Já passavam das 15 horas. As apresentações já haviam sido feitas e com elas muitas lembranças que animavam a todos os que estavam presentes no templo da Igreja Presbiteriana. A primeira mesa-redonda, cujo título era “Há 40 anos! E hoje?”, foi parafraseada pelo organizador do debate, Marcos Bontempo, como “1968, o ano que não terminou”. Os participantes dessa mesa foram: Robinson Cavalcanti, Paul Freston e Alderi Souza de Matos.

Cavalcanti, o primeiro a falar, mostrou um estudo sobre a participação dos evangélicos no cenário político brasileiro. Vivia-se há 40 anos o fim de um paradigma: o protestantismo como sinônimo de democracia e progresso. No início dessas quatro décadas, a ideologia que se pregava era a de total alienação, ou seja, “crente não se mete em política”. Na teoria, esse era o discurso, mas na prática, muitos evangélicos já estavam inseridos em cargos políticos. Logo depois, apareceram movimentos que se engajaram em campanhas políticas com o slogan “irmão vota em irmão”. E hoje? Com a crise de ideologias nos partidos políticos, os evangélicos, quando se filiam, o fazem aos partidos menos nítidos, pois a atuação é marcada pelo individualismo e pela defesa do bem particular das igrejas e não pelo bem-comum da sociedade.

“Cenário dos evangélicos do Brasil: um país cada vez mais pentecostal” foi o tema que Freston abordou. É certo que o Brasil é cada vez mais pentecostal e menos católico. Em quase todos os países da América Latina, o pentecostalismo é a segunda maior religião, com maior adesão dos povos indígenas. Porém, mesmo com o crescimento que se tem hoje, estudiosos já prevêem a queda desse segmento religioso. Três são os fatores apontados para esse declínio: a crise da falta da prática religiosa, estagnação e apostasia. Em contrapartida, outros estudos indicam que o Brasil pode ser considerado a capital mundial do pentecostalismo. Qual é o futuro religioso do Brasil? Segundo o palestrante, isso dependerá de três fatores: o declínio continuado do catolicismo, o crescimento dos evangélicos e a não existência de uma terceira religião. Contudo, o Brasil nunca será um país de maioria evangélica, por causa dos escândalos, promessas não alcançadas por fiéis, líderes autoritários e líderes políticos envolvidos com a corrupção.

O pastor e professor Alderi destacou que nos dias de hoje a sociedade está cada vez mais descrente. Existem os descrentes absolutos, aqueles que não possuem nenhuma convicção religiosa, os descrentes no cristianismo, adeptos a outras religiões, e os descrentes práticos, aqueles que são crentes nominais. As causas da incredulidade seriam: a prosperidade sócio-econômica, a influência da mídia, a educação secundária e superior, a popularização das teorias científicas, as dificuldades e perplexidades existenciais e o mau exemplo das religiões e dos religiosos. Alguns desafios ficam para as igrejas evangélicas. Cabe a elas mostrar um evangelismo íntegro e bíblico, enfatizar a apologética e viver em coerência com a fé pregada.

Por Ariádine Morgan

  1. Fico feliz com a possibilidade do Brasil não ter uma maioria evangelica, mormente a que vemos nos dias de hoje, haja vista, com exceções, a total distorsão da Bíblia, usada em proveito de meia duzia que tem a chave do cofre nas mãos.
    Percebe-se que as instituições ditas evangélicas, com as exceções cada vez mais raras, mergulho no período pré-reforma e a criticada igreja católica, tem feito as vezes da igreja reformada, aproximando-se do povo e inserindo a Bíblia em seu dia a dia.

  2. Robinson, o bispo, e Paul, o pensador, foram personagens importantes na minha formação.
    Para mim, os cristãos falham em responder às questões pertinentes à sociedade atual – pós-moderna e materialista – e não se envolvem no que é relevante a humanidade hoje – a preservação e recuperação do meio-ambiente. Além disso, o AMOR – a marca do cristão – simplesmente não se vê…

  3. Francisco Fernndes Junior

    Pessoalmente penso que “Deus de fato é brasileiro”, em não permitir que sejamos em maioria de “evangélicos”; não que Ele não queira que a totalidade dos brasileiros se Salvem, contudo, com o péssimo evangelicalismo que vem sendo praticado aqui…o melhor é as coisas continuarem como estão, pois se com o percentual que temos já existem os “Pai-póstolos”, imagine sendo maioria? Como já disse o comentarista José Simão “- No Brasil até a esquerda não é direita”.

