Em resposta a cinco teses políticas do teólogo reformado Franklin Ferreira

 

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Como ser liberal e conservador ao mesmo tempo? Simples, basta que ambas as palavras se refiram a esferas[2] diferentes do mundo, e da vida, que a conta fecha. Ou pelo menos convence boa parte dos leitores e do público evangélico em geral. Essa parece ser a nova posição defendida pelo teólogo brasileiro Franklin Ferreira: teologicamente conservador (ortodoxo, ou reformado); e politicamente liberal – no sentido econômico, apenas. Nesta série de textos, vou responder aos cinco principais argumentos de Franklin em alguns de seus posts recentes[3] na revista Teologia Brasileira, demonstrando a fragilidade conceitual de sua posição. Nestes textos o autor procura fazer um convite aos cristãos para adesão a um sistema ideológico: o liberalismo econômico. Isso fica claro ao ler ao menos dois de seus textos em sequencia. O primeiro post a que me refiro, abre o tema com uma comparação limitada entre os conceitos atuais de “esquerda” e “direita”. Já o segundo, onde o autor revê e atenua algumas de suas posições no primeiro, se encerra com uma bela citação do teólogo neo-ortodoxo Karl Barth, alertando os cristãos para os perigos de se permitir que uma posição sócio-política – ou ideológica – seja superior a sua própria fé. Finalmente, coloca em pauta o objeto de pancadaria do autor: socialismo, segundo ele, “visão de mundo rival do cristianismo”.

 

Contudo, gostaria de deixar bem claro que todos os argumentos aqui expostos se dirigem contra as ideias do autor a quem me refiro, e não contra sua pessoa. Isso deveria ser óbvio mas, nesse caso, merece ser dito preliminarmente, por uma simples razão: considero o teólogo Franklin Ferreira um amigo pessoal – um irmão. Fui seu discípulo – no sentido integral em que a palavra é empregada no contexto protestante brasileiro. Quando adolescente, e ainda recém convertido ao Cristianismo, me juntei a um seleto grupo de quatro jovens com quem o então seminarista Franklin Ferreira organizava estudos bíblicos e debates teológicos, exibição de filmes e futebol – as duas últimas atividades contavam com um grupo maior de 20 pessoas…afinal, não é fácil chamar jovens para ler e discutir um catecismo numa sexta-feira a tarde. Além disso, se trata de um autor exemplar: ainda novo, sua obra já conta com inúmeras publicações, dentre elas uma das poucas obras de Teologia Sistemática escrita por um autor brasileiro.

 

Confesso, ainda, ao iniciar essa série de postagens no Dignidade!, que relutei muito em responder a Franklin: talvez pelo peso de telo tido como referencia teológica; ou talvez pelo simples trabalho de articular uma resposta aos seus textos – que trazem referencias de primeira e segunda mão meticulosamente trabalhadas, exigindo esforço de quem se presta a uma resposta. Mas decidi encarar a tarefa por dois motivos. Em primeiro lugar, porque há aproximadamente 6 anos, travei um longo debate com o autor e outros interlocutores, neste tema – um debate que se estendeu por quase 3 anos, e de onde parece ter se originado boa parte dos argumentos que ele levanta nos seus textos atuais. O debate havia se iniciado pelo incomodo que senti, a época, ao ver que dois ou três líderes eclesiásticos influentes no meio dito cristão reformado, aderiam sem reservas as ideologias neoliberais disponíveis no mercado político norte-americano – no caso aderiam ao que se denomina republican and conservatives, nos EUA.

 

Em segundo lugar, a resposta segue porque boa parte dos argumentos que ele traz acabam se reproduzindo para dentro e além deste universo cristão reformado, um contexto no qual cresci e do qual boa parte dos meus amigos faz parte – jovens que ele ataca como parte de uma “Geração Coca-cola”, e que recentemente utilizaram destes argumentos em discussão comigo nas redes sociais. Aliás, ambos os textos chegaram a mim por parte deles: um me acusou de ser um cidadão de “classe média alta” que não sabe nada do Brasil, por gozar de uma bolsa no exterior; e o outro, equiparava nazismo e comunismo, atacando o governo atual, petista, como sendo mais ou menos as duas coisas ao mesmo tempo. Mas vamos aos textos.

 

Em Espectro político, mentes cativas e idolatria, Franklin defende, como tese central, a ideia de que é praticamente impossível ser cristão e socialista. A opção política pelo socialismo, além de ser sempre a escolha por um regime político autoritário – e assassino –, seria um tipo de heresia que substituiria, necessariamente, Deus pelo Estado. Já no segundo texto, Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho, após atenuar alguns dos argumentos do primeiro texto – revisitando, por exemplo, o Diagrama de Nolan[4] –, o autor sustenta que não há partido propriamente “de direita” no Brasil, e até que nunca houve um governo de fato liberal na história do país…

 

Franklin faz isso através de cinco teses centrais, que passo aqui a explicitar, e rebater:

 

1) a direita não pode ser autoritária: ao colocar o indivíduo e a garantia as liberdades individuais em primeiro plano, não haveria possibilidade de um regime ser ao mesmo tempo autoritário e de direita.

 

Os regimes políticos geralmente classificados como extrema direita, para Franklin, o são por equívoco, por uma mera “contradição entre definição conceitual e realidade histórica”: a direita, digamos, pura, seria somente aquela que adere ao liberalismo econômico, garantindo propriedade privada, direitos individuais e eleições livres aos cidadãos. Por outro lado, nessa leitura, todo totalitarismo seria “esquerda”, no qual se encaixariam tanto os regimes comunistas, como os nazistas e fascistas. A estratégia do autor é tentadora: ao adotar um conceito diferente de direita e esquerda, a primeira aparece como a única opção realmente democrática.

 

É com essa perspectiva que Franklin comete seu primeiro erro conceitual: há uma diferença significativa entre totalitarismo e autoritarismo que passa batida pelo texto do autor. Embora ele faça citações[5] que fazem o leitor acreditar que compreende a diferença entre os termos, Franklin se detém apenas a explicar o primeiro, totalitarismo, ignorando o segundo, o autoritarismo – o mais relevante para compreendermos a associação entre fascismo e liberalismo econômico na América Latina, como vou argumentar mais a frente. Totalitarismo, em linhas gerais, se refere aos regimes políticos de partido único, onde o Estado molda toda a sociedade e a absorve em si; enquanto autoritarismo se refere a práticas e governos antidemocráticas, de poder concentrado num indivíduo (ditador) ou numa junta governamental – ou ainda, em monopólios e oligopólios corporativos –, e que podem existir ao mesmo tempo que práticas de livre mercado e eleições relativamente livres.

 

No entanto, ainda que ignorássemos o erro conceitual de Franklin no debate, sua estratégia de adotar um novo conceito para salvar sua posição política cai por terra facilmente, diante da realidade histórica. Isso fica mais claro no segundo texto que analisamos aqui, quando observamos o uso que o autor se propõe a fazer do Diagrama de Nolan que, por sua vez, demonstra a possibilidade de uma posição política, por exemplo, libertária e de esquerda (nesse caso, por definição, anarquista). Mesmo diante do esquema visual, o autor insiste em ignorar a existência desse tipo de posição. Para ele apenas a direita – em estado hipoteticamente puro e liberal, como veremos a seguir – é capaz de garantir um bom estado e governo.

 

Por outro lado, a tese teológico-política central de Franklin parece ignorar também a existência e as consequências do que podemos chamar de uma “teologia política”[6] secular: algo que tem ocupado o centro dos debates da teoria política e do direito público, durante praticamente todo o século XX. Mas não há nenhuma menção nos textos de Franklin, por exemplo, as obras de Carl Schmidt[7], ao seu extenso debate com Hans Kelsen[8] sobre Constitução e Soberania e sobretudo – e talvez de maneira mais importante –, ao debate sobre o conceito de Estado de Exceção: justamente o dispositivo constitucional, ao mesmo tempo jurídico e político, que garante a possibilidade de regimes economicamente liberais (e supostamente democráticos) se tornarem autoritários, justificando a suspensão de garantias e direitos individuais fundamentais, em nome da segurança nacional e/ou da economia[9]. Talvez seja por ignorar a noção e o uso histórico (e mesmo recente, no caso brasileiro) de medidas de exceção; ou por ignorar qualquer tipo de teologia política que não seja aquela produzida por “crentes”, que Franklin acabe se confundindo, e não percebendo a possibilidade, a existência e as características históricas de um método liberal de governo autoritário.

 

Mas esses não são os únicos problemas com a primeira tese de Franklin. Ao tentar rechaçar um argumento de Paul e Raphael Freston[10] sobre o tema, o autor comete outro erro grave no debate político: atribui aos seus adversários o mesmo artifício que emprega. Franklin alega que os socialistas geralmente comparam o socialismo utópico com o capitalismo real, dando obviamente preferencia ao primeiro; quando deveriam comparar o “socialismo real” – no caso, os países ditos comunistas, alinhados com a antiga URSS – com o capitalismo real. Entretanto, Franklin parece fazer exatamente a mesma coisa em sua defesa do liberalismo econômico e, por tabela, do sistema capitalista de produção: ele compara os países comunistas decadentes ao que podemos chamar de um liberalismo utópico. Nesse ponto, sua teoria (ou teologia) parece se deslocar completamente da realidade, ignorando que países liberais tiveram – e tem! – colônias, que impuseram sua força e dominação a outros países de maneira pecaminosa, exterminando povos, culturas e civilizações em nome da introdução e defesa do seu “livre mercado”. Parece que casos de autoritarismo e tortura em solo nacional, assim como o financiamento de ditaduras e do terrorismo internacional por países economicamente liberais, como os Estados Unidos da América (EUA), ou o Reino Unido (UK), nunca existiram para Franklin – apenas a título de exemplo, vale lembrar o envolvimento do Reino Unido nos casos de tortura de irlandeses tanto em processo aberto ainda na década de 1970, e reaberto recentemente, sob o título Ireland v UK (Five Techniques)[11], quanto no famoso caso The Guilford Four[12]; do lado dos EUA, há inúmeros casos que poderiam ser citados aqui, mas para os propósitos deste texto, gostaria de relembrar apenas, o assassinato do Comandante do Exército Chileno, o General René Schneider[13], e o atual e problemático caso de Guantánamo, um campo de concentração pós-moderno.

