foram criados. E quando o avô ou avó moram em casa, as diferenças de gerações são ainda mais evidentes. Evidentemente não temos uma “receita” pronta. Mas temos princípios que podem ser aplicados nos relacionamentos interpessoais, quando há atritos devido às diferenças de gerações.

1. Comunique o conflito
A Bíblia não recomenda o silêncio quando há problemas ou pecados. “Se teu irmão pecar contra ti, vai arguí-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15). O verbo “arguir” pode ser traduzido como “trazer à luz”, “expor”, “mostrar a falta ou erro”, “mostrar a razão dos fatos”, “convencer alguém de sua falta ou erro”. “Vai arguí-lo” implica uma atitude, um movimento em direção ao ofensor, ao que está nos ferindo. “Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.” O verbo “ganhar” quer dizer “poupar alguém de um dano, perda ou prejuízo”. O que acontece é que muitas vezes falamos do conflito a todos, menos à pessoa que realmente precisa saber. No ensino do nosso Mestre, deve-se falar: “vai arguí-lo”!

2. Faça bom uso das “diferenças”
Se você puder entender a posição do outro apenas como uma posição diferente – nem melhor nem pior – a vida familiar ficará mais fácil e também mais rica e simples a convivência. Há um provérbio indiano que diz: “Não critique um homem antes de andar um quilômetro com seus sapatos”. Tente vivenciar o conflito sob o ponto de vista da outra pessoa. Dessa maneira, os avós ou sogros podem se transformar em valiosa fonte de aprendizagem, pois carregam uma bagagem de vida com ricas contribuições a dar aos demais. Portanto, se as diversas opiniões sobre uma mesma questão são usadas de modo a enriquecer a percepção pessoal e a percepção sobre os outros, o jovem pode abandonar suas posições inflexíveis para assumir um posicionamento que compreenda a opinião dos pais.

3. Faça diferença entre o essencial e o secundário

A palavra “secundário” vem do latim “secundu” que literalmente é “segundo”. Portanto, “secundário” é aquilo que é de menor importância em relação a outrem ou a outra coisa; algo de pouco valor, insignificante, inferior (Aurélio). Daí a necessidade de se identificar e discernir os conflitos, porque, muitas vezes, a causa maior não passa de interesse pessoal ou coisa de pouca importância. Você já ouviu falar do casal que brigava constantemente porque ao colocar o papel higiênico no papeleiro do banheiro a mulher gostava que o papel saísse por baixo, enquanto o marido insistia que deveria sair por cima? Incrível!
Há muitas coisas que são importantes, mas não são fundamentais. E muitos conflitos podem ser evitados com bom senso e tolerância, na medida que identificamos o que é essencial e o que é secundário; ou o que é inegociável e o que é tolerável. Quantas vezes brigamos por algo que daqui a pouco tempo não terá valor algum para nós mesmos!

Conclusão

A família que deseja que todos sejam réplicas uns dos outros e não assimila as diferenças acaba obstruindo o crescimento de todos. Maria Luiza Dias em seu livro Vivendo em Família (Ed. Moderna), acrescenta: Na infância, tudo o que vem dos pais e avós geralmente parece correto, mesmo que a criança resista a obedecer – os pais são vistos como aqueles que já conhecem mais sobre o mundo.

Na adolescência, a tendência é de oposição, de polarização com os pais. O mundo bom parece ter princípios opostos. Na vida adulta, espera-se ter encontrado uma posição mais madura, onde o indivíduo tenha sido capaz não só de “peneirar” as experiências, reter consigo o que avaliou como uma boa contribuição da família, como também de elaborar algumas mudanças, dentro do que considera ser a maneira pessoal mais adequada para as necessidades atuais.”

Sendo assim, a família sadia é aquela que doou a seus membros uma provisão para a vida e, ao mesmo tempo, permitiu a sua diferenciação; que permitiu que cada um vivesse a sua individualidade sem ser individualista, sem abrir mão dos valores bíblicos (que são eternos) e sem esquecer de ensinar a fazer diferença entre o essencial e o secundário. Ao contrário do que se pensa, uma geração deve aprender com outra, havendo assim, uma integração de gerações.

Autor do Estudo: Pastor José Humberto de Oliveira
>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cristã Evangélica, na revista “E sua família, como está”, da série Vida Cristã. Usado com permissão.

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23 Comentários para “A família e o conflito de gerações”

  1. manoel jose do nascimento 17 de dezembro de 2013 at 18:08 #

    muito bom seu pensamento mande um estudo sobre amor.

  2. marli 14 de fevereiro de 2014 at 12:25 #

    falar mais sobre familia e libertação

  3. jose batista 15 de março de 2014 at 10:47 #

    o povo tem mais e que creem Deus ele e a soluçao pra tudo vinde a mim que vos aliviarei

  4. fernanda.santos 10 de abril de 2014 at 15:52 #

    gostei muito bom esse texto

  5. Maria Luiza Prestes 14 de abril de 2014 at 22:45 #

    Otimo texto, porem nos dias de hoje, dificil de ser aplicado. Com essa da lei tirar a autonomia dos pais e professores, tanto jovens como crianças, so querem fazer o que bom para eles. Nos temos mesmo e que segurar na mao de Deus e orar, orar sem cessar.

