Livro da semana | A Criança, a Igreja e a Missão

 

Deus espera que os adultos amem, cuidem, protejam, eduquem e alimentem seus filhos.

Os pais devem educar e ensinar seus filhos. Provérbios 6.20 incentiva as crianças assim: “Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe”. Provérbios 22.6 fala da responsabilidade dos pais em criar um desejo para as coisas espirituais em crianças de tenra idade: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles”. Deuteronômio 6.7 exorta os adultos a, sempre que possível, ensinarem seus filhos a amar e obedecer à lei: “Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho”.

Os adultos devem amar, respeitar e receber as crianças. Jesus demonstrou para nós sua preocupação pelas crianças com uma abordagem própria. Ele insistiu que seus discípulos recebessem as crianças e que não as atrapalhassem ao se aproximarem dele:

Depois trouxeram crianças a Jesus, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Mas os discípulos os repreendiam. Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”. – Mateus 19.13-14

Os pais são os cuidadores primários das crianças. O fato de Deus ter confiado o seu próprio filho aos cuidados de seres humanos sendo ele uma criança vulnerável indica a importância do papel dos pais. Deus exigiu que seu filho fosse criado por uma família e comunidade frágeis, porém capazes de fazê-lo. A experiência de Jesus como criança fornece um modelo baseado na confiança e responsabilidade que devemos seguir.

Na igreja primitiva, os pais eram incentivados a criar seus filhos “segundo a instrução e o conselho do Senhor”. Os pais eram exortados a não irritar ou exasperar seus filhos, “para que eles não desanimem”. Estes ensinamentos eram dados num contexto no qual os filhos eram incentivados a obedecer a seus pais ao mesmo tempo em que desafiava-se a autoridade ilimitada dos pais sobre as crianças da família. Continue lendo →

O conselho em Provérbios é o de que devemos instruir as crianças segundo os objetivos que temos para elas, e mesmo com o passar dos anos elas não se desviarão deles (Pv 22:6). E que grande desafio é esse de ensinar aos pequeninos! Para instruí-los, é preciso que nós também busquemos instrução.

Educadora cristã e pedagoga, Márcia Barbutti atua como editora assistente na Editora Cultura Cristã. Ela tem contribuído para o portal Ultimato com artigos que refletem sobre os desafios dos pais e educadores com as crianças, e auxiliando-os com recursos para serem aplicados na prática.

Leia e compartilhe os conteúdos preparados por Márcia, já publicados aqui:

 

Como auxiliar o desenvolvimento da espiritualidade da criança?

A igreja deve fornecer um ambiente propício para a criança desenvolver o seu relacionamento com Deus. Claro que esse ambiente deve ser alegre e aconchegante, mas não podemos confundir esse momento com entretenimento. Muitos líderes têm feito um tremendo esforço para criar uma atmosfera de lazer, empolgação e diversão no espaço da igreja, e isso por si só não é ruim, mas esse não é o único meio de aprendizado. Precisamos propiciar espaços e momentos de quietude e reflexão, levar a criança a compartilhar o que sabe, o que quer saber e o que sente. Mas para isso a liderança precisa também se aquietar e ter prazer nesses momentos que revelam intimidade e promovem o falar e o escutar. >>Leia mais

 

Como contar uma boa história bíblica para crianças?

Quando pensamos em contar uma história para crianças, temos que ter em mente em que contexto será contada. Será em casa, na igreja, em um evento? Qual a idade predominante? Que ferramentas – livro, figuras, slides, objetos – eu tenho à mão? Qual o tempo e espaço disponíveis? Temos que pensar nesses detalhes (e outros mais), porém, para a nossa conversa aqui, veremos alguns princípios que podem ser usados em diferentes contextos e com diferentes idades para contar uma boa história bíblica. Então vamos lá. >>Leia mais

 

