As parteiras do Egito: uma história contada do ponto de vista de Deus

Por James Gilbert

 

INTRODUÇÃO
Êxodo, o segundo livro da Bíblia, não era assim conhecido nos tempos antigos. Na antiguidade não era comum dar um título à obra escrita. Esta era chamada pelas primeiras palavras ali registradas. O livro de Êxodo ganhou este nome mais tarde por conter o relato de como o povo de Israel saiu da condição de escravidão no Egito para formar uma nação na terra de Canaã. Antes de ser conhecido como Êxodo ele era conhecido por “São estes, pois, os nomes”!

 

O QUE HÁ EM UM NOME?
Em Êxodo 1.1 o uso da conjunção “pois” indica que este livro dá continuidade à história iniciada anteriormente em Gênesis. O livro começa com uma genealogia. Será importante mesmo saber os nomes das pessoas, uma vez que sabemos muitíssimo pouco de suas histórias? Nomes são especiais e importantes para nós. Deus batizou o primeiro ser humano de Adão e em seguida trouxe todos os animais para que Adão lhes desse nomes. Para governar sobre a criação, era preciso primeiro nomeá-la. Organizamos, relacionamos e construímos nossos mundos ao atribuir nomes à tudo ao nosso redor.

 

CONSIDERAMOS HOJE A FERTILIDADE UMA BENÇÃO?estudo_james_gilbert
“São estes, pois, os nomes” nos remete de imediato a José e seus irmãos, listados individualmente. São bisnetos de Abraão a quem Deus prometeu tornar uma grande nação. Mas no versículo 6, há uma palavra que expressa a ideia comum a todas as genealogias encontradas na Bíblia: morreram. A morte chega a todos nós, arruinando a criação, porque a humanidade criada escolheu se afastar do Criador. Mas a morte não tem a última palavra. Em seguida, no versículo 7 encontramos o reverso: “Os israelitas, porém, eram férteis, proliferaram, tornaram-se numerosos e fortaleceram-se muito, tanto que encheram o país.” Estas duas realidades, da morte e da vida foram explicadas no livro anterior, Gênesis.  Novamente somos remetidos à benção original de Deus proferida a Adão: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!” Gn 1.28. Remete-nos também à promessa de Deus para Abraão: “Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.” Gn 12. As crianças são benção de Deus. Para Adão e Eva elas foram a primeira grande benção, para Abraão foram veículo de benção culminando com o nascimento do menino Jesus, o maior presente de Deus para a humanidade.

 

1. LEIA ÊXODO 1.8-22

 

2. NO VERSÍCULO 8, EXISTE UMA RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO:  a perseguição se dá porque o novo rei não tinha José como referência. sua ignorância sobre a história de seu próprio país e da intervenção de deus ali é razoável? Será que hoje temos governantes que promovem estratégias nocivas e até genocidas com um suposto fim nacionalista, desconsiderando totalmente nossos referenciais cristãos?

Em Gênesis, 400 anos antes desta narrativa, encontramos José, estabelecido como a segunda autoridade no Egito, respondendo apenas ao faraó de seu tempo. Foi José quem preparou o Egito para enfrentar uma grande fome cujo resultado foi o engrandecimento dos faraós que passaram a possuir grande parte da terra. O grande poder deste rei se deve então à ação de Deus no passado. Um rei deveria conhecer sua história. Fazia parte de seu preparo aprender sobre seus antepassados e o seu legado. Neste caso então, não conhecer significa não lembrar, não honrar a herança dos reis que o precederam. Não conhecer a José significa também desconhecer o Deus de José e desprezar o fato de que Deus tinha abençoado o Egito, salvando muitas vidas. Este fracasso do rei em perceber que era Deus quem abençoava o povo hebreu, resultou em medo e o medo se transformou em preconceito, opressão e violência. Quantos de nossos preconceitos são o resultado de nosso medo?

 

3. AJUDE O GRUPO A CRIAR UMA TABELA COM TODOS OS PERSONAGENS A PARTIR DO VERSÍCULO 15:

Nome Função e título De que lado estão?
Não tem Rei do Egito, Faraó Do mal
Sifrá e Puá Parteiras De Deus
Não tem Meninos e meninas Vítimas
Não tem Mulheres hebréias Vítimas resilientes
Não tem Mulheres egípcias São usadas como comparação
Não tem Povo (hebreu) O objeto maior da perseguição
Não tem Povo (egípcio) Do mal se obedecerem ao seu rei

 

4. OLHANDO PARA A PRIMEIRA COLUNA. O QUE CHAMA MAIS A ATENÇÃO? QUAL É O CONTRASTE QUE O TEXTO TRAÇA ENTRE O REI E AS PARTEIRAS?
Os únicos nomes citados são os nomes de duas parteiras que ousam desobedecer o rei do Egito! A história começa com um rei cujo nome não nos é apresentado. No livro São estes, pois, os nomes, o nome do rei não é incluído! Este rei sem nome, poderoso, à frente da nação mais temida do mundo, decide que usará sua astúcia contra os hebreus. A primeira tática é a escravidão e quando esta não funciona, o genocídio. Sua ignorância em relação ao Deus de José o coloca numa posição precária. Seu plano fracassará.

Em contraste, a narrativa, como acontece em outros textos bíblicos, reconhece aqueles que se esforçam por preservar as suas bênçãos. As parteiras eram respeitadas na antiguidade. Além do auxílio na hora do parto, elas também ajudavam nos cuidados do pré-natal e puericultura. Em outras palavras, o trabalho delas envolvia o zelo pelas crianças, bênçãos ofertadas por Deus. Duas parteiras, Sifrá e Puá, se recusam a obedecer as ordens do rei de matar os meninos recém-nascidos. E apesar do medo que um faraó poderia infundir em qualquer habitante daquela nação, o texto diz duas vezes que elas temeram a Deus.

Como a história de nossos dias será contada do ponto de vista eterno? Quem serão os reis sem nomes? Quem serão as parteiras cujos nomes estarão registrados porque ousaram temer a Deus e assim correr riscos em favor da justiça?

 

5. QUE RECOMPENSA DEUS CONCEDEU ÀS PARTEIRAS POR SUA ATITUDE CORAJOSA?
Nas sociedades antigas, parteiras não se casavam, talvez em virtude de seu trabalho. Mas, neste caso, Deus intervém e concede uma família, tanto à Sifrá como à Puá.

Em situações claramente perversas como tantas encontradas na história, indivíduos enfrentam dilemas éticos extremos. Nestes momentos, vemos Deus usando pessoas comuns, muitas vezes pessoas com muito pouco poder, para fazer valer a sua vontade. A desobediência e engano praticados pelas parteiras são o menor dos males pois elas arriscam suas vidas para salvar a vida das crianças. Em geral, acontece o contrário, pratica-se a desobediência e o engano para se obter vantagem.

Calvino comenta

“…mas ele explica a razão pela qual elas desobedeceram esta ordem injusta, qual seja, a reverência delas para com Deus exerceu maior influência. E certamente, assim como todos os nossos afetos são mais bem ordenados por este julgo, assim também, ele é o escudo mais certeiro para evitar todas as tentações, e uma âncora segura para firmar nossas mentes, impedindo que vacilem, em tempos de perigo.”[1]

[1]Calvin, John (2013-11-29). Commentary on Exodus (Kindle Locations 291-293).  . Kindle Edition.

 

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