O desafio das grandes cidades

O desafio das grandes cidades

Texto Básico: Atos 18.1-21.17

Texto Devocional: Romanos 15.14-21

Versículo-chave: Atos 20.24
“Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus”

Alvo da lição: O aluno identificará princípios e estratégias bíblicas para enfrentar o desafio alcançar as cidades.

Leia a Bíblia diariamente
S – At 18.1-17; 1Co 2.1-5
T – At 18.18-28; 1Co 2.14
Q – At 19.1-22; Ef 6.10-20
Q – At 19.23-40; Rm 15.14-21
S – At 20.1-16; Ef 3.1-13
S – At 20.17-38; Lc 4.42-44
D – At 21.1-17; 2Tm 2.15

Antioquia, na Síria, era a terceira maior cidade do império romano, com cerca de 500 mil habitantes. A igreja ali formada era o protótipo de igreja missionária ideal, pois congregava a comunidade cristã da cidade, provavelmente espalhada em vários grupos que se reuniam em locais diferentes da cidade, estrate­gicamente estabelecidos. Já estudamos como essa igreja, cosmopolita e heterogênea, implementou a primeira ação missionária planejada, quando Barnabé e Paulo foram separados pelo Espírito Santo para a primeira viagem missionária.

Agora, ao estudarmos o final da segunda viagem missionária e a terceira, iremos ve­rificar a continuidade de uma estratégia para expansão do reino, alcançando as grandes cidades.

É bom entender o nosso tempo.

1.A igreja

Alguns fatores presentes na igreja de nossos dias afetam negativamente sua ação missionária: espírito denominacionalista, divergências doutrinárias, diferenças de forma de governo e costumes, competição sectarista de algumas igrejas, mensagem confusa, perda dos referenciais de como ser igreja, etc.

2. A sociedade

Observamos na sociedade atual: grande avanço tecnológico, meios de comunica­ção ultrarrápidos, impessoalidade e anonimato, violência, desemprego, crescimento desordenado das cidades, ceticismo, materialismo, etc.

A despeito das diferenças com a igreja nascente, há no texto alguns princípios, universais e atemporais, que nos orientam em nossa tarefa nos tempos modernos nos quais vivemos.

I. Paulo em Corinto (At 18.1-18)

Saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto, capital da província romana da Acaia. Próspero centro comercial, Corinto encontrava-se estrategicamente situada e era um elo de comunicação entre norte, sul, leste e oeste, além dos portos de Cencreia e Lequeo. A cidade tinha uma péssima reputação por sua imoralidade (pelo que lemos em 1Coríntios). Os coríntios se gabavam de sua riqueza e cultura, e de seu prestígio político. Afrodite ou Vênus, a deusa do amor, tinha seu templo naquela cidade. A promiscuidade sexual era tanta que o termo grego korintiazomai significava “praticar imoralidade”.

Se há diferenças, há também semelhanças, como o orgulho e a imoralidade de nossos dias. Mas Paulo sabia, como nos diz John Stott, que “a cruz consome todo orgulho humano. Ela insiste que nós, pecadores, não temos nada com que comprar a nossa salvação, nem mesmo contribuir para isso”.

A localização de Corinto era favorável para a pregação do evangelho pelas se­guintes razões: a) abertura às mudanças; b) concentração de recursos; c) potencial para contato relevante com as comunidades em redor.

Aconteceram três movimentos na prática evangelística em Corinto.

1.Do particular para o público

Paulo procurou Priscila e Áquila, provavelmente judeus da Dispersão, já cristãos antes de se encontrar com ele. O tempo que passaram juntos trabalhando provavel­mente foi preparatório para Priscila e Áquila permanecerem em Éfeso (At 18.19).

O desafio da cidade grande exigia uma equipe maior. Foram Áquila e Priscila que, em Éfeso, levaram a Jesus Cristo e discipularam um judeu chamado Apolo, homem fervoroso, mas confuso na sua fé e na sua mensagem. Depois, por intermédio dele, muitos judeus foram convencidos que Jesus era o Cristo (At 18.24-28). Ainda em Corinto, a missão de Paulo entre os judeus encontrou novamente uma forte resis­tência, e ele repetiu a decisão tomada em Antioquia da Pisídia, de se voltar para os gentios.

Aplicação

É necessário preparo para evangelização das cidades. As igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam. A concentração de igrejas diferentes, além das seitas diversas, causa confusão à população. Cada um evangelizando com mensagens diferentes e contraditórias. Parece que há um “supermercado da fé”. Há quem ofereça religião como mercadoria mais barata, em “promoção”, com descontos (sem compromisso) e há os que cobram caro demais, com exigências que nada tem a ver com o evangelho da graça.

2. Do público para o particular (At 18.7-8)

Os esforços evangelísticos, até então concentrados na sinagoga, nesse momen­to passaram a acontecer numa casa particular. Ali, na casa de Tício Justo, Crispo, o principal da sinagoga, toda a sua casa e muitos outros com ele, creram no Senhor.

Aplicação

Os Pequenos Grupos, de casa em casa, continuam sendo uma proposta bíblica para nossos tempos, indo até o homem amedrontado, assustado, acusado por tantas circunstâncias adversas.

3. O aumento da atividade missionária

Ao ampliar a esfera de sua atuação, Paulo vê muitos coríntios crendo e sendo batizados. O aumento da atividade missionária revelou-se frutífero, mas levou à opo­sição da parte dos judeus. Como encorajamento e conforto em meio às perseguições, o Senhor lhe dá uma ordem, acompanhada de uma promessa (At 18.9-10): “Não temas;… fala e não te cales; porquanto eu estou contigo”. Que palavras maravilhosas! Até que Deus completasse Seu propósito, Ele queria Paulo ali. A fidelidade do Senhor é notória quando, acusado pelos judeus, o procônsul Gálio não considerou as acusações e deixou Paulo livre para continuar seu ministério de evangelização urbana (At 18.17).