Como falar da Reforma para crianças

O texto apresentado aqui é uma conversa/aula. O importante é frisar bem os conceitos básicos da nossa fé. Utilize a música disponibilizada ao final, ela também reforçará o ensino. Inicie falando sobre algumas reformas que vemos por aí, reformas em casas, prédios ou até mesmo em uma roupa. Mostre a roupa e pergunte o que leva uma pessoa a reformar algo. Aguarde as respostas e em seguida, enfatize que reformar é “dar forma melhor e mais aperfeiçoada; modificar algo estava em mau estado e pôr em bom estado”. >>Leia mais

 

Como lidar com a tecnologia na infância

Não é preciso ser especialista para ver que precisamos de uma boa dose de equilíbrio para usar toda essa tecnologia que está na palma da mão, disponível 24 horas por dia. Em minhas pesquisas e conversas, vi dois caminhos que precisamos trilhar, o primeiro é o dos “combinados”, ou seja, discutir o assunto em família e planejar ações para serem executadas por todos (inclusive pelos pais!). O segundo é sobre ajudar a criança a controlar seu tempo de exposição e filtrar o que assiste e joga. Vamos lá! >>Leia mais

 

Como contar a história da Páscoa para crianças

Falar sobre a Páscoa com os filhos menores é um tremendo desafio. Existem muitos conceitos que ainda não estão totalmente elaborados na mente dos pequenos, como morte, pecado, Jesus Deus e Homem… Mas aos poucos eles começarão a entender e os pais terão outras oportunidades para desenvolver melhor esses conceitos. Neste artigo, Márcia ajuda com recursos para contar a história da Páscoa aos pequeninos. >>Leia mais

 

Como falar do papel da mãe para crianças

A mulher virtuosa de Provérbios 31, embora pareça uma idealização, que não se encaixa no corre-corre da vida moderna, é real e possível. Os princípios que vemos nas Escrituras são tão atuais quanto os últimos acontecimentos da semana. Aqui Márcia lança um desafio aos homens, aos pais, para que ensinem essa parte das Escrituras aos filhos, tendo em mente que eles saibam que a Bíblia é o padrão para toda a família, compreendam a importância do papel da mãe no lar e reconheçam que é necessário dar honra e obediência às mães. >>Leia mais

 

Como falar de ética e política para crianças

Nunca fomos tão ávidos por manifestar nossas opiniões sobre os mais variados assuntos. O fluxo de dados dos nossos dias faz com que muitas informações, nem sempre verdadeiras, cheguem até nós. As crianças não estão alheias a toda essa forma de expressão. E quando o assunto é política fica o tremendo desafio: como pais (e professores) devem falar sobre ética, respeito e política em meio a um mar de lama e corrupção? >>Leia mais

 

Como e por que fazer o culto doméstico

Culto doméstico, culto familiar, culto em família, devocional do lar… Seja o nome que for, a pergunta que não quer calar é: ele já morreu, está na UTI ou passa bem, obrigado? Pensando bem, talvez devêssemos começar com outra pergunta: o culto doméstico é uma norma ou uma atividade opcional para a família cristã? Quando respondermos honestamente, saberemos o estado do paciente. >>Leia mais

 

Como preparar um calendário de Páscoa para crianças

Quem tem crianças em casa ou é professor(a), sabe da busca a cada ano para ensinar a mais importante mensagem de todos os tempos: Jesus assumiu a minha morte para que eu tenha vida! Pensando nisso, Márcia preparou um calendário da Páscoa para que papais e mamães ensinem aos seus filhos sobre os importantes fatos que antecederam a morte e ressurreição de Jesus. >>Leia mais

 

Como ensinar a criança a ler a Bíblia

“Não é fácil ler a Bíblia!”, possivelmente você já ouviu essa expressão e talvez até considere essa possibilidade. Então, não seria um contrassenso levar a criança a ler algo que é de difícil compreensão? Por que ela tem que fazer isso? É possível, uma criança ter o hábito de ler a Bíblia e ainda compreender o seu texto? Se essas questões inquietam você, vamos prosear sobre o assunto. >>Leia mais

 

