O evangelho e a batalha espiritual

O evangelho e a batalha espiritual

Texto Básico: 1Reis 18

Para ler e meditar durante a semana

D – Jo 15 – Escolhidos e enviados; S – Js 24.1-25 – Serviço com fidelidade; T – Mc 8.34-38 – Negue-se e siga a Jesus; Q – Gl 6.10-20 – Prepare-se para a batalha; Q – Ef 5.1-21 – Andai como filhos da luz; S – At 4.1-31 – Firmeza diante da perseguição; S – 1Jo 5 – A confiança que temos nele

INTRODUÇÃO

Na lição passada vimos que o Senhor é o único que tem o poder de dar o sustento material e que usa seu poder para cuidar daqueles que o temem. Hoje nossa atenção estará nos aspectos que caracterizam o conflito espiritual entre o verdadeiro Deus e aqueles deuses que não são, entre o evangelho e a proposta de vida deste mundo. Aprenderemos sobre o que nós, como servos de Deus, devemos ser, saber e fazer diante desse conflito.

I. A PERSEGUIÇÃO

1. Sobre o cumprimento das palavras de Elias, explique:

a) O que isso causou aos profetas do Senhor.
b) O que isso revelava sobre o culto a Baal.
c) Como reagiram Acabe e Jezabel.

2. Sobre a perseguição aos servos de Deus, explique:

a) O que ela evidencia.
b) O ensino de Jesus sobre isso em João 15.18-20.
c) O que Daniel 7.25 e Apocalipse 13.7 nos informam sobre o forte ataque que os santos sofrerão no último tempo.
d) Como devemos reagir a ela. (cf. Mt 5.11-12; Ef 6.10-13)

Depois de esconder seu profeta por mais de três anos, Deus deu novo passo em seu projeto de instrução espiritual enviando-o de volta para Israel para anunciar a volta da chuva. Durante o período em que Elias esteve escondido, o povo ficou sem chuva, sem alimento, sem a Palavra de Deus, e experimentou os efeitos da falta dos cuidados divinos. O cumprimento das palavras de Elias gerou profunda perseguição contra os profetas do Senhor. A falta contínua humilhava Baal e colocava em risco o projeto de divulgar o seu culto em Israel. Por isso, Jezabel, mulher de Acabe, passou a perseguir abertamente os profetas do Senhor e a matá-los (1Rs 18.4,13). Obviamente, o seu alvo era Elias. Acabe mandou procurá-lo por toda a parte, mas não teve êxito. Não podia imaginar que Deus o escondera na própria terra de Jezabel. Nem que seu mordomo estava servindo como instrumento de Deus para a proteção e o sustento dos profetas. Pelo menos cem profetas foram escondidos e sustentados por Obadias, o mordomo de Acabe.

A perseguição só fez complicar o estado de espiritual de Israel. Agora, os profetas do Senhor estavam escondidos ou mortos. Foram cortadas todas as fontes de orientação divina. Israel se encontrava em densas trevas espirituais. A perseguição dos homens de Deus é o sinal mais evidente da batalha espiritual. Jesus advertiu seus discípulos quanto a essa realidade ao dizer “não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15.20). Não estamos falando de um desentendimento isolado, da atitude má de alguns homens maus. Como odiou o Mestre, o mundo odeia os discípulos que Jesus escolheu do mundo (Jo 15.18-19). Esse ódio vai desde o riso de zombaria até o ataque direto e mortal e é uma das manifestações do poder do Anticristo sobre esse mundo. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento, somos informados sobre o forte ataque que os santos sofrerão no último tempo (Dn 7.25; Ap 13.7).

Não é nada fácil ter os poderes de Jezabel e do Anticristo buscando nossa morte. Em situações como essa, muitos crentes se deixam vencer pelo temor e recuam em seu testemunho e compromisso com Deus. Por isso, Jesus nos estimula ao apontar como bem-aventurados aqueles que são perseguidos por causa da justiça. Diante da injúria, da perseguição e da mentira devemos nos regozijar por compartilhar da perseguição e do galardão dos profetas (Mt 5.11-12).

A história dos profetas é marcada pela rejeição e pela hostilidade. Houve momentos em que a Palavra de Deus exortava a um procedimento santo que os homens não queriam aceitar. Em outros, a Palavra denunciava o pecado e anunciava o juízo, colocando o profeta em direta oposição à liderança e ao povo, gerando, muitas vezes, morte e prisão.

