Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja. [Colossenses 1.24]

Os cristãos devem saber que não serão poupados do sofrimento e que tal sofrimento deve ser digno de ser assim chamado. Ele realmente nos ferir e abater, como acontece quando nossas posses, corpos e vidas são ameaçados. Nós precisamos senti-lo de verdade, pois se não machucasse, não seria sofrimento. Além do mais, não podemos escolher, como algumas pessoas fazem, o nosso próprio sofrimento. Ele deve ser do tipo que o Maligno ou o mundo envia a nós. Gostaríamos de ser poupados dele, se possível. Então, precisamos estar firmes e nos reconciliar com esse sofrimento. Como já disse anteriormente, precisamos sofrer para nos tornarmos mais parecidos com Cristo. Não existe outra maneira. Todos enfrentarão a cruz de Cristo e o sofrimento.

Se você sabe disso, então sofrer é mais fácil e mais suportável. Você pode se confortar dizendo: “Bem, se eu quero ser um cristão, devo vestir a camisa. Nosso querido Cristo não distribui outras vestes para quem está do seu lado. Devo suportar esse sofrimento”.

O mesmo não acontece com pessoas que insistem em escolher a sua própria cruz. Ao invés de se confortarem, elas se tornam aflitas e lutam contra isso. Que comportamento louvável! Porém, elas criticam a forma como ensinamos sobre o sofrimento, como se fossem as únicas que pudessem ensinar como lidar com eles. Ainda assim, ensinamos que nenhum de nós deve escolher seu próprio sofrimento. Entretanto, quando a cruz vem, devemos carregá-la e suportá-la pacientemente.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Livro da Semana  |  Sou eu, Calvino

Uma coisa é certa: quando as riquezas dominam o homem, Deus é despojado de sua dominação

 

A salvação somente pela graça de Deus e não pelas obras, como o senhor insiste sempre, não desobriga o crente reformado das boas obras?
De modo nenhum. As boas obras não causam a salvação, mas devem ser a causa dela. É uma questão de ordem: primeiro a salvação e, depois, as obras. Pode-se dizer que a doutrina do sola gratia santifica as obras, pois arranca delas a chaga da barganha e as torna uma expressão da gratidão e louvor a Deus. Em Genebra damos muita importância à ação social. Temos exercido grande influência sobre o governo civil da cidade. Daí as leis até sobre saúde e segurança. Cuidamos das coisas grandes e das pequenas. Por exemplo, é proibido jogar lixo ou excrementos humanos nas ruas, é proibido acender uma lareira em quartos sem chaminés, é proibido construir uma sacada sem grades (para evitar que as crianças caiam dela). Intrometemo-nos em tudo: uma enfermeira não pode levar consigo para a cama os bebês, os vigias noturnos devem fazer suas rondas com responsabilidade, os negociantes não podem cobrar demais pela sua mercadoria. Na época das eleições, o pregador da Catedral de Saint Pierre deve pregar sobre a necessidade de eleger homens piedosos, e os eleitos são exortados a governar sob a direção de Deus e para a glória dele. Em nossas exposições bíblicas, apontamos como contrárias à ética cristã as habituais manobras para aumentar o lucro, tais como a estocagem de trigo na esperança de que ele suba de preço, a especulação financeira e o monopólio. Quando o primeiro dentista montou seu consultório em Genebra, eu mesmo fiz a primeira consulta para testar sua competência.

Antes de sua primeira chegada a Genebra, Guilherme Farel, na tentativa de moralizar a cidade, colocou rédea curta em todo mundo. Por exemplo, a presença aos cultos dominicais era obrigatória, sob pena de pesadas multas. Leis severas demais dão resultado?
Minha experiência diz que não funcionam nem em curto nem em longo prazo. Temos de pedir sabedoria a Deus, tanto para não pesar demais como para não pesar de menos. Não podemos cair nem no legalismo (não faça isso, não faça aquilo) nem na frouxidão (não é pecado isso, não é pecado aquilo). Temos de apelar mais ao coração do que à coerção. Naturalmente algumas leis foram necessárias para disciplinar Genebra e torná-la uma cidade reformada não só nominalmente. Fizemos leis para regulamentar o uso de bares, para proibir a blasfêmia contra Deus, a venda de pão e vinho a preços acima dos estipulados, a prática do jogo de cartas (que tirava o dinheiro de muitos em favor de poucos) etc. Tornamos obrigatória a instrução pública. Acabamos com os muitos dias santos herdados da Igreja Católica e devolvemos ao domingo a importância que ele deve ter, tornando-o verdadeiramente o dia do Senhor, o dia de ir à igreja, o dia de descanso semanal. Embora nossas intenções fossem as melhores possíveis, descobrimos que leis por demais severas, que excedem os limites do razoável, provocam insatisfação, mesmo entre os crentes verdadeiros. Os libertinos, que pendiam para o lado oposto, acabaram nos expulsando de Genebra, eu e Farel, em abril de 1538.

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[500 Anos da Reforma]
Por Martinho Lutero

Melhor é contentar-se com o que os olhos veem do que sonhar com o que se deseja. Isso também não faz sentido; é correr atrás do vento. [Eclesiastes 6.9]

Deleitar-se com o que você tem atualmente é melhor do que deixar que o seu coração vagueie. Você deve fazer uso do que está na sua frente, em vez de perambular por aí, cheio de desejos. Isto foi o que o cachorro dos escritos de Esopo fez quando perseguiu o reflexo na água, o que fez com que ele perdesse a carne que tinha na boca. Você deve usar o que Deus colocou diante de você e ficar satisfeito com isso. Você não deve tentar satisfazer os seus próprios desejos, porque eles nunca serão totalmente satisfeitos. Em vez disso, você deve usar tudo o que Deus tem colocado diante de você. Tudo isso é muito bom (Gn 1.31).