 

Punch_Rhodes_Colossus - http-::en.wikipedia.org:wiki:Cecil_Rhodes

(Imagem: O Colosso de Rhodes – The Rhodes Colossus, de 1892: charge retratando Cecil John Rodes, esticando seus pés e poderio sobre o continente Africano. Cecil John Rodes foi empresário e político, ferrenho defensor do Império Britânico e da superioridade racial branca, e membro do Partido Liberal no Reino Unido)

 

No plano internacional, o que Franklin faz nos textos é equipar um liberalismo teórico e ideal ao stalinismo soviético da pior espécie. Sua posição não dá conta das críticas contemporâneas ao modelo de capitalismo atual que vem da própria direita; nem aquelas que tem origem na esquerda democrática, ou socialista. Como exemplo de uma crítica do primeiro grupo, poderíamos citar a noção de Croony Capitalism[14] (ou capitalismo de conchavo), cunhada pela direita libertária estadunidense, que descreve o estado atual do capitalismo sob o liberalismo real, concreto, como sendo um sistema que impede a própria livre concorrência e igualdade de oportunidades no mercado: sempre em benefício de grandes corporações e empresas, capazes de alterar as regras do jogo político (e do mercado) em busca de lucro.

 

Da mesma forma como Franklin não concebe que possa haver uma esquerda democrática, também não dá a devida atenção as críticas oriundas deste campo do espectro político, que demonstram a existência e as características de movimentos sociais e regimes de direita autoritários, capazes de articular elementos ao mesmo tempo fascistas e economicamente liberais[15] em suas cartilhas. Um bom exemplo dessa posição é o conceito de Friendly Fascism[16] (ou Fascismo “gente boa”) desenvolvido pelo cientista político norte Americano Bertram Gross, para explicar a problemática situação política dos Estados Unidos da América. Segundo Gross, o fascismo-gente-boa ocorre quando um governo é dominado por uma oligarquia formada por grandes corporações que trabalham apenas para expandir seus poderes e privilégios em detrimento da constituição, e sem se importar com as consequências econômicas disso para a maior parte da população. Embora o domínio de corporações sobre uma sociedade economicamente liberal possa guardar semelhanças teóricas com a noção de corporativismo[17], defendida no fascismo italiano, o autor faz questão de deixar claro que esse fascismo-light não nos dominará utilizando camisas pretas, partidos de massa ou homens a cavalo; ele será conduzido por executivos, cartões de crédito e “torta de maçã”: será um “fascismo sorridente”. Da mesma maneira, a subversão da democracia constitucional também não ocorreria de forma violenta: mas sim, pela lenta, gradual, segura e silenciosa usurpação de direitos e liberdades do povo – ou, como argumenta Giorgio Agamben, pela simples decretação de um estado de exceção, capaz de colocar a democracia “em suspenso”.

 

You pay the richNesse sentido, é interessante observar como os ideais utópicos do liberalismo econômico[18] se distinguem do fenômeno que foi denominado de neoliberalismo[19], no período final da Guerra Fria. Os governos tachados de neoliberais, com frequência foram também – pelo menos no uso retórico do termo –, acusados de fascismo. Tanto os governos de Margareth Thatcher, quanto os governos de seus aliados como Augusto Pinochet[20], Ronald Reagan e, posteriormente, George Bush, foram governos economicamente liberais e politicamente conservadores – ao ponto de se entrecruzar com posições fascistas –, e que certamente contribuíram para a caracterização do atual modelo de fascismo-boa-praça que nos cerca.[21]

(Imagem: “Você paga seus impostos para que os ricos e suas empresas não precisem mais pagar!”)

 

A direita liberal real, é aquela que implementa medidas de segurança autoritárias, suprime liberdades fundamentais e garante os privilégios de corporações, mesmo que em detrimento da livre concorrência e da igualdade de oportunidades – aliás, estes dois últimos motes, recentemente, se tornaram lemas de grupos que estão a esquerda do espectro político. Como já argumentei antes[22], em referencia as eleições estadunidenses de 2012, quem defende de verdade os mais pobres, a classe media e a pequena burguesia, hoje, é a esquerda que se representou, ainda que efemeramente, em Occupy Wall Street. A direita economicamente liberal norte Americana – no caso, conservatives e republicans –, e mesmo a europeia, é formada quase que por uma classe social híbrida, uma espécie de aristocracia-burguesa que na verdade não produz, vive de renda e de lucros de commodities e, por isso, não paga impostos – ou tenta não pagar impostos. Gente que não sabe quanto as coisas custam no dia-a-dia do povo, simplesmente porque nunca precisou saber, nunca viveu os altos e baixos dos serviços públicos e do mercado.

 

Por: Marcus Vinicius Matos[1]

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Notas:

[1] Marcus Vinicius Matos é doutorando em Direito pelo Birkbeck College, na Universidade de Londres, onde leciona Teoria do Direito (Legal Theory II and II) e Direito de Propriedade  (Property Law I – Land law). É também líder do ministério estudantil na igreja All Souls, em Londres.

[2] Utilizo aqui a palavra no senso comum, embora reconheça que a noção de “esfera” tenha um significado particular no pensamento reformando e nos meios intelectuais conservadores – especialmente no que se refere a obra de Abraham Kuyper. Para entender o uso reformado do termo, ver: Kuyper, Abraham. Calvinismo, São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2002

[3] Nessa série de posts no blog Dignidade!, responderei a diversos argumentos de Franklin Ferreira que se encontram em 3 posts diferentes. A maioria dos argumentos, no entanto, se encontram nos seguintes posts: “Espectro político, mentes cativas e idolatria”, disponível em: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=381 ; E, com especial atenção também ao post “Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho”, disponível em: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=392

[4] O Diagrama de Nolan é um esquema visual de autoria do cientista político Estadunidense, David Nolan. O esquema se propõe a demonstrar posicionamentos políticos em termos visuais. Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Diagrama_de_Nolan

[5] Me refiro a nota de número 3 no artigo “Espectro Político, mentes cativas e idolatria”, disponível em http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=381. Nesta nota, Franklin cita a obra “As Origens do Totalitarismo” (1979) de Hannah Arendt, e é a partir desta definição, que baseia suas acertivas a respeito do que é totalitarismo. Nesta obra, que está centrada no contexto europeu, o conceito de “totalitarism” aparece inúmeras vezes, como é óbvio; mas a palavra “authoritarianism”, aparece apenas uma vez (p.364), exatamente para reforçar a importancia em distinguir os dois fenômenos: “The so-called ‘leader principle’ is in itself not totalitarian; it has borrowed certain features from authoritarianism and military dictatorship which have greatly contributed toward obscuring and belittling the essentially totalitarian phenomenon”. Ou seja, mesmo Arendt reconhece que há uma diferença entre regimes totalitários e ditaduras militares. Em nenhum lugar no texto, porém, Franklin chega a explicitar o que é autoritarismo, o que prova que nestes textos, o autor se utilizou apenas dos conceitos que fortalecem suas teses – ainda que diminuindo sua credibilidade para o contexto da América Latina.

[6] Essa tese é formulada primeiramente por Carl Schmitt, para quem “Todos os conceitos da Teoria do Estado Moderna são conceitos teológicos secularizados”. Ver: Schimitt, Carl. A Teologia Política, Del Rey, 2006, p.35.

[7] Schmitt foi um acadêmico alemão, católico e conservador, considerado até hoje um dos maiores críticos do liberalismo (político e econômico). É também o jurista a quem se atribuem muitas das formulações jurídico-políticas do nacional-socialismo – como aponta seu ex-aluno e crítico Franz Neumann. De acordo com Neumann, Schmitt teria protagonizado uma atuação política muito maior do que o papel de intelectual que comumente lhe atribuem, rearticulando o empresariado liberal alemão para apoiar o Nazismo através das promessas de monopólio do regime. Nesse sentido, ver: NEUMANN, Franz. Beremoth – pensamiento y acción en el nacionalismo-socialismo. México: FCE, 1943, p.63.

[8] Nesse sentido, ver: Suganami, Hidemi. Understanding sovereignty through Kelsen/Schmitt. In: Review of International Studies. V.33, Issue 03. Cambridge Journals Online, 2007.

[9] A discussão sobre as implicações do Estado de Exceção é extensa, e mobilizou autores como Carl Schmitt, Walter Benjamin, e Hans Kelsen, dentre outros. A leitura mais recente e interessante do problema, bem como a descrição detalhada das inúmeras decretações e do uso do dispositivo na Europa no periodo entre guerras, foi feita por Giorgio Agamben. Cf: AGAMBEN, Giorgio. Estado de excecao. Sao Paulo: Boitempo, 2004.