Paulo resumiu muito bem essa realidade quando, relembrando suas próprias perseguições, disse a Timóteo: “Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). Quando assumimos um compromisso com o reino de Cristo, nos colocamos em rota de colisão com os poderes e os valores deste mundo. Então começam as perseguições de todo o tipo. Por isso, Paulo nos exorta a revestir do Senhor e da força do seu poder para resistir às ciladas do maligno e permanecer inabaláveis (Ef 6.10-13).

II. O CONFRONTO

3. O confronto é outro aspecto da batalha espiritual.

Explique:

a) Como isso ocorreu no ministério do profeta Elias (cf. 1Rs 18.21).
b) De que modo a apresentação do profeta ao rei Acabe aponta para o envio de Jesus ao mundo?

4. O que o evangelho nos ensina ao confrontar o nosso pecado? (Mt 6.24; Mc 8.34-38; 1Jo 1.6; Ef 5.11; Tg 4.4)

Surge então um segundo e importante aspecto da batalha espiritual: a necessidade do confronto.

Não é possível ficar indefinidamente no esconderijo. Em Sarepta ou nas cavernas, os profetas do Senhor encontraram sustento e proteção contra as investidas de Jezabel. No entanto, Israel definhava em trevas. Por isso, em sua misericórdia, Deus ordenou a Elias que se apresentasse a Acabe. Esse não seria um encontro fácil. Depois de três anos procurando, o ódio de Acabe por Elias só podia ter aumentado. Obadias tem medo até mesmo de anunciar que Elias voltou. Ainda assim, Elias está disposto a obedecer a Deus, enfrentar a perseguição e apresentar-se diante do rei.

Essa apresentação de Elias nos aponta para o envio de Jesus ao mundo. Ele foi enviado para manifestar a glória do Pai, é a luz que vinda ao mundo ilumina a todo o homem (Jo 1.9,14,18). Ao enviar seu Filho, Deus demonstra todo seu amor e cuidado com a humanidade. No entanto, em vez de receber a Jesus com júbilo, Israel e o mundo de forma geral rejeitaram e se rebelaram contra o amor de Deus. Israel não aceitou a sua palavra e uniu-se para crucificá-lo (At 4.27).

De forma semelhante, Jesus nos enviou para ser sal da terra e luz do mundo. Mais do que ninguém, ele sabe dos perigos que nos ameaçam nessa missão. Ele mesmo disse que nos enviava como ovelhas para o meio de lobos, recomendando prudência e simplicidade diante dos tribunais e açoites a serem enfrentados (Mt 10.16-18). No entanto, ele não nos deixou desprotegidos. Em sua oração sacerdotal, Jesus não pediu que fôssemos retirados do mundo, mas que o Pai nos guardasse do mal (Jo 17.15). Por isso, não podemos recuar diante do desprezo ou da maldade dos homens. Somos embaixadores chamando homens rebeldes ao arrependimento (2Co 5.18-20). Não podemos nos calar. É preciso levar a luz da Palavra de Deus ao mundo que nos cerca, de modo a resgatar das trevas todos os que tiverem seus corações dispostos a ouvir a mensagem do Senhor. O confronto com o mundo é necessário para a salvação dos homens.

No entanto, o maior confronto se dá no coração dos homens, em nosso próprio coração. Precisamos lembrar que não é possível servir a Deus e às riquezas (Mt 6.24), que é preciso servir inteiramente ao Senhor (Js 24.14-16). Por isso, Elias reuniu o povo e deixou clara a decisão que precisavam tomar: “Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1Rs 18.21). Tristemente, após séculos de cuidado divino e três anos e meio de seca, o povo ainda não estava pronto para abandonar a confiança em Baal. Ninguém respondeu ao desafio de Elias, porque não sabiam como responder. O próprio Obadias estava dividido. Queria servir ao Senhor, preservando e sustentando os profetas, mas continuava servindo a Acabe, o rei inimigo de Deus. Ele estava a serviço de Deus, desde que isso não colocasse em risco sua vida e sua posição no reino. O evangelho nos chama a atenção para o desafio de negar a si mesmo para seguir a Jesus (Mc 8.34-38).