Como falar sobre sexo e pornografia com as crianças

Nossos filhos são expostos cada vez mais cedo a cenas e notícias com teor sexual e as informações estão na palma da mão. Não somente as informações, infelizmente, nossos filhos também estão expostos a conteúdos degradantes e pervertidos. Nenhum de nós pode falar se o filho terá contato com a pornografia, resta-nos saber quando terão acesso e como irão agir. E cabe a nós, pais, tratar desse assunto com naturalidade e intencionalidade. >>Leia mais

 

Como falar de política para crianças

Não existe uma regra para determinar a idade mínima para essa conversa. O ideal é que a criança seja levada pela curiosidade, ou seja, à medida que ela comenta ou pergunta, iniciamos a conversa. Esse é um bom princípio, contudo não pode ser o único, pois, haverá situações nas quais precisaremos interferir. Por exemplo, conheci uma criança de seis anos que estava apreensiva porque pensava que, se determinado candidato vencesse as eleições, seu pai perderia o emprego. Muitos outros casos semelhantes a esses estão presentes nos lares do nosso país, portanto, pais e educadores precisam estar preparados para fornecer amparo e informação para seus filhos e alunos. >>Leia mais

O trabalho realizado na editora Ultimato é sustentado por orações. A equipe se reúne regularmente para orar pelas atividades desenvolvidas aqui, e também ora pelos pedidos de cada um. Momentos assim não faltam.

Aproveitando o especial Orações pelo Brasil, publicado na edição 373 da revista Ultimato, alguns ultimateiros deixam também por escrito suas participações. Aqui vão elas. Você também pode registrar a sua no nosso formulário.

 

Santo Deus,

Toda a criação está sujeita a ti. O Senhor reina sobre tudo e todos. Tem misericórdia de nós! Olha para o Brasil, que perece na injustiça e na maldade. Ajuda-nos a fazer o bem. E que a nossa esperança não esteja na política, mas, sim, em Cristo. Amém.

Jean

 

Senhor,

A tua palavra diz que “feliz a nação cujo Deus é o Senhor”. Queremos ter essa felicidade real do teu senhorio! Nos ensine a usar a nossa fé para além da nossa religião e, assim, sermos sal em nossa nação que sofre por tanta podridão. Que essa maioria numérica que nós cristãos representamos no Brasil possa se tornar exemplo de compaixão, respeito e amor com o próximo e com a criação. Ajude o nosso país, Senhor! Acalme este temporal em que nos metemos e dê sabedoria aos nossos governantes para que possa existir justiça. Em nome de Jesus. Amém.

Ana Cláudia

 

Peço a Deus que levante artistas mais comprometidos com a Palavra, que não se preocupem com o seu status, mas sim em levar o amor de Deus.

Peço a Deus que nossos governantes se preocupem mais com a educação do nosso país, com os desfavorecidos e menos com a sua vida pessoal.

Fábio

 

Pai,

O Senhor é soberano, rico em misericórdia e tem o poder para transformar vidas. Rogo ao Senhor que ajude o Brasil a ser uma nação santa. Que os líderes governem com justiça e que os brasileiros tenham emprego, saúde e educação de qualidade. Amém.

Lúcia

 

Amado Deus,

Temos presenciado várias famílias se perdendo, abaladas por motivos financeiros, emocional e espiritual. Sabemos que a família é a nossa base, um fator principal para definir nossos princípios e valores, e por isso Pai permita que essas pessoas conheçam o verdadeiro amor de Deus. Só assim poderemos ter a chance ter um povo que mereça sua misericórdia. Amém!

Érica

 

Senhor Deus,

Colocamos em tuas mãos o nosso Brasil. Sara, cura, restaura esta nação, ó Pai! Converta, Senhor, os corações dos filhos aos pais, perdoa a iniquidade e o pecado do povo brasileiro, restaura lares, casamentos, famílias, relacionamentos. Estabeleça, ó Deus, um governo justo obre este país cujas autoridades sejam pessoas idôneas e tementes ao Senhor. A começar em nós, querido Deus, transforma a nação brasileira. É em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, que oramos e, desde já, lhe agradecemos. Amém.

