Dia 19 de abril é uma data para comemorar as populações tradicionais presentes no Brasil hoje e que são originárias daqueles que já viviam aqui no Brasil quando nem éramos uma nação, ou seja, pré século XVI. Índio é uma palavra bem contestada. Primeiro porque não havia um povo com uma língua, mas algumas centenas de etnias. Segundo o IBGE, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Segundo porque “índio” se refere ao povo da Índia (rota final do comércio lusitano). O Dia do Índio talvez deveria então se chamar de “Dia dos Povos Indígenas” e deve ser comemorado como o dia em que dedicamos nossa atenção às situações de vida destas populações espalhadas por todo o território nacional. Entre eles, temos muitos irmãos e irmãs que já se organizam em lideranças evangélicas e que desejam ampliar o diálogo com a igreja evangélica brasileira. O CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas) representa um coletivo destas lideranças.

 

Para lembrar este dia de uma forma bem singela, resolvemos entrevistar a Hilda Dias, missionária há 38 anos numa aldeia da etnia Karajá onde atua como educadora. Hilda faz questão de alfabetizar as crianças na língua Karajá, ama contar histórias e se relacionar com aquele povo. Ela é carioca e ligada à Missão Novas Tribos do Brasil

 

Rede Mãos Dadas (RMD): Nos 38 anos de trabalho direto com as crianças Karajá, conta para nós o que é mais essencial para elas? Qual é o maior desejo do coração delas?

Hilda: As crianças Karajá têm muita liberdade no cotidiano da aldeia. Os pais dão a elas toda liberdade. Para a criança Karajá, estar com os pais é o mais prazeroso. Criança na língua Karajá significa “o bem uterino”. Quando a mulher fica grávida, há um ritual em que a presenteiam pela gravidez, cuidam dela em todos os detalhes, alimentação e atenção. Ao nascer a criança, todos correm para vê-la. Se for o primeiro filho, pertencerá aos avós. O primogênito tem mais destaque. No nascimento, as pessoas se apresentam para vestir o bebê, dar-lhe banho e oferecer cuidados em todos os aspectos da criança recém-nascida. Os parentes passam a denominá-lo conforme sua família o nomeou desde o nascimento, com isso recebe vários nomes que são dados por cada parente, chegando a ter mais de 10 nomes. 

 

RMD: Qual é o maior medo?

Hilda: Penso que o maior medo das crianças é ficar sem os pais.

 

RMD: Onde elas se sentem mais seguras?

Hilda: As crianças se sentem seguras perto dos pais.

 

RMD: De todas as mudanças que você percebe na cultura neste tempo todo com eles, qual é a mudança que você gostaria de poder impedir porque não ajuda as crianças?

Hilda: As crianças são muito amadas e cuidadas com todo mimo e atenção, portanto eu não ia querer mudar nada, apenas acrescentar o falar sobre Deus. 

 

RMD: Qual é a mudança que você gostaria de impulsionar porque faria toda a diferença na vida das crianças?

Hilda: Falar sobre Deus para que se sintam mais seguras tendo uma família na terra e uma família na fé. Mesmo crianças podem crer e receber a segurança da salvação em Cristo Jesus. 

 

RMD: E por último, como os leitores da Rede Mãos Dadas podem orar nestes tempos pensando no povo Karajá?

Hilda: Orar para que as crianças cresçam com oportunidade de ouvir sobre a Palavra de Deus, para serem orientadas em como vencer os obstáculos da vida e crerem em Jesus para salvação. O costume antigo de bebida fomentada hoje fomenta o uso abusivo do álcool e drogas. A internet está aqui e oferece jogos perigosos que trouxeram o tema do suicídio para a comunidade. Eu creio que Jesus nos ajudará a vencer estes desafios.

 

Convidamos você a orar pelo término da tradução do Velho Testamento e pelos líderes da Igreja karajá.

 

Hilda Dias é missionária da Missão Novas Tribos do Brasil, desde 1983. Portanto 38 anos de trabalho com a etnia karajá. Evangeliza crianças, adolescentes e adultos nas aldeias Macauba e Ibutuna. Trabalha com a tradução das lições bíblicas e na tradução do Velho Testamento. Também treinando os líderes da igreja atual em Macauba.

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