Nós e o Espírito Santo

sexta-feira

Nós somos testemunhas de tudo isso — nós e o Espírito Santo, que Deus dá aos que lhe obedecem. (At 5.32) 

Pedro parece presunçoso ao colocar juntos os discípulos e a terceira pessoa da Trindade: “nós e o Espírito Santo”. Pode parecer revelar também alguma leviandade da parte dele. Porém, mais à frente, “os apóstolos e os presbíteros, com o apoio de toda a igreja” (15.22, RA), escreveram a mesma coisa na carta endereçada aos cristãos de Antioquia: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além [de certas] coisas essenciais” (15.28, RA). Outras versões dizem: “O Espírito Santo e nós mesmos” (NTLH); “É decisão do Espírito Santo e nossa” (BP); e “Decidimos, o Espírito Santo e nós” (CNBB). 

Os apóstolos tinham credenciais para chegar ao ponto de escrever ou falar “nós e o Espírito Santo”. Eles eram dirigidos pelo Espírito (8.29), cheios do Espírito (4.31), recebiam poder especial do Espírito (1.8). Na igreja primitiva, o Espírito estava bem próximo dos fiéis e estes estavam bem próximos do Espírito. Era tal essa aproximação que Ananias e Safira foram acusados de mentir, não aos homens nem à igreja, mas ao Espírito (5.3). 

Para afirmar “nós e o Espírito Santo” é preciso muita cautela, muita responsabilidade, muito temor do Senhor, muita santidade, muita coerência. Ao longo da história, certas decisões conciliares com o carimbo “nós e o Espírito Santo” mostraram-se tragicamente equivocadas. O apóstolo João exige prudência: “Meus queridos amigos, não acreditem em todos os que dizem que têm o Espírito de Deus” (1Jo 4.1). 

 

>> Retirado de Refeições Diárias – no partir do pão e na oração [Elben César]. Editora Ultimato. 

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