    Pr Francisco

  4. Manoel Messias do N. Santos

    Mesmo não tendo conhecimento do conteúdo total do P. Freston, louvo ao Senhor por não sermos maioria em nosso país. Para que sermos maioria se o Senhor Jesus nos disse que seríamos minoria?

  5. Ainda nao tenho opção formada sobre cristãoxopolitica – a igreja que frequento é apolitica. Entretanto na me impede de lutar democraticamente pela justiça.

  6. Marinalva do Nascimento

    Jesus Cristo não está interessando em maioria. O que vale é cada cristão serparecido com Jesus permitindo fluir em seu caráter o caráter de Jesus. Isso sim seria fundamental porque mostraria a essencia refletindo na qualidade de vida………ou seja ética cristã.

  7. FICO MUITO FELIZ EM REVER AMIGOS QUE MUITO CONTRIBUÍRAM PARA MINHA FORMAÇÃO, E QUE SEM ESMORECER PERMANECEM NA TAREFA ÁRDUA. PARABÉNS ULTIMATO, PARABÉNS MEUS QUERIDOS IRMÃOS E AMIGOS.

  8. A Graça e a Paz do Senhor Jesus Cristo!

    Amados irmãos e amigos que nos acessam, o tema em questão nos parece mais pertinente a uma reflexão, do que fazê-lo tão somente como simples afirmação:

    Penso que cada um de nós deve refletir no que vem contribuindo para que o Brasil alcance maioria de evangélicos, pois nossa forma apologética deve ser acompanhada de praticas que a corrobore, precisamos melhorar o caráter do “cristão” e ao dizer isto penso ser do maior ao menor, pois homens que dizem ser evangélicos, mais sonegam impostos, maltratam empregados, traem as esposas, compram e não pagam, não educam os filhos à maneira de Deus, dentre outros atos perniciosos ao cristianismo genuíno, são os responsáveis pela descrença do povo brasileiro, e pela estagnação do crescimento do evangelho do Senhor e Salvador Jesus Cristo, lembrando ainda que a falta de fé é ingrediente essencial a tal fiasco.

  9. Jonas Pereira de Oliveira Júnior

    Quem é Paul Freston para dizer: “o Brasil nunca será um país de maioria evangélica…” Fazer previsão é perigo e mais com essa expressão: nunca. Quem somos nós para dizer isso com tanta certezar.

  10. Bispo Divino Soares Silva

    lamento muito que exista tanta critica à igreja evangélica pelos próprios evangélicos pois se esperarmos perfeição para nos enganjarmos ou nos motivarmos para o trabalho do Senhor jamais estaremos prontos. Entendo que devemos nos dispor para o grande chamado de Deus em Mateus 28: “Ide fazei discipulos”. quanto à politica encontramos Deus levantando homens como Daniel, como José, que foram politicos tremendamentes usados por Deus. lembro uma frase de Martin Luther King que disse: “Para que o Mal prevaleça, basta que os homens de bem cruzem os braços”. Inflismente a igreja por muitos anos se absteve por medo, de se envolver na politica e assim os homens que para lá foram não eram os mais dignos. Mas graças à Deus que uma boa parte da igreja Evangélica Brasileira tem acordado para entrar proféticamente, e pastores tem formado líderes para atuarem na politica como discipulos do Reino e a serviço de Jesus. Apesar das falhas (que sempre existirão pois a natureza do homem é decaida), estamos nos mexendo para melhor.

  11. Com tantos evangélico no Brasil, acho já deveriamos fazer alguma diferença. Infelismente, se for pra continuar como está, ou seja, apenas pra fins estatíscos, seria melhor retornarmos aos número de algumas décadas atras. Pois no Brasil, até presidente crente é pior que os outros.Pois na ditadura militar teve um que foi implacável.