Lívea

 

Senhor Jesus,

Somos gratos por suas maravilhas criadas em nosso mundo e também pelo teu cuidado conosco. Pedimos em favor do nosso país, o Brasil. Que o Senhor estenda suas mãos sobre nós e tenha misericórdia. Precisamos de ti. Que a sua providência venha sobre nossas finanças, o teu olhar sobre nossas crianças e o teu governo sobre o nosso governo. Que neste tempo de crise possamos nos aliviar na sua graça, pois sabemos que somente em ti podemos confiar e temos certeza do teu amor. Que o teu nome continue sendo exaltado em nosso país. Amém.

Karina

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

Obrigada por ser tão bondoso e compassivo. Obrigada pela sua misericórdia. Senhor, ajude-nos a andar no caminho certo, andar em retidão. Abençoa as nossas crianças que estão perdidas neste mundo cruel e cheio de armadilhas. Livre as nossas crianças de todo o mal e dá-nos a paz.

Águida

 

Senhor,

Obrigada por não mudar. Obrigada por podermos contar com suas misericórdias se renovando sobre nós a cada manhã. Não merecemos nada, e o Senhor nos dá tanto!

Nos ajude, por favor, a sermos bons mordomos do que o Senhor tem colocado em nossas mãos. Esse mundo é tão cheio de possibilidades… Nos guie no caminho daquelas que agradam a ti.

Temos um Deus tão criativo, não nos permita limitá-lo. Temos um Deus tão sábio e zeloso, não nos permita perder o temor.

O Senhor não nos tira do mundo, mas nos livra do mal. Que essa certeza nos faça caminhar firmes, cuidado desta terra e criando a partir dela, para a glória do Senhor. Amém.

Amanda

 

Senhor,

Preocupa-nos a falta de oportunidade de trabalho para tantos brasileiros. Quantas lágrimas de pessoas sinceras devem estar sendo derramadas pelas portas fechadas. Que dor! Tem misericórdia das famílias cujos recursos estão acabando. Tem misericórdia das crianças e velhos destas famílias e surpreende-os com tuas provisões. Ao mesmo tempo, constrange o governo diante desta realidade e ajuda o Brasil a encontrar uma solução justa, aplicável e que reverta o mal do desemprego em oportunidades para muitos.

Ariane

Livro da Semana  | Fé Cristã e Ação Política

 

Todo o meu discurso sobre a diferença de esferas estatais e eclesiásticas poderia nos levar a um problema que julgo ser o principal obstáculo para a participação pública dos discípulos de Cristo. Dizer que estes dois âmbitos da realidade social são separados, independentes e regidos por suas próprias leis não é o mesmo que dizer que política é um assunto restrito ao âmbito jurídico, partidário e governamental, enquanto religião é restrita ao templo, ao domingo e aos cristãos. Minha crítica à tese da secularização da sociedade tem um alvo específico: questionar essa compartimentalização da vida dos indivíduos. O filósofo canadense James K. A. Smith resumiu esse alvo em uma frase simples: “existe algo de político em jogo em nosso culto e algo religioso em jogo em nossa política”.[i] Entender como acontece essa relação é a principal contribuição que pretendo deixar com esse livro.

O primeiro passo para avançarmos nossa capacidade de análise política é jogarmos no lixo o costume de pensar a ação política de maneira “espacializada”. Apesar de ser importante distinguir as esferas soberanas de nossa sociedade, não podemos achar que a esfera religiosa se limita ao “espaço das igrejas”, enquanto a esfera política se reduz ao “espaço da assembleia legislativa ou da câmara municipal”, ou mesmo ao “espaço das reuniões do Supremo Tribunal Eleitoral”. O grito que algumas igrejas acabaram repetindo de “vem pra rua” carrega consigo uma ideia muito falsa: a de que política é feita somente no “espaço da praça pública”, e que em casa, na escola, na igreja ou em outros espaços e esferas não continuamos nosso trabalho de agentes públicos. Precisamente por isso muitas pessoas fizeram questão de lembrar às igrejas que repetiram acriticamente essas palavras de ordem que: “sempre estivemos na rua”. Muito mais que ocupar determinado espaço, a presença pública fiel diz respeito a uma consciência que dirige nossas ações: estamos vivendo diante de Deus em tudo o que fazemos para o bem comum e o florescimento do ser humano.

