Na Varanda com o Autor | Rute Salviano Almeida

 

Nascida em Belo Jardim-PE, Rute Salviano Almeida é bacharel e mestre em Teologia e pós-graduada em História do Cristianismo. Casada e mãe de três filhos, ela mora em Campinas, SP.

Ganhadora do prêmio Areté 2015, na categoria História da Igreja, com o livro Vozes Femininas no Início do Protestantismo Brasileiro, a professora Rute Salviano tem colaborado com o Portal Ultimato com artigos sobre a reforma protestante, evangelização, história e mulheres.

Confira nossa conversa com a Rute em mais um “Na Varanda com o Autor”:

Alguma pessoa ou livro, em especial, influenciou sua aproximação da leitura e da escrita?

Meu pai, Sebastião Pessoa Salviano, sem dúvida foi a pessoa que me aproximou da leitura. Ele foi um autodidata e amava ler, não gastava consigo mesmo, mas não poupava na compra de livros. Comprou a História Universal, de Césare Cantú (32 volumes), que chegava pelo correio, volume a volume. Sua maior alegria, em se tratando de coisas materiais, era adquirir livros. Cresci vendo-o ler diariamente, principalmente a Bíblia, que leu inteira mais de 60 vezes. Além do exemplo, tenho a genética dele e a mesma paixão pela leitura. Quanto à escrita, Justo González, escritor de Uma história ilustrada do Cristianismo, me inspirou e desejei escrever também uma história assim, mas com destaque à participação feminina.

Quando a inspiração para escrever não vem…

É comum não chegar a inspiração, por isso aproveito muito quando ela vem, escrevendo na hora ideias ou pensamentos que surgem. Mas, quando não vem o ideal é não forçar, é parar e aguardar outro momento. Minha melhor hora é pela manhã com a cabeça descansada. É hora também de rever o que escrevi e percebo que corrijo melhor e tudo flui de forma mais coerente.

O que os adultos devem ler para as crianças?

Em primeiro lugar, a Bíblia, que pode ser adaptada para crianças, desde que nada fuja da história bíblica. E depois livros de estórias infantis, principalmente, com fundo moral, com lições de vida que ajudarão as crianças a adquirirem conhecimentos e a receberem subsídios para a construção de um bom caráter.

Que conselho você gostaria de ter recebido na sua juventude?

Eu creio que recebi bons conselhos, o problema é que quando somos jovens nem os escutamos. Nós queremos ter nossa independência e, por isso, muitas vezes, desprezamos conselhos tão bons que nossos pais ou outras pessoas nos deram e, posteriormente, sofremos as consequências de más escolhas. Talvez, gostaria de ter recebido mais incentivo para não parar meus estudos. Sempre quis estudar muito, mas parei assim que terminei o chamado colegial (2º grau) e foi mais difícil o recomeço, pois só depois de casada tive oportunidade de voltar a estudar.

Como você lida com o envelhecer?

Acredito que lido bem. Sempre entendi que devemos viver bem cada fase de nossas vidas e não pular etapas. Vivi plenamente minha infância, brincando na rua e me divertindo com coleguinhas. Vivi minha juventude na igreja, com irmãos em Cristo e com parentes queridos. Namorei, noivei, casei, tive 3 filhos, constitui minha família, e hoje, na 3ª idade, tenho tempo para me dedicar à escrita e às palestras que tanto aprecio. Meu lema é: “A graça de Deus me basta e seu poder se aperfeiçoa em minha fraqueza”.

O que mais a anima e o que mais a incomoda no meio evangélico?

Rute e família

Sou feliz por conviver em um meio evangélico desde criança. Gosto muito de nossos cultos e outras atividades, apesar de hoje já não poder participar como antigamente. Aprecio boas mensagens e bons louvores, gosto muito de cantar e louvar ao meu Deus. Sou apaixonada pela Escola Bíblica Dominical e lamento que esta está desaparecendo de algumas igrejas evangélicas. Dizendo isso, incomoda-me grandemente o individualismo que não se coaduna com a fraternidade cristã. Sempre gostei de igrejas pequenas, pois nelas o individualismo não tem lugar e não gosto de grupos de faixas etárias diferentes que nem olham os outros irmãos no rosto e nem sequer os cumprimentam. Eles só conversam entre si e não aprendem com o convívio dos mais velhos. Mas, diria que o que mais me incomoda mesmo no meio evangélico é a acomodação à filosofia pós-moderna. Os crentes de hoje repetem jargões do mundo e também apreciam por demais as coisas mundanas. Não vivem movidos pela eternidade, não se consideram cidadãos dos céus, nem se sentem estrangeiros e peregrinos aqui na terra.

Incomoda-me o trazer para a igreja modismos de fora, no entendimento de que isso atrairá mais pessoas. Incomoda-me o poder que alguns líderes de igrejas atribuem a si mesmos, considerando-se donos da igreja e roubando a noiva de Cristo. Incomoda-me o autoritarismo, a centralização, a ausência de democracia nas igrejas evangélicas. Incomoda-me os títulos, principalmente o mais atual de “apóstolos”, aonde isso vai chegar: sacerdotes e reis?
Creio que isso não agrada a Deus!

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    • Bom saber Nixon, realmente, graças a Deus, ainda são muitas igrejas que têm a Escola Dominical. E um diferencial importante de ser destacado em sua igreja é possuir uma Ministra de Educação Cristã. Quando lecionei na Faculdade Teológica Batista de Campinas, muitas mulheres estudavam com especialização em Educação Cristã, hoje em dia, porém, são poucas as mulheres que estudam porque quando terminam não têm campo para atuar, infelizmente. São raras as igrejas que aproveitam esse potencial maravilhoso e investem nessas vidas e no Reino de Deus. Abraços! Conheci sua igreja há muitos anos atrás, quem sabe eu faça uma visita.

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