  12. Deus quer pessoas comprometidas com Ele e à Sua palavra. Não importa a quantidade, mas a qualidade. Ser crente, porém sem ter vida nova, vida santificada, vivendo igualzinho aos incrédulos, não adianta. Prefiro lembrar-me da igreja de trinta anos atrás, do que esta atual, aqui no Brasil, onde nada mudou com esse tão grande número de cristãos (quje se dizem ser cristão). Se esses milhões que se dizem crentes fossem realmente salvos, eles fariam a diferença e a nossa Pátria seria outra. Que Deus nos dê de sua graça.

  13. marco antonio gonzaga

    gostaria de frizar que ser cristão e ser evangelico não é a mesma coisa, existem cristãos que são evangelicos e evangelicos que nãosão cristãos, principalmente os que vão a igreja movidos por avareza , querem a benção financeira e não querem distribuir o muito que Deus lhes dá, Cristianismo é ter o suficiente para viver e o que passar disso deve ser distribuido, essa é a essencia do Evangelho e Amor de Deus em ação

  14. marco antonio gonzaga

    Que adiantaria uma maioria evangelica, deixaria os idolos de gesso e adoraria o idolo metal, e os politicos evangelicos sanguessugas, e o testemunho que estamos vendo, há pastores que vendem o rebanho para politicos em época de eleição

  15. Ao meu ver o que ocorre no mundo “cristão” de hoje é falta de entendimento do que é ser cristão. Ora a verdadeira identidade cristã é o amor. A bíblia afirma: .”..qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” Mas o “testemunho” mais anunciado como conversão hoje são: “Deixei de beber” “não fumo mais” “não ouço mais música do mundo” “morava de aluguel e agora tenho uma mansão e vários carros” Mas ao lado desse convertido está um “Lázaro” pedindo uma migalha do seu pão e lhe é negado.
    Já outros acham que ser Cristão é viver praticando milagres em nome de Jesus, mas nem isso podemos aceitar como identidade cristã. Na bíblia o próprio Jesus reprova essa filosofia como crachá cristão.

  16. Se Deus quiser, nunca, nós evangélicos, seremos maioria no Brasil. Já pensaram? Acabariam as obras assistenciais espíritas e católico-romanas para serem substituídas por coisa alguma, ou que é pior: por algum cabide de emprego e sorvedouro de verbas públicas e que não faz obra social alguma mas promove o clientelismo; veríamos fechados os teatros e casas de espetáculo, onde ao menos vemos promovida a cultura e a reflexão, como apregoaram nos últimos meses para converterem-se em “casas-de-show-evangélicas”, que não promovem a graça de Cristo, mas meramente entretem um público às custas das suas desgraças; ou teríamos no governo, algum “apóstolo”, ou pastor cara de pau que só explora e manipula a vida das suas ovelhas, comendo-lhes a lã, mas não emancipa-as para o projeto que Deus tem para elas… Deus-nos-livre-e-guarde. Nascemos mesmo é para sermos luz do mundo. Mais como reserva moral do que fornecedores de escândalos como vemos hoje.

  17. Anisio Muzzi Portugal

    O tema e os comentários trazem-me à memória um dado ouvido em congressos que participei: “quando 5% (cinco por cento) da população de uma país é cristã (comprometida com Cristo) a historia do Pais é mudada.
    Aé fico me perguntando: Onde estão os 35 milhões de evangelicos que o Censo do IBGE diz que somos.
    Que Deus tenha misericórdia de nós cristão brasileiros.

  18. Ultimamente é notório um movimento reflexivo e intenso sobre a atuação da Igreja Evangélica. Acho importante e oportuno, pois não podemos errar o alvo que foi proposto pelo nosso Mestre Jesus. É verdade que a cada dia vemos movimentos e pessoas oportunistas que sem nenhum pudor se fazem “líderes”, e levam muitos à decepção e à práticas totalmente contrárias ao que requer a Plavra de Deus, mas também é inegável a contribuição que o Evangelho e a Reforma Pretestate trouxe à humanidade e a todos que verdadeiramente buscam ao Senhor. Quanto a sermos a maioria ou não acaba sendo um detalhe, pois o que importa é buscarmos uma melhor qualidade de vida cristã a cada dia, sendo reconhecidos primeiramente por Deus como suas testemunhas fiéis e verdadeiras, pois dessa forma haverá um crescimento natural da Igreja e consequentemente a expansão do Reino de Deus dentro dos parâmetros Bíblicos. Cercear como fez o catolicismo romano historicamente não é a solução, pois a Palavra de Deus não está presa, mas refletir, denunciar as práticas errôneas e cada Pastor ou Líder exercer com responsabilidade, sinceridade e verdade a sua função acho ser o caminho a ser trilhado.