Não pense você, caro leitor, que isso é algum tipo de argumento quietista, procurando justificar nossa ausência nas disputas cotidianas das ruas. Muito pelo contrário. O que pretendo com isso é convidá-lo a um olhar mais rigoroso das dinâmicas próprias de nossa vida pública. Quanto a esse ponto, veja o que diz James Smith:

nossas vidas “políticas” não estão sequestradas a uma esfera particular. O político não é uma praça com os portões discerníveis. Embora muitas vezes falemos da “praça” pública, a metáfora é antiquada e inútil. Não há praça ali. E certamente não é o caso de que “o político” está restrito às nossas capitais, legislaturas e cabines de votação. O político não é sinônimo ou redutível ao domínio do “governo”, mesmo que haja sobreposição significativa. O político é menos um espaço e mais um modo de vida; o político é menos um reino e mais um projeto. Quando reduzimos a política através desta dupla espacialização e racionalização, o que é perdido e esquecido é uma apreciação da forma como a polis é uma comunidade formadora de solidariedade e o fato de que a participação política exige e assume exatamente tal formação – uma cidadania com hábitos e práticas para viver em comum e para um determinado fim, orientado para um telos.[ii]

Precisamos trocar nossas metáforas políticas. Elas carregam toda nossa imaginação pública para uma direção reducionista. Enquanto insistirmos na necessidade de os “cristãos ocuparem a praça pública”, vamos reforçar o que queremos derrubar: o estereótipo de que vivemos em dois reinos distintos – o público e o privado, o sagrado e o secular, o sobrenatural e o natural. Da mesma forma que “esquerda” e “direita” são polarizações que pouco contribuem para entendermos o que acontece nas disputas políticas, o dualismo público e privado também é ultrapassado e em quase nada ajuda o pensamento político a avançar para horizontes mais promissores.

Vou falar mais sobre a obsolescência da divisão entre público e privado no próximo capítulo. Por hora, basta insistir que a ação política tem mais a ver com uma forma de vida cotidiana do que com um espaço específico de burocracia governamental. Quem coloca essa mesma ideia de maneira muito interessante é o fundador do Centro de Fé e Cultura da Universidade de Yale, Miroslav Volf, em seu livro Public Faith in Action [Fé pública em ação], em coautoria com Ryan McAnnally-Linz:

a palavra público não nomeia uma parte isolada da vida humana que pode ser descartada em uma gaveta pequena ao lado de outras gavetas para a vida familiar, a vida da igreja, a vida de balada, etc. O público não pode ser cuidadosamente separado e tratado com se estivesse além do resto da vida, como quando separarmos as roupas brancas das roupas coloridas quando lavamos roupa. Dito isto, o público não engole o resto da vida também. Não é apenas mais uma palavra para toda a vida. Pelo contrário, o público é uma dimensão ou aspecto da vida humana, aquele que envolve questões e instituições relativas ao bem de todos, o bem comum. O público é a vida vista como a “vida em comunhão” na sociedade.

 

Correspondentemente, a fé pública é a fé preocupada com a modelagem responsável da nossa vida comum e do nosso mundo comum. Cada parte da vida tem um lado público. Toda a vida é atravessada com significado público. Às vezes, esse lado público é óbvio, como quando uma pessoa vota ou concorre a um cargo. Outras vezes, é mais difícil discernir, mas ainda assim existe, como quando alguém decide se envia seus filhos para uma escola particular em vez de pública. Até mesmo a forma de nossos desejos mais íntimos diz algo sobre e faz a diferença para nossa vida comum. A vida pública não é apenas para políticos ou celebridades. Cada um de nós vive uma vida pública porque todas as vidas têm uma dimensão pública que as atravessa. Toda vida contribui, ainda que de maneira fraca, para a vida pública: governos, economias, instituições educacionais, mídia e afins.

