Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, (1 Pedro 1:15)

Os Dez Mandamentos estabelecem para nós padrões muito elevados. Eles nos desafiam a dar a Deus nossa adoração exclusiva, espiritual, coerente, regular e obediente, como também a preocupar-nos com a integridade da vida, do lar, da propriedade e do bom nome de nosso próximo. Compreender as implicações radicais dessas exigências reveladas por Jesus no Sermão do Monte percebendo nelas uma convocação a amarmos a Deus com todo o nosso ser e a amarmos o nosso próximo como a nós mesmos é capaz de levar-nos a um profundo desespero. De fato, foi este o propósito inicial de Deus ao nos dar a lei – expor e condenar nossos pecados, tirando assim de nós toda e qualquer esperança de salvar a nós mesmos. Pois desse modo pode-se dizer que a lei nos aponta para Cristo como o único, exclusivo e indispensável Salvador. Mas, uma vez que a lei nos conduziu a Cristo a fim de sermos justificados, Cristo nos manda de volta à lei para sermos santificados, contanto que nos lembremos de que somente o Espírito Santo pode escrever a lei em nossos corações e nos permitir obedecê-la.

Precisamos valorizar cada vez mais o inestimável dom do Espírito que habita em nós. Então iremos a Cristo cada dia, e a cada novo dia reabriremos nossa personalidade diante dele para que o Espírito Santo possa nos encher e transformar. Lembremos também que o próprio Deus estabeleceu certos canais por meio dos quais a sua graça santificadora pode nos alcançar. Esses “meios da graça” compreendem a leitura bíblica, a oração, a adoração, a comunhão e o culto da Santa Ceia. Precisamos fazer aquilo que os puritanos chamavam de “um uso diligente dos meios da graça”. Pois, como dizia J. C. Ryle, aplicando o ditado à vida cristã, “não há recompensa sem esforço”.

A nossa saúde física nos dá uma boa ilustração. A melhor forma de garantirmos a saúde e combatermos as infecções não é recorrendo aos medicamentos certos quando surge uma epidemia e somos expostos aos micróbios (embora isso possa ser necessário), mas sim criando resistência durante o restante do ano por cultivarmos regularmente bons hábitos alimentares, sono e exercícios disciplinados. Assim também o verdadeiro segredo para se lutar contra o mal e desenvolver uma vida de santidade não é o que fazemos no momento da tentação (embora de fato precisemos clamar a Jesus Cristo por libertação), mas antes o que fazemos no restante do tempo, acumulando força espiritual por meio de uma vida disciplinada no Espírito.

E agora vamos aos meios da graça.

Trecho originalmente publicado no livro Como Ser Cristão.

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