A Última Batalha ganhou o Carnegie Award, o maior e mais importante prêmio de literatura infantil do Reino Unido. O famoso presidente Winston Churchill também ofereceu a Lewis o título de cavaleiro, mas ele recusou.

Em 1998, ano do centenário do seu nascimento, o governo dos Estados Unidos e da Inglaterra lançaram três selos em homenagem às Crônicas de Nárnia. Eu estive em Oxford por ocasião do lançamento oficial (nada de inveja…).

Mas sua primeira obra a receber destaque na imprensa com premiações foi Cartas de um Diabo a seu Aprendiz. Uma forma indireta de premiação é a sua presença na lista de livros recomendados pelos Ministérios Educacionais para as escolas fundamentais e médias, principalmente de países de língua inglesa.

No Brasil, já topei com as Crônicas de Nárnia e outras obras em várias bibliotecas, desde a de letras da USP, até  mesmo em escolas técnicas de ensino superior e escolas de ensino fundamental. Ele também é lembrado nas encicolpédias, como wikipédia e Encarta, como um dos autores mais citados e citáveis, principalmente nos campos da literatura em geral, da ficção infantil, ficção científica, teologia e crítica literária.

Como se sabe, Lewis começou a se destacar em Oxford, dando aulas de filosofia e literatura antiga. Há várias referências a uma cidade da Antiguidade chamada “Nárnia” nos livros da área e é bem provável que Lewis tenha tropeçado nelas ao criar as histórias daquele mundo, numa espécie de homenagem.

Em todos os casos, o nome me parece combinar bem com o ambiente antigo e personagens mitológicos que aparecem nas histórias.

De acordo com Douglas Gresham, um dos filhos de Joy que eu conheci pela internet, e encontrei pessoalmente em Oxford, há várias inconsistências com relação a alguns fatos, como a omissão do seu irmão, David no filme. Imagino que isso se deveu a uma questão de economia e conveniência dos produtores do filme.

Talvez também quisessem preservar a identidade desse filho, que preferiu ficar longe das câmaras de seu famoso padrasto e, ao que sabemos, também do cristianismo. Outro fato omisso foi de que quando conheceu Joy pessoalmente, Lewis já tinha ido lecionar em Cambridge, onde o esquema de aulas era um pouco diferente de Oxford, retratado no filme.

Mas de uma maneira geral, de acordo com Douglas, o diretor conseguiu recriar bem o relacionamento dos dois e o clima que imperava no lar dos Lewis.

Anthony Hopkins disse certa vez que se trata de uma “iluminação baseada em fatos”. Em entrevista ele também afirma que o papel de Lewis foi um dos mais emocionantes que já havia feito até então.

Além de cuidar diretamente do legado do padrasto, acompanhando inclusive os filmes que estão sendo rodados sobre as suas obras, ele tornou-se missionário, tendo uma espécie de “Labri” para ajudar aos necessitados.

Mesmo não sendo escritor, ele dedicou um livro ao pai, chamado “Lenten Lands”. Vc poderá encontrar várias entrevistas dadas por ele na internet.

Embora muitos interpretassem isso a partir do filme e do livro que ele escreveu após a morte de sua amada Joy, A Grief Observed (Anatomia de uma Dor – Ed. Vida), para bom entendedor, tudo leva a crer que isso não aconteceu. Aqui vão alguns indícios:
1. Embora Lewis realmente questionasse Deus em Anatomia de uma Dor, chamando-o até de “carrasco divino”, esse tipo de efusão emocional lembra muito o livro de Lamentações (tá na Bíblia para quem não sabe, rsrs). Não nos proíbe de nos queixar quando a coisa dói. Afinal, Lewis já tinha perdido a mãe aos seus nove anos de idade, depois o pai e agora a amada, todos vitimados pelo câncer ?!
2. Conheci um rapaz brasileiro que me disseram que curtia Lewis e que me surpreendeu. Quando fui lhe perguntar, que livro ele mais amava, ele mencionou A Grief Observed, que nem havia sido traduzido na época ainda. Não o considero exatamente “popular” ou “agradável” para a maioria das pessoas. E quando eu perguntei o porquê, eleexplicou: “É que eu acabei de perder o meu pai há alguns meses. Quando o livro me caiu nas mãos, ele se tornou uma das fortes razões que me preservaram de desviar-me da fé cristã.

3. Depois desse, Lewis ainda escreveu um último livro, Letters to Malcolm, chiefly on prayer (Cartas a Malcolm, principalmente acerca da oração, que também já se encontra traduzido para o português). Esse livro mostra que, ao contrário de ter perdido sua fé, Lewis se reergueu fortalecido, vivendo a última fase de sua vida, profundamente pautada pelo que Francis Schaeffer considera a “verdadeira espiritualidade”.

O outro filho de Joy, que não aparece em Shadowlands, até, penso que, para não comprometê-lo e deixá-lo seguir o seu rumo, ao que tudo indica, está bem.

De acordo com Douglas, o irmão que se converteu ao cristianismo da mesma forma que a mãe, lendo as Crônicas de Nárnia, ele está casado e tem um filho. Ele abraçou o judaísmo e está morando na Índia. Mas não estou certa sobre a atualidade dessa informação.