[10] Me refiro ao artigo “De esquerda ou de direita, sejamos inteligentes e cristãos”, publicado pela Revista Ultimato e disponível online em: http://www.ultimato.com.br/conteudo/de-esquerda-ou-de-direita-sejamos-inteligentes-e-cristaos

[11] Trata-se de processo envolvendo o uso deliberado de técnicas de tortura contra prisioneiros em métodos que relembram – ou inspiram – os que foram utilizados recentemente na Guerra do Iraque, em Abu Grahib, pelos EUA. Para maiores informações sobre o processo, a página da Wikipedia no caso tras links diretos: http://en.wikipedia.org/wiki/Five_techniques

[12] Este processo ficou famoso quando posteriormente foi retratado no filme estadunidense “Em nome do Pai”. Mas os casos a que os filme se referem ocorreram sob vários processos, e maiores informações no original, podem também ser encontradas a partir de visita a página Wiki: http://en.wikipedia.org/wiki/Guildford_Four_and_Maguire_Seven

[13] Segundo documentos da CIA, o general Chileno foi assassinado por militares de direita, naquele que foi o maior atentado terrorista contra autoridades Latino-americanas financiado e arquitetado – com doação de armas -, pela Emaixada Americana no Chile, em 1970. Cf: Elio Gaspari, A Ditadura Escancarada, 2a edição, 2014.

[14] Para uma definição do termo é útil o artigo de Peter Schweizer intitulado “A crise moral do capitalismo de conchavo”, publicado na revista liberal Religion & Liberty, disponível em: http://www.acton.org/pub/religion-liberty/volume-23-number-1/moral-crisis-crony-capitalism . A crítica cai como uma luva ao discurso economicamente liberal e politicamente autoritário que sempre foi a tônica dos partidos políticos liberais, no Brasil – argumento que desenvolverei mais a fundo nos próximos posts neste blog.

[15] O argumento de Franklin de que se posicionar em defesa apenas do liberalismo econômico não passa de estratégia retórica que, ao ser analisada nos detalhes, e associada aos problemas comuns de tradução, apenas ajudam a confundir os leitores. Neste sentido, é importante esclarecer que nos EUA, o adjetivo “liberal” geralmente se refere a grupos associados ao partido Democrata, que no espectro politico está na esquerda daquele país, junto com os intitulados “progressist”. O liberalismo economico defendido por Franklin, na realidade, está muito mais próximo de uma posição conservadora, do que propriamente liberal, deste ponto de vista. Por outro lado, a afirmação de que regimes fascistas são esquerda não subsiste a uma investigação histórica rigorosa, sem que sejam alteradas os sentidos básicos em que os conceitos foram utilizados. Da mesma forma, a relação entre partidos políticos e movimentos sociais de extrema direita, no início do século XX é quase que explicita, se analisarmos o que sobra neste campo após a queda dos regimes fascistas, no pós-guerra. Nesse sentido, ver: Cf. Peter Davies, Derek Lynch. The Routledge Companion to Fascism and the Far Right, 2002

[16] Cf. Bertram Gross, Friendly Fascism: The New Face of Power in America, South End Press – Boston, 1999.

[17] A Itália, no período anterior a Segunda Guerra Mundial é um exemplo contundente de como proposições do liberalismo econômico podem ser combinadas com a ideologia fascista: “Os industriais italianos desenvolveram uma ideologia produtivista liberal-tecnocrata bastante sofisticada, que constituiu um núcleo ao qual eles permaneceriam constantemente e impressionantemente fiéis, antes, durante e mesmo depois do Fascismo. Diferentemente dos Alemães (…), os industriais Italianos eram profundamente ideológicos e, de fato, interviram ideologicamente na construção de um sedutor estado Fascista. Quando eles, também, foram forçados a se acomodar ao regime Fascista, o fizeram de uma posição de relativa autonomia e força, redefinindo a seu favor noções básicas, e ambíguas, dos princípios Fascistas, como o corporativismo” (Prefácio, p. x). Cf. Franklin Hugh Adler, Industrialists from Liberalism to Fascism: The political development of the industrial bourgeoisie, 1906-1934, Cambridge University Press – Cambridge, 2002. Tradução livre do autor.

[18] Há uma contradição e distancia gigantesca entre o que defendem os politicos liberais e os ideais do liberalismo utópico – contradições que são explicáveis pelo papel do capital na teoria marxista. Me refiro aqui a alguns principios do liberalismo clássico, como por exemplo, o Princípio da Utilidade, conforme proposto por Jeremy Bentham, que deteremina que o dinheiro pode ser mais útil nas mãos do pobre, do que do rico. Cf: Bentham, Jeremy. Principles of Moral and Legislation, 1979, pp.14-26; ou, ainda, a noção de que o trabalho e seu fruto devem ser, sempre e inquestionavelmente, propriedade do trabalhador, conforme proposto pelo próprio John Locke. Cf. Locke, John. Two Treatises of Government, CUP, 1965, pp. 326-330.

[19] O termo neoliberal pode facilmente ser equiparado a designação de neoconservador (neocon), conforme utilizado nos EUA. Embora naquele país possam haver diferenças significativas entre as duas posições, na América Latina, em geral, as duas se equiparam na defesa da economia de livre mercado associada a medidas autoritárias de controle político.

[20] A ditadura chilena de Augusto Pinochet foi uma autentica ditadura autoritária, e economicamente liberal. Suas relações com o governo de Thatcher no UK são amplamente conhecidas e, foi por conta disso que o ditador resolveu se tratar de saúde no Reino Unido. Neste sentido, ver: http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk_politics/467114.stm Em uma dessas visitas, teve sua prisão decretada pela Corte Internacional de Direitos Humanos e, não fosse por uma tecnicalidade processual – o teste de bias aplicado a House of the Lords, na época –, teria sido extraditado para julgamento. Os detalhes do caso podem ser encontrados nos seguintes processos: Bartle and the Commissioner of Police for the Metropolis and Others, Ex Parte Pinochet, R v. [1998] UKHL 41; [2000] 1 AC 61; [1998] 4 All ER 897; [1998] 3 WLR 1456 (25th November, 1998); Pinochet, In re [1999] UKHL 1; [2000] 1 AC 119; [1999] 1 All ER 577; [1999] 2 WLR 272 (15th January, 1999); Pinochet, Re [1999] UKHL 52 (15 January 1999); Commissioner of Police for the Metropolis and Others, Ex Parte Pinochet [1999] UKHL 17 (24 March 1999).

[21] Aliás, importa mencionar, há até quem faça um paralelo direto e explicito entre os discursos e propostas utilizados por partidos e pessoas nessas posições, e aqueles dos fascistas do passado. Nesse sentido ver: Joseph Burrell, Republican Treason: Republican Fascism Exposed. Algora, 2008

[22] Me refiro ao texto “Entre o Homem de Lata e a Dama de Ferro”, onde tracei uma comparação entre as imagens produzidas pelo cinema popular contemporâneo, reconstruindo a imagem de Margareth Tatcher quase como uma “progressista”. O filme foi lançado durante o ano eleitoral estadunidense; e, de certa forma, associado a campanha presidencial do candidato republicano estadunidense, Mitt Romney. Disponível em: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=855

  1. sua argumentação é bem elaborada, mas me parece também ter cometido equivocos conceituais entrelinhados colocados de passagem no meio do seu pensamento. para min não ficou claro como conciliar uma posição socialista com o cristianismo com toda a história da esquerda já conhecida. e também não disse que a esquerda pode ter atitudes fascistas.. espero ler mais coisas suas..abraços..

  2. Hummm…
    pelo que entendi, não é uma ‘direita’ ou ‘esquerda’ que se define na visão do autor. Mas, se parece do bem, defende os pobres, luta pela justiça é esquerda; se é pelos ricos, pela burguesia, é direita, é isso? Ou seja, cada um será taxado de acordo com o que demonstra, com isso, jamais alguém pode se declarar de direita e lutar por justiça???
    E, a partir desta colocação: “A direita liberal real, é aquela que implementa medidas de segurança autoritárias, suprime liberdades fundamentais e garante os privilégios de corporações, mesmo que em detrimento da livre concorrência e da igualdade de oportunidades – aliás, estes dois últimos motes, recentemente, se tornaram lemas de grupos que estão a esquerda do espectro político”, concluímos que o Brasil é atualmente governado por uma direita liberal?

    • Caro Ricardo,
      Obrigado pelo comentário, mas essas inferências são suas, mas não estão presentes no texto – como leitor, tem o direito de fazê-las. Suas duas conclusões “jamais alguém pode se declarar de direita e lutar por justiça” e “o Brasil é atualmente governado por uma direita liberal” não me parecem ser possíveis de serem retiradas do texto.

  3. “Reflexões Sobre o Direito À Propriedade – Condição de Liberdade”, por Denis L. Rosenfield, gaúcho de ideias próprias, deveria ser livro de cabeceira de Marcus Vinicius Matos, aparentemente especialista em citar fontes secundárias.

  4. O artigo me parece revelar, de forma convincente, que a direita, assim como a esquerda (explícita e amplamente conhecida – daí o aparente silêncio) , no momento histórico atual, tendem a escolher métodos não violentos de imposição ideológica por meio de revolução cultural gradual.
    Acredito que o autor não nega que haja autoritarismo de esquerda. Procura apenas mostrar que não é uma ímpar conexão necessária. Se ele focaliza a denúncia da direita é porque é o menos óbvio no cenário evangélico atual. Mas talvez seja útil, neste sentido, se o autor “chovesse no molhado”, para explicitar isso aos leitores menos atentos.