Quando a Bíblia nos ensina sobre os deuses deste mundo, exige que abandonemos a confiança e a esperança que, devido à nossa condição caída, depositamos nas riquezas, no trabalho, no poder, nos prazeres, na beleza, etc. Qualquer um que queira viver de acordo com esses valores não pode manter comunhão com Deus (1Jo 1.6; Ef 5.11). Infelizmente são muitos os que hoje continuam tentando conciliar sua fidelidade a Deus com a fidelidade ao mundo. Apenas se esquecem de que isso é impossível (Tg 4.4).

III. A VITÓRIA

5. Elias demonstrou a certeza de sua vitória de três modos. Cite, explique e relacione cada um deles com o ensino de Jesus.

A dúvida no coração do povo gerou o terceiro aspecto da batalha espiritual que precisamos considerar: a certeza da vitória. Essa certeza é demonstrada na convicção de que só há um Deus, no uso que fazemos da oração e na perseverante confiança nas promessas do Senhor.

A. Só o Senhor é Deus

A solução que Elias propõe para o conflito parece bem simples: “Há de ser que o deus que responder por fogo esse é Deus” (1Rs 18.24). Todos aceitam o desafio, mas somente Elias pode ter a certeza do que vai acontecer. Essa é toda a questão: se Baal ou qualquer outro deus desse século pode atender ao chamado dos homens, a confiança nele deve ser considerada uma opção plausível. Mas estamos diante de uma realidade bem diferente: só existe um Deus de quem todos os homens dependem, então só Elias pode sair vitorioso desse desafio. Sua convicção é tão grande que ele até reforça as dificuldades para o sucesso. Muitos adversários, pouco tempo, muita água, tudo é colocado junto para mostrar que nada poderia impedir Deus de manifestar seu poder.

Na batalha espiritual, o crente é chamado a exercer sua convicção de que nosso Deus é o único soberano em toda a terra, que seu domínio se estende a todos os lugares e a todas as gerações. Certa vez Jesus descreveu as multidões como um rebanho exausto e aflito, como ovelhas que não tinham pastor (Mt 9.36).

Todos os poderes, recursos, diversões e prazeres deste mundo servem apenas para distrair os homens de modo que, por algum tempo, não percebam a sua miséria e solidão. Sem buscar recursos em Jesus, a igreja de Laodiceia estava infeliz, miserável, pobre, cega e nua (Ap 3.17-18). Assim ficam todos os que buscam viver sem Deus nesse mundo. Somente o Senhor da seara poderia mandar trabalhadores para atendê-la. Essa convicção é o primeiro passo para vencermos esse mundo.

B. O uso da oração

A convicção de que o Senhor é o único Deus, nos leva necessariamente a buscar nele tudo que precisamos e desejamos. Quando chegou sua vez de oferecer o sacrifício, Elias ergueu sua voz em oração e pediu a Deus que respondesse confirmando sua aliança com Israel desde o tempo dos patriarcas, sua exclusividade como Deus de Israel e a fidelidade de Elias como profeta. Aquela oração não era uma lista de desejos aleatórios, mas um meio de glorificar o Senhor diante do povo. A resposta àquela oração fez o povo cair de joelhos reconhecendo o Senhor como Deus. Jesus fez algo semelhante diante do túmulo de Lázaro (cf. Jo 11.41-42) e recomendou essa mesma certeza a seus discípulos. Ele disse-lhes que “tudo o que pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.22). Para que tivéssemos condições de enfrentar o conflito com esse mundo, Jesus nos deu um caminho de acesso ao trono de Deus, onde acharemos graça sempre que precisarmos (Hb 4.16). Quando oramos exercitamos nossa fé, expressamos o que cremos acerca de Deus e o que esperamos que ele faça em seu poder. O compromisso com a oração tem sido uma rica experiência para todos os homens de Deus. Por intermédio dela, eles têm desenvolvido comunhão com o Senhor e recebido inconfundíveis sinais de sua graça. Assim, têm alcançado vitória em seu confronto com o mundo.

C. A perseverança

A resposta à oração de Elias parece por fim a toda a questão. No entanto, quando voltamos ao início do capítulo, percebemos que o propósito de Deus para aquele encontro era outro. “Vai, apresentate a Acabe, porque darei chuva sobre a terra” (18.1).

