Semana 73: Lucas 21

Jesus estava no pátio do Templo, olhando o que estava acontecendo, (v.1a)

e viu os ricos pondo dinheiro na caixa das ofertas. Viu também uma viúva pobre, que pôs ali duas moedinhas de pouco valor. Então ele disse:— Eu afirmo a vocês que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque os outros deram do que estava sobrando. Porém ela, que é tão pobre, deu tudo o que tinha para viver….

Jesus ensinava no pátio do Templo todos os dias…. (v.37)

O capítulo 21, como o capítulo 20 na reflexão anterior, deve ser lido de uma só vez. Os versículos 1 e 37, citados acima, deixam isto claro. São vários ensinos, mas todos dados enquanto Jesus estava no pátio do Templo.

Ele acabara de aconselhar o povo a tomar cuidado com o ensino dos mestres da Lei (20.46-47) que exploram as pessoas. Agora Jesus vai dar o seu ensino e isto, justamente em relação a urgência da hora. Vamos considerar o primeiro ensino: a respeito das nossas contribuições financeiras. A “lição” em si é bem clara: quem merece elogio não é quem dá “muito” (sempre um valor relativo à posição econômica da pessoa) mas quem dá tudo. Na versão do relato por Marcos, Jesus dirige este ensino especificamente aos seus discípulos (Mc 12.41-44). Logo aplica-se ao discipulado. E a lição é idêntica a outra lição dada acerca do jovem rico (Mt 19.16-22; Mc 10.17-22; Lc 18.18-23). Para seguir Jesus é necessário antes vender tudo e dar aos pobres. Duas observações:

Primeiro, é impressionante que este ensino chega imediatamente depois do aviso sobre os mestres da Lei que “exploram as viúvas e roubam os seus bens; e, para disfarçar, fazem orações compridas.” (20.47). Exatíssimamente igual ao que ocorre até hoje: a exploração de gente carente por pregadores prometendo o céu e a terra, se apenas tiver “fé” e claro, entregar todos os seus bens para eles. Sem mais comentário…

Segundo, e isto atinge quase todos nós. É quase impossível tratar este assunto da viúva pobre sem falar do dízimo. Afinal, se a gente puder estabelecer o vigor ainda hoje do dízimo, a lição de Jesus para os discípulos a respeito da viúva pobre e a jovem rico cai por terra. “Mas, seu Timóteo”, tu digas, “existe o ensino no próprio Novo Testamento e foi o próprio Jesus que o deu e o proscreveu“. Isto mesmo, e se encontra em Mateus 23.23 e Lucas 11.42. Sim, sem dúvida. Só que isto é claramente um ensino dado para os fariseus (repare o uso do pronome “vós”) e não para os discípulos (esta, por sinal, é a única proscrição do dízimo no Novo Testamento e é dada para aqueles que insistem no velho regime, cegos ao novo). Também se for ler o capítulo 23 inteiro de Mateus e a passagem inteira de Lucas fica claro que Jesus não recomenda que os discípulos sigam o exemplo dos fariseus. Logo, não há contradição. O padrão do discipulado é o padrão da viúva pobre, que por sua vez era exatamente o padrão também da igreja primitiva no Livro de Atos (cap. 5).

Radical? Sem dúvida. Executável? Também só podemos dizer que sim, mas como? Confesso que também tenho a minha casa, o meu carro, enfim, os meus bens. E procuro “dispor” tudo isso a Deus, só que ainda usufruto de tudo isto. Todos nós temos que lidar com isto e chegar a práticas concretas. Mas certamente a “solução” não é recorrer para um ensino do Antigo Testamento que Jesus já cumpriu e assim, aumentou.

Oração

Pai, conduz o nosso coração a generosidade e liberalidade. Em nome de Jesus.

 

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