    • Caro Rodrigo,
      Obrigado pelo comentário!
      De fato, tanto autoritarismo quanto totalitarismo podem se manifestar na esquerda ou na direita do espectro político. Não concordo no entanto com a sua idéia de uma “imposição ideológica”, mas vou discorrer sobre isso nos próximos posts dessa série. Novamente, grato pelo comentário.

  5. Equipe do Blog Dignidade!

    Prezados e prezadas,
    Informamos que o blog é moderado e não serão aceitoso comentários ofensivos contra os autores ou a revista.
    A discussão de idéias e conceitos, por outro lado, é bem vinda.
    Att.

  6. Que bom!
    Assim, quando a gente postar, como já fiz “n” vezes, inclusive em um primeiro artigo, nunca publicaram. Continuarei a achar que o blog é eivado de esquerdismo. Criticaria do mesmo jeito de fosse da direita.

    Agora, seria muito interessante vir a público dizer o que é ofensivo, assim, o comentarista poderá pautar pela correição. Se deixar em ‘aberto’, o primeiro ‘colaborador’ de plantão bem poderá não gostar.

    Mais a mais, não se deve, a meu sentir, jungir filigranas com verdadeiros comentários que poderão soar como ofensivo e não o são.

    • Caro Eduardo,
      Em comentários anteriores – que não foram e não serão publicados – o senhor utilizou palavras como “simplório”, “babaca”, “babaquice”, dentre outras de baixo calão, atribuídas ao autor do post e a revista.
      O bom senso basta para saber o que são e o que não são comentários ofensivos e que “soam” ofensivos ou não contra pessoas e instituicões.

    • A discussão de idéias e conceitos, por outro lado, é bem vinda.
      Att.

      Tá, e essa do Marçal? Qual foram as ‘ideias’ e ‘conceitos’? Percebem que o clubizinho da esquerda não consegue?

      • A alegria de muitos ‘clubezinhos’ assim é se divertir com a polêmica que acham causar, podendo rir do alto de seu brilhantismo frente aos pobres ignorantes que insistem em ideias diferentes, envoltos em seu obscurantismo ingênuo.
        A soberba é um mal a que todos devemos estar atentos. “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda” (Provérbios 16:18).

  7. Cada um tem a liberdade de defender a ideologia que escolheu para, com ela, diagnosticar a realidade e apresentar soluções. O autor do texto o faz a partir de seus óculos simpáticos à esquerda e ao socialismo. E, tem o direito de se expressar assim, da mesma forma eu, e outros, também temos o direito de discordar. Neste sentido, o espírito cristão deveria zelar pela postura que, independentemente das opçãos político-ideológicas de cada um, ainda consegue ver o outro como pessoa, imagem e semelhança de Deus, porém, ser caído, passível de erros e equívocos. Assim, somos todos aprendizes!

    • Obrigado, Ricardo, pelo seu comentário!
      É cada dia mais raro encontrar pessoas realmente dispostas ao diálogo e – por que não? – ao debate de idéias. Infelizmente, a reação humana (e carnal) imediata parece ser desqualificar o outro, que discorda de nós, moralmente ou pessoalmente. Neste texto, busquei, com todo cuidado, não fazer isso. Nesse sentido, seu comentário é excelente, pois reforça, para mim, que o caminho está correto.

  8. E como é que alguém acha conforto no liberalismo econômico sendo cristão, uma vez que o liberalismo está construído a partir de uma qualidade humana que o Evangelho insiste em condenar — o egoísmo. Os liberais não dizem que devemos esperar o pão não da boa vontade do padeiro, mas de seu interesse particular? Posso viver feliz com minha fé admitindo isso?

      • Não acho que o liberalismo se construa a partir do egoísmo, mas, que não nega esta realidade. Ou seja, admitindo o egoísmo (ou, na linguagem cristã, o pecado) busca-se pensar alternativas políticas e econômicas. Enfim, isso difere da vitimização e, mais de acordo com o cristianismo parte do princípio de que cada um é responsável e não meramente vítima.

  9. Caro Marcus,

    Depois de ler na íntegra seu artigo e o do Franklin Ferreira (Espectro político, mentes cativas e idolatria), me pareceu que sua análise foi bastante superficial, pobre e tendenciosa, que é exatamente a acusação que você faz contra o texto do Franklin.

    De fato, a definição sobre o que é esquerda e o que é direita dada pelo Franklin foi muito fraca, infelizmente. Também não concordo com a proposição de que a direita está mais alinhada com a fé cristã que a esquerda, ainda que o Franklin apenas projete uma inferência nesse sentido e não faça uma declaração explícita.

    No meio cristão mais intelectualizado, há um desejo, por parte de alguns, de identificar a direita ou a esquerda com a fé cristã. Claro, cada um defendendo sua visão pessoal. Mas, na realidade, nem esquerda nem direita estão alinhadas com a fé cristã.

    Para mim, duas características principais marcam um governo mais alinhado com o cristianismo: (1) a liberdade de culto (para qualquer fé) e (2) a igualdade social (ou, a diminuição da injustiça social).

    Há uma triste constatação na história recente, que, a liberdade de fé (ou culto) foi muito reprimida nos países que adotaram o comunismo (assim como nos países muçulmanos). Por outro lado, principalmente na América Latina, a injustiça social marcou os governos direitistas. Ou seja, ambos os modelos políticos têm conspirado contra o Evangelho.

    Alguns podem dizer que a democracia é um governo que se alinha à fé cristã. Ai eu pergunto: que democracia? A que se diz existir no Brasil?

    Ora, se formos intelectualmente honestos, admitiremos que, no Brasil, nunca existiu democracia. Achar que temos democracia apenas porque elegemos o presidente e o congresso é ser muito ingênuo.

    Democracia onde há voto secreto no congresso, onde a parte da população está mais preocupada com copa do mundo e carnaval (com aval do governo) do que com os reais problemas do país, onde temos os três poderes envolvidos até o pescoço em escândalo após escândalo? Isso nunca foi democracia.

    Para finalizar, no Brasil, nunca tivemos um governo social-democrata sério, isto é, um governo que se preocupe em resguardar as liberdades individuais e ao mesmo tempo repartir as riquezas. O PT está aí para provar isso, pois vive um esquerdismo demagogo, só de fachada, chamando até o ultra-direitista Maluf para dar as mãos e subir no palanque.

    • “Para finalizar, no Brasil, nunca tivemos um governo social-democrata sério…”.

      E nem pode.
      Social-democracia é expressão política que aparece na Europa, muito especialmente na Alemanha. É como dizer, Igreja Presbiteriana é uma igreja Reformada. Não é. Essa transmutação de lá (Europa) para cá (abaixo da linha do equador) descaracteriza a coisa.

      Aqui você assistirá um dos mais importantes ex-petistas e fiel esquerdista (em muita coisa, esclarecido), dizendo que não existe social democracia no Brasil https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=roda%20viva%20chico%20de%20oliveira . Assista, você vai gostar.

      • Eduardo,

        Ainda não vi o vídeo. Escrevi a frase que você citou pelo fato de que vários partidos dizem defender um governo socialista e democrata. Mas, é só falácia. Isso só serve para ganhar votos nas eleições.

        Meu avô foi comunista, membro do partido, há muito tempo (eu nem era nascido). Mas, minha mãe contava que ele se desiludiu ao ver a pompa em que vivia a nomenklatura soviética. Meu avô era uma pessoa idealista e séria, que estava o tempo todo socorrendo os necessitados, com seus próprios recursos, não com o dinheiro alheio.

        O que se vê no Brasil, como escrevi abaixo para o Marcus, é uma pseudo democracia socialista.

        • Por razões acadêmicas e até profissionais, sou obrigado a prestar muita atenção em palavras. Dou um exemplo:

          “Posso aceitar a análise gramatical, e não nego o conhecimento de um especialista. Recebo a crítica [minha] como um elogio à inovação e criatividade [a falta de]. O que vc [Eduardo, eu] combate é justamente o que devo fazer para ser original. Uma questão gramatical fechada, para mim, não pode existir. Com o questionamento das fontes que interpreto vc pode estar confessando que não as conhece [falo mais do que Inglês e domino o Latim]. O que o colega considero obscuro pode ser clareza para outros [isso é um problema ou porta aberta para besteiras]. Penso. Aguardo uma crítica menos preconceituosa, ideologicamente. (blog do pastor Derval Dasilio). O que vai entre aspas é meu.

          SE você disser para o pastor Derval que uma banana é uma banana, ele escreveria um tratado sobre o assunto, mas não diria que é uma fruta ou uma banana. Por exemplo, eu afirmo que ser comunista, torna o declarante incapaz de ser cristão. Fato. Se ele for cristão, não será comunista e vice versa. Fato.

          Ora, alguém pode descrever centenas de digressões sobre a palavra ‘comunista’, mas se alguém se declara comunista, e as declarações históricas e o comportamento ao longo da história oferecem um referencial, tanto para comunista como para cristão, simplesmente não dá. Ou se é virgem, ou não. Ou se está grávida ou não se está. EStou dizendo que as coisas limitam-se a isso? Claro que não, mas começa por aí.

          Estou dizendo que Derval é comunista? Claro que não.

          Estou dizendo que as palavras fazem sentido, e se não fizerem, tudo não passaria de um Curso de Massinha I e Massinha II.

