Por Elsie B. C. Gilbert

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Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.
Colossenses 3:17

A primeira vista o título deste post gera uma certa suspeita. Lá vamos nós discriminar os não cristãos dizendo que o que nós fazemos é melhor do que o que eles fazem!

Calma lá! Se não houvesse diferença, a palavra cristão seria totalmente dispensável e redundante! Então porque insistimos nela?

Posso dizer que não é porque a qualidade do serviço prestado por educadores sociais cristãos seja melhor do que a dos não cristãos. Há pessoas dedicadas e dispostas a fazer o bem em todos os lugares. Acabo de ler esta manhã a história fascinante de um canadense, Stephen Sumner, que após lidar com dores horríveis anos a fio, tendo descoberto uma solução, decidiu investir todo o seu tempo a ensinar pessoas com o mesmo problema sobre a solução descoberta por ele.

A dor que ele sentia era resultado da amputação de uma de suas pernas. Mesmo não existindo a perna, a dor fantasma era debilitante. Steven descobriu refúgio em uma terapia muito simples que usa um espelho para ajudar o cérebro a processar a ausência do membro amputado.

Em algumas semanas, a dor sumiu! Steven hoje viaja para países onde a incidência de amputações é grande como no Camboja, em Laos, e na região de Kerala na Índia. Ele percorre as ruas e estradas de bicicleta carregando espelhos de acrílico para pessoas que convivem com o problema. Onde quer que chegue, ele ensina, demonstra, convence, e deixa os espelhos para pessoas cuja pobreza impede que tenham acesso a este objeto relativamente barato.

O bem que Stephen faz não está condicionado ao fato de ser ou não ser cristão. Ainda bem! O fato do sol brilhar para todos, e oxigênio e água estarem disponíveis em todo o planeta, e o desejo de ajudar ao próximo estar distribuído em todos os grupos humanos, independente de suas crenças, é algo chamado pelos teólogos como graça comum.

Então qual é a diferença?

A diferença é que os Educadores Sociais Cristãos realizam seu trabalho como um ato de gratidão ao Deus Criador e Redentor. Quando recebemos uma criança, nós a recebemos como se estivéssemos recebendo a Jesus. No ato de acolher a criança levamos em conta o que Jesus foi como criança e como se comportou em relação às crianças de seus dias. Tratamos então de imitá-lo! Jesus abençoou as crianças, Jesus valorizou a infância, Jesus participou como menino de sua comunidade e acolheu a participação das crianças em seu ministério. Jesus nos instigou a nos tornarmos como criança por que delas é o reino de Deus.

Sendo assim, para nós Cristãos, o nosso serviço às crianças é também uma forma de adoração não da criança mas do Deus que a criou. É uma forma de seguir os passos de Jesus, de se encantar com as maravilhas que ele fará na vida dos pequeninos e por meio deles. E é por tudo isto que o nosso trabalho precisa ser realizado com toda dedicação, reverência e muita alegria!

  1. “Calma lá! Se não houvesse diferença, a palavra cristão seria totalmente dispensável e redundante! Então porque insistimos nela?”

    Qual o objeto da ação de um pedreiro? Construção, reforma ou não de um determinado espaço imobiliário. Qual da enfermeira? Cuidar de um paciente. Começa por aí.

    É preciso ser cristão para fazer uma coisa ou outra? Não. O instrumento que serve um (cristão) servirá ao outro (não-cristão) ainda que haja a possibilidade de um desvio de função. Ou ser cristão dá a ele imunidade. Resposta, não dá.

    Segundo o texto da Elsie, a diferença está em que “… os Educadores Sociais Cristãos realizam seu trabalho como um ato de gratidão ao Deus Criador e Redentor.”

    Um instante: qual a diferença entre um médico cristão a serviço de ribeirinhos no Amazonas e um médico não-cristão com a organização Médicos Sem Fronteiras? Nenhuma. Ainda que um opera com Deus e o outro com razões humanistas. O resultado positivo, se se desejar, será sempre o mesmo.

    Ato de gratidão a Deus e ato de gratidão ao ser humano é a mesma coisa? É. Onde o erro do artigo então? É que Elsie catapulta o serviço cristão e o define não como um ato em seu próprio mérito, mas em relação a algo estranho a ele.

    Se Lucas o médico amado do livro de Lucas e Atos operava em um universo onde Deus era o objeto, a medicina seria subserviente a Ele e no entanto, o resultado de quem é cristão e não é com um bisturi elétrico na mão é o mesmo independente do objeto sobrenatural, se existir para um e não para o outro.

    A ideia no universo cristão é sempre procurar julgar o homem na sua relação com Deus. O problema com esse tipo de construção é que ao olhar a história da humanidade tanto para um (cristão) como para o outro (não cristão), o resultado pode ser desastroso ou não em seu próprio mérito, e não em relação a Deus.

    Mas e se o cristão quiser dedicar seu trabalho cirúrgico? Neste caso será julgado em seus próprios méritos. O erro do argumento de Elsie é que ela sempre procura um qualificativo no chamado ‘o outro’, no caso, Deus, sobretudo porque tanto a sua formação e a sua formação existe um modelo teológico assim.

    Mas isso não se sustenta. A menos que a história humana indique que o Cristianismo produziu uma expressão de generosidade impecável ao logo de dois milênios.

    Melhor não levantar o tapete, não é mesmo? A menos que eu faça Deus objeto de escárnio perante a humanidade.

  2. Acho muito exagerada a crítica do Eduardo. De fato a Elsie apresenta uma visão bem equilibrada e simples e mostra que de maneira geral não devemos procurar a diferença entre o bom serviço do cristão ou do não cristão. Mas apenas o cristão pode ver as crianças como Jesus as via e tratava, e assim tem uma responsabilidade maior.

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