Deus […] descansou de toda a obra que realizara na criação. (Gênesis 2.3)
Qual foi a coroa da criação de Deus? Não foi a criação do homem, mas a provisão do sábado; não foi a ordem para que o homem pegasse suas ferramentas e trabalhasse seis dias, mas a ordem para deixá-las de lado no sétimo dia para adorar ao Senhor. O plano de Deus era criar não apenas o homo faber (homem trabalhador), mas criar também o homo adorans (homem adorador). Os seres humanos se tornam mais dignos quando estão adorando a Deus.
Esse propósito divino foi posteriormente incluído no Decálogo, em seu quarto mandamento, que diz: “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo” (Êx 20.8). Deus sabia o que estava fazendo quando ordenou o nosso descanso mental e físico. Várias tentativas têm sido feitas para mudar o ritmo divino de um dia de descanso a cada seis de trabalho. Os revolucionários franceses introduziram um calendário republicano com uma semana de dez dias, porém Napoleão, em 1805, restaurou a semana de sete dias. Os revolucionários russos transformaram o domingo em dia de trabalho, mas não por muito tempo, pois Stalin o restaurou como dia de descanso. Deus sabe o que é melhor.
Além disso, um dia em sete deveria ser separado para adorar a Deus. Embora alguns cristãos insistam em guardar o sétimo dia no sábado, aparentemente os cristãos primitivos separavam o primeiro dia da semana para adorar, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo (Jo 20.19, 26; At 20.7). O importante não é qual o dia a ser observado, mas manter o ritmo de um dia de descanso a cada sete dias.
O próprio Jesus observou o sábado e ensinou seus discípulos a fazerem o mesmo. Mas ele estabeleceu também um importante princípio: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). A observância do domingo não deve ser algo enfadonho e restritivo, mas uma celebração semanal alegre, na qual encontramos tempo para o descanso, para a adoração e (deveríamos acrescentar) para a família. Para saber mais: Deuteronômio 5.12-15
>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.