          Banana é banana. A água ferve aqui e nos Andes, muito embora lá é um grau a menos. Mas a água ferve. As coisas fazem sentido. Têm que fazer.

          Aproveito aqui para acrescentar. A esquerda tem o péssimo hábito, e não incluo a direita porque se Marcus fosse da direita e escrevesse o que escreveu em seu artigo, seria por mim criticado, de usar da linguagem a seu favor porque ela em geral trabalha com conceitos fluídos, e porque é propriamente a única área que lhe resta, que faz das palavras e conceitos uma espécie de mascar chicletes.

          Daí a questão da SOCIAL DEMOCRACIA e o vídeo sugerido.

          Aquele senhor lá ainda é um esquerdista, mas ele tem respeito pelo sentido das palavras, em muitos dos momentos durante o vídeo. E quando um vagabundo intelectual lá mete-lhe na boca palavras que ele deve usar no seu dia a dia da periferia, Francisco corrige-o de pronto. Foi o caso de social democracia.

          E SÓCIO-DEMOCRACIA no Brasil não quer dizer SOCIAL-DEMOCRACIA como na Alemanha, por exemplo. Esquecem Portugal e Espanha.

          Fernando Henrique Cardoso é um democrata, e eu compraria um carro usado dele sem abrir o capô. E de Lula? Nem se ele me desse de presente! Seria presente de grego. Mas FHC é um social-democrata dentro de um partido, o PSDB que não é social democrata. No Brasil um democrata tem que se inventar e até falsear a história para sobreviver politicamente.

          Esse é o problema, “…vários partidos dizem defender um governo socialista e democrata.” Vou mais longe, é tão mentira quanto República DEMOCRATICA da Coreia do Norte ou República DEMOCRATICA do Congo, para ficar com dois exemplos.

          Mas é falsa também quando se lê que a Igreja tal e tal defende… e aí segue, em especial, a declaração de que a Bíblia é ‘inerrante’, aliás um oximoro perfeito. Não é, é falso. É falso porque basta demonstrar e o resto cai por terra.

          Então temos que, expressões usadas em partidos políticos e igrejas podem estar lá, em uns por pura mentira, em outros como alvo (PSDB não é alvo, é mentira) e em outros apenas como platitudes.

          Loureiro, eu prefiro a democracia brasileiro do que a venezuelana e a argentina. Para não dizer bagunças democráticas como Bolívia, etc. Tive que levar papel higiênico quando fui à Venezuela!

          Prefiro a democracia com Lula, Dilma, Eduardo Cunha, Renan, etc., porque ainda é possível experimentar algo bem próximo da democracia aqui. Dê uma volta pela America Latina, porém! Você vai achar isso aqui um paraíso democrático.

    • Prezado A Loureiro,

      Vc diz que minha análise é “superficial, pobre e tendenciosa”; e que mesmo a definição do Franklin sobre direita e esquerda é “muito fraca”. Sinceramente, só tenho como concordar com o “tendenciosa”: quase todos, dentre nós, que entramos nesse debate sobre fé cristã, esquerda x direita, temos uma posição quanto a isso. Nesse sentido, admito sim que tenho uma tendência nesse debate. O senhor mesmo tem uma tendência em desacreditar da democracia – pelo menos na forma como a temos no Brasil. Tudo bem, seu direito.

      No entanto, adianto que minha posição, ou tendência nesse caso, não é óbvia como pode parecer com esse primeiro texto – veja o desenvolver dos próximos textos na série.
      O que não posso concordar é que seja “superficial, pobre”. Superficial e pobre quanto a quê? As fontes consultadas/citadas? O desenvolvimento da argumentação? Questões textuais em si? Dado que isto é um blog de internet e não um texto acadêmico, é natural que alguns dos argumentos não sejam desenvolvidos completamente, mas não consigo ver de que forma este texto é “pobre” ou “superficial”- bem como o do Franklin, que resgata fontes um tanto desconhecidas no meio cristão brasileiro. Nesse post, respondi apenas uma das teses dele no assunto. Sugiro que aguarde o resto da série antes de descartá-la nesses dois adjetivos.

      Att

      • Caro Marcus,

        Concordo que exagerei ao definir seu artigo como pobre, porque, como você disse, ainda está incompleto. Entretanto, ainda que o artigo do Franklin esteja um tanto quanto confuso (faltou-lhe clareza para expressar as idéias), há várias observações que ele faz e que são pertinentes, as quais você desprezou.

        Exemplos:
        (1) é fato que os regimes de esquerda perpetraram os maiores homicídios do século 20. Não há como negar.
        (2) tais regimes, também foram os maiores perseguidores da Igreja (além do mundo islâmico) nesse mesmo período, chegando a Albânia a se declarar um Estado ateu (não simplesmente laico).
        (3) a esquerda não aceita diálogo. O partido que está no poder no Brasil há 12 anos, chega a cansar de tão infantil com sua tese que tudo que está dando certo no Brasil foi por causa deles e tudo que está errado foi por culpa da oposição (até o escândalo da Petrobrás).
        (4) a esquerda não é democrática. Eu corrigiria para “a extrema esquerda (na sua ideologia) não é democrática”. Ex.: o próprio PT, que se apresenta como extrema esquerda e que diz defender a democracia, através do seu líder máximo, o ex-presidente, só falta propor uma guerra civil, o tempo todo proclamando uma luta entre classes. É um dos maiores demagogos que já conheci.

        O artigo do Franklin é extenso e poderia citar outros pontos, mas meu comentário ficaria longo.

        De fato, não acredito na democracia que se diz existir no Brasil. Isto aqui é um país de privilégios, conchavos, fisiologismo, nepotismo, etc., menos democracia. É impossível haver democracia num país com uma das piores distribuições de renda do mundo, onde o voto é comprado via “programas sociais”, onde BBB e do Faustão são programas de grande audiência, e como falei, antes, os 3 poderes estão imersos em corrupção.

        Um país onde se vive a síndrome William-Moreira e onde o editor-chefe do telejornal de maior audiência diz que prepara as notícias tendo em mente o brasileiro padrão, que ele diz ser como o Homer Simpson, ou seja, um ignorante.

        Com haver democracia num país assim? Um país onde não existe nem sequer ideologia partidária, isto é, os partidos mudam seus programas e discursos a todo o instante, de acordo com os interesses e ambições pessoais ($$) dos que estão à frente. Infelizmente, o que vemos diariamente na nossa política é muita demagogia e cara-de-pau.

        • Olá A Loureiro,
          Creio que na minha resposta acima, ao questionamento do Jéfither, respondi alguns dos seus questionamentos.
          A única coisa que adiantaria é que “totalitarismo” não é incompatível com “democracia”. O regime nazista foi articulado como sendo um “ditadura do povo”, a partir de um “comissariado”. O parlamento alemão – representante do povo alemão – decidiu passar seus poderes ao Reich. Democracia pode se opor, do ponto de vista político, a noção de República – daí os partidos com esses nomes serem opositores por exemplo, no contexto dos EUA.
          Não vou me alongar aqui também, mas vários dos seus comentários serão respondidos nas próximas postagens.
          Obrigado!

    • “na realidade, nem esquerda nem direita estão alinhadas com a fé cristã”
      Muito bom! Qualquer cristão que não consiga enxergar isso, infelizmente, já está adentrando o fanatismo ideológico.

  10. Todos nós daremos contas por cada um de nós…então temos a responsabilidade e direito de nos posicionar como entender melhor…Lamento apenas a tendência, mesmo na Ultimato, de se direcionar a realidade dos fatos para a premissa de que “o monopólio das virtudes” pertence à esquerda…Se vc não se identifica com a esquerda, é reacionário, fascista, radical…entre outros menos votados…Isso, mesmo dentro do ambiente cristão…Os fatos, indiscutivelmente, mostram que a esquerda não tem virtude nenhuma…pelo contrário, os fatos mostram que, onde chega, pede votos aos pobres, dinheiro aos ricos…e mente para os dois…Sigamos a simplicidade do evangelho…

    • Caro Décio,
      Este post surge exatamente como o contrário: uma resposta a tendência, muito mais comum entre cristãos do que parece, de identificar que o “monopólio das virtudes” pertence a direita…essa parece ser, no entanto, a sua posição, já que vc defende que “a esquerda não tem virtude nenhuma”. Seu direito, faz parte do debate político democrático. Vou desenvolver melhor esses argumentos nos próximos textos da série.
      Obrigado pelo comentário.

  11. “A discussão sobre as implicações do Estado de Exceção é extensa, e mobilizou autores como Carl Schmitt, Walter Benjamin, e Hans Kelsen, dentre outros.” (Marcus).

    Kelsen é comigo mesmo.
    Como a maior parte dos leitores deste artigo do Marcus não vão ler, como eu faço, suas notas de rodapé, Hans Kelsen é leitura obrigatória deste Judeu Austríaco em nossa área. Kelsen é aquela pessoa que todo cidadão de herança Judaica aplaude por sua defesa do Julgamento de Nuremberg, enobrece a cultura do mundo Ocidental. Herdeiros como eu levanta a sobranchelha toda vez que lê muitas de suas ideias na área do Direito contrário a Kelsen nesta área, como faz Joseph Raz. Kelsen é o jurista que estabelece a ideia de ‘precedentes’, que não deve ser entendido como ‘exceção’ e que você meteu a palavra ‘Estado’ antes.