  6. valdir ferreira dos santos 14 de junho de 2014 at 10:59 #

    O estudo blibico foi ótimo. Deus o abencoe

  7. valdemir galdino 26 de junho de 2014 at 18:45 #

    muito bom esse estudo

  8. PAULO ENRIQUE 16 de agosto de 2014 at 20:08 #

    OTIMO ESTUDO ;DUDO QUE E SOBRE A FAMILHA E DE GRANDE IMPORT ANSIA A CADA DIA QUE LEMOS E COMPASTILHAMOS E DE GRANDE APROVEITO

  9. cassia Regina 25 de fevereiro de 2015 at 11:28 #

    Preciso montar um estudo sobre familia,Com o titulo valo da familiares,queria dicas.

  10. eliane 7 de maio de 2015 at 16:59 #

    Gostei, só acrescentou

  11. Ozias de Freitas Fuly 27 de maio de 2015 at 18:33 #

    EXCELENTE ESTUDO. OS CONFLITOS COMEÇAM EM CASA, MAS SE BUSCAM RECURSO OU SOLUÇÃO FORA DE CASA. DEUS TE ABENÇOE.

  12. Ricardo Cespedes 12 de julho de 2015 at 8:56 #

    Muito bom o estudo, parabens e que DEUS o abencoe.

  13. Joilson 14 de setembro de 2015 at 1:14 #

    Quando ficamos em silêncio, os valores família, são mas bem saudável. Porque? maioria das vezes nos comentamos o grande erro que é a discussão sem finalidade. Devemos entender o seguinte que a família a baixo de Deus, é mas precioso que ele já constituim.

  14. Pb. Ademir Batista de figueiredo 21 de setembro de 2015 at 22:37 #

    Um belo estudo,um tema propicio e que precisa muito ser discutido na íntegra, porquê o Estado interferiu na educação familiar e não assumiu o compromisso…….. deixando as famílias a mercê da sorte e ainda vedada de ensinar as regras básicas da educação doméstica. Obs: em Pv. c1,v 8; diz filho meu,ouve a instrução e teu pai e não deixes a doutrina de sua mãe.

  15. luis 28 de setembro de 2015 at 10:43 #

    muito bom estudo,vou usa-lo na celula de casais ,obrigado !

  16. Leandro liborio 4 de janeiro de 2017 at 10:27 #

    Goste muito

  17. Pastor Sergio Paulino da Silva. 13 de fevereiro de 2017 at 11:04 #

    Estudo muito bom vou a plicar nos estudos de casais , obrigado Pastor Deus continue te usando .

  18. Pastor Sergio Paulino da Silva. 13 de fevereiro de 2017 at 11:06 #

    Pastor muito bom o estudo vou a plicar no em contros de casais .obrigado

  19. Pastor Sergio Paulino da Silva. 13 de fevereiro de 2017 at 11:11 #

    Maravilhoso o estudo vou aplica nos estudos de reunião dos membros.

  20. Pastor Sergio Paulino da Silva. 13 de fevereiro de 2017 at 11:13 #

    Pastor muito bom me edificou moito.

  21. ADAILSON 21 de junho de 2017 at 14:15 #

    AMADO PASTOR MUITO EDIFICANTE OS SEUS ESTUDOS QUE O SENHOR NOSSO DEUS CONTINUE TE ABENÇOANDO MUITO. PAZ DO SR JESUS.

  22. cesar augusto catarin 13 de agosto de 2017 at 13:14 #

    ola a paz do senhor pastor,pastor ja estudamos muito sobre o senhor na no grupo de jovens e aprendemos cada ves mais dos estudos da biblia e pode me um comentario de uma filha (pastora ) se faz de 2 pessoas e se na igreja uma e em casa ela se tranforma em um verdadeiro inferno um estudo ou um livro que possa enviar a ela ler desde o dia 25/06 ela nao fala com a familia com a ignorancia tremenda hj meus pais querem vender tudo e ir embora da igreja e da cidade que moramos por este motivo ela fala mal de todos e de tudo minha sobrinha mais velha 17 anos trabalha em uma faculdade e o salario dela nao é baicho ela pega todo o salario da minha sobrinha e deixa apenas 100 reais e manda ela se virar hj as 2 filhas nao aguenta mais a mae elas tem 17 e14 anos querem casar e ir embora pode me ajudar por favor.

  23. Cláudio Armando 17 de outubro de 2018 at 10:13 #

    Gostei do estudo, tenho a fé que, a partir deste teu pensamentos muitas famílias serão abençoadas… Deus ilumine os teus passos.

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