A lei da graça

A lei da graça

SÉRIE REVISTA ULTIMATO
Artigo: O cumpridor da lei morreu pelos descumpridores da lei, por Elben César

 

Texto básico: João 8.1-11

Textos de apoio
– Gênesis 18. 16-33
– Isaías 55. 6-13
– Jonas 3.10 – 4.12
– Mateus 5. 17-20
– Romanos 3. 9-31
– Gálatas 3. 19-29

Introdução

Não existe uma “equação” que possa explicar a complexa relação entre a lei e a graça. Ao tentarmos estabelecer algum mecanismo de explicação e controle, sempre nos faltam as certezas e sobram os mistérios. Seria porque a graça sempre nos surpreende? É provável.

Talvez a única afirmação que possamos fazer com alguma segurança é que nós, seres humanos, temos uma certa tendência a sermos mais legalistas do que graciosos.

No nosso texto básico, Jesus nos revela sua autoridade exclusiva e sua plena justiça ao ter que arbitrar o caso de uma mulher pega em adultério. A lei já previa uma punição capital, mas a presença ali da graça em forma de gente mudaria para sempre a história daquela mulher e a nossa. Jesus não se torna refém da “armadilha” dos líderes religiosos, mostrando uma vez mais que a lei foi feita para o ser humano, e não o ser humano para a lei.

O que podemos aprender com o Mestre a partir deste relato? Será que existe um caminho possível onde a lei e a graça estejam reconciliadas, e agindo conjuntamente para a transformação e libertação do ser humano? Poderia a lei nos conduzir em direção à graça salvadora de Cristo, e esta por sua vez nos conduzir à lei santificadora de Cristo?

Para entender o que a Bíblia fala

  1. Do que nós já conhecemos, o que é possível dizer sobre o caráter e as motivações daqueles que trouxeram a mulher até Jesus (v. 3)? Sendo homens tão zelosos pelo cumprimento da lei, será que a preocupação deles era realmente que a justiça fosse feita (vv. 4-6a)?
  1. Obviamente aquela mulher era culpada, pois havia sido apanhada em flagrante. Ainda assim, você consegue perceber sinais de injustiça em toda esta situação (ver também Deuteronômio 22. 22-23, e Levítico 20.10)?
  1. Será que aqueles homens esperavam alguma orientação diferente da parte de Jesus (vv. 5-6a)? De que maneira esta “orientação diferente” poderia se tornar um motivo para acusá-lo diante das autoridades religiosas (sinédrio)?
  1. Não temos como saber o que Jesus escreveu no chão (vv. 6b, 8). Mas o fato é que, após a insistência dos escribas e fariseus, Jesus decretou uma “condição” para o prosseguimento do apedrejamento. Esses homens frequentemente se auto declaravam justos diante de Deus. Por que você acha que eles foram embora sem apedrejar a mulher (vv. 7-9)? Como a postura legalista e sexista deles foi exposta?
  1. Como você descreveria a atitude de Jesus em relação à mulher (vv. 10-11)? É possível identificar na postura de Jesus uma relação saudável entre a graça (perdão) e a lei (santificação)?

Hora de Avançar

O criador da lei se tornou o cumpridor da lei e morreu por nós, os descumpridores da lei. (William Graham Tullian, citado na Abertura)

Para pensar

Obviamente o adultério não é o tipo de coisa que se pratica sozinho. Por isso, é no mínimo suspeito que os acusadores tenham trazido apenas a mulher, uma vez que o ato foi desmascarado em flagrante.

O próprio texto deixa claro qual era a motivação principal dos acusadores da mulher flagrada em adultério. Provavelmente a expectativa deles era a de que Jesus se colocasse contra a lei de Moisés; assim ele perderia o apoio popular e se tornaria um alvo fácil da patrulha religiosa.

Mas não é isso que acontece. O renomado estudioso do Novo Testamento F.F. Bruce diz que “Jesus não estabelece modificação alguma na lei mosaica que exigia a morte por apedrejamento para o tipo de transgressão que esta mulher tinha cometido. Ele simplesmente estabelece que as pessoas que em si estavam sem pecado (inculpáveis, podemos supor, com respeito a este tipo específico de pecado) seriam realmente as mais apropriadas para assumir a responsabilidade de executar a sentença. Não poderia haver exceção para esta regra, mas na prática ela torna a execução impossível” (João: Introdução e Comentário, 1987, Edições Vida Nova).

O que disseram

Jesus leva o pecado mais a sério do que qualquer pessoa, mas responde a ele de uma forma diferente do que a maioria. Ele não condena, rejeitando o pecador; ele não tolera, ignorando o pecado. Ele perdoa. (Eugene Peterson, Um ano com Jesus, Ultimato) 

Para responder

  1. O que podemos aprender neste estudo sobre a atitude de Jesus conosco, quando nos encontramos prostrados e derrotados pelo pecado? E, por outro lado, como isso influencia a maneira como devemos perdoar e acolher outros pecadores?
  1. De que maneira o exemplo de Jesus nos mostra que a natureza do pecado é muito mais relacional do que legal? Essa consciência nos dá mais força para resistirmos ao pecado?

Eu e Deus

A ti Senhor, que conheces
os abismos da consciência humana,
poderia eu esconder algo,
ainda que não quisesse confessar-te?
Eu poderia esconder-te de mim,
mas nunca esconder-me de ti!
Tu, que nunca abandonas as obras começadas,
completa o que em mim há de imperfeito.
     (Agostinho, bispo do séc. IV)        

Autor do estudo: Reinaldo Percinotto Júnior

Este estudo bíblico foi desenvolvido a partir do artigo O cumpridor da lei morreu pelos descumpridores da lei, do pastor Elben César, publicado na edição 361 da revista Ultimato.

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