    Você tem futuro, Marcus, pelo menos ao citar um grande como Kelsen. Infelizmente você ’embrulhou-o’ num contexto que não faz justiça a ele. O que estraga seu visível crescimento acadêmico é este esquerdismo analítico troncho. Mas você é jovem. Há esperança.

    • Olá Eduardo, obrigado pelo comentário.
      De fato, Kelsen é um autor de primeiro escalão: o tamanho e a densidade da obra do cara fala por si só – embora eu não me considere um “herdeiro” dele, no mesmo sentido que vc.
      É curioso, no entanto, que no mundo Anglo Saxão, da Common Law, a obra dele tem pouca ou quase nenhuma penetração. O Positivismo Jurídico da Common Law bebe muito mais em J.Bentham, Austin e Hart, do que em Kelsen. E, na Common Law, a idéia de “precedente” – que corre pra frente e pra trás no direito deles, onde o juiz “faz lei”, é bem anterior a Kelsen. Mas isso não tem relação com a idéia do Estado de Exceção: isso é um debate longo, dele com C.Schmitt, depois atravessado pelo Benjamim.

      • Mas é claro que no direito consuetudinário Kelsen dança de saia curta!
        Direito brasileiro, e você sabe muito bem, não é consuetudinário e o americano nem tanto.

        A Louisiana tem sim, mas por razões peculiares, um ‘código civil’. Mas ‘who cares’ pela Louisiana?

        De resto, advogado formado na Califórnia nem pensaria, até por razões práticas também, advogar na Virginia, onde morei.

        Como você, se formado na Inglaterra, jamais poderia advogar no Brasil: direito positivado aqui, consuetudinário aí. A gente vai mesmo é de direito italiano, português e alemão (o ministro Gilmar Mendes e o ex Joaquim Barbosa eram bons nesta língua).

        E, cá entre nós, nem lecionarias no Mackenzie. Afinal, aquilo ali é ou não ‘uma caixa preta’? Talvez a Universidade Metodista.

        Mas a sua observação pontual, trazendo Kelsen ao direito consuetudinário, é tão estranho quanto falar em ‘mercado’ (economia) com uma herança ‘4centona’ de patrimonialismo (Raymundo Faoro, para ser mais preciso).

  12. Na teoria o Socialismo é um paraíso, na prática, um inferno como, por meio da História, se constata. No meu ponto de vista, acreditar que é possível um mundo com plena igualdade entre todos, sem nenhum pobre, decorre de inocência, ignorância ou maldade. O homem é depravado, o mito do “bom selvagem” é anti-bíblico. O mal está no homem, ao contrário do que prega o marxismo, pois erroneamente, para Marx, a propriedade privada é a origem de todos os males da humanidade.
    Li a Bíblia por 4 vezes e nunca me deparei com uma proposta de revolução como meio de redimir o mundo da desigualdade e pobreza. Ao contrário, li que “nunca deixará de haver pobres na terra”, e o amor – não uma revolução – seria o meio usado para ajudar o pobre e oprimido: “livremente, abrirás a mão para o teu irmão, para o necessitado, para o pobre na tua terra” (Dt 15:11). Eu não preciso de uma teoria ateísta-materialista para exercer o meu amor.
    O que me impede de ser marxista ou de esquerda, é a Bíblia, a História e os marxistas.
    Nos seus escritos, Marx, Engels e Lenin, propuseram diabolicamente a abolição da religião e da família tradicional, o que vai de encontro a mim, um cristão. A primeira é considerada o ópio da povo e a segunda uma instituição burguesa. Lenin acertadamente disse: “Deus é o inimigo pessoal da sociedade comunista” (Ousset, J., Carta a Gorki, in Le Marxisme-Leninisme, p. 132). Na Rússia, muitos cristãos foram perseguidos e mortos em nome desta ideologia. Além disso, o marxismo promove o ódio de classes e o roubo da propriedade alheia como se fosse algo moral e válido.
    O Capitalismo não é bom, é o menos ruim em relação às propostas oferecidas como solução para os seus problemas. Até à presente era não surgiu nada que lhe fosse superior. A “solução marxista” demonstrou-se falha, por ser falha em si mesma e ignorar a natureza humana. Foi tentada, talvez, em mais de 30 países, e em nenhum deles deu certo, apenas promoveu a miséria e o genocídio em massa.
    Por fim, transcrevo uma citação atribuída a Ruy Barbosa: “O comunismo não é a fraternidade; é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens; é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho, bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador”.
    Espero que publiquem o meu comentário. Abraços.

    • Caro Jéfither,
      De fato, boa parte – se não a grande parte – dos crimes contra a humanidade cometidos durante do Século XX foram protagonizados por governos ditos marxistas, ou comunistas. No entanto, há dentre os próprios marxistas aqueles que fazem hoje a crítica disso. Destaco o livro de Terry Eagleton, intitulado “Sobre o Mal”, onde ele afirma que o marxismo não tem ética por si só: sua ética só poderia vir da sociedade ocidental e, segundo ele, do Cristianismo.
      Contudo, é preciso reconhecer que os regimes ditos liberais também promoveram os mesmos crimes: seja no contexto da guerra fria; seja no contexto colonial – as colônias não acabaram durante o liberalismo; ao contrário, o século XIX e XX viram as guerras de independência e a descolonização acontecendo em todo o mundo. No mais, vale dizer, que esse liberalismo crê, necessariamente, num “bom selvagem” – ou mesmo, apenas no “selvagem”, que deve ser civilizado, se necessário, a força: todos os textos clássicos do liberalismo em algum momento estabelecem a necessidade de fé em um “estado de natureza”, contra o qual o estado liberal vem para nos proteger.
      Um outro comentário: sua leitura da teoria marxista é questionável…Marx nunca se colocou contra todo tipo de propriedade, mas sim contra o tipo de propriedade do mundo capitalista – a propriedade dos meios de produção, o poder social que surge com o “capital”.
      Finalmente, eu não sustento que o “socialismo” seja apenas o socialismo dito científico, em sua forma reconhecida como os modelos de governo da extinta URSS. Há uma longa tradição de “socialismo cristão”, que remonta, inclusive, a histórica controvérsia dos Franciscanos com o Papa na idade média, quando se discutia se Jesus tinha “propriedade” ou não das suas roupas.
      Mas, enfim, também não vou me alongar aqui, justamente porque vou responder algumas das suas colocações nos próximos textos da série.

  13. Parabéns Marcos pelo artigo.
    Evidentemente tudo que é escrito é digno de contradições, controvérsias e juízos de valores. Devemos respeitar o ponto de vista de cada um e aprofundar a discussão que acho relevante.
    Um pergunta que me inquieta. O pensamento, a Obra de Cristo Jesus, seus ensinamentos, suas pregações, seus discípulos, estariam mais alinhados dentro de uma perspectiva socialista ou de um liberalismo econômico desenfreado no capitalismo?. Não vejo porque muitos querem sempre associar o Cristianismo ao Capitalismo. A mensagem cristã não foi bem entendida ou no século XXI alimentamos um outro cristianismo?

  14. O título deste artigo é A IDOLATRIA DO MERCADO, e no blog DIGNIDADE aparece como A IDOLATRIA DO (DE) MERCADO: CONTRA A TEOLOGIA POLÍTICA LIBERAL.

    Isso faz uma enorme diferença, o aposto, CONTRA A. O leitor, ao ler Marcus lá, não ficará sabendo o que é ‘política liberal’. Todo os esquerdista ideológico, e Marcus é, tem verdadeira ojeriza de qualquer coisa que seja ‘liberal’. ‘Liberalismo econômico’, por exemplo, é anátema.

    O silêncio da esquerda contra países como Cuba, Argentina, Venezuela, Equador e Bolívia (o Chile está fora) é de espantar, muito embora sabe-se que para o consumo, o cocaleiro presidente aplica certos rigores econômicos de mercado típicos de países como os Estados Unidos, por exemplo, na área de financeiras.

    Mas são tremendamente injustos com países como ESUA, Canadá, Austrália, Alemanha, que aplicam o ‘liberalismo econômico’. Não se lê uma única página sobre a Russia que liberalizou-se, em parte, economicamente, mas permanece um país de controle czarista dessa turma da esquerda.

    Quando se vai ao texto do autor, tem-se:
    1.
    Como subtítulo, “Em resposta a cinco teses políticas do teólogo reformado Franklin Ferreira”. E quais são as cinco teses?

    2.
    Franklin faz isso através de cinco teses centrais, que o autor do artigo, Marcus, passa a explicitar, e rebater:

    3.
    A primeira tese: a direita não pode ser autoritária: ao colocar o indivíduo e a garantia as liberdades individuais em primeiro plano, não haveria possibilidade de um regime ser ao mesmo tempo autoritário e de direita.

    4.
    Franklin, quando usa a direita, segundo Marcus, exclui a ‘extrema direita’ (Pinochet, por exemplo);

    5.
    Ainda para Franklin, a direita de fala é aquela que ele chamaria de ‘pura’, isto é,
    aderiria ao ‘liberalismo econômico’;

    6.
    Por leitura inversa, todo totalitarismo seria da esquerda, e nestes estariam os regimes comunistas, nazistas
    e fascistas.

    7. Informa Marcus que “A estratégia do autor é tentadora: [porque] ao adotar um conceito diferente de direita [liberalismo econômico] e esquerda [comunista, nazista e fascista], a primeira [direita ou liberalismo econômico] aparece como a única opção realmente democrática.” (destaques meus).