No decurso dos versículos seguintes (18-23), Lucas resumiu a passagem de Pau­lo por algumas cidades, ressaltando seu propósito de “confirmar todos os discípulos”, isto é, encorajá-los espiritualmente, fortalecer-lhes a alma, exortá-los a permanecer firmes na fé. Ele não abandonava seus discípulos à própria sorte, mas o discipulado tinha um propósito, que era apresentar todo homem perfeito em Cristo (Cl 1.28).

II. Paulo em Éfeso (At 19.1-40)

Éfeso era capital da província romana da Ásia. Era a cidade mais importante da região e ponto de cruzamento de rotas comerciais. Nela estava o templo da deusa Diana (v.35), chamada pelos romanos de Ártemis.

Depois de um ano, aproximadamente, desde que deixara Corinto, Paulo che­gou a Éfeso, onde tinha passado no fim de sua segunda viagem, ainda que tenha permanecido não mais que três dias na cidade (At 18.19-21). Nessa terceira viagem, encontrou um grupo de 12 discípulos, que conheciam apenas o batismo de João (At 18.1-7), mas ainda não acreditavam em Jesus, ficando absolutamente claro que esses discípulos não eram de forma alguma cristãos. Nessa oportunidade, o apóstolo fi­cou três anos na cidade (At 20.31), que foram marcados pelas seguintes características.

1. Flexibilidade e perseverança a sinagoga e a escola (At 19.8-11)

A atividade evangelística de Paulo seguiu o mesmo padrão de Corinto. Ele argu­mentou na sinagoga, a partir do Antigo Testamento, que Jesus era o Cristo. Novamente a oposição se levantou, e Paulo deixou a sinagoga, passando a usar uma espécie de sala de preleções como sua base de evangelização.

2. Choque de poder (At 19.2-18)

Surge nova oposição, agora não dos judeus, mas do diabo e suas hostes. E, no­vamente, a luz triunfa sobre as trevas. Diz-nos Lucas que o tumulto começou por causa do Caminho (At 19.23-41). Nota-se, que a razão era econômica, disfarçada de patriotismo e de religião.

3. Transformação (At 19.19-20)

Os laços da superstição foram quebrados e sua inutilidade foi reconhecida. O fato de queimarem seus livros evidencia a sinceridade da sua conversão.

“Para transformar o nosso mundo, precisamos também ser críticos da realidade ao nosso redor e nos inquietarmos com o que vemos sob a ótica de Deus que encerra uma outra dimensão” (Ricardo Gondim).

III. De Éfeso a Mileto

Antes de voltar a Jerusalém, os planos de Paulo incluíam uma visita à Macedônia e Acaia, de onde pensava ir diretamente para a Palestina. Mas em vista de temer um complô judaico contra ele, decidiu voltar pelo caminho de onde viera, descendo o litoral da Ásia, via Trôade, onde ocorreu um incidente com um jovem chamado Êutico (At 20.7-12). Paulo evitou uma visita a Éfeso, mas de Mileto mandou chamar os presbíteros e deu-lhes suas últimas instruções, num típico discurso de despedida que podemos dividir em três partes.

  • Um retrospecto do seu ministério em Éfeso (At 20.18-21).
  • As incertezas quanto ao seu futuro (At 20.22-27).
  • Exortações quanto ao futuro da igreja (At 20.28-35).

O discurso em Mileto marcou o fim da obra missionária de Paulo. Finalmente, depois de várias semanas de viagem e suspense, e apesar de avisos sombrios, Paulo chegou ao seu destino, não sem antes ouvir advertências proféticas que reforçavam suas previsões do sofrimento. Sua decisão inabalável de cumprir o plano de Deus fê-lo prosseguir.

Conclusão

 John Stott destaca importantes lições sobre o lugar, o método e o tempo da evangelização urbana nessa terceira viagem missionária de Paulo:

1. Escolha de locais seculares

Embora, tanto em Corinto quanto em Éfeso, Paulo tenha começado na sinagoga, ele retirou-se para edifícios neutros, escolheu uma casa e uma escola, respectivamente.

2. Apresentação racional e inteligente do evangelho

Lucas destaca dois verbos para descrever as pregações evangelísticas de Paulo discorrer e persuadir. Paulo apresentava o evangelho de maneira séria, estruturada e persuasiva. Paulo sabia que o Espírito Santo conduz as pessoas a Cristo, convencendo­-as e levando-as ao arrependimento e à fé.

3. Permanência longa nas cidades

Cerca de dois anos em Corinto e três anos em Éfeso. Isso era necessário para que o ensino fosse amplo e profundo.

Paulo não armou um grande esquema para alcançar muitas pessoas em Corinto, Trôade, Éfeso e outras cidades. Paulo começou com o que dispunha. Algumas vezes, pensamos que, para mudar as circunstâncias espirituais do nosso bairro, da nossa cidade, precisamos de coisas grandiosas. Podemos começar com pequenos projetos, e Deus fará grandes coisas.

>>Autor do Estudo: Pr. Silas Arbolato da Cunha

>> Estudo publicado pela Editora Cristã Evangélica, usado com permissão.

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Um comentário para “O desafio das grandes cidades”

  1. Edilson Aranda 10 de outubro de 2016 at 11:32 #

    MUITO OPORTUNA, EDIFICANTE E ATUAL. QUE DEUS NOS LEVE A ALCANÇAR NOSSAS CIDADES DE FORMA PIEDOSA E ESTRATÉGICA

    .S.D.G.

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