Participei recentemente  de uma capacitação para professores da escola pública em uma comunidade ribeirinha, Barreira do Andirá, localizada às margens do Rio Mamuru, próxima à cidade de Parintins, AM. Estava lá a convite de Asas de Socorro e sob a liderança da missionária Rute Camilo Dauaidar que lidera o projeto Ensinando com Êxito.rosa

Asas de Socorro realiza anualmente várias clínicas médicas e dentárias na região.  Além das clínicas são realizadas oficinas de prevenção contra a violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, oficinas cujo foco é a saúde, oficinas sobre saneamento básico e hábitos de higiene, entre outros assuntos. E para os educadores é realizado o projeto Educando com Êxito que tem como objetivo fortalecer os professores locais em sua atuação junto às crianças.

Eu estava muito quente, suava em bicas e invejava a adaptação de meus ouvintes que não pareciam compartilhar da mesma sensação térmica que eu. O assunto a ser tratado era o bullying. Resolvi pedir para que cada um contasse uma história na qual alguém conhecido por eles tinha sofrido bullying, Eu queria usar seus relatos para fazer uma distinção entre conflitos e desavenças mais corriqueiras e o bullying em si. Eu entendo que o bullying é uma espécie de perseguição dirigida, persistente e muito prejudicial porque pode gerar em sua vítima transtornos psico-sociais graves e duradouros.

Qual não foi minha surpresa quando uma das histórias relatadas tratava-se de uma colega de profissão e não de um aluno. O grupo me contou que uma estudante de pedagogia e professora da educação básica, foi embora da comunidade porque não aguentou  a zombaria da qual se tornara alvo. O motivo da implicância? Ela só usava cor-de-rosa!  Suas roupas, sapatos e acessórios eram sempre cor-de-rosa. Até sua rabeta (embarcação parecida com uma canoa, movida a motor) era da mesma cor.

E aí, me perguntaram, ela era ou não alvo de bullying?

Coloco a pergunta para você. Uma moça escolhe ficar desempregada porque não aguenta mais a zombaria dos colegas. No entanto, ao mesmo tempo, ela tem o poder para mudar seu comportamento e parar de usar cor-de-rosa. O que você acha que estava acontecendo nesta comunidade? Qual seria seu conselho para a moça? O que diria para o grupo?

  1. Acho curioso uma pessoa só usar uma cor. Será que fez um voto? Se a pessoa tem o direito de escolher o que vestir, as outras pessoas também tem o direito de achar ridículo, claro expressando sem agressividade. Cada um tem que arcar com as consequências de seus atos.
    Considero Bullying quando uma pessoa é alvo de zombaria por uma característica que não depende dela: ser “gorda, magrela, baixinha, sardenta”…
    Esta professora tinha duas outras escolhas: permanecer usando o cor de sua preferência e ignorar ou encarar as reações, ou então usar roupas menos chamativas.

  2. Considero aqui com meus pensamentos e observações que a vivencia em comunidade torna a invasão de privacidade uma coisa comum.
    A minha amiga que mora e é missionária nessa região conta da dificuldade que ela sente pela perda da privacidade.
    Não sei se é possível afirmar que a intolerância ao diferente seja maior em comunidades ribeirinhas.
    No meio das crianças eu fazia uma atividade e perguntei o nome de cada um. Na rodinha enquanto eles falavam o nome, chegou em um menino e quando ele disse o nome todos riram.
    Voltei nele e perguntei para os outros porque vocês tão rindo. Minha suposição era que estavam rindo por causa do seu nome. A resposta foi: é que os irmãos deles são mudos.
    Mais tarde descobri que ele tinha vários irmãos mudos.
    Aquilo me fez pensar em quanto aquela criança sofria por isso.

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