Em 1995, Roy McCloughry entrevistou John Stott para a revista britânica Third Way. A entrevista foi republicada também pela Christianity Today nos Estados Unidos. O conteúdo da entrevista esclarece ainda mais os temas centrais de Stott sobre cristianismo equilibrado e apresenta seus pontos de vista em várias questões enfrentadas pelo cristianismo evangélico. Leia trechos a seguir.

Quais são as causas atuais de nossa fragmentação?

Bem, divergimos sobre o que consideramos questões de princípio, mas a razão é frequentemente pessoal, não é mesmo? Quando sentimos medo, abrigamo-nos em relacionamentos e guetos nos quais nos sentimos seguros com pessoas que pensam como nós. Reconheço esse medo em mim mesmo; é parte de nossa insegurança humana básica. Estamos buscando contextos nos quais podemos ser apoiados, não questionados.

Qual a base teológica para o envolvimento cristão hoje? É suficiente falar sobre “sal e luz”?

Primeiro, há a natureza do próprio Deus. Ele está interessado e preocupado com mais do que religião: ele é o Deus da criação, assim como da aliança. Ele é amante da justiça: essa é sua natureza. Ele é um Deus que protege e defende os oprimidos. Se esse é o tipo de Deus que ele é, então, obviamente, seu povo também deve sê-lo.

Segundo, há a doutrina dos seres humanos. Se você se concentrar exclusivamente na salvação eterna da alma, dá a impressão de que um ser humano é apenas uma alma flutuando no vazio. Quando eu era estudante, fomos criados com a frase “um amor pelas almas”. Lembro-me de ter lido um livro chamado A Passion for Souls [Paixão pelas almas]. Contudo, nunca tive paixão pelas almas. Não posso imaginar uma alma como um objeto apropriado de amor ou afeição.

Seres humanos são mais do que almas; são “corpos-almas-em-uma-comunidade”. Se eu verdadeiramente amar meu próximo, o segundo grande mandamento ordena que eu o ame e o sirva em suas dimensões físicas, sociais e espirituais.

Eu poderia continuar – mas há tanto a dizer. Quase toda doutrina bíblica tem alguma relação com essa questão.

Você disse que cristãos são otimistas e não utópicos. Você é otimista sobre a igreja? Você sente que a próxima geração de líderes está preparada adequadamente?

Sim, penso que devo responder positivamente. Pessoas mais velhas da minha geração sempre têm dificuldade de reconhecer os dons dos jovens, ou mais jovens, mas, certamente, quando olho à minha volta, há homens e mulheres com dons notáveis que Deus está levantando.

No entanto, não somos utópicos. Não podemos construir o reino de Deus na terra. Estamos esperando pelo novo céu e pela nova terra, que serão o lar da retidão e paz. Contudo, sou otimista, porque não acho que pessimismo e fé andem juntos. Creio que Deus está agindo no mundo, creio que o evangelho é o meio do poder de Deus para a salvação de cada crente, e creio que a igreja pode ser sal e luz na comunidade. Tanto o sal quanto a luz são bens influentes: mudam o meio em que são colocados.

Que conselhos daria à nova geração de líderes da igreja?

Gostaria de dizer muitas coisas, mas minha exortação mais importante seria: Não negligencie suas habilidades críticas. Lembre-se de que Deus é um Deus racional, que nos fez à sua própria imagem. Ele nos convida e espera que exploremos essa dupla revelação, na natureza e nas Escrituras, com as mentes que nos deu, e que continuemos no desenvolvimento de uma mente cristã capaz de aplicar a cada aspecto do mundo moderno e pós-moderno a maravilhosa verdade revelada.

Texto extraído do livro Cristianismo Equilibrado. Ultimato, 2017.

A VIDA EM CRISTO | JOHN STOTT

A fé cristã e a vida cristã autênticas têm como base a centralidade de Jesus Cristo. O que isso significa?

Prático e fácil de ler, A VIDA EM CRISTO apresenta as implicações da vida cristã a partir das “preposições” usadas no Novo Testamento. Para John Stott, viver em Cristo, por meio de Cristo, sob Cristo, com Cristo, por Cristo e para Cristo mostra os diferentes aspectos do relacionamento com ele e, em cada caso, com o próprio Jesus Cristo no centro.


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  1. Graça e paz. Me chamo Claudia e agradeço ao Senhor pelo trabalho desta revista. Gostei muito do assunto e louvo a Deus por me apresentar; sobrenaturalmente esse servo de Deus. Em 2012, tive um.sonho que eu olhava um livro antigo e que pessoas se moviam! Nele havia uma frondosa árvore! Vi a capa do livro e Deus me.mostrou o seu autor: John Stott. O livro se chama:’DISCÍPULO RADICAL’. Li em pouco tempo. Presente de Deus! Ele, o saudoso pr.John é um dos meus líderes favoritos os quais admiro. Abraço. Deus os abençoe.

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