    “É com a perspectiva [liberalismo econômico] que Franklin comete seu primeiro erro conceitual [segundo Marcus, o erro seria esse]”: há uma diferença significativa entre totalitarismo e autoritarismo [Marcus não dá exemplos nem de um nem de outro] que passa batida pelo texto do autor. Embora ele faça citações [5] que fazem o leitor acreditar que compreende a diferença entre os termos, Franklin se detém apenas a explicar o primeiro, totalitarismo, ignorando o segundo, o autoritarismo – o mais relevante para compreendermos a associação entre fascismo e liberalismo econômico na América Latina, como vou argumentar mais a frente [fascismo com liberalismo econômico?].”

    + As citações a que se refere, aplicadas a Franklin são aqueles que estão indicadas no item 5, quais sejam, “Me refiro [diz Marcus] a nota de número 3 no artigo “Espectro Político, mentes cativas e idolatria”, disponível em http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=381. Nesta nota, Franklin cita a obra “As Origens do Totalitarismo” (1979) de Hannah Arendt, e é a partir desta definição, que baseia suas açertivas [sic] a respeito do que é totalitarismo. Nesta obra, que está centrada no contexto europeu, o conceito de “totalitarism” aparece inúmeras vezes, como é óbvio; mas a palavra “authoritarianism”, aparece apenas uma vez (p.364), exatamente para reforçar a importância [sic] em distinguir os dois fenômenos: “The so-called ‘leader principle’ is in itself not totalitarian; it has borrowed certain features from authoritarianism and military dictatorship which have greatly contributed toward obscuring and belittling the essentially totalitarian phenomenon”. Ou seja, mesmo Arendt reconhece que há uma diferença entre regimes totalitários e ditaduras militares. Em nenhum lugar no texto, porém, Franklin chega a explicitar o que é autoritarismo, o que prova que nestes textos, o autor se utilizou apenas dos conceitos que fortalecem suas teses – ainda que diminuindo sua credibilidade para o contexto da América Latina.

    + Arendt, hoje, como será que ele usaria os termos que Marcus faz distinção à moda filigrana, em países como Argentina, Brasil, Bolívia e Cuba? Só para ficar em alguns? O problema de Marcus é a sua incapacidade de associar termos com contextos, fatos, realidade políticas e econômicas.

    + Marcus citou, mas não demonstrou a nuança distintiva entre um e outro, (a) que Arendt estava fazendo distinções tais; (b) que no livro de Arendt a distinção é válida; (c) e que a filigrana de distinção era aquela que Franklin usava.

    + Aparentemente, Marcus, ao criticar a introdução de liberalismo econômico feito de Franklin, consideraria ser inapropriado, porquanto este não distinguira entre totalitarismo, totalitarismo, ‘autoritarianismo’, que, tecnicamente, talvez até possa fazer sentido.

    + Em vez de demonstrar a relação da impossibilidade de DIREITA incapaz de associar-se a TOTALITARISMO que Franklin faz, Marcus prefere
    estabelecer uma distinção sutil para cravar a ideia de que Franklin não pensou
    corretamente os conceitos.

    + A primeira tese de Franklin era: “a direita não pode ser autoritária: [se e quando] ao colocar o indivíduo e a garantia as liberdades individuais em primeiro plano, [vez que] não haveria possibilidade de um regime [este exemplo é meu, ‘regime de Pinochet’] ser ao mesmo tempo autoritário e de direita [isto é, Franklin está excluindo ‘autoritário’ da direita].”

    (PARTE I)

    • Prezado Eduardo,
      Antes de responder aos seus últimos dois comentários, gostaria de fazer uma consideração (preliminar). Fui conferir e parece que 90% dos comentários feitos – nem todos publicados, como já expliquei abaixo anteriormente – neste blog são feitos pelo senhor. Ou seja, o senhor parece ser nosso leitor mais assíduo, talvez mesmo nosso fã número 1! – o que me leva a dizer que fico grato pela atenção dispensada até aqui, a este blog.
      No entanto, a insistência do senhor em fazer mais de um comentário diário neste blog, nos leva a um problema logístico: como nossa equipe é formada em sua totalidade por autores voluntários, dentre os quais quase todos tem mais de uma ocupação diária – trabalho + estudo – se torna praticamente impossível mesmo ler, aprovar e, finalmente, responder seus comentários em tempo hábil – uma vez que a prioridade é que os autores publiquem novos textos, e não apenas respondam a comentários. Noto ainda que, por vezes, o senhor faz um comentário pela manhã; e a noite, no mesmo dia, já faz outro reclamando que o primeiro não foi publicado.
      Considerando, finalmente, que o objetivo dos comentários em blogs é a interação entre leitores e autores com vias a um debate plural (de idéias e de pessoas); gostaria de pedir que o senhor tenha mais moderação na quantidade de comentários que faz por aqui. Não é de bom tom que este espaço seja monopolizado por apenas um comentador (por mais assíduo que seja este leitor). No caso de ser tão necessário ao senhor escrever longos comentários a esse blog, sou obrigado a sugerir que o senhor inicie o seu próprio blog, onde possa discorrer o quanto quiser em termos de espaço textual e, inclusive, discordar deste aqui.
      Grato pela compreensão!

      • Seu pedido será atendido.

        Faço outro: como seu artigo ao Franklin é um cartapácio, quem se deve ao trabalho de responder o que você escreveu não poderia fazer outra coisa que não fosse aquela que fiz.

        Assim, quando continuares em suas oportunas considerações sobre os artigos de Franklin que, a rigor, suspeito eu, ele talvez nem deve saber de seus arrazoados aqui, divida-os em pontos mais curtos, simples.

        Já tinha as Partes, III a V prontas. Mas respeito seu pedido.

  15. “A ditadura chilena de Augusto Pinochet foi uma autêntica ditadura autoritária, e economicamente liberal. Suas relações com o governo de Thatcher no UK [Reino Unido] são amplamente conhecidas e, foi por conta disso que o ditador resolveu se tratar de saúde no Reino Unido.” (Marcus).

    Aponta, Marcus, quais foram os tratados estabelecidos entre o Chile com o Reino Unido à época de Pinochet que faz com que você sugira aos seus leitores que Thatcher e Pinochet morriam de amores um pelo outro. Você pelo menos poderia ter um pouco de respeito pela história.

    Troque Chilena por Bolivariana. Vamos ver como fica a sua construção: “A ditadura Bolivariana de Hugo Chávez foi uma autêntica ditadura autoritária.” Trata-se ou não de um oximoro, Marcus?

    Agora aproveite troque também, assim: “… e [Bolivariana] economicamente__________”. Você colocaria o que neste espaço?
    Cubana?
    Soviética?
    Planejada?
    (por exclusão de qualquer outra que faça sentido)

    Escreve Franklin:
    “Diante do debate político [ele não diz qual o universo a que ele se refere] ora em curso, é necessário se definir o que vem a ser “direita” e “esquerda”. A ESQUERDA pode ser definida como aquele modelo do espectro POLÍTICO em que há pouca ou nenhuma LIBERDADE PESSOAL e ECONÔMICA [observação válida para Pinochet e Chávez, menos a econômica para Pinochet. Com Chávez não há liberdade política e nem econômica, para Pinochet havia liberdade econômica e sérias limitações políticas], em que o ESTADO OU PARTIDO ganha uma dimensão transcendente [Pinochet, diferente de Chávez, sempre reconheceu que seu tempo seria breve. O Chile nunca foi um país narcotraficante, a Venezuela é], agindo para estender seu domínio sobre todas as esferas da sociedade [perfeita descrição da Venezuela. Chávez, diferente de Pinochet, este sempre reconheceu que seu tempo seria breve]. Por outro lado, a DIREITA privilegia a liberdade pessoal e econômica [fato], e a garantia dos direitos individuais [fato, e o Chile mudou], sendo os LIMITES o RESPEITO À VIDA, à PROPRIEDADE e à LIBERDADE dos demais.”

    Se se vai ao texto do Marcus, observa-se que ele critica Franklin porque este, nas palavras de Marcus, concebe a ideia de que a DIREITA não pode ser autoritária: ao colocar o indivíduo e a garantia as liberdades individuais em primeiro plano, não haveria possibilidade de um regime ser ao mesmo tempo autoritário e de direita.

    1. Marcus está lendo dentro de Franklin o que este não disse. A propósito, Franklin assume que a definição simples que ele oferece aparece depois da II Grande Guerra. Franklin não está escrevendo um tratado sobre Direita e Esquerda.

    2. Franklin não está dizendo que Direita não pode conter um elemento de autoritário e autoritarismo. Ele mesmo reconhece que não existe essa tal pureza. Afinal, todo Reformado, e Franklin declara ser, não vê pureza em instituição humana alguma.

    3. O que Franklin informa é que na Esquerda as liberdades individuais, o direito de expressão, a propriedade, etc., podem conviver, ainda que por um tempo, no caso de Pinochet foi curto, com a Direita. Mas que estas coisas jamais podem conviver com a Esquerda. A meu sentir, Franklin está certo.

    OBS. As ilações de Marcus sobre a relação Pinochet Thatcher são infelizes, absurdas, historicamente estúpidas. Seria imaginar as relações de um Churchill com Stalin como exemplo paralelo. Marcus foi levado pelas aparências, o que é natural, por ser ele da esquerda (caviar).

    (PART II)

  16. O que me parece estar ausente no pensamento do autor são as diferentes antropologias que fundamentam o liberalismo e o socialismo.