É nesse ponto que muitas pessoas se perdem quando pensam na batalha espiritual. Imaginam que a vitória está na resposta de Deus às nossas orações. Tudo o que querem é ter suas necessidades e desejos atendidos por Deus. No entanto, o processo se conclui apenas quando os propósitos do Senhor, declarados em sua Palavra, se cumprem na vida se seu povo. Por saber disso, Elias voltou à oração. Agora pedindo chuva, mas a resposta não foi imediata como a anterior. Por seis vezes, Elias mandou seu moço olhar para o mar em busca de um sinal de chuva e nada se viu. Em situações como essa, começamos a pensar se  realmente o que Deus disse vai se cumprir. Nossa confiança no poder de Deus, tão firme em outros momentos, se abala e somos tentados a retirar esses tópicos de nossa oração. Note que não estamos falando de nossos desejos e necessidades. Eles foram tratados no item anterior. Aqui estamos falando sobre o governo de Deus sobre as nações, sobre a conversão dos povos da terra, sobre o retorno de Cristo, sobre o fortalecimento da igreja e do evangelho. O  verdadeiro  soldado  de  Jesus  está comprometido  com  os  propósitos  de Deus para esse mundo. E mesmo que os sinais que confirmem esses planos sejam mínimos ou  até mesmo  invisíveis, não esmorecerá em sua oração até ver a glória do Senhor encher toda a terra, como as águas cobrem o mar. A Palavra de Deus anunciou essas coisas e  isso é  suficiente para nós. A resposta de Deus aos nossos pedidos deve servir como estímulo para aguardarmos  o  cumprimento  de  suas promessas de redenção.

Quando surgiu uma pequena nuvem no horizonte, Elias mandou avisar Acabe que o Senhor renovara a sua misericórdia sobre Israel e estava mandando chuva. Por isso, a Escritura registra que a vitória que vence o mundo é a nossa fé (1Jo 5.4). A provação da nossa fé produz perseverança (Tg 1.3), a perseverança produz experiência e esta produz esperança, esperança da glória de Deus (Rm 5.2-4).

Quando  essa  glória  se manifestar com  plenitude,  todos  os  inimigos  de Deus e do seu povo serão definitivamente vencidos.

CONCLUSÃO

6. O que você aprendeu hoje sobre aquilo que, como servo de Deus, deve ser, saber e fazer diante da oposição entre o evangelho e os poderes e valores deste mundo?

Aprendemos  com  Elias  que  o evangelho  encontra-se  em  inevitável oposição e conflito com os poderes e os valores desse mundo. Aqueles que foram chamados para viver pelo evangelho devem estar conscientes da perseguição que terão que  enfrentar  e  da  necessidade  de confrontar  esse mundo  e  a presença de seus valores em nossos corações. Esse não foi um caso isolado, mas é uma ocorrência do permanente conflito entre os filhos de Deus e as forças de Satanás.

Entretanto, a realidade dessa batalha é  superada  pela  certeza  que  temos  da vitória, uma vez que conhecemos o único e verdadeiro Deus, que responde às nossas orações e que cumprirá todos os propósitos que anunciou em sua Palavra.

APLICAÇÃO

Qual tem sido a sua posição no conflito espiritual? Perseguidor ou perseguido?
Tem estado  escondido  ou  partido  para  o confronto? Está decidido a quem servir? Deixe tudo de lado para seguir a Jesus e manifeste em sua vida a vitória do único e soberano Deus agora e para sempre.

>> Estudo publicado originalmente pela Editora Cultura Cristã, na série Expressão, 2012. Usado com permissão.

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4 Comentários para “O evangelho e a batalha espiritual”

  1. Sidnei da Silva 7 de maio de 2015 at 16:25 #

    A paz, do Senhor eu Sidnei quero parabenizar pelo estudo maravilhoso que Deus continue abençoando a vida de vocês amén.

  2. Dionísio Bungo 6 de janeiro de 2017 at 10:59 #

    Ensino bastante edificante. Glória a Deus

  3. Erica Matos 7 de dezembro de 2017 at 19:53 #

    Esse estudo edificou muito minha vida, pois estava buscando por respostas. O estudo foi bem direto, consegui compreender tudo mesmo… Parabéns!

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