 

Então não é só que qualquer um e todos podem se engajar na vida pública, todos nós inevitavelmente fazemos isso… Se hoje você decide desistir da “política” – parar de votar, parar de ler as manchetes, evitar atentamente conversas sobre impostos e assistência médica, humilhar-se e apenas seguir a sua própria vida da melhor maneira possível –, você não escaparia inteiramente da vida pública. Em vez disso, você estaria vivendo certo tipo de vida pública, uma vida pública limitada, em grande parte passiva e provavelmente irresponsável, mas uma vida pública, no entanto.[iii]

Fé Cristã e Ação Política foi escrito exatamente para que você não experimente este tipo de vida pública passiva e irresponsável. Ao contrário, ele apresenta a relevância pública da espiritualidade cristã, ou, ainda, como a formação espiritual do discipulado cristão é fundamental para dirigir a fisionomia política das democracias ocidentais. Trata-se de um livro sobre militância política centrada no discipulado cristão. Em síntese, com o intuito de ser um trabalho filosófico e de criar um conceito que corresponda a isso, este livro é, antes de tudo, um tratado de “militância eclesiocêntrica”.

Trecho retirado do livro Fé Cristã e Ação Política, de Pedro Dulci (Editora Ultimato).

NOTAS

[i] SMITH, James K. A. Awaiting the King: Reforming Public Theology.  Michigan: Baker Academic, 2017. p. 3.  (Cultural Liturgies, book 3).
[ii] Ibidem, p. 9.
[iii] VOLF, Miroslav; MCANNALLY-LINZ, Ryan. Public Faith in Action: How to Think Carefully, Engage Wisely, and Vote with Integrity. Michigan: Brazos Press, 2016. p. x-xi.

Não é só em época de eleições que precisamos orar pelo nosso país, mas ao se aproximar o dia em que quase 150 milhões de brasileiros vão depositar seu voto em quem querem que sejam seus representantes nas decisões sobre o rumo do país pelos próximos 4 ou 8 anos, a lembrança da importância dessas súplicas fica mais evidente.

Aqui no blog da Ultimato já publicamos as orações publicadas no especial da edição 373 da revista e as preces de alguns leitores. Agora é hora de lermos aquelas de alguns dos colaboradores da revista e do portal. Ore conosco!

 

Pai,

ouça o clamor do seus no Brasil. Muitos tem tentado não mais participar das obras infrutíferas das trevas e tem buscado expô-las à luz. Te peço que mude o coração dos que se tornam lideres dessa nação, que não mais sejam inclinados para o mal. Pai, faça o povo voltar para ti de todo coração, mente e alma e que não mais sejam identificados como os que são dados à corrupção. Envie a sua justiça sobre essa nação, para que o pecado não mais lidere trazendo vergonha sobre todos. Não deixe que o ímpio continue a influenciar e oprimir os necessitados que geme no Brasil. Pai, faça o justo a florescer para que o povo que se chama pelo seu nome possa se alegrar na verdade do Senhor. Oro assim em acordo com a sua Palavra, em Gênesis 6.5, Isaías 1.4, Provérbios 14.34, 28.15, 29.2, Efésios 5.11, e com gratidão pela sua resposta, no nome do Senhor Jesus, Amém.

Neiva Cruvinel Garcia

 

 

Senhor, olha para nós

E, com a luz do teu olhar, atrai-nos para ti.

Ensina-nos a votar como quem pensa.

Ensina-nos a pensar como quem ama.

Ensina-nos a amar a vida,

a gente que nos cerca

e que faz parte da mesma história.

Ensina-nos também a amar os rios, os bichos, as matas que ainda nos rodeiam

e ainda olham para nós com olhos expectantes.

 

Senhor, com a mesma intensidade com que amamos o evangelho,

ensina-nos a amarmos a democracia,

que é o jeito mais humilde de reconhecer que somos humanos,

que precisamos caminhar juntos,

corrigir nossos passos,

ajudar quem ficou para trás,

levantar quem está abatido,

imaginar um futuro possível,

semear a terra e olhar o horizonte

com esperança.

 

Amém.

