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A única forma de aprender a voar é voando

“Como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o SENHOR Deus cuida do seu povo.” (Deuteronômio 32.11)

A águia tem uma forma muito radical de ensinar seus filhotes a voar. Ela simplesmente os lança em queda livre porque a natureza lhe ensinou que a única forma de aprender a voar é voando. As vezes agimos mais como galinhas chocas, sufocando nossas crianças porque não acreditamos em sua capacidade de andar com suas próprias pernas. Por consequência, acabamos não lhes dando ouvidos também.

Protagonismo infanto-juvenil (ou participação infantil) surge das discussões em torno dos direitos das crianças. A Convenção Internacional dos Direitos da Criança afirma, no artigo 12, que a criança tem “o direito de expressar suas opiniões livremente sobre todos os assuntos relacionados a ela”.

Protagonismo infanto-juvenil surge também de uma outra discussão: como as pessoas se tornam capazes de gerir suas vidas? Participando desde cedo das decisões sobre questões que lhe afetam. Uma criança só aprende a ser cidadã quando exerce sua cidadania.

Temos um termo técnico para a arte de influenciar pessoas ou grupos para que adquiram atitudes geradoras de mudanças e autonomia: empoderamento. (1)
Pessoas ou comunidades cuja dignidade é evidente “vêem-se como pessoas de recursos, acreditam que podem realizar mudanças por elas mesmas, (…) encorajam as aspirações, esperanças e criatividade dos indivíduos e grupos, têm um crescimento consciente e cheio de esperanças, têm expectativas e tomam responsabilidades para si”. (2) 

Por que não trabalhar estas atitudes quando lidamos com crianças e adolescentes?

Os artigos principais desta edição enfocam dois contextos importantes para a participação infantil: nos projetos sociais e na igreja. A partir destas reflexões, queremos promover a ética de Jesus que acolhia, de verdade, as crianças e não deixava os religiosos esquecerem: é delas que provém o perfeito louvor (Mt 21.15).

 

Notas: 
(1) Esta palavra veio do verbo no inglês to empower que significa dar poder para.
(2) O Reino entre Nós, Maurício J.S. Cunha e Beth Wood (Editora Ultimato), página 65.

 

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Retirado do livro Participação Infantil, Roots 7, Tearfund, 2004.

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Artigo publicado originalmente na Revista Mãos Dadas, Edição 12 (páginas 6 e 7), em julho de 2005.

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