    Ao passo que aquele parte de uma antropologia profundamente pessimista e, por isso mesmo, avessa à concentração de poder nas mãos de um indivíduo ou grupo; aquela tende a um otimismo antropológico injustificado, que inevitavelmente conduz à concentração de poder e teorias políticas utópicas.

    Eu não conheço nenhum liberal que defenda a idoneidade moral dos ricos, dos empresários, ou de Wall Street. Muito pelo contrário. É justamente por saberem que a natureza desses tende ao mal, que eles defendem a redução do poder estatal para impedir a prostituição público-privada.

    Estou certo que é essa a posição de Franklin.

    Ao passo que os socialistas insistem numa concentração acumulativa de poder nas mãos do Estado crendo ingenuamente que isso será capaz de frear os abusos do mercado. Inexoravelmente, chegamos ao totalitarismo.

    Os abusos que empresas privadas cometem são previstos pela própria antropologia liberal, que por isso mesmo mantém o alerta acesso contra o aumento de poder estatal, pois enquanto o Estado tiver poder para conceder benesses, o empresariado VAI abusar disso.

    Sendo assim, totalitarismo e autoritarismo se relacionam ao liberalismo como água e óleo. No caso do socialismo, totalitarismo e autoritarismo é consequência inevitável.

    Ademais, a afirmação de que “conservatives e republicans” são uma massa de aristocratas-burgueses é tão digna de crédito quanto à afirmação petista de que a metade da população que não votou no PT é composta de “elitistas burgueses”.

    • Prezado Vitor,
      Obrigado pelo comentário!
      A maneira como vc usa a palavra “antropologia”, no meu entender, parece ignorar toda a Antropologia em si – como disciplina, como ciência social. Entendo o que quis dizer, mas me recuso a aceitar essa simplificação: a Antropologia, em termos científicos e acadêmicos, é a mesma – e influencia tanto socialistas quanto liberais. Quanto a uma “antropologia” tipicamente liberal, se vc ler as notas de rodapé, especificamente a de número 14, vai ver que eu cito a obra de Robert Nozik: um autor liberal, libertário, que faz exatamente a crítica ao elemento utópico desse tipo de pressuposto – que vc chamou de “antropologia” – a partir do exame da noção de “estado de natureza”.
      Essa leitura que vc faz do liberalismo é, na minha percepção, absolutamente utópica: o liberalismo enquanto teoria, enfatiza aquilo que já há de pior na natureza humana, e fazem isso conscientemente; a conseqüência é uma só, a que vc chamou de “prostituição público-privada” quando o capital passa por cima de todas as outras leis para fazer o que quer – compra e vender. Isso não leva, necessariamente, ao totalitarismo. A obra do B. Gross que cito e que faz a relação entre liberalismo e fascismo, é util para explicar esse argumento, assim como a história da Itália – onde industriais e fascistas mostraram que a mistura entre autoritarismo, totalitarismo e liberalismo econômico está mais para lama do que para “água e óleo”.

  17. É bom compreender também que o fato de um governo não ser de esquerda, não o torna necessariamente liberal, afinal, o liberalismo se caracteriza exatamente pelo Estado mínimo, pela não intervenção na economia, por iniciativa privada e poucas estatais. O Regime militar no Brasil não foi de esquerda, pois respeitou a propriedade privada, enfatizava a meritocracia, garantiu direito à herança, por exemplo. No entanto, as estatais eram fortíssimas, a intervenção na economia contínua, a política inflacionária era usada. Logo, não pode-se caracterizar como um governo liberal. O militarismo no Brasil teve seu ponto positivo na economia, foi um dos únicos países onde a intervenção estatal produziu milagre econômico. Diferente do Japão e da Alemanha por exemplo, onde o milagre veio com o liberalismo clássico. Mas isso aconteceu pelo respeito à propriedade privada e pela meritocracia nas estatais, coisas que não temos hoje em dia, ou temos de maneira errada. Agora, um governo socialista que não respeita a propriedade privada, não utiliza meritocracia na administração, e ainda agrava com intervenções na economia e políticas inflacionárias estará fadado ao fracasso. Vide países da URSS, China, etc.
    É bom lembrar que na prática, o livre mercado foi responsável pelo fim da escravidão.
    Dizer que EUA e Inglaterra financiaram ditaduras é interessante. Como se a URSS não financiasse grupos políticos para lutar contra o governo militar brasileiro. Como se Cuba não tivesse grande interesse em implantar o comunismo no Brasil, por ser um lugar estratégico, que tinha acesso a quase todos os países da América Latina. Era uma ditadura do Estado ou implementação do livre mercado. Acabou que não foi nem uma coisa nem outra, mas por não terem implementado um regime socialista no Brasil fico feliz, pois os regimes socialistas matarem por baixo 50 milhões de pessoas, e na guerra contra o socialismo no Brasil perdemos menos de 1000 pessoas.
    O que mais beneficia as grandes corporações e as grandes empresas hoje é justamente a intervenção estatal, os impostos (que impedem as pequenas empresas de entrarem no mercado competitivamente).

    • Caro Thiago, nos próximos dois posts vou abordar exatamente a história do liberalismo econômico no Brasil; e a discussão sobre o conceito de propriedade na história da Igreja. Convido você a voltar aqui, e vai possivelmente encontrar nos textos seguintes algumas das minhas respostas a essas questões que levanta. Obrigado pelo comentário!

  18. Parabéns pelo texto. É preocupante quando formadores de opinião do meio evangélico, se deixam levar pelo sabor das ideologias. Todos carregamos valores, mas, não podemos deixá-los impregnar às nossas opiniões de forma que estes se tornem axiomáticos. Cheguei ao seu site depois de receber um email de uma editora com o último livro de Franklin Ferreira. Sou muito questionador e crítico. Agora sei onde Franklin Ferreira quer chegar com o seu último livro a idolatria do Estado. Recomendo os livros de wayne Grudem, sobre política. Infelizmente, vejo hoje o meio evangélico impregnado de ódio, senso comum teórico, e, de visões “caolhas” como esta de Franklin Ferreira. A posição política é individual e deve ser respeitada. Em qualquer ideologia política vai haver ideologias que vão de encontro ao cristianismo, pelo simples fato de terem sido concebidas por homens. Sou de centro esquerda e respeito os meus irmão que são de direito. Você foi feliz em citar os governos de direita, como o EUA que durante muito tempo perpetuou a operação Condor. Atualmente vemos o governo Macri na Argentina suprimindo direito e garantias individuais em nome de um neo liberalismo econômico.

    • Olá Marcos,

      Muito obrigado pelo comentário!

      De fato, recebi também a divulgação do livro do Franklin. Curiosamente, os dois capítulos centrais do livro dele parecem ser os que respondi nessas duas primeiras teses, aqui no Blog Dignidade! – me refiro a esse post e também ao segundo, aqui: http://ultimato.com.br/sites/dignidade/2015/03/24/a-idolatria-dode-mercado-o-homem-todo-para-o-dinheiro-todo/

      É realmente triste ver que mesmo professores de teologia nos seminários brasileiros, por vezes, tem uma leitura tão “devocional” de questões sociais e políticas. Digo isso porque, vez ou outra, algum teólogo diz que minha leitura teológica é “devocional” – porque não tenho formação acadêmica em teologia. A sensação que tenho ao ler o posicionamento político-ideológico de alguns teólogos no Brasil, porém, é análoga: é como se acreditassem, quase que “por fé” em determinadas posições políticas, ideológicas, sociológicas.

      Mas isso nem é o pior de tudo: pior é descobrir que a galera não passa por uma leitura dos “clássicos” de cada área – ciência política, sociologia, economia, etc. Então, temos liberais que nunca leram Locke, Kant, Hobbes, Rousseau; Marxistas que nunca leram Marx, Engels, Pashukanis, Lenin, etc. Sem falar em leituras mais recentes dessas posições e sua crítica. Mas todos (ou muitos desses) dispostos a provar a suas ovelhas e alunos que uma ou outra ideologia é a (única) compatível com sua teologia. E daí que ter que aturar doutrinação política vinda do púlpito – ou da cátedra do seminário, nesses termos, é dose.

      Vou continuar essa série respondendo a mais 3 “teses” do Pr Franklin Ferreira – curiosamente, contidas no livro mencionado. Isso deve acontecer dentro de alguns meses.

      Mais uma vez, obrigado pelo comentário! Abraço

  19. Prezado Marcus
    Vejo tardiamente seu texto e fico, inicialmente, muito satisfeito ao ler que ainda há cabeças no meio protestante evitando esta doença conceitual popularizada por Ferreira e outros de misturar conceitos conforme convém, equiparando nazismo a socialismo, e fazendo esta associação de liberalismo econômico com teologia.
    Ao mesmo tempo, ao ler o teor dos comentários, fico muito desanimado e desapontado com a falta de reflexão e de mínima tentativa de compreensão de ideias diferentes apresentada por esta geração coca-cola-“reformada”, que faz saltar aos olhos mais ainda sua colaboração ao debate – que, diga-se de passagem, permanece relevante dois anos após a escrita deste texto. Muito obrigado.

    • Equipe do Blog Dignidade!

      Muito obrigado pelo comentário e pelo incentivo, Andre. Incrível como aquele momento de polarização de dois anos atrás se potencializou. Ainda vou continuar essa série – pelo menos mais um ou dois posts, para fechar os argumentos que me propus a desenvolver no início. Com essa virada conservadora rolando no Brasil, faz ainda mais sentido continuar esse tema.
      Grato,
      Marcus.

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