Gladir Cabral

 

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A semana foi agitada nos corredores e na varanda de Ultimato. Tivemos Dia U, tivemos oração, tivemos despedida. Na galeria abaixo, você confere fotos de cada um desses momentos.

O Dia U foi um dia de gratidão. Na terça-feira, agradecemos aos assinantes, aos colunistas e articulistas eventuais, aos artistas, às organizações e igrejas parceiras, e a muito mais gente, listada aqui. Esse também foi um dia de celebração entre a equipe. O que, é claro, inclui comunhão em volta da mesa e comida boa. O almoço foi alegre e farto!

A cada bimestre, uma nova edição da revista Ultimato chega à casa dos assinantes, e também às mãos de cada um da equipe Ultimato. Por conta do especial “Orações pelo Brasil”, da edição 373, convidamos os leitores a deixarem suas súplicas pela nação. Os ultimateiros também escreveram as suas e sorteamos três kits entre a equipe, vindos dos Norte e do Sul do país.

Do Norte vieram potes de cerâmica marajoara, arte feita pelos indígenas da Ilha de Marajó, e a mais antiga dentre as artes em cerâmica do Brasil. Do sul, veio uma xícara de cerâmica pintada a mão, por artista gaúcha. O tema do desenho é a folha de plátano, árvore típica de regiões frias, como o Rio Grande do Sul. Na quinta, Lívea, Lúcia e Daniela levaram esses pedacinhos do Brasil pra casa.

Para fechar a semana, nossa pausa para o café teve um cenário especial, no jardim de oração, para nos despedindo da Priscila. Aqui na Ultimato é sempre uma festa quando chega um bebê! Que benção de Deus! A Priscila chegou para cobrir o período de uma licença maternidade, e que meses bons foram esses, da Cristina com o pequeno Miguel, e da Priscila aqui conosco. Oramos para que o Senhor abençoe os próximos passos dela!

Em meio a tanto barulho e a tantas promessas, precisamos nos lembrar de que “alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor nosso Deus” (Salmos 20:7). Independente do cenário, nossa esperança está em Cristo, que já venceu o pecado e a morte. Nossa esperança para o Brasil está em Cristo, e é por isso que levamos nossas súplicas a Deus.

A edição 373 da revista Ultimato trouxe um painel com orações em favor do Brasil, vindas de pessoas de diferentes perfis. Em nossa Prateleira, convidamos os leitores a deixarem também suas contribuições. Os tempos são difíceis e nossa pátria precisa de orações. Aqui estão algumas das orações recebidas:

 

“Senhor Deus, temos enfrentado tempos difíceis… Para onde quer que olhamos só vemos tristeza e desolação. A corrupção toma conta do nosso país e da boca dos líderes só saem mentiras e vãs promessas. Senhor, levanta em nosso meio homens comprometidos com a Palavra, que sejam sinceros, leais e verdadeiros. Homens que tenham o temor de Deus no coração, que defendam a justiça e levantem a voz em favor dos pobres. Tem misericórdia do nosso país!” – Heloísa W. N. Lima, 65 anos

 

“Deus exaltado e glorificado seja o teu nome. Somos pecadores e carentes da Tua infinita graça e misericórdia por isso clamo:  que nestas eleições sejam eleitos candidatos que tenham temor e tremor de Ti em nome de Jesus amém!” – Suely Acorroni, 53 anos

 

“Senhor, me conhece e sonda meu coração; sabe dos motivos que me levam a votar em um dos candidatos: o desejo que a justiça prevaleça e que os pobres deste País possam viver com dignidade. Mesmo assim, sabendo da minha ignorância e pequenez, peço que, em primeiro lugar se cumpra a sua vontade. Peço, também, que não haja represálias, proibições ou opressão do seu povo, que possamos continuar professando a nossa fé. É nome de Jesus. Amém” – Raquel de Abreu Ramirez, 55 anos

 

“Senhor Eterno, Deus pai, venho prostrar perante ti, Senhor, em nome dessa juventude brasileira. Senhor, eu não posso me calar diante de 63.000 homicídios anuais, e a grande maioria é de jovens. Senhor, muda essa realidade do nosso pais, trabalha no coração dos governantes para fazerem leis mais fortes, que protejam os jovens e uma pena maior aos infratores” – Marcos Figueiredo, 39 anos