  19. Fico feliz e ao mesmo tempo choro de tristeza. Feliz porque muitos tem enxergado o disparate que virou a pregação do evangelho.Comércio de curas e bençãos , com milhares de decepcionados , que muitas vezes nem falam de suas decepções porque querem parecer abençoados, não pecadores derrotados que somos,necessitados do Salvador Jesus Cristo.
    Choro porque aqueles que tem espaço nas mídias e se dizem homens de Deus, ficam “analisando ” o movimento evangélico no Brasil e no mundo e não tocam a trombeta sobre os erros e os errados: falsos profetas, falsos apóstolos, falsos pastores, que abusam da boa fé dos fiéis (?).
    Meu grande alívio é que Deus está na direção de tudo e tudo vê; até aqueles que vivem publicando livros e mais livros, capitalizando a miséria espiritual dos outros. Caminhem em praças públicas e toquem a trombeta…..são poucos os que lêem no Brasil. Deus tenha misericórdia de todos nós. È preciso lembrar das palavras de Jesus em Mt 7.21 ” Nem todo aquele que me diz: Senhor ,Senhor, entrrá no Reino dos céus , mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” Estamos precisando orar mais o Pai Nosso.Deus nos abençoe e guarde na verdadeira fé.Amém.

  20. Em Zacarias 2:3-5 pode-se retratar o que o Brasil está vivendo hoje. Deus opera com propósitos e nos surpreende saindo-nos ao encontro. Deus tem um plano de fazer crecer o que é Seu, até a perfeiçao e até o seu encontro com a Sua Noiva já preparada. Porém, esquecemos facilmente que quem nos protege é Ele, e que justificar-nos, parabenizar-nos, acomodar-nos, gloriar-nos, é “fogo extraño” que tarde ou cedo Ele punirá. Oro para que a igreja evangélica no Brasil aproveite este tempo para se humillar perante Deus, e nao lhe aconteça como com a Argentina que em 2000-2003 quase desapareceu do mapa e assim mesmo nunca nos arrependemos como povo de Deus, muito menos ainda, o povo do mundo… TITO BERRY

  21. Será que a época atual é realmente estranha? Acho que talvez apenas diferente. Cada época tem seus desafios… O desafio atual para os cristãos em relação à política é serem éticos, lutar por uma reforma política, lutar pela democracia, lutar para que a humanidade se desenvolva de forma sustentável, pois a Terra está sofrendo e com ela geme a humanidade. Mas o maior desafio é mostrar o senhorio de Cristo sobre tudo e todos, mostrar com exemplos e não apenas discursos que Ele permanece no controle de tudo, que a ciência, por mais que evolua, não alcançará Deus. É preciso, sim, cristãos (não apenas os novos evangélicos) engajados novamente na política. É nossa responsabilidade, sim! Para ouvir o evangelho é preciso primeiro estar vivo! A desigualdade neste país ainda é muito grande. Vejo as novas igrejas evangélicas com tristeza. Muitas são extremamente dinheiristas. Os pastores de boa parte dessas igrejas não tem boa formação teológica. Sem formação teológica saem pregando asneiras. Não conhecem a Bíblia direito e tudo acaba virando um show, espetáculo para um povo que, por não ter tido boa oportunidade em termos educacionais, facilmente se ilude com as promessas de curas e vida próspera. A igreja se torna vagarosamente uma empresa. Ora, a história mostra que quando a evolução tecnológica chega, as velhas formas relutam mas acabam no esquecimento. A igreja precisa acompanhar a pósmodernidade! Se é para ser empresa tudo bem, mas que seja ética e que não esqueça que o lucro maior e o evangelho dito com clareza, com honestidade, à toda humanidade. Não precisamos de políticos evangélicos, precisamos de cristãos sinceros e preparados na política: é bem diferente…

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