BreakPoint com Charles Colson*
Comentário #011116 – 16/11/2001

A série de livros é popular com crianças do mundo todo – mas o autor britânico está sendo “queimado” pela comunidade cristã. As pessoas argumentam que, desde que os livros estão repletos de bruxaria e magia, bolas de cristal e encantamentos, eles não deveriam ser indicados para as crianças lerem.

Você pode pensar que estou falando de J. K. Rowling, a autora dos popularíssimos livros Harry Potter e do filme que estréia hoje [N.T. no circuito internacional]. Mas não estou. Estou falando de C. S. Lewis. Cinqüenta anos atrás, os cristãos acusaram Lewis de ensinar feitiçaria às crianças. Ainda hoje, muitos cristãos — inclusive eu — consideram as Crônicas de Nárnia um clássico e os livros e filmes de Nárnia são encontrados em muitas bibliotecas de igrejas.

Há cristãos que dizem que não existe diferença entre as estórias de Nárnia e as de Harry Potter. Alguns insinuam que ambas deveriam ser condenadas, outros elogiam ambos. Muitos cristãos amam Lewis enquanto têm severas reservas quanto a Harry Potter.

Eu me incluo nesta última categoria e explico o porquê.
Não nego que as aventuras de Nárnia contém bruxas e lobisomens; os espíritos das árvores, rios e estrelas; e personagens que lançam encantamentos — inclusive personagens do lado bom. Neste sentido, existe pouca diferença entre as estórias de Nárnia e as estórias de Harry Potter. E mesmo em Lewis, estes personagens não deveriam ser tratados de maneira leviana. Os pais cristãos devem usar discernimento para com seus filhos.

A grande diferença recai em três aspectos. Primeiro, Nárnia claramente não é “neste mundo”. Lewis criou um outro mundo completo onde as leis da natureza são diferentes do nosso mundo. A mágica narniana é errada e não funciona na Terra. O mundo de Harry Potter, em contraste, é este mundo. A divisão é entre os “iniciados” — isto é, magos e bruxos — e todos os outros, que são jocosamente chamados “Muggles”.
Segundo, Nárnia é governada por Aslan e por seu pai, o Imperador Além-Mar. Lewis deixou muito claro que ele estava escrevendo uma alegoria. Aslan é Cristo e o Imperador, Deus o Pai. O mundo de Harry Potter não faz qualquer referência a Deus.

Finalmente, as estórias de Nárnia são alegorias das grandes verdades da vida cristã: expiação, ressurreição, arrependimento, fé, justificação, santificação, criação e redenção, o retorno de Cristo e nosso lar eterno. O Livro Três está repleto de referências a diversas destas verdades. Harry Potter, como muitos têm argumentado — inclusive amigos meus — é uma avetura de fundo moral. Ok, é uma aventura de fundo moral. Mas só isso, nada mais.
É uma simples análise de risco/recompensa. Ambos os autores incluem material fantástico e sobrenatural. Ambas as sérias deveriam ser tratadas com cuidado — especialmente se nossas crianças demonstram um interesse não sadio pelo oculto. Os pais precisam ser sábios e cuidadosos quanto as inclinações de seus filhos.

A recompensa dos livros de Harry Potter é uma estória de fundo moral. A recompensa dos livros de Nárnia, por outro lado, é nada menos que as verdades cristãs embutidas em estórias que têm encantado e comovido os corações de crianças cristãs por gerações.Minha opinião? Use toda essa agitação em cima de Harry Potter para apresentar a seus filhos algo que realmente presta:  C. S. Lewis e as Crônicas de Nárnia.

Fonte: http://blog.cancaonova.com/sergiofernandes/2007/11/22/fantasia-ficcao-e-fe-a-questao-harry-potter-e-as-cronicas-de-narnia/

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