 

“Pai querido e amado! Assim como a corça anseia pelas águas, a nação brasileira necessita de Ti! Tu, ó Senhor meu e Deus meu, que és soberano, onisciente, onipotente e onipresente, o Todo poderoso criador dos céus e da terra e de tudo que neles foi criado, Tu, ó querido Deus, que tens o controle do universo e tens a terra como estrado dos seus pés, em nome do teu filho amado Jesus, age com providência em todas causas do Brasil, que a Tua vontade seja feita para a glória do Teu nome!” – Lilian Maria Lobo da Silva, 48 anos

 

“O SENHOR abençoe meu Brasil, que vive momentos difíceis em todas as áreas. Que possamos continuar a proclamar a salvação de JESUS CRISTO e que a nossa bandeira continue sendo verde e amarela! AMÉM!” – Manoel Martins Siqueira, 62 anos

 

“Senhor Deus, soberano sobre tudo e sobre todos, te agradeço pela liberdade de poder testemunhar do teu amor e em comunidade te adorar livremente. Confessamos nossos pecados como Igreja nesta nação. Tem misericórdia de nós e aviva nossos corações para que possamos pregar a tua Palavra com fidelidade e no poder do Espírito Santo. Senhor, dê-nos sabedoria para votarmos nas próximas eleições e livra-nos dos corruptos, injustos e inimigos da Tua Palavra. Tem misericórdia de nós, em nome de Jesus. Amém.” – João Batista Gomes Coelho, 56 anos

 

“Senhor, clamo pelo teu nome e pelo teu agir sobre a nossa nação, para que se cumpra o que teu profeta Malaquias disse da tua parte, e assim feito o nosso Brasil sairá do charco de lama em que se encontra atolado. Age, meu Deus, dentro dos corações e dos lares de cada brasileiro, para que cesse a maldição nas vidas e nos lares do nosso povo. “… e ele (Jesus) converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição”. Amém.” – João Carlos Xavier, 63 anos

 

“Querido Deus, gostaria de interceder pelo nosso país. Quero pedir para que o Senhor ajude neste momento tão difícil que atravessamos. Que nestas eleições possamos fazer escolhas de acordo com a tua vontade e possamos ter representantes que cuidem desta nação. Senhor, ajuda este povo a fazer as suas escolhas em prol de todos, que não sejamos egoístas querendo apenas olhar para nossas necessidades. Ajuda-nos a sermos honestos e escolhermos os representantes de acordo com sua vontade.  Amém.” – Luciano Arruda Mariano, 52 anos

 

“Senhor, Nosso Deus e Pai, Te pedimos em nome de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que sejamos uma nação que tenha o Senhor como nosso Deus, que o caráter de nosso povo seja transformado e que deixemos de procurar levar vantagens em tudo que empreendermos. Que isto seja estendido aos nossos governantes, para que vejam seus cargos como uma missão e, sendo assim, busquem meios de proporcionar o bem de nossa população”. – Ivanal Francisco Guimarães, 54 anos

 

“Senhor meu, todo poderoso, peço que o Senhor incline vossos ouvidos ao clamor do povo brasileiro. Nos ajude, Senhor, para que nesse processo eleitoral saibamos escolher nossos representantes segundo a tua vontade. Senhor, que os eleitos sejam realmente aqueles que tu queres para o nosso país. Nos ajuda, como povo Teu, a termos unidade em pensamento e que o Teu Amor seja o nosso norte, Senhor. Tudo isso te pedimos, no Nome acima de todo nome, Jesus.” – Neemias Matias Alves, 44 anos

 

“Pai, abençoa nossa nação a partir da tua igreja. Nos conduz a uma vida de comprometimento com os mais necessitados. Que possamos construir unidade  na construção de lideranças comunitárias em todos os seguimentos. Abençoa nossa nação, em nome de Jesus.” – Francisco José Cordeiro Neto, 56 anos