As semelhanças entre Charleston e Ashbel Simonton

BlogUlt_30_06_15_FuneralElben M. Lenz César

O que aconteceu em Charleston, na Carolina do Sul, na noite do dia 17 de junho de 2015, faz lembrar o Diário de Ashbel Simonton, o pioneiro da Igreja Presbiteriana do Brasil, porque tanto ele como Dylann Roof, o suspeito do assassinato de três pastores e seis outras pessoas, todos negros, tinham a mesma idade (21 anos) quando passaram pela cidade.

Simonton chegou a Charleston no dia do 78º aniversário de independência dos Estados Unidos (4 de julho de 1854). Ele registra na página 64 do diário:

“Em Charleston, a primeira coisa que fizemos depois de nos alojarmos no Charleston Hotel foi tomar banho e vestir roupas limpas. [Depois] fomos conhecer a cidade. Os sinos repicavam sem parar e as ruas estavam cheias de negros, muitos deles vestidos na última moda. Decididamente, havia mais negros que brancos. Por curiosidade, James [irmão de Simonton] começou a contar e o resultado foi 30 negros para um menininho branco… À noitinha presenciamos uma bela demonstração de fogos de artifício na Artilharia. Rojões, busca-pés, chuvas, estrelinhas de todo tipo de fogo de artifício imaginável foi lançado com lindos efeitos. A única concorrência com o espetáculo era o esplendor da tarde. A multidão era bastante misturada”.

Talvez Simonton tenha visitado o Mercado de Escravos de Charleston e a Igreja Metodista, onde, 161 anos depois, aconteceriam os assassinatos. Esta igreja foi organizada em 1816 para e por negros. Entre os mortos estavam um pastor aposentado de 74 anos e uma idosa de 87 anos. Curioso é que Dylann Roof teria ficado no estudo bíblico cerca de uma hora antes de começar a atirar.

Menos de um ano depois de passar por Charleston, Simonton resolveu “colocar-se publicamente ao lado do Senhor e abafar o orgulho teimoso que o impedia de fazê-lo”. E, cinco anos depois, no dia 12 de agosto de 1859, desembarcava no Rio de Janeiro. Em menos de oito anos de ministério, Simonton organizou a primeira igreja presbiteriana, a primeira escola paroquial, o primeiro seminário, o primeiro jornal e ordenou o primeiro pastor brasileiro.

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Imagem: Funeral das vítimas do atirador na Igreja Emanuel, em Charleston (EUA) / O Globo.

Na capa da Ultimato: O que eu vou ser quando crescer?

capa_ult355A edição de julho da revista Ultimato entrou em gráfica no último fim de semana.

Na capa (e no miolo), “Vocação e Juventude”. O assunto, claro, é aquilo que até os mais velhos ainda querem saber: o que eu vou ser quando crescer…

E, quando o assunto é vocação, corremos o risco de submeter o pastor, o teólogo de plantão, a redação da revista e até o próprio Deus a um interrogatório. Queremos um emprego, um endereço completo, competências e habilidades, satisfação garantida ou a nossa vidinha de volta. Ou seja, começamos pelo nosso umbigo, sem perceber que Deus pensou mais longe faz um tempinho.

Além dos artigos da matéria de capa, Ultimato também apresenta um infográfico – Deus chama: o que significa e até onde vai este chamado – que vai ajudar os leitores na compreensão da vocação de forma mais ampla, mesmo quando não temos as ‘certezas’ que gostaríamos. No prelo.

Para ler primeiro a edição de julho da revista Ultimato, assine.

Ultimato lança em Brasília “A Criança, a Igreja e a Missão”

capa_crianca_igreja_missaoA Editora Ultimato lançou ontem à noite (11/06), em Brasília (DF), o livro A Igreja, a Criança e a Missão, de Dan Brewster. O evento aconteceu durante a 2ª Consulta Teologia da Criança que reúne, desde quarta-feira, cerca de 50 pessoas engajadas com a causa da infância em todo o mundo. O lançamento foi regado à boa música do cantor Rubão, da banda Sal da Terra.

A Igreja, a Criança e a Missão é resultado do esforço do autor em estudar o tema com os alunos de mestrado em Desenvolvimento Integral da Criança do Seminário Teológico Batista da Malásia, em Penang. A primeira edição do livro (em inglês) foi publicada em 2005. Em português, produção e edição do título aconteceu graças ao trabalho da Editora Ultimato com o apoio de Rede Mãos Dadas, Visão Mundial, Compassion e Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira.

A 2ª Consulta Teologia da Criança traz reflexões sobre uma teologia feita a partir da própria criança, e não somente sobre ela. Um dos resultados da primeira consulta (2006) foi o livro Uma Criança os Guiará, organizado por Klênia Fassoni, Lissânder Dias e Welinton Pereira.

Blog_Ult_12_06_15_crianca_teologia1A Igreja, a Criança e a Missão aborda o tema em cinco áreas principais: 1) a criança, 2) a criança e a igreja, 3) a criança na igreja, 4) a criança e a missão, 5) a criança e a defesa de direitos. Segundo Dan, “o livro deve ser mais importante no seu conceito do que no seu conteúdo. Colocar essas três coisas juntas – a criança, a igreja e a missão – é que faz o livro valer a pena”. E continua: “é importante ressaltar que este não é um livro de respostas, mas um livro de questões. Eu espero que as pessoas leiam e contextualizem essas questões para suas realidades”.

Com bom humor, Klênia Fassoni, diretora geral da Editora Ultimato, disse que “nós gostamos de lançar livros que não vendem muito, não porque não vendem, mas por serem temas tão importantes como meio ambiente, o sofrimento na vida missionária, a questão indígena e também a criança”. Ela agradeceu as parcerias que o livro possibilitou e à Compassion e Rede Mãos Dadas, que enviarão o livro para 300 seminários e 400 igrejas parceiras.

Susete Cardoso, diretora da Compassion no Brasil, também agradeceu aos parceiros envolvidos na produção deste livro e, em especial, à Terezinha Candieiro, da Junta de Missões Mundiais, que foi aluna de Dan Brewster na Malásia e trouxe o desafio de traduzir e publicar o livro, tal foi a influência que ele teve na sua vida e ministério.

Para Welinton Pereira, pastor metodista e assessor de relações institucionais da Visão Mundial, “o livro traz uma perspectiva da criança como fundamental no ministério de Jesus e indispensável na missão evangelizadora da Igreja. IMG_2334É um recurso importante que oferece subsídios para o trabalho com as crianças para a liderança da igreja e as pessoas em geral”.

Elsie Gilbert, executiva de comunicação da Rede Mãos Dadas, usou uma das falas de Dan sobre Samuel, já quando sacerdote, ele foi à casa de Jessé e perguntou sobre mais algum filho que ainda não teria chegado e diz “não vamos sentar enquanto Davi não chegar”. Para ela, o livro vem nos confrontar a “não sentarmos enquanto as crianças não chegarem até nós”.

O lançamento encerrou com a venda dos livros, momento de autógrafos e um “cafezinho medroso”, que veio bem acompanhado.

 

• Tábata Mori é jornalista e mestranda em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões (CEM).