Pessoas fiéis são contentes com o que têm e consideram tudo como um presente de Deus. Os incrédulos, porém, agem de forma diferente. Tudo o que vêm na sua frente não passa de um estorvo. Eles não usam esses presentes nem os apreciam. Ao contrário, permitem que seus corações andem sempre descontentes. Se eles têm dinheiro, não encontram prazer nem desfrutam dele. Eles sempre querem algo diferente. Se eles têm um cônjuge, querem uma outra pessoa. Se adquirem um reino, não ficam satisfeitos com apenas um. Alexandre, o Grande, por exemplo, queria outro mundo para conquistar.

Devemos fixar nossos olhos no que já temos à nossa frente. Devemos nos agradar com tudo isso. Devemos ter prazer nisso e agradecer a Deus por cada coisa. Deus não quer que os nossos corações vagueiem pensando em outras coisas. Essa passagem nos mostra que devemos fazer uso do que temos no presente. Deixar que nossos corações vagueiem cheios de desejos não faz sentido.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Livro da Semana  |  Práticas Devocionais

 

A “Prática da Confiança” é a arte de colocar em Deus toda a capacidade de crer, em qualquer lugar, em qualquer tempo e em qualquer situação, mediante a negação da incredulidade própria e a afirmação da onipotência divina.

 

FÉ E CONFIANÇA NEM SEMPRE são sinônimos perfeitos. Em certas passagens das Escrituras e em certas experiências pessoais, fé pode significar a bagagem doutrinária conhecida e aceita, e confiança pode significar o elo de ligação contínua entre o crente e o seu Senhor.

A fé focaliza mais a descoberta da salvação eterna de Deus e a confiança focaliza mais a descoberta da provisão diária de Deus. A fé está mais perto da teoria e a confiança está mais perto da conduta.

A fé seria a porta de entrada e a confiança seria o caminho a percorrer. Não se pode ir muito além dessas singelas considerações porque uma e outra estão tão interligadas que formam, na verdade, uma só peça, um só bloco.

A prática da confiança amarra o crente a Deus e não aos problemas que tolhem a alegria de viver. A plena confiança ocupa todo o espaço vazio entre Deus e aquele que foi alcançado pela graça, reduz drasticamente a taxa de ansiedade e traz benefícios incalculáveis para a saúde emocional e até para o bom desempenho do corpo humano.

 

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Por Elben César   |   Ultimato, edição 237

Uma criança nasce com atresia de esôfago. Corre sério risco de vida. É internada às pressas na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Com seis dias de vida, o cirurgião abre a barriguinha da menina e encontra um bom pedaço do esôfago caído lá em baixo e emenda com o pedaço de cima. Nove dias depois, a criança começa a tomar leite materno.

Quem salvou a vida da menina: a medicina ou a misericórdia divina?

 

19 de julho de 1995

Nasce nosso oitavo neto. É uma menina. Os pais dão o nome de Clara, o que me traz uma pequena dificuldade, pois não consigo pronunciar o “ele” entre uma consoante e uma vogal. Vou ter que chamá-la de Crara a vida inteira.

Antes, eu e Djanira oramos várias vezes pela gravidez da mãe e pela criancinha em formação, lembrando-nos sempre da descrição que Davi faz da admirável evolução da “substância ainda informe” até atingir, de “modo assombrosamente maravilhoso”, em exatos nove meses, o corpinho tão completo que pode sobreviver fora do útero materno (Sl 139.13-18).

Minutos antes da menininha nascer, oramos com os pais, no hospital mesmo. Depois da cesariana, deu para ver Clarinha nos braços da pediatra, no trajeto entre a sala de cirurgia e o berçário.

 

20 de julho

Fazemos, avós e tios, uma rápida visita à mãe e à filha. A danadinha mama e regorgita. É gulosa demais.

 

21 de julho

Mãe e filha têm alta do hospital às 8 horas da manhã. Às 15 horas as duas voltam para o hospital porque Clara continua vomitando o que mama. Uma pequena preocupação toma conta da família.

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Há exatos 500 anos começava um movimento que mudaria tudo. Da ciência à religião, das relações comerciais à cultura, nada seria como antes. E, claro, a redescoberta do ensino dos apóstolos definiria o novo rumo da igreja protestante.

No Brasil, para o pastor Elben César, a Reforma Protestante deu início a três períodos diferentes de evangelização: nos séculos 16, 17 e 18, os missionários católicos “cristianizaram” o país; no século 19, os missionários protestantes “evangelizaram” o país; e, no século 20, o missionários pentecostais “pentecostalizaram” o país. Para saber mais, confira A História da Evangelização do Brasil- dos Jesuítas aos Neopentecostais.

Ao longo do ano Ultimatoonline tem publicado diferentes artigos sobre a Reforma Protestante e, sempre às segundas-feiras, meditações diárias de Martinho Lutero, que celebram de modo especial, a vida e o legado do Reformador. Lançamos em agosto o livro A Reforma – o que você precisa saber e por quê, de John Stott e Michael Reeves e, durante o mês de outubro, o leitor vai perceber uma ênfase ainda maior sobre o significado e as implicações da Reforma, cujo início é marcado pelas 95 teses de Martinho Lutero que, pasmem, não foram afixadas na porta da igreja de Wittenberg.

A Reforma Protestante é o tema do mês de outubro aqui no Portal. E não poderia ser diferente. Com nova roupagem e ainda mais conteúdo, lançamos o blog Reformadores, com uma seleção preciosa de textos, livros, estudos bíblicos e muitos outros recursos